ESCULTORA
Delasnieve Daspet


É tanta solidão que carrego.
É tanta saudade em meu peito.
Minhas noites sem nexo.
Amorfa existência.

Mas na condição humana
Na inspiração que me foi dada
Sou instrumento.

Minha arte é única.
Sofrível,
Díspare,
Inútil,
Escultora que sou
De palavras!

Trabalho pensamentos brutos,
Como pedras não lapidadas,
Inseguros sentimentos,
Tão humanos quanto eu!

Pensamentos de dores,
Minhas, de todos,
De todos os dias,
Esquecidas palavras.
Verbos perdidos na multidão
De sentimentos sem nome!

Esculpindo sonhos,
Lapidando vidas,
Entalhando utopias,
Nas formas brutas d'alma,
Vou distribuindo paixão
Na voz que não quer calar!
 

Edição: Neli Neto
Música: Endless Love

21.03.05

 
 
 


Para receber nosso
Boletim de Atualizações
cadastre AQUI o seu e-mail


Envie esta página
para alguém especial