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"É fácil entender por que os gatos
despertam sentimentos de antipatia nas pessoas. Um gato se mostra
sempre bonito; sugestionando idéias de luxo, limpeza, e prazeres
voluptuosos." (Charles
Baudelaire)
O primeiro ancestral do nosso querido gato
doméstico,o miacis viveu aproximadamente há 40
milhões de anos, era um animal com
características muito diferentes em relação à
classe atual dos felinos. Acredita-se que ele
vivia em arvores para se proteger dos
predadores. Na evolução da espécie o Dinicts,
foi o que começou a ter traços semelhantes aos
felinos de hoje, isso aproximadamente há 10
milhões de anos. Estão presentes na sociedade,
como animais domésticos, desde cerca de 9 mil
anos atrás. Nesse tempo, foram perseguidos,
adorados como deuses, serviram de utilidade
pública, ou simplesmente amados por uma
família. Há dois mil anos, o gato era tido
como animal sagrado no Antigo Egito. Bastet, a
deusa da felicidade e da fertilidade, era
geralmente representada por uma mulher com uma
cabeça de gato, bem como o seu animal-totem,
que igualmente era considerado um deus. Além
de Bastet, Rá e Osíris, também deuses egípcios,
ocasionalmente eram representados por figuras
de felinos. Os egípcios apreciavam de tal
maneira seus gatos que sua exportação era
expressamente proibida; mas os mercadores
jônicos entregaram-se a um lucrativo
contrabando que permitiu ao gato caseiro
alcançar primeiro a Ásia Menor e depois Europa.
Na Índia o gato foi, domesticado na mesma
época que no Egito. A China já conhecia o
gato-caseiro mil anos antes de nossa era, o
Japão um pouco mais tarde.

A Idade Média foi, de um modo geral, hostil
aos gatos, que eram associados às feitiçarias
e considerados criaturas diabólicas. Nesse
período eles passaram a ser perseguidos pelos
fanáticos religiosos, os mesmos que os
acolheram durante muito tempo: os cristãos.
Era visto
como um animal do diabo, pricipalmente os de
cor preta e também por causa da sua ligação
com Bastet, deusa da fertilidade e Fréia, a
deusa do amor. Milhares de gatos foram
queimados em praça pública, juntamente com
mulheres acusadas de bruxaria. Somente após o
final da Idade Média os gatos puderam
desfrutar as suas sete vidas da maneira que
sempre quiseram: instalados confortavelmente
nas casas dos humanos, com comida à vontade e
várias regalias.
É desta época que parte a maioria das
superstições,
das quais algumas chegaram aos nossos dias. Em diversas culturas da Antiguidade, em
especial nas culturas orientais, o gato era
considerado um guardião das almas dos mortos,
detentor dos mistérios da vida e da morte,
um condutor que as levava até o outro lado.
Sob esta perspectiva, o gato era adorado como
divindade, e reverenciado como animal de
grande poder místico.
"O gato imortal existe, em algum mundo
intermediário entre a vida e a morte,
observando e esperando, passivo até o momento
em que o espírito humano se torna livre. Então,
e somente então, ele irá liderar a alma até
seu repouso final." (The Mythology
Of Cats, Gerald & Loretta Hausman).

Na mente de
muitas pessoas, o gato ainda é um animal
misterioso, quase sagrado, de uma visão além
do normal e uma percepção aguçada.Diz-se mesmo que teria poderes paranormais,
que saberia muito mais dos segredos da vida do
que nós.
Qualquer pessoa que tenha tido a chance de
conviver com um gato percebe facilmente que
boa parte dessas características parece mesmo
ser verdadeira.
Os gatos realmente parecem ter uma percepção
extrasensorial, uma visão diferenciada, além
do normal.
Quase sempre dão a impressão de pertencerem a
uma esfera superior, a um nível mais elevado
de consciência. Os gatos parecem saber
exatamente como nos sentimos, mesmo que não
externemos nenhuma reação diferente.
Estão sempre por perto quando precisamos, mesmo sem serem chamados.
E compreendem perfeitamente o que dizemos.
Perceba como o gato o encara enquanto você
fala com ele.
Olhe dentro dos seus olhos, você verá neles a
chama da inteligência.
Perceberá a compreensão latente em seu olhar
profundo e penetrante. Por sua espiritualidade intrínseca, os gatos
foram usados como forma de proteção contra
energias negativas e como vetores de cura. Os celtas diziam que os gatos, assim como
demais animais domésticos, eram a reencarnação
de parentes já falecidos, ancestrais que
reeencarnavam nessas formas de vida para
aconselhar. Nessa corrente de pensamento, o
gato era considerado o animal mais apropriado,
justamente por sua percepção aguçada.

Animal enigmático, considerado sagrado ou
maldito por diferentes civilizações ou em
diferentes épocas, a fascinação que produz a
sua contemplação tem algo de esotérico e
misterioso. Este pequeno representante da
família dos felídeos, esteve unido à história
do homem com um carisma totalmente diferente
ao do cão. Ao contrário deste, o gato não
perdeu a sua identidade de animal semiselvagem,
a sua independência e o seu absoluto desprezo
a tudo o que não satisfaça o seu instinto. O
cão abandonado sofre mais por falta de afeto
que por carência de alimentos ou de lar; o
gato além de não necessitar do dono, se
aproxima ao homem para aproveitar o que o seu
anfitrião pode oferecer-lhe: comida, calor,
carinho, etc. A beleza do gato, além das suas qualidades de
felino, se encontra no seu comportamento
libertário. Jamais será dominado, se ele não
quiser, pelo capricho do seu dono; só se
aproximará para se esfregar no seu cuidador
quando ele quiser e não para exteriorizar
afeto, mas por pura voluptuosidade. É capaz de
viver à margem do lar e completamente
autosuficiente no que se refere à alimentação
num meio rural ou urbano primário e,
inclusive, nas grandes metrópoles é capaz de
sobreviver de restos, de desperdícios e da
caça de pardais e de outras avezinhas. As diferentes raças de gatos são devidas à seleção artificial, realizada
pelo homem, mas é curioso comprovar que não
são tão polimorfas nem diversificadas como as
do cão nem, com certeza, tão numerosas como as
deste. O comportamento do gato é inerente à
espécie e não se determina conforme as raças,
ao contrário do que acontece com o cão. Apesar do homem ter 15 vezes o tamanho do
gato, este tem mais ossos no seu corpo, tem
230 ossos, enquanto o homem tem 206. Muitos
estão localizados na cauda, que quando
levantada, mostra orgulho e contentamento no
gato. Quando estendida e reta, mostra que
está espreitando a caça. Enrolada diz que o
gato está espantado ou aflito, e quando
sacudida de um lado para o outro,
pode indicar que ele está zangado. O gato possui movimentos cadenciados porque
suas patas são densamente peludas, o que
parece ser seu cotovelo, quando ele se move,
é seu calcanhar, pois o gato é digitígrado,
que significa andar ou correr na ponta dos
dedos e com o calcanhar para cima. O número
normal de dedos nas patas dianteiras é cinco
(sendo que um é o polegar), e quatro dedos
nas patas traseiras. Muitos gatos são
polidáctilos, isto é, têm mais dedos que o
normal, usualmente 6 na pata dianteira; mas
existem outras variações. As pernas posteriores são mais compridas e
mais fortes que as dianteiras, o que lhes
permite saltar com grande habilidade.
Diferentemente de muitos outros animais que
movimentam as pernas dianteiras e traseiras
do lado oposto ao mesmo tempo, o gato
movimenta sua perna traseira e dianteira de um mesmo lado e depois as do outro.

A principal arma defensiva são suas garras.
Elas podem estender-se para pular e brigar, ou
retrair-se para andar silenciosamente ou
quando ele estiver descansando. O ato de
estender e contrair as garras repetidamente é
chamado "amassador" e muitas vezes é
acompanhado do ato de ronronar. Todas as
garras dos dedos dos gatinhos apontam para um
direção, por isso é que a única forma de um
gato poder descer de uma árvore é de costas.
isso explica porque muitos gatos não conseguem
descer de árvores e têm que ser socorridos. Os gatos usam seus dentes para agarrar,
segurar e cortar alimentos. Ele corta e rasga
seu alimento ao invés de esmagar e triturar. A língua do gato é áspera (devido às glândulas
e papilas presentes) e é usada como uma
espécie de colher para beber líquidos, além de
ter dupla função: com ela o gato se penteia e
escova, mantendo-se limpo.
O olho é seu traço mais marcante, muitas vezes
comentados por sua deslumbrante beleza. Eles
são tão grandes, que os olhos do homem, para
propositalmente serem do mesmo tamanho,
deveriam ter vinte centímetros de largura. O
seu sentido mais aguçado é a visão. Através
dos seus olhos, um gato pode enxergar à noite
ou a níveis muito baixos de luz. Ele pode
distinguir os graus de claridade muito melhor
que o homem e prefere lugares quase escuros.
Entretanto, ele não distingue cores e as vê
como vários tons de cinza, dependendo da
claridade. Ele enxerga somente as mudanças de
luz. Assim, se nada se move onde ele está
olhando, ele nada vê. por essa razão, o gato
movimenta seus olhos muito levemente, fazendo
a cena mover-se e se tornar visível. Como caçador que é, o gato gosta da
perseguição e captura das presas mais comuns:
passarinhos, roedores, lagartixas, etc.; embora adaptado perfeitamente à vida diurna,
seus hábitos são preferentemente
crepusculares ou noturnos, enquanto durante as
horas do dia, dorme e observa hieraticamente o
mundo que o rodeia. Um gato que goze de
semiliberdade pode, por mais bem tratado que esteja,
abandonar o lar do seu proprietário e instalar-se
no do vizinho se lá é alimentado e não
fustigado. Estas peculiaridades do gato o
tornam querido ou desprezado pelo homem, mas
sempre respeitado pela sua eficácia como
controlador
roedores indesejáveis. O gato, sempre com a
sua idiossincrasia controvertida e o seu
magnetismo particular, constitui um dos mais
atrativos animais domésticos.

Durante séculos, no mundo inteiro os gato
conseguiram sobreviver ao fogo e a água (milhares
foram mortos em fogueiras e rios). Mas
apesar da perseguição, sobreviveram,
perpetuado a espécie. Talvez por este motivo
se diga que os gatos têm sete, ou nove vidas.
Não há sem sombra de dúvida nenhum animal tão
martirizado em todos os tempos. Nos tempos
modernos continuam envoltos em lendas,
crendices e preconceitos. Embora descendentes
de protagonistas de uma história de amor e
ódio tenha hoje mais mais aliados, que
inimigos. Há
mais de 20 anos, a escritora Lygia Fagundes
Telles ama os gatos, a ponto de fazer essa
declaração em seu livro A Disciplina do amor.
O gato sempre exerceu fascínio sobre as
pessoas. O clássico poema de T.S Eliot, O nome
dos Gatos, inspirou o musical Cats, encenado
anos a fio, na Broadway, com lotação sempre
esgotada. Aliás, T.S Eliot escreveu um livro
inteiro de poema sobre gatos. Thomas Gray escreveu uma poema imortalizando
uma gata chamada Selima. Victor Hugo tinha um
diário no qual escrevia ternamente a seus
gatos. E Pablo Neruda não sairia impune,
também escreveu sobre eles. O gato também era
o animal favorito de
Edgar Allan Poe e Stephen King. Também serviram de inspiração para o
cartunista Jim Davis, que criou o personagem
Garfield, um gato gordo, preguiçoso e cínico,
com uma personalidade forte. As tiras em
quadrinhos que começaram a ser publicadas em
1978, hoje aparecem diariamente em 2.400
jornais de todo o mundo. O próprio Jim passou
sua infância com mais ou menos 25 gatos,
apesar da asma. Mas o Garfield, não é o único
gato famoso dos desenhos, quem não conhece os
gatos — Felix (Pat Sullivan), o Gato risonho
(Alice no País das Maravilhas), Lúcifer (gato
da Cinderela - Walt Disney), Si e Ao (Gatos da
Dama e o Vagabundo - Walt Disney), Frajola (Frajola
e o Piu-Piu - Warner Bros),
Tom (Tom e Jerry - Warner Bros). Na literatura infantil temos as histórias: "O
Gato de botas" e a "Gata Borralheira", do
francês Charles Perrault;
"Os músicos de Bremem", dos irmãos Grimm.
Inteligentes, ariscos, curiosos; talvez parte
desse fascínio venha do fato de que o gato
conserva muito dos instintos selvagens, também
fascinam seus admiradores pelos gestos
sinuosos, pelo ar indiferente de quem nunca
atende quando é chamado, mas ganham carinho ao
se tornar irrestíveis quando assim desejam. A lista dos seus apaixonados inclui muitos
nomes famosos como os intelectuais Voltaire,
La Fontaine, que enfatizava a astúcia do gato,
em suas fábulas. O poeta romântico inglês,
Lord Byron, defendia todas as virtudes do gato.
Os nomes políticos: a rainha Vitória, Abraham
Lincoln, Mussolini entre muitos outros.
Quanto aos artistas, temos Manet, Rodin, Ravel
e Picasso. Leonardo da Vinci adorava desenhar
gatos correndo, lutando, lavando-se ou
repousando. Os pintores como Auguste Renoir,
Fernando Botero, Andy Warhol e o brasileiro
Aldemir Martins
transformaram-no em obras de arte. O escritor Charles Dickens, o físico Albert
Einstein, o ator Robert De Niro, a atriz Sofia
Loren.
Os escritores Colette, Mark Twain, Honoré
Balzac, Victor Hugo, Raymond Chandler, Jean
Colteau, eram admiradores confessos. O
escritor Charles Perrault que criou o celebre
"Gato de Botas", não foi o único, o escritor
Edgar Alan Poe
fez do gato o tema de alguns dos seus melhores
contos.

O cardeal Richelieu, ministro da monarquia
francesa no século XVII, era tão devotado a
seus 14 gatos que lhes deixou parte de sua
herança em testamento. O escritor americano
Ernest Heminqway gostava tanto de seus gatos
que partilhava a mesa com eles. Chegou a ter
40 gatos de uma vez. Ilustres brasileiros como
o físico Mário Schenberg teve vários gatos; a
psiquiatra Nise da Silveira usou-os como co-terapeutas
e o escritor João Guimarães Rosa adorava seus
felinos.
Muitas personalidades famosas o detestavam,
mas sem dúvida a lista dos seus admiradores é
bem mais extensa.
Em todas as épocas, escritores, poetas,
pintores, músicos, têm utilizado seus talentos
para venerar seus gatos. Será de algum conforto para os criticados
possuidores de animais domésticos, hoje
freqüentemente acusados de perturbarem o
ambiente com seus animais, o fato de que os "antianimais
domésticos" morrem mais cedo que eles. Há duas
razões para isto. Em primeiro lugar, é sabido
que amigável contato físico com os gatos reduz
bastante o stress aos seus companheiros
humanos.
A relação entre humanos e gatos é tocante, no
pleno sentido da palavra. O gato roça-se pelo
corpo do dono e este acaricia o pêlo do gato.
Se tais donos de gatos fossem levados para um
laboratório a fim de fazerem teste às suas
reações fisiológicas, verificaria-se que os
sistemas dos seus corpos se tornariam
nitidamente mais calmos, quando começassem a
acariciar os seus gatos. A tensão baixa e o
corpo descontrai-se. Estas formas de terapia
foi provada na prática num grande número de
casos agudos, quando doentes mentais
melhoravam de forma notável, depois de serem
deixados na companhia de gatos domésticos.
Todos sentimos uma espécie de libertação
através de um simples e honesto relacionamento
com o gato. Esta é a segunda razão do benéfico
impacto do gato nos humanos. Não se trata,
apenas, de uma questão de "tocar", por mais
importante que ela seja. É também uma questão
de relação psicológica ligada as complexidades,
traições e contradições das relações
humanas.Todos nós somos feridos por certas
relações, de tempos a tempos, alguns
agudamente outros de formas mais ligeira. Quem
tiver severos traumas mentais, terá
dificuldade em resolve-los. Para estes uma
ligação com um gato pode provocar grandes
recompensas, devolvendo-lhes a fé nas relações
humanas, destruindo as suspeitas e o cinismo e
sarando as antigas feridas. Um estudo especial
feito nos E.U.A, revelou recentemente que para
aqueles a quem o stress provocou perturbações
cardíacas, a posse de um gato pode constituir,
literalmente a diferença entre a vida e a
morte, reduzindo a tensão arterial acalmando o
cansado coração. Estudou-se cientificamente
que um dos primeiros métodos para diminuir a
tensão arterial, numa pessoa que sofre de
hipertensão, é a presença de uma animal
domestico. O fato é que o gato, assim como o restante
dos animais,
parece estar em um patamar muito mais
elevado que o nosso.
Sua compreensão a respeito da vida é muito
mais ampla e fundamental que a nossa.
Seu respeito ao ciclo natural é imensamente
maior.
Sua espiritualidade e ligação direta com a
energia criadora do universo é muito mais desenvolvida que a nossa. Eles verdadeiramente conhecem a face de Deus.
Realmente vivem a vida como deve ser vivida.
São inigualavelmente superiores.
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Editado por Maria Luna para Luna e
Amigos
Fonte: How to look after your cat,
Purina, 1998 -
www.intercat.com.br
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