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Corto meu
peito, deixo o sangue desenhar
Na folha em branco, meu canto de passarinho
É indelével este jeito de sonhar...
Porque a poesia, onde pousa, faz seu ninho.
Canto meu canto, se tu queres me escutar,
Apenas lê, apenas vê, apenas canta
Junto comigo, com meu jeito de cantar
O meu silêncio e minha dor... que nem é tanta.
A emoção sangra meu ser, a minha veia
Ainda comporta anseios de um sonhador
Que vê nas ondas muito mais que uma sereia,
Que vê no céu bem mais que um anjo sedutor.
A inefável solidão, tão repentina
Desenha pétalas de amor na folha branca
E cada verso é um rastro de bailarina
Que se ilumina pelo amor da dor mais franca.
A emoção é uma canção que um verso pinta
Na tela clara da ilusão de um poeta
A fantasia só se esvai se acaba a tinta
E a saudade no silêncio se aquieta.
Canto meu canto de amor quando me canto
E quando a dor nasce da flor da solidão;
O meu amor é o cantor dos acalantos
Feitos de encantos... dentro do meu coração
Edição: Neli Neto
Música: Endless Love
21.03.05 |