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a boca escancarada da noite
os urros do silêncio
as teclas mudas...
não tilintam os cristais
não estilhaçam a vidraça
os amantes não sussurram...
não há sinos de igreja
o mundo acabou
o relógio dorme
e o tempo não passa...
onde estão os latidos
os galos
os gritos
os olhos do sol?
na cama imensa
só este corpo exausto
o vazio da tua ausência
e os mil anos dessa noite
que me engole
que me vomita...
líria porto
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