PRIMAVERA 2006 NO HEMISFÉRIO SUL

Entrada do Sol em 23 de setembro,
01 h 13 m, hora oficial do Brasil

Por Thereza Pires

Antigamente, o ano era dividido em duas estações básicas: VER, VERIS - o bom tempo, a estação das flores e das frutas e HIEMS, HIBERNUS TEMPUS - o mau tempo, a estação da chuva e do tempo frio.

O VER foi rearrumado em 3 períodos:

1) o princípio do bom tempo, chamado PRIMO VERE (mais tarde, a nossa primavera), que hoje seriam os dois primeiros terços desta estação.

2) a segunda parte do VER - o veranum tempus, origem de nosso vocábulo verão, final da primavera e início do tempo quente.

3) o final do tempo do VER, o AESTIVUM, raiz do vocábulo português estio e que correspondia ao final do verão dos nossos tempos atuais.

HIEMS, a estação do mau tempo, foi fracionado em TEMPUS AUTUMNUS (o outono) e TEMPUS HIBERNUS (o inverno).

Este modelo de cinco estações foi adotado até o século XVI: primavera, verão, estio, outono e inverno.

A partir do século XVII, foi estabelecido o atual sistema de estações, com o tempo dividido em quatro partes iguais, assinalados pelos dois equinócios - primavera e outono - e pelos dois solstícios - inverno e verão.


"WINTER BLUES", "SUMMER BLUES"

Muitas vezes fico pensando como deve ser maravilhoso viver o espaço de um ano com estas quatro estações bem definidas.

Nasci e me criei aqui na cidade do Rio de Janeiro - Latitude 22º 56' 36" Sul e Longitude 43º 09' 40" Oeste - o que significa, na minha suspeita opinião, conviver com 3 opções: forte calor, calor muito forte e insuportável canícula, o que impede uma vida civilizada.

Na região sudeste do Brasil, onde há a maior concentração populacional do país, chamamos de Primavera o fim da estiagem de inverno e o início da temporada de chuvas.

Mesmo com as agressões à natureza, que mudaram totalmente as condições climáticas, ainda existe fora dos trópicos a seqüência verão-primavera-outono-inverno. Sofrendo o risco da chamada depressão sazonal (seasonal affective disorder - SAD) e do "WINTER BLUES", uma forma mais suave da depressão sazonal, a vida interior ali tende a ser bem mais rica do que a de quem tem o marzão a perder de vista, se torra ao sol e se dissolve no calor úmido.

Mil perdões pelo texto comprometido com o tempo frio, mas tenho certeza que sofro de SUMMER BLUES, que o digam os que têm que conviver com meu metabolismo alterado pela canícula insuportável e os que se surpreendem quando uso roupas decotadas no inverno de São Paulo. A partir da pesquisa para elaborar este texto, espero que tenham mais indulgência com minha síndrome particular.


A ESTAÇÃO DO AMOR

A glândula pineal ou epífise, que produz melatonina, foi observada pela primeira vez por Herófilo, da Universidade de Alexandria há dois mil anos e está presente nos animais vertebrados e invertebrados. Era considerada na Antiguidade apenas um músculo que controlaria o fluxo do pensamento.

Galeno, médico grego do século II, demonstrou que a glândula pineal possuía um tecido diferente do cerebral.

O filosofo René Descartes (século XVII) expôs a teoria de que a pineal seria o centro da alma.

Em nossos dias, já muito bem estudada, ficou evidente que a pineal informa o organismo sobre as condições da iluminação do ambiente. É através dela, ao liberar melatonina - cuja ação varia de acordo com a hora em que é liberada - que o organismo percebe se está escuro e diferencia o dia da noite.

Durante a primavera, os dias começam a ficar mais longos e as noites mais curtas. Neste período, a temperatura do ar começa a se elevar aos poucos até a chegada do verão.

Nos animais que se reproduzem de acordo com as estações do ano a melatonina pode estimular ou inibir as atividades sexuais.


DIA DA ÁRVORE

O Dia da Árvore "original" foi criado por Julius Sterling Morton (1832-1902).

Morton, natural de Michigan mas jornalista e político em Nebraska, serviu como Secretário de Agricultura do Presidente Grove Cleveland, quando direcionou seu esforço para aprimorar as técnicas agrícolas existentes.

Cleveland, com arguto senso de oportunidade, percebeu que a economia de NebrasKa e também a paisagem seriam beneficiadas com um programa de plantio massivo. Deu o exemplo, plantando em sua fazenda e propondo que um dia especial fosse reservado para conscientizar o povo sobre a importância das árvores.

Na primeira comemoração (1884) um sucesso surpreendente: mais de um milhão de árvores plantadas.

A partir de 1885, o dia 22 de abril (aniversário de Morton) passou a ser feriado estadual em NebrasKa.

O nosso Dia da Árvore, 21 de setembro, foi escolhido para cultuar as tradições dos povos indígenas, cuja época de chuvas corresponde à chegada da Primavera. Como somos um país-continente, também existe uma controvérsia na festividade, pois no norte e nordeste as chuvas são mais freqüentes no final de março.


LENDA DA ORIGEM DA PRIMAVERA

"É o mito que era celebrado na Antiga Grécia com as Iniciações de Eleusis. Conta a lenda que Demeter, a Mãe Terra, tinha uma filha, chamada Perséfone (Prosérpina para os romanos). Um dia ela colhia flores num campo quando, por uma fenda no chão, surgiu Hades (ou Plutão), deus do reino dos mortos, que a raptou e a levou para o seu mundo subterrâneo. Demeter ficou desesperada com a perda da amada filha, chorou e entristeceu, e a terra secou, não dando mais alimentos para seus filhos. Demeter retirou-se em Eleusis para chorar, enquanto os homens morriam de fome e tudo ficava escuro e frio. Zeus (ou Júpiter), com pena de Demeter, ordenou a Hades que devolvesse a filha amada à sua mãe. Mas Perséfone havia comido uma romã enquanto estava com Hades, e tinha assim, simbolicamente, se ligado a ele. Para chegar a um compromisso, Hades e Demeter fizeram um acordo: Perséfone passaria seis meses na Terra com a mãe e voltaria ao mundo dos mortos durante os outros seis meses. A volta de Perséfone à Terra marcaria assim o retorno da vida, da estação das flores e do tempo bom, com o início da Primavera. Esse mito nos lembra a promessa da "vida após a morte", do eterno ciclo que faz tudo renascer continuamente, como num eterno carrossel. O Inverno então seria o tempo em que os grãos estão debaixo da terra, na espera da Primavera para renascer, como nossas almas que passam um período de ‘inverno’ entre as várias encarnações. Outras analogias podem ser feitas analisando o mito: a necessidade do compromisso e do acordo, o ciclo da vida e dos acontecimentos na terra e outros mais".

Fonte: "Somos todos um"
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Todas as informações que embasam este texto
e as imagens que o ilustram
foram pesquisadas em sites na Internet.

Pesquisa: Thereza Pires - www.euprocuropravoce.com.br

Música: Valsa das Flores- Tchaikovsky

 
 
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