
Quebrei meu orgulho
rasguei meus anseios tirando minha roupa.
Me despi de meus medos
na esperança de um tempo
melhor pra nós dois.
Clamei por seu nome.
Você não me escuta...
Está surdo, distante.
Não ouve minhas súplicas
Nem quer atenção, sequer, meu perdão...
(Neli
Neto)
Sequer quer me perdoar
E nem mesmo olhar para os meus olhos
Para aliviar os meus desejos contidos
A minha saudade e amargura
Porque já não me enxerga mais e faz um bom tempo
Deixou-me desnuda, sem amor
Negando-me suas carícias de prazer
Agora, tudo é só medo,
Vivo entregue à solidão do tempo
Desiludida e sem esperança de nada...
(Laura
Limeira)
Mas sem esperança, não se pode viver
Tal é a lei do amor no universo
Tal é o anseio que escorre em meus versos
Na saudade deixo-me ficar
Bebendo as lembranças de você
Caminho em direção da fantasia
Trilha conhecida do querer
Repleta de desejo e agonia
Onde pulsa a paixão que enlouquece
Mas que aquece o meu corpo e o alivia...
(Priscila de Loureiro Coelho)
Aquece o meu corpo e o alivia
Das antigas mágoas que vivia.
Liberta estarei pra prosseguir?
Terei feliz direito de ir e vir?
Pura utopia sonhar tal liberdade,
Presidiária do crime da saudade!
Prossigo sim com a sabedoria
Que viver continua a ser magia,
Amadurece quem a dor suporta,
Talvez a paz encontre a minha porta. (Marília
Bechara)
E se a paz encontrar a minha porta
Depois de longa e difícil jornada
entre a saudade e a lança que me corta
encontre sombra a cama enfeitada.
O cheiro doce do café e o pão
óleo balsâmico para o mal cansaço
que cicatriza a dor do coração
e dê sossego aos seus pés descalços.
(Elane
Tomich)
Pés que pisaram longa estrada
E tiraram da minha vida o desassossego
Essa paz por mim tão esperada
Libertou-me de meus próprios medos
E se o amor é maior que a mágoa
De minhas vontades não faço segredo
Eu quero você e aguardo sua chegada
Vem, acaba logo com esse seu degredo.
(Maria
Ivone)
Tenho pressa de livrar-me desse degredo
de um amor que se acabou tão cedo
lembrar você é uma grande tortura
preciso de coragem, muita bravura
pra mudar todo esse triste enredo
amar de novo, livrar-me do medo
começar outro roteiro com mais ternura
viver um amor na sua forma mais pura
mas, na noite a saudade vem como torpedo
viajo no tempo e na dor eu retrocedo
em delírios vivo esse amor loucura
em devaneios, saio à sua procura...
(Sueli do Espírito Santo)
Saio à sua procura em segredo
querendo encontrar alguma pista.
Atravesso fronteiras reais e virtuais.
Mas algo me diz, coragem não desista.
Busco em vão nas páginas principais
e não o encontro em nenhuma lista.
Escrevo então meu samba enredo.
Você foi importante mas és passado,
infelizmente hoje é página virada.
Fica na memória como na revista
mas há tempos o perdi de vista.
(Dorinha
Yoshinaga)
O tempo de perda, a volta para o vazio,
- conhecer aceitação, entender rejeição -
é tempo de espera.
Vai aguardar, em solidão, coração,
outra primavera.
Viver é subir e descer vales e serras.
Nada é em vão, algo se foi, vem o frio,
para que um dia retorne outra estação.
Para cada "não" outros "Sins"
a vida a seu modo reserva.
(Lourdinha Biagioni)
Na estiagem das flores, chega o frio,
-é preciso aprender a ser só-
vou tentar reconstruir cada emoção.
Quem sabe adiante, com a chegada das chuvas,
renove-se mais uma vez meu cansado coração.
Tentarei alcançar a paz de um novo carinho,
quem sabe sem lágrimas no olhar.
Sentir o gosto doce de, de novo amar,
saboreando na minha vasta imaginação
o meu tão almejado sonhar.
(Áurea Abensur - Orinho)
E se este almejado sonhar
fizer vir a mim, a sua doce lembrança,
ainda que eu perca a esperança
de poder ao seu amor reconquistar,
mesmo assim, serei apenas um grito,
a chamar por seu nome em noites de luar
porque, sem querer e sem poder deixar,
sou a sombra do que você deixou em mim restar:
pequenos dejetos dos seus gestos
que jamais em mim se vão apagar...
(Lara Cardoso)
Como soprar a chama desse amor
Que você incendiou no meu corpo
Minh'alma e esqueceu nesse peito
Ardendo na fogueira dos sentidos
Na noite triste e solteira de paixão
Ingrato! Lambia-me quantos risos
Nesses lábios os seus favos de mel
Tocava-me como se eu fora a arte
Do espetacular escultor de sonhos
Hoje rego as saudades com poesia.
(Vilma Duarte)
E a saudade virou doce companheira
comigo está nas longas noites eternais
às vezes penso que eu já não posso mais
esperar por seu amor a vida inteira
e relembrar o que vivemos no passado...
Porém eu não consigo lhe esquecer
não é possível não lembrar seu rosto!
Por isso eu quase morro de desgosto,
pois não consigo, amado meu, viver
sem esperar que você esteja do meu lado... (Lisieux)
não sei porque aguardo pelos beijos seus
não sei porque insisto em lhe ver no fim do túnel
amor-quase-perfeito... seu coração é de pedra
o perfume da alma das rosas está em suas mãos
dias e meses experimentam a falta de ventura
meu eco ressurge selvagem como um trovão
busco versos novos e antigos para não lhe perder
angustioso parto... palavras falarão por mim:
não percebe o tamanho da ternura que trago por
você
que culpa tenho eu ao semear os sonhos seus...?
(Rosangela Aliberti)
é um outono de sensações, desagregações de sonhos
pedaços do que senti e no fim que se aproxima
restará outra vez aquela amplidão imensa
o espaço sem limites de sensações sem eco.
eu lhe peço, perdão, meu anjo pela angústia
que ficará comigo!
(Glácia Daibert)
Distante, apagado, meu grito não ouve,
clamo e não me responde ,só pede perdão...
Envolveu-se nas sombras da noite infinita
abrigo de segredos e que mostra os medos;
Nas sensações de angústia,
afastou-se da minha ternura,
ao ver-me livre dos meus anseios...
Agora não sei se revisto meus medos
e reconstruo meus anseios!
(Sicouza)
Agora não sei se revejo meus medos
reconstruindo assim meus próprios anseios,
pois sinto que, aos poucos, está me deixando...
Talvez a convivência, talvez a freqüência
de trocas de juras, talvez porque os beijos
já vêm perdendo, o antigo sabor...
Fiz mal retirando meu sétimo véu,
mostrando-me nua, desvendando os segredos,
porque agora me envia assim pro inferno
em busca do que julga, um novo céu.
(Leda Galvão)
Recuso-me a enfrentar
essa realidade que me estremece.
Percorrer agora , sombrios corredores
onde um dia havia sons e cores...
Prefiro ser covarde, sim.
É bem melhor fugir, a ver
sonhos acalentados se perderem assim.
(Belvedere)
Sonhos se perderem assim? Não...
Conviver é magia de amar.
Se a palavra vem do coração
Com carinho saber escutar.
Na esperança de um tempo melhor
Bem feliz vou buscar sua mão
Para juntos sorrir e dançar.
Trocar juras, abraço e perdão
Numa estrada de tempo a criar
Alegria, nosso bem maior.
(Célia Lamounier)
Sonhos tão perfeitos, feitos de muita ilusão.
Você nunca pediu perdão dos erros que cometeu.
Se um dia eu lhe encontrar, nem em palavras vou
pensar.
Não quero de forma nenhuma lhe magoar.
Eu só gostaria de pedir, esqueça que me
conhece ou conheceu. Não quero
que sinta alegria daquilo que nunca viveu.
As juras de amor que trocamos, essas já
deletei do meu diário de amor.
(Auri Costa)
meu diário de Amor...? não tenho, e nunca tive,
pois que a Confiança, a Certeza, em Ti mantive;
olho pro passado, vejo que mui atarefado estive,
e más lembranças não quero que a mente ative;
os sonhos? são apenas sonhos bons que retive,
e neles todos o Nosso Amor é pleno, nos revive!
é certo, ó Amada , que o Amor a tudo sobrevive,
Amor é a Força criadora de tudo aquilo que vive;
sim?não? o dilema de Hamlet não se invenctive,
e que cada um seja responsável pelo que cative.
(Moacir et Selena)
E por ter-me cativado tão sedutoramente
Por que agora você ficou tão indiferente?
Por que fugiu da responsabilidade
De corresponder ao amor de verdade
Que lhe dediquei com toda emoção
Exalando o perfume inebriante da paixão?
Hoje nem posso mais lhe ver,
Nem adianta lhe querer
Você não quer mais me encontrar
Nem mesmo para que eu possa lhe perdoar... (Sônia M.Grillo-Baby®)
Edição Neli Neto
Música: Don't Know Why - Norah
Jones
22.02.05
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