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Devia ser proibido...
proibido se sofrer assim. Não devia ser
permitido sentir essa solidão orfandade,
esse medo criança, escondido no vão da
escada... esse desespero prenúncio de
morte, paralisante e denso, tão
tremendamente assustador.
Ah, essa saudade baleia, singrando meus
mares, despejando meus sonhos na praia...
corais...
Ah, essa lembrança paquiderme, pisando
pesado no meu peito, peso-morto, que se
deixa ficar, sufocante, sobre mim.
Devia ser proibida essa sequidão de
abraços, esse estio de carinho, deserto de
beijo, ausência de toque... essa falta de
mãos! Saudade mamute, antiga, colossal.
Em dias assim, tão desesperadamente
solitários e frios, devia ser permitido
voltar o relógio... esquecer o outono que
finda, início de inverno e revisitar
passadas primaveras... |