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Não sou velho ainda,
contudo, vivendo, um dia estarei.
Aí sim, vou poder contar das coisas lindas que sei
com a propriedade do saber e mais encantos.
Vou narrar alegrias e esboçar os prantos,
explanar dos tombos às mãos que agarrei,
aquelas mãos que não me deixaram cair,
e das outras tantas que toquei com carinho,
e de muitas outras que beijei por gratidão.
Pelo socorro, por vezes, prestado em meu caminho,
citarei todos os tropeços, cambaleios,
e os prêmios pela teimosia ou paciência.
Vou falar sobre os sonhos, os anseios,
sobre as conquistas que acabei perdendo.
Sobre o que restar de tudo o que realizei,
vou estar relembrando, contando e revivendo,
partilhando minhas experiências com alguém.
Poderei ainda mostrar um velho companheiro,
de capa já embaçada, amarelada pelo tempo,
o caderno, amigo velho, onde me escrevi inteiro.
E estarei, assim, ilustrando,
colorindo o intento do compartilho da vida
ao sabor dos sentimentos,
que me valerão saudade, conhecimento e
compreensão.
Não será muito diferente do que sempre tem sido,
mas terei muito mais a distribuir e compartilhar,
pois tudo que pertença a algum velho bem vivido,
será ferramenta importante para um jovem
prosseguir,
munido de saber e segurança como luz na escuridão,
de valores entendidos, assimilados e adotados,
em razão dos bons resultados na vida de um ancião.

18.04.04
Música: Subindo ao
céu
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