AS RÉDEAS DO TEMPO
Tahyane Rangel


 

Quando se é jovem a velocidade é máxima para o viver. Nada constitui barreira, todos os minutos têm que ser intensos. Não existem perigos, nada pode deter a vontade de freneticamente um jovem viver.

E a sensação é de que o tempo é lento demais e não acompanha o ritmo da vontade e do corpo de um jovem.

Acho que os jovens vivem muito mais intensamente o presente, vivem o hoje sem pensar no depois, no amanhã.

Para os mais velhos a velocidade está no próprio tempo, o tempo é muito veloz, se esvai, envelhece-se rapidamente, quando o corpo já não acompanha e muitas das coisas que eram importantes, não são mais, podem ficar para depois ou mesmo sem fazer.

Quando vivemos momentos felizes queremos que o tempo pare, ao contrário queremos que ele ganhe asas.

No entanto a vida é mesma para todos e os acontecimentos fluem independente da nossa vontade, pelos caminhos que todos escolhemos e às vezes nem oportunidade de escolher temos.

Adoecer para um jovem na plenitude da vida é desesperador, a vida para, nada tem sentido e nesta pausa mil coisas passam pela cabeça, um rápido repensar no modo de viver, uma certa revolta, conflitos mil, esperando que o tempo passe rápido, na velocidade da sua vontade, uma espécie de cronômetro que está dentro de cada um. Para o adolescente o tempo é muito lento, pois rapidamente quer ser tornar adulto, à medida que avançamos na idade o tempo ganha velocidade, não queremos envelhecer.

Já ouvi de pessoas maduras que passaram por situações críticas que a partir de então mudariam seu modo de viver, seriam mais comedidas, evitariam riscos, não teriam tanta pressa.

Mas... por outro lado, um dia, não muito distante, ouvi de uma jovem que me é muito querida dizer: "Depois que eu quase morri e por tudo que eu passei quero intensamente viver, imagina se eu morro amanhã? Quantas coisas deixarei de fazer!".

E ao ouvir isto, lembrei que para mim um dia o tempo parou, o chão se abriu e me sugou, e como eu quis que ele estivesse em velocidade máxima, a todo vapor, na velocidade plena da vida.

Talvez a velocidade do tempo seja a mesma do nosso respirar...

 

Edição: Neli Neto
Música: You Raise Me Up

09.07.05

 
 

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