Delasnieve Daspet

Não há um instante.
Não há um momento.
Nem o suave sussurro da brisa.
Nem as saudades que sobraram
De andanças antigas,
Me deixam esquecer
Que sou vento. Que sou terra.
Que sou canto. Que sou quimera!

Que tenho no corpo o cheiro da noite.
Nos lábios o gosto do mato.
Nas entranhas, o mel silvestre,
E no olhar orvalhado trago o
Doce e meigo luar do sertão!

Sou humilde flor pequenina
Que se abre pela manhã
À espera do sol
P'ra desabrochar seu amor!

Sou o sertão.
Sou o sabiá que canta
No galho da mangueira.
Sou a chuva que pinga e respinga
Molhando a terra seca
Que faz florescer a roseira!

Sou o cheiro da terra molhada,
Da fantasia alucinante,
Dos rios, cascatas, pântanos,
Sou o verso único e maior
do poeta sonhador!

Sou a mentira. O sonho. A ilusão.
Sou a verdade da lágrima
No bom dia que raia!

Sou a canção de ninar.
Sou a agulha do bordado.
Sou a broa quentinha,
Sou o fogo no chão,
Sou paixão.

Sou o teu lugar vazio.
Sou a melancolia.
Sou a ausência total
Dos movimentos e de vozes!

Sou companheira. Sou parceira.
Que mais queres de mim,
Se já sou tu e não eu?

E na saudade que nos afasta
Sou a lembrança
Dos sonhos mais íntimos!
____________________
27 - 08 - 2001 - 11,00 hs
Campo Grande MS

 

 

Se houver no site algum texto que não corresponda a autoria pedimos fineza contatar-nos para as devidas regularizações. Prezamos e respeitamos a autoria. As matérias assinadas são de responsabilidade de cada articulista.

Delasnieve Daspet

E-mail


08.03.06

Música: In my Heart - Ernesto Cortazar (parte)

 
 
 


Para receber nosso
Boletim de Atualizações
cadastre AQUI o seu e-mail


Envie esta página
para alguém especial