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Atração
Fatal : as mulheres de Picasso
Pablo Picasso * Málaga 25/10/1881 + Mougins
8/4/1973
" Ninguém em minha família conseguiu escapar à
sua presença sufocante. Ele precisava de sangue
para assinar cada uma de suas telas " Marina,
neta de Picasso
A obra de Picasso é considerável. Estima-se que
tenha deixado 1880 pinturas, 1335 esculturas,
7089 desenhos, 200 cadernos com milhares de
desenhos, 880 cerâmicas, 20 mil provas de
gravuras, duas mulheres“oficiais” e sete
clandestinas - sendo duas suicidas e as demais
histéricas depressivas - incontáveis amantes
anônimas, quatro filhos e sete netos.

Germaine
Filho de um professor de desenho que estimulou
seu talento, faz seus estudos em Madri e, depois,
em Barcelona.A partir de 1900, fixa-se em Paris. Aí encontra,
entre muitos outros artistas, Max Jacob, Van
Dogen, Appolinaire. E Madeleine, a bela filha do
dono do cabaret “Lapin Agile”, em Montmarte, de
quem faz muitas pinturas. Madeleine engravida de
Picasso, mas aborta. Eva, próxima amante, morre
tuberculosa. Arrasado com o suicídio por amor do
maior amigo, Carlos Casagemas, Picasso acaba por
se envolver com o pivô da tragédia : a bela
modelo Germaine. Foi a partir daí e pensando em
Casagemas que se iniciou a “Fase Azul”, segundo
depoimento de Picasso ao crítico de arte Pierre
Daix. As telas se tornaram tão difíceis e
severas, o monocronismo denunciando de tal forma
a profunda angústia, que os marchands se afastam
do artista. Germaine foi mais um nome na lista
de amantes que continuou a existir, durante
muito tempo, em sua pintura.

Marie
Therese Walter
A “amante residente”
Quando Picasso conhece Fernande Olivier, e por
ela se apaixona, a tristeza fica para trás.
Inicia-se aí a breve fase rosa. Não só as cores,
mas também os temas se tornam mais alegres.
Retrata a arte circense - os artistas e animais. O encontro com as esculturas africanas serve de
estímulo para novas formas de mostrar e
interpretar a realidade. Juntamente com o pintor
francês Georges Braque, elabora as coordenadas
do que hoje é chamado de cubismo analítico,
considerado um dos movimentos mais importantes
da história da arte moderna. Fernande , a
chamada “amante residente”, que com ele partilha
bons e maus momentos, vícios e prazeres, o
abandona em 1911.

Olga
“ O discreto charme da burguesia”
Com a chegada da guerra de 14 - afastado
artisticamente do grupo cubista - Picasso retoma
sua liberdade de expressão e o gosto pela cor e
pela exuberância. É o momento do naturalismo dos
anos 15-16 e do realismo de 1917. Uma viagem à
Italia traz à vida do artista Olga Kokhlova
ballerina do Ballet Russo de Diaghilev. Com esta
moça recatada, virgem, filha de um coronel dos
hussardos e obcecada por organização Picasso se
casa em 1918, mergulhando no mundo do “discreto
charme da burguesia". Esta vida bem-comportada o
leva a pintar de forma neoclássica, ao mesmo
tempo em que realiza obras cubistas (1921/1926)
e realistas (1923). Entre 1925 e 1932 Picasso
descobre o surrealismo . Em 1933 e 34, aparece o tema do Minotauro, que
será revisitado durante toda sua vida. Em 1921,
nasce Paulo. No futuro, o filho, subserviente e
despersonalizado, trabalhará como motorista do
pai, aceitando receber um ínfimo salário e lhe
dará os netos Marina (1951) Pablito (1954-1973)
e Bernard (1959). Em meio a humilhações intermináveis, este ramo
do grupo familiar sobrevive como pode. Marina se
forma em medicina, Pablito se suicida poucos
dias após o funeral do avô e Bernard torna-se um
colecionador de arte.
Marina publica em 1998 um livro denúncia
bombástico “Grand Père”, no qual detona
irremediavelmente a figura do avô, embora não
tenha se negado a receber a incalculável fortuna
que ele lhe deixou.

Olga
Olga Picasso morre em 1955, seguindo o script
fatal das amadas do Mestre : ser usada,
humilhada, torturada , sugada até as últimas
forças , abandonada e por fim esquecida.

“Lolita”
Na adolescente Marie Therèse Walter que lhe
serve de modelo, Picasso encontra sua ”Lolita”.
Embora a relação tenha sobrevivido durante sete
anos , o encantamento inicial dura pouco. Em
1935, nasce Maya, filha adorada (mas igualmente
abandonada) que lhe dará os netos Olivier
(1961), Richard (1964) e Diana (1971). Como
sempre, depois de um fugaz entusiasmo, Picasso
perde o interesse pela musa, que se transforma
numa sombra vaga e presença invisível. Na pior
de suas crises depressivas Marie Therèse se
suicida em 1977, por enforcamento.

A mulher que chora.

Dora Maar
“A mulher que chora”
Ainda casado com Olga e mantendo o romance com
Marie Therèse , vive durante dez anos com Dora
Maar - pseudônimo de Theodora Markovitch que,
educada na Argentina, fala perfeitamente o
Espanhol. Pintora, fotógrafa e participante do
movimento surrealista Dora se envolve numa
relação violenta e cruel, dividindo o amante com
Marie Therèse. Picasso as retrata em telas
gêmeas, como rainhas rivais. Muitas vezes pinta-as
no mesmo dia e na mesma pose. A relação com Dora
dura nove anos. Este período coincide com a
guerra de Espanha e a Segunda Guerra Mundial,
quando o artista reúne nos seus quadros o drama
da violência da História e os tormentos da sua
vida privada.
Picasso vive num caos sentimental. Dora - a
inspiradora da figura “Mulher que chora” do
painel “Guernica" - realiza na ocasião da
feitura da obra uma super foto-reportagem, ainda
hoje digna de nota. Abandonada por Picasso em 1944, sofre de
histeria depressiva. Acompanhada apenas por suas
piores recordações durante décadas, morre em
julho de 1998.

Françoise
“O gato e o rato”
Diana (1971)
Em 1943, Picasso encontra Françoise Gilot - bela
e elegante - com quem vive nos arredores de
Antibes uma relação tumultuada, que os biógrafos
chamam de “gato e rato”. A união produz dois filhos nascidos em Vallauris
: Claude, em 1947 (que lhe dará o neto Jasmin,
nascido em 1981) e Paloma, em 1949. As obras desta fase atestam o engajamento
político, mas Picasso também pinta naturezas
mortas paisagens e retratos. A partir de 1950,
começa a realizar variações sobre obras de obras
de pintores célebres com “Demoiselles au bord de
la Seine” de Courbet, entre outras. Françoise Gilot, ela mesma uma pintora talentosa
e produtiva não suporta o convívio sufocante com
o Mestre. Em 1953, Françoise “cansada de viver com um
monumento histórico” abandona Picasso e se muda
para Paris com os filhos. Casa-se com o cientista Jonas Salk, o descobridor
da primeira vacina contra poliomielite e fixa
residência nos Estados Unidos .

Françoise
“ Meu Sol e Meu Deus “
Aos 72 anos, Picasso conhece Jacqueline Roque
(de 27) com quem se casa secretamente e vive,com
placidez, até o fim. Continua trabalhando sobre
obras de Velasquez e Delacroix. Muda-se para
Vauvernages, antes de se fixar no Chateau de
Notre-Dame de Vie em Mougins, onde continua a
produzir a série de variações sobre grandes
mestres. De 1960 a 1973 (ano de sua morte com mais de 90
anos), o trabalho é intenso: mais de mil
estampas, desenhos e pinturas. Em 1963, dedicou
a Jacqueline nada menos que 163 quadros. A conquista da serenidade do Mestre, entretanto,
teve um desfecho trágico : Jacqueline Roque -
para quem Picasso era “Sol e Deus” - não suporta
a solidão e, em depressão profunda, se suicida
com um tiro na cabeça em 15 de outubro de 1986.
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Pesquisa feita
por Thereza Pires
Fontes de Pesquisa:
Site oficial de Picasso:
www.picasso.fr
“Grand Père”, Editions Denoël, 2001, por Marina
Picasso (filha de Paulo)
Site do Museu Picasso -
www.paris.org/Musees/Picasso |