CANTO DE JACI A GUARACI
                         
 
Sete noites, sete dias,
o Sol atrás dos horizontes...
Quanto mais passado é o tempo,
quanto mais a aurora adias,
secam-se rápido as fontes,
desmorona-se, do amor, o templo...
 
Varre o deserto, o vento;
enchem-se, de pó, as meninas
de meus olhos,
perdidas pelas colinas,
perdidas por entre escolhos...
e enquanto, ao longe, contemplo
o eterno pôr-do-sol
desmaiado pelos pampas,
queimados pelo arrebol,
meus sentimentos buscam-se às campas,
pois vãs são as esperanças
e Rapunzel recolhe suas tranças...
 
Vai o Sol minguando a Lua
e o firmamento se acinzenta...
Não sou mais somente minha,
nunca cheguei a ser tua,
nem a Terra me acalenta!
Sou pequena andorinha
que não sabe onde se aninha...
Onde foste, ó fresca brisa,
que toda tensão ameniza?
Viajas por outras plagas
E de tristezas me alagas...
 
Se Peri beijou Ceci,
Por que o Sol em Tupi
não pode, em mim, renascer?
Enquanto trovo e versos sigo rimando,
vai a jandaia de tristeza emudecendo,
o frio da solidão, aos poucos, nos envolvendo
e eu, ao tronco da jataí me recostando,
esperando teu próximo alvorecer,
sinto-me as forças minando...
És Sol, és Deus, és o Grande Mistério...
Que vibre meu corpo ao toque do raio sidéreo!...

Carvalho Branco

 

Música: Chauffeur


 
 
Marilza.|poetas|especiais|busca interna|livro de visitas|e-mail|home 
 


Para receber nosso
Boletim de Atualizações
cadastre
AQUI o seu email


Envie esta página
para alguém especial