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Vencer
concursos de fantasia nunca foi novidade
para Clóvis Bornay que - aos 89 anos - é
sinônimo de Carnaval Carioca e símbolo da
alegria da Cidade Maravilhosa
Caçula de doze irmãos, Clóvis nasceu em
1916 em Nova Friburgo (município da região
serrana do Rio de Janeiro), filho de mãe
espanhola e pai suíço. Em 1928, ainda
menino e freqüentador dos bailes do
Fluminense Futebol Clube, manifestou uma
grande vocação de folião.
Em 1937, inspirado nos nos bailes de
máscaras dos carnavais de Veneza convenceu
o então diretor do Theatro Municipal do
Rio de Janeiro, Silvio Piergilli, a
instituir um Baile de Gala em que
fantasias de luxo seriam premiadas. Diante
dos deslumbrados membros do júri do
concurso, Clovis se apresentou de
"Príncipe Hindu" e ganhou o primeiro
lugar.
Juventude, beleza e disposição não eram
suficientes. Bom gosto e criatividade
igualmente contavam pontos. Mais tarde, as
fantasias foram agrupadas por categoria:
luxo e originalidade. Em 1953, com um
original Arlequim, dividiu o prêmio com
Zacharias do Rego Monteiro, que vestia um
de seus belíssimos e tradicionais pierrôs.
Museólogo - trabalhou no Museu Histórico
nacional e em outras entidades culturais -
morador da Prado Junior, em Copacabana,
esta doce figura é uma atração diária da
paisagem carioca.
Suas fantasias, verdadeiras obras de arte
são expostas constantemente pelo Brasil e,
algumas, já pertencem ao acervo de museus
na Europa e nos Estados Unidos.
O maior concorrente de Bornay no Municipal
era, entretanto, o costureiro baiano
Evandro de Castro Lima. Outros artistas
como Jésus Henriques, Mauro Rosas, Wilza
Carla, Marlene Paiva, Guilherme Guimarães,
Flavio Rocha, Marcos Varella e tantos
outros criaram, confeccionaram ou vestiram
fantasias que eram verdadeiras jóias.
O baile do Teatro Municipal resistiu até
1972. A platéia era coberta por estrutura
de madeira revestida de compensados e o
piso ficava na altura dos camarotes. Ali
brincavam cerca de oito mil foliões. No
dia seguinte à festa noturna, acontecia o
baile infantil, quando também era
realizado um concurso de fantasias.

OS PRIMEIROS CARNAVAIS
A introdução do carnaval ao Brasil é
atribuída às celebrações populares para
comemorar a chegada da Família Real
Portuguesa. Os já festeiros cariocas
saíram às ruas cantando músicas, usando
máscaras e fantasias. O registro do
primeiro baile carnavalesco no Brasil é de
1840, no Hotel Itália, por iniciativa dos
proprietários, que desejavam reproduzir
aqui os grandes bailes de máscaras do
carnaval da Europa.
O sucesso foi tão grande que muitos outros
se seguiram. O carnaval era o espelho da
desigualdade social na sociedade
brasileira. Nos clubes e teatros estava a
classe média emergente, nas ruas, ao ar
livre a festa popular.
Um novo elemento foi agregado para
abrilhantar a festa: o desfile dos carros
alegóricos, depois incorporados pelas
escolas de samba. O escritor José de
Alencar foi o idealizador dos desfiles e
um dos fundadores da Sociedade Sumidades
Carnavalescas.
O "Abre Alas" foi a primeira música
especialmente composta para carnaval, por
Chiquinha Gonzaga, para o Cordão Rosa de
Ouro.
O século 20 traz também os mascarados, o
lança perfume, as batalhas de confete e os
bailes infantis.
Em 1928, foi fundada a primeira escola de
Samba "Deixa falar" e, logo depois, a
Mangueira. Os primeiros desfiles começam
em 29 e foram realizados na Praça Onze até
1942, quando passaram para a Avenida
Presidente Vargas.

CARNAVAL DO QUARTO CENTENÁRIO
A partir de 1963, as escolas assumem a
posição de maior atração do carnaval
carioca e, em 1965 - Carnaval do 4º
Centenário - Clóvis Bornay surge triunfal
fantasiado de Estácio de Sá, o fundador da
cidade.
Os bailes de fantasia do Iate Clube ("Baile
do Havaí"), do Hotel Copacabana Palace e
os concursos de fantasia do Clube Federal,
no Leblon e do Clube Monte Líbano, na
Lagoa ainda resistiram por algum tempo.
Depois de ter recebido a distinção de "hors
concours", que lhe concedeu o direito de
se apresentar em qualquer concurso de
fantasias sem ser julgado, a arte de
Clóvis Bornay chegou à Passarela do Samba.
Ele foi o carnavalesco da Portela em 1969
e 1970 e da Mocidade Independente em 1972
e 1973.
A partir daí as fantasias de luxo foram
para o asfalto, passaram a ser destaques,
apresentadas por artistas e figuras
populares da cidade.
Em 1996 Clóvis Bornay recebeu da
Assembléia Legislativa a Medalha
Tiradentes, honraria concedida a
personalidades que, de alguma forma,
tenham prestado serviços ao Estado do Rio
de Janeiro ou ao Brasil.

Em 1974, os desfiles das escolas de samba
passam para a Avenida Rio Branco, por
causa das obras do metrô. Ficam lá até
1984, quando foi inaugurado o sambódromo,
onde o espetáculo acontece até hoje.
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