

Me tomas!
De assalto me tomas em
Brigas suaves.
Volátil.
Lambe-me o sangue
Que escorre na boca
Pisada... na ansiedade!
(Delasnieve Daspet)
Me tomas
de sobressalto
sufocada na saudade...
quando fostes
em desencontro
no noturno que passara
deixaste o limo
do teu rancor
na lágrima encarnada
do meu dissabor...
(Arlete Maria)
Do meu dissabor
é que fica, ainda, a mágoa pendente...
de brigas incessantes
que morrem na cama
e, agora pontos inclementes
que devo esquecer...
são restos de uma trama
do amor alucinante
desta saudade indecente....
(Lara Cardoso)
Mas, ainda assim me tomas
quando por demência
preciso de motivo para viver
mais do que razão para esquecer
e neste vácuo momento,
por clemência,
vens e me tomas.
(Cleusa Bechelani)
Lava-me, da cabeça aos pés,
o corpo e a alma. Bebes,
aos goles, degusta aos poucos,
o vinho puro dos meus ecos roucos,
com olhos de espera e água na boca!
(Olga Matos)
Por quem me tomas,
Se não me tomas?
Não sabes que a saudade de ti
me mata um pouco, a cada dia?
Mas se isso pra ti é pouco, vem...
Vem, antes que esta tua distância
Insana e cruel distância
Mate o amor que vive em mim.
(Alberto Saraiva)
Na taça de cristal restou
a mancha vermelha ,
na boca o gosto amargo e seco.
Uma tristeza branda no ar,
a fumaça do incenso carregava
o perfume
suave da tua lembrança. (Lukass)
É uma imagem que me vem
como um espectro acinzentado,
acirrando a solidão, o vazio
a vontade de te ter agora,
que me assola, me invade
e saem da alma gritos de saudade
Clamo pela tua presença! (Tahyane)
Clamo, clamo tanto sua presença em mim
Que deixo a saudade consumir-me assim
Lentamente, embotando os sentimentos meus
Atordoados no silêncio do adeus!
Ah!Tua ausência fere e mata o meu sonho
Provocando um frio escuro e medonho
Clamo tua presença distante e ruidosa
Minha boca traz ainda o teu sabor
E a solidão perversa e preguiçosa
Ocupa todo espaço e causa dor...
(Priscila L. Coelho)
Ah... esta dor que advém de minhas entranhas,
dilacerando em soluços todo o meu âmago,
mata-me de vez então, vos suplico,
apaga-me neste teu coração vadio,
porque é ali que trazes consigo
todo o fel de um amor traiçoeiro e bandido..
Depois? ah.. não me venhas falar das saudades,
e não me dê tão pouco, aquele beijo safado e
roubado,
pois tenho ainda na boca,
um gosto de sangue já macerado. (Susana Mendes)
Esse sangue que corre em minhas entranhas
e traz, consigo, essa dor tamanha...
Mas não adianta: esse coração é autônomo
Te quer apesar do gosto de fel,
aninha-se neste colo que o espezinha...
Masoquista? Talvez!
Me acuse quem não amou uma (só) vez.
(Paola Caumo)
Sim. Amo uma, duas, três e, diversas vezes mais,
Amo...
Amo o Amor do sádicos; quiçá masoquista seja?...
Tomo-te entre palavras loucas e rego-te com seco
vinho
somente para saciar os teus desejos como sangue...
De assalto tomo-te para outra doce briga.
Como um medieval ataco-te sobre a biga
e do suave sangue que corre por suas entranhas,
sangro-me em rosé gozo por conta das tuas
artimanhas.
Inerte me quedo com o alvo sangue gotejante...
(Thackyn)
E gota a gota
sorvo este sangue
que não me mata
nem me deixa exangue,
porque é poder e força,
é calor e vida
que me transmudam
e fazem de mim
a estátua viva
da mulher-paixão.
(Leda Galvão)
Mulher paixão a quem tomaste de assalto,
E com brigas suaves machucaste meu coração
Meu caminhar é sem graça num chão sem asfalto
Sem cheiro, sem cor, transparente, sem emoção.
Eu, mulher-paixão, me entreguei em mortal salto,
Agora deixo o coração sangrar, vivo a desilusão
De uma saudade que aparece num sobressalto
E deseja o beijo, o abraço, da velha paixão. (Tereza da Praia)
Saudade, velha conhecida, antiga como velhas
esperanças,
paixão que me fez criança ,brincando com sonhos
que fazem chorar...
E me tomas, assim, ferindo minha alma com desejos,
cobrindo minhas lágrimas na sombra dos teus beijos,
deixando essa incerteza em meu olhar...
Por que pensas que podes provar do sangue que me
aquece?
Por que tu não deténs esse delírio que enlouquece?
Se a solidão
a dois quiseste me ensinar...
(Mellíss)
Se a solidão a dois quiseste me ensinar...
Perdeste teu tempo, porque neste jogo
triste, insisto, não vou mais entrar. Em vão!
Como num turbilhão de idas e vindas e
com santos ares... me tomas! E roda vida,
como num vício entro na tua, me sugas e
terrível sina, caio de novo na tua energia.
Como numa roda gigante conheço o céu para
cair no inferno do medo e berro jurando
que desta vez é sério, não me verás jamais... (Dorinha Yoshinaga)
Sumirei de sua presença me transformando em pó
não quero mais saber de ti e nem sofrer mais
desagravos
Chega!!! nem quero mais chorar em vão
percebendo sua distância, aguardando um reencontro.
Cansei de ser um estorvo, de não ser nada
só um objeto de prazer ao seu lado
Quem sabe assim você me valorize,
me olhando diferente, sem sugar mais do meu
sangue....
Quem sabe você acorde e venha pra perto de mim
me amando intensamente como antes e nada mais...
(Neli Neto)
Quem sabe um dia você descobre, que tudo não
passou de engano e que você me ama de verdade.
Que as palavras infames ditas sem piedade
foram apenas um descontrole emocional e
que no fundo você queria apenas me atingir:
com tua insegurança e tua falta de coragem de
aceitar
que o amor está dentro do teu coração.
Embora esteja ferida eu seguirei e encontrarei a
felicidade
em algum lugar reservado para mim.
(Auri Costa)
Da lucidez à loucura há uma grande celeridade
e o caminho de volta é tão rápido qual um trem.
Digo-te para que me tomes quando na verdade
quero possuir-te e não repartir-te com ninguém.
Num ato desesperado de tresloucada demência
passo do riso solto ao dolorido ranger de dentes.
Se estás ausente sofro a dor da tua inexistência
sem ti não existe tempo apenas o entrementes.
Quando tu me querias, vias em mim dedicação,
agora que não mais me queres, só vês obsessão.
(Roberto C. Moura)
essa mania de não querer e querer
seca minha boca:
bebo sua onipresença...
desfolho meu pensamento,
no rastro de sua alameda.
(Maria Rosa S. Martins)
tantos labirintos
perco-me de ti
já nem sei quem sou
se sou se isso é viver
caminho sobre espinhos
nesse vai e vem
tens-me e me devolves
penso sou ninguém
(líria porto)
E nesta confusão de sentimentos
levanto-me de espinhos,
procuro só as rosas.
deixei de ser ninguém para esquecer de ti
do teu amor já não preciso mais.
As lágrimas vermelhas vertidas, se findaram
Procuro um lenitivo para ser feliz.
(Gilen@ Brasil)
Mas para ser feliz ao lado teu
Tornei-me semente de fruto doce
Da plantação solitária do arado
No solo ressequido de teu agreste
Como caminhos-sem-fim, desencontrados
Tal qual desenho bordado em bastidor
E quando dele se retira esticando
Harmoniosa é a forma resultante
Como a safra de tudo que se colhe
Quando só há esperança e amor...
(Laura Limeira)
E brotam flores suaves
do solo fertilizado pelos sentimentos
e abrem frutos doces
do solo renovado pelo amor que chega
Forma e essência
tecem teia de sentidos
e abrem-se luzes como um imenso arco-íris
formado pelos desejos...
Colheita e plenitude,
e então tudo se renova.
(Fatima Dannemann)
A sábia natureza nos ensina o milagre da renovação:
- Não haveria equilíbrio se eterna fosse uma
estação.
Assim, eu te proponho...
Antes que todo nosso sonho
Se transforme em pesadelo
Vamos reconstruir nosso jardim com amor e desvelo
E, assim, lindas flores serão colhidas...
Mesmo que sejam rubras rosas
Como as lágrimas esquecidas
Que por ti foram vertidas.
(Eliza Teixeira de Andrade)
Por ti foram vertidas lágrimas sinceras
Mas sendo-te alheio o valor das pérolas
Ultrajaste-as, dissipaste-as, jogando-as
E ao ardente colo que era de pétalas
Róseas, suaves, leais, entreabertas
Esmagaste-as nas impassíveis garras
Macerando um absinto que tragaste
E denegando a taça cristalina
Que não mais te convinha
(Maria Petronilho)
Vê o que faz na alma sentimentos vis,
esta coisa mesquinha que como sangue
se espalha e mancha a áurea
de um colo suave e que se oferece
mas que é abandonado sem piedade
e a outro se dá assim que aparece...
(SICOUZA)
Se me dou a outro que aparece
é que lágrimas vermelhas verti
perdida, sem paixão ou prece,
em colo que não me aquece
lágrimas quentes, por ti.
Vermelhas, em lenta caída,
chorei, por não ter saída.
Enlouquecida de vez eu, a esquisita ,
chorei a perder de vista
vestida de insensatez.
(Elane Tomich)
Vestida de insensatez...
Com o corpo ardendo de ciúmes
Lacerada por relâmpagos vermelhos
Fervendo-me o sangue nas marés de teus caminhos
ausentes
Onde a embriaguez fatal de rubros vinhos...
Fico a pensar... como tudo era lindo!
Choro te implorando, não permita que ninguém
mais sinta dessa bebida por mim bebida.
(Nelim Monti)
Abstém-te amor
de contagiar nossos sonhos
bebendo prazeres fugazes
em outras fontes profanas.
Donzela para novos sentimentos
esperar-te-ei como a noiva fiel,
Vestida de ansiedade e esperança
com um véu rendado de estrelas
um buquê de lembranças cheirosas
apertadas nessas mãos vazias de ti.
(Vilma Duarte)
Espero, reencontrar,
ainda ternamente
um modo de te amar.
Esperança guardada,
em lágrimas lavada,
renovada no sonho encantado,
ao seu lado acordar,
nosso amor reviver
(Lourdinha Biagioni)
Com nosso amor revivido
Nossas almas voarão
Corações batendo libertos
Rindo na imensidão.
Criaremos novas estrelas
Uma imensa constelação
Nossos olhos serão sóis
Para muitas gerações. (Marineide Miranda)

Edição Neli Neto
Música: Tears in Heaven
09.07.04
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