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Marineide Miranda
Saudade do pago que não ganhei
saudade do beijo que não roubei
saudade de alimentos que não comi
saudade de tudo que paguei
e larguei por aí.

INCOMPLETUDE
Andréa Motta
No coração dorido que não cura
nem final as lembranças deste amor
guardo os recantos como uma gravura.
E alço vôo com asas de beija-flor.
Enfim eu posso alcançar a paz
que esta saudade teima em me furtar.
pena o momento seja fugaz
e logo esta aflição volte a rondar
meu peito, acelerando meus batimentos.
Eu te procuro pelos quatro cantos,
Porém encontro só a tua imagem
na minha retina como fotografia.
Não tenho sossego, é só agonia
enquanto não revejo tuas esquinas.

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Helena Armond
e a fessora DD me disse
"pago" é terra sim senhora!
pois pensava...
(ainda bem que penso pouco!)
...que "pago" era tempo de verbo
" pagar"
e / ou a dança da moda "pago-de"
e pode ?...
agora entendi... saquei o implícito
que pago pra " pago "... viver
rezo pra "pago" não sofrer
e...em pago-des... não "dançar"
enquanto isto...
a Gaia se cuida e gargáia...
do meu saber... tão pouco... ô Lôco!

SAUDADES DE MINHA TERRA
Antonia Nery Vanti (Vyrena)
Terra querida, meu torrão, meu primeiro lar,
um dia, para ti voltarei
pra matar um pouco a saudade
que vive a me maltratar.
Quero outra vez ouvir
os bem-te-vis e os pardais
lindas sinfonias a gorjear.
ao embalo do canto dos grilos,
quero dormir e sonhar.
Acordar com o canto do galo
e o mugir do gado a pastar.
Levantar bem cedinho,
para ver o sol despertando
com seus raios coloridos
que o dia vão enfeitando.

SAUDADE DO PAGO
Marinez Stringheta - Marapoeta
Saudade só existe
No dicionário brasileiro
Que o coração do povo
É mais nobre e hospitaleiro!
Vou cantar a saudade
Que sinto daquele tempo
Cada suspiro que sai
Machuca o peito por dentro!
Não consigo apagar da memória
Essa parte da minha história
O dinheiro era contado
Mal dava para o mercado
Sem geladeira e televisão
Sem gás no fogão
Cantar com minha mãe à noite
Ao pé do fogo era a solução!!!!!

EU
CANTO A SAUDADE
Tahyane Rangel
De tantas dores o peito arde
as gotas que em canto rolam
são os lamentos que choram
no chicote da saudade
E lembrando da seresta,
a música o peito invade
traz o cheiro do agreste
na pura flor da saudade
Saudade do céu de estrelas
do perfume e do luar
do amor do seresteiro
que nunca deixei de amar

SAUDADE DOS PAGOS...
Lisieux
"deu pra mim"...
enfim
chegou a hora
de dizer adeus
e, bah!
quanto mais eu tento
esquecer teus olhos
me aquecer do frio
mais me vem à mente
aquele mate quente
e o verdor da serra
beleza que encerra
todas as belezas...
o meu nariz fareja
o cheiro de capim
e eu fico tri afim
de me perder em mim
de me encontrar em ti
guri...

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Beto
Moura
“Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
expediente protocolo e manifestações de apreço
ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no
dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos
universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de
exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si
mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante
exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar
às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é
libertação.”
(Manuel Bandeira, em Libertinagem)
Como é que eu poderia ter saudade do pago, se eu
nem sabia
o “cunho vernáculo deste vocábulo” ?
pago
adj.,
entregue para pagamento;
fig.,
que se vingou.
s. m.,
paga, castigo;
do Lat. pagu, aldeia
Brasil,
lugar onde se nasceu;
a aldeia, o povoado;
Moçambique,
vd. jire.
Mesmo sabendo que Manuel Bandeira me odiaria,
escrevi a trovinha abaixo:
Meu Deus ai que saudade do meu pago,
minha família, meus amigos, meu amor.
Ao deixá-los sem saber eu deixei vago
meu coração que por amá-los sofreu dor.

MINHA
COXILHA
Jorge Linhaça
Saudade de ti, minha coxilha
que como flete eu campeio
pastando entre as flechilhas
sem cabresto e nem arreios
Na tua sanga a sede matar
com sua água tão cristalina
A prenda me deixar manear
no seu corpo de moça-menina
Muitas léguas de sesmaria
me separam de ti, ó coxilha
largado, sem melhor serventia
do que sonhar-re noite e dia
Mas o coração não se encilha
e logo viverei a guapa alegria
de desfrutar tuas maravilhas.

SAUDADE DO PAGO
Miriam Panighel Carvalho
Num tem dia, num tem hora
É sodade que devora
Eita dor que vem depressa
Num tem medida que meça!
Dói no peito, dói a “arma”
E num tem nada que “acarma”
Corta fundo o coração
Inté me dá “afrição”
Então choro o meu lamento
Na viola que eu afago
Sô assim, num tomo tento!
As veiz saio e bebo uns trago
Pra mor de esquecê uns momento
As lembrança do meu pago!

SAUDADE GOSTOSA
Sueli do Espírito Santo
Ai que saudade gostosa
eu estou sentindo agora
dos doces lares de outrora
cadeira de balanço da vovó
tudo limpinho sem um pó
da tardinha suave aragem
na varanda com folhagem
Ai que saudade gostosa
das reuniões familiares
com deliciosos manjares
das visitas amigas, do serão
hoje em dia onde estarão
os valores daquele mundo
acabaram-se num segundo

SAUDADE DO PAGO
Carvalho Branco
Saudade que amarga a vida...
Longa é esta caminhada,
Infância nunca esquecida...
Querência por mim lembrada...
Quanta saudade do pago!
A casa, o jardim, o lago...
A roseira da sacada...
Hoje, na selva de pedra,
Já não ouço a passarada...
A violeta cá não medra...
Sonho com volta esperada...
Saudade tenho do pago
Da casa, jardim e lago...
Onde eu era muito amada!...

METADE
Lisieux
Metade de mim quer ser livre, quer voar...
Seguir, de asas abertas, rumo do sol...
Quer cantar como um pássaro, em mi bemol
melodia sem igual do verbo amar
Outra metade, porém, tem consciência
De que nem sempre voar nos é possível
E sabendo que o sonhar é impossível
Conformada então se vê, com a penitência.
Metade de mim, mergulha neste azul
Do céu tão lindo do Rio Grande do Sul
E suspira pelos hinos da fronteira
Outra metade se aquieta, conformada;
E ela sabe que por mais que queira a estrada
É das montanhas de Minas prisioneira...

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Marília Bechara
Saudade sinto saudosa,
Dos impostos que paguei:
Suplício coisa horrorosa,
Que nem retorno verei!
Chegam contas duvidosas,
Sei que a todas pagarei
Que as coisas poderosas,
Vêm todas da mão do "rei"!

Edição: Neli Neto
12.05.07
Música:
Memorias de una vieja canción - Jairo |