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CEGA
Vagando sigo a te buscar...
desejo!
E corro sempre ao teu encontro:
vem!
Mas estás sempre à minha frente...
além
Do alcance do meu toque, do meu
beijo...
MUDA
Ao término do ato
na apoteose final
da cena,
no palco
do meu leito
(Peça central
do teatro
do meu quarto)
Não bato palmas...
Não assobio...
Não grito...
Apenas te olho,
muda...
E os meus olhos
é que pedem bis!
SURDA
surda, não ouço o vento
nem as águas
nem mesmo os passarinhos
que me fazem serenatas
Não ouço as rãs
quando me chamam
nas charnecas
ou o barulho,
quando piso as folhas secas.
Apenas ouço
o triste som
do meu lamento...
Ouço o silêncio
deste eterno sofrimento
desde que tu te ausentaste
do meu leito...
lisieux
BH-04.03.03
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