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Antigamente, o ano era dividido em duas
estações básicas: VER, VERIS - o bom
tempo, a estação das flores e das frutas e
HIEMS, HIBERNUS TEMPUS - o mau tempo, a
estação da chuva e do tempo frio.
O VER foi rearrumado em 3 períodos:
1) o princípio do bom tempo, chamado PRIMO
VERE (mais tarde, a nossa primavera), que
hoje seriam os dois primeiros terços desta
estação.
2) a segunda parte do VER - o veranum
tempus, origem de nosso vocábulo verão,
final da primavera e início do tempo
quente.
3) o final do tempo do VER, o AESTIVUM,
raiz do vocábulo português estio e que
correspondia ao final do verão dos nossos
tempos atuais.
HIEMS, a estação do mau tempo, foi
fracionado em TEMPUS AUTUMNUS (o outono) e
TEMPUS HIBERNUS (o inverno).
Este modelo de cinco estações foi adotado
até o século XVI: primavera, verão, estio,
outono e inverno.
A partir do século XVII, foi estabelecido
o atual sistema de estações, com o tempo
dividido em quatro partes iguais,
assinalados pelos dois equinócios -
primavera e outono - e pelos dois
solstícios - inverno e verão.

"WINTER BLUES", "SUMMER BLUES"
Muitas vezes fico pensando como deve ser
maravilhoso viver o espaço de um ano com
estas quatro estações bem definidas.
Nasci e me criei aqui na cidade do Rio de
Janeiro - Latitude 22º 56' 36" Sul e
Longitude 43º 09' 40" Oeste - o que
significa, na minha suspeita opinião,
conviver com 3 opções: forte calor, calor
muito forte e insuportável canícula, o que
impede uma vida civilizada.
Na região sudeste do Brasil, onde há a
maior concentração populacional do país,
chamamos de Primavera o fim da estiagem de
inverno e o início da temporada de chuvas.
Mesmo com as agressões à natureza, que
mudaram totalmente as condições
climáticas, ainda existe fora dos trópicos
a seqüência
verão-primavera-outono-inverno. Sofrendo o
risco da chamada depressão sazonal (seasonal
affective disorder - SAD) e do "WINTER
BLUES", uma forma mais suave da depressão
sazonal, a vida interior ali tende a ser
bem mais rica do que a de quem tem o
marzão a perder de vista, se torra ao sol
e se dissolve no calor úmido.
Mil perdões pelo texto comprometido com o
tempo frio, mas tenho certeza que sofro de
SUMMER BLUES, que o digam os que têm que
conviver com meu metabolismo alterado pela
canícula insuportável e os que se
surpreendem quando uso roupas decotadas no
inverno de São Paulo. A partir da pesquisa
para elaborar este texto, espero que
tenham mais indulgência com minha síndrome
particular.

A ESTAÇÃO DO AMOR
A glândula pineal ou epífise, que produz
melatonina, foi observada pela primeira
vez por Herófilo, da Universidade de
Alexandria há dois mil anos e está
presente nos animais vertebrados e
invertebrados. Era considerada na
Antiguidade apenas um músculo que
controlaria o fluxo do pensamento.
Galeno, médico grego do século II,
demonstrou que a glândula pineal possuía
um tecido diferente do cerebral.
O filosofo René Descartes (século XVII)
expôs a teoria de que a pineal seria o
centro da alma.
Em nossos dias, já muito bem estudada,
ficou evidente que a pineal informa o
organismo sobre as condições da iluminação
do ambiente. É através dela, ao liberar
melatonina - cuja ação varia de acordo com
a hora em que é liberada - que o organismo
percebe se está escuro e diferencia o dia
da noite.
Durante a primavera, os dias começam a
ficar mais longos e as noites mais curtas.
Neste período, a temperatura do ar começa
a se elevar aos poucos até a chegada do
verão.
Nos animais que se reproduzem de acordo
com as estações do ano a melatonina pode
estimular ou inibir as atividades sexuais.

DIA DA ÁRVORE
O Dia da Árvore "original" foi criado por
Julius Sterling Morton (1832-1902).
Morton, natural de Michigan mas jornalista
e político em Nebraska, serviu como
Secretário de Agricultura do Presidente
Grove Cleveland, quando direcionou seu
esforço para aprimorar as técnicas
agrícolas existentes.
Cleveland, com arguto senso de
oportunidade, percebeu que a economia de
NebrasKa e também a paisagem seriam
beneficiadas com um programa de plantio
massivo. Deu o exemplo, plantando em sua
fazenda e propondo que um dia especial
fosse reservado para conscientizar o povo
sobre a importância das árvores.
Na primeira comemoração (1884) um sucesso
surpreendente: mais de um milhão de
árvores plantadas.
A partir de 1885, o dia 22 de abril
(aniversário de Morton) passou a ser
feriado estadual em NebrasKa.
O nosso Dia da Árvore, 21 de setembro, foi
escolhido para cultuar as tradições dos
povos indígenas, cuja época de chuvas
corresponde à chegada da Primavera. Como
somos um país-continente, também existe
uma controvérsia na festividade, pois no
norte e nordeste as chuvas são mais
freqüentes no final de março.

LENDA DA ORIGEM DA PRIMAVERA
"É o mito que era celebrado na Antiga
Grécia com as Iniciações de Eleusis. Conta
a lenda que Demeter, a Mãe Terra, tinha
uma filha, chamada Perséfone (Prosérpina
para os romanos). Um dia ela colhia flores
num campo quando, por uma fenda no chão,
surgiu Hades (ou Plutão), deus do reino
dos mortos, que a raptou e a levou para o
seu mundo subterrâneo. Demeter ficou
desesperada com a perda da amada filha,
chorou e entristeceu, e a terra secou, não
dando mais alimentos para seus filhos.
Demeter retirou-se em Eleusis para chorar,
enquanto os homens morriam de fome e tudo
ficava escuro e frio. Zeus (ou Júpiter),
com pena de Demeter, ordenou a Hades que
devolvesse a filha amada à sua mãe. Mas
Perséfone havia comido uma romã enquanto
estava com Hades, e tinha assim,
simbolicamente, se ligado a ele. Para
chegar a um compromisso, Hades e Demeter
fizeram um acordo: Perséfone passaria seis
meses na Terra com a mãe e voltaria ao
mundo dos mortos durante os outros seis
meses. A volta de Perséfone à Terra
marcaria assim o retorno da vida, da
estação das flores e do tempo bom, com o
início da Primavera. Esse mito nos lembra
a promessa da "vida após a morte", do
eterno ciclo que faz tudo renascer
continuamente, como num eterno carrossel.
O Inverno então seria o tempo em que os
grãos estão debaixo da terra, na espera da
Primavera para renascer, como nossas almas
que passam um período de ‘inverno’ entre
as várias encarnações. Outras analogias
podem ser feitas analisando o mito: a
necessidade do compromisso e do acordo, o
ciclo da vida e dos acontecimentos na
terra e outros mais".
Fonte: "Somos todos um"
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