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Um Brado de Paz!...
De Mato Grosso do Sul, do meio do cerrado
ralo do Centro-Oeste, de nossas águas puras,
de nossas verdes matas, da revoada de nossos
pássaros, da natureza presente, do homem
queimado pelo sol da lida, dos nossos
rebanhos, dos grotões de nossas terras, de
nossas lavouras, da garganta seca, dos olhos
ardendo, do frio e do calor, aqui no Brasil,
- levantou-se o brado:"
"Poetas de todas as querências, de todos os
quadrantes, de todos os sóis, de todas as
luas, integrantes do Mundo, membros da
Humanidade, artífices das Palavras e dos
Atos de Paz - convido-os a RESISTIR - pela
Poesia e com a Poesia - ao Conflito do
Oriente Médio. Falem!"
Conclamou-se a todos: "Que ninguém se cale!"
"Gritem!" - pediu-se!
"Não podemos nos calar..." - decidiu-se!
E do Hemisfério Norte ao Hemisfério Sul - do
Leste ao Oeste - as palavras chegaram...
tímidas, no início...
Fortes! Chamando! Impondo! Cobrando! - a
seguir... Já não se poderia calar... As
comportas foram abertas e o o mundo não pode
silenciar frente ao que ocorre no Oriente
Médio.
O que justificaria o bombardeio de
populações civis e a destruição das
infra-estruturas no Líbano e na Faixa de
Gaza?!
Como apoiar uma guerra onde mais de 1/3 dos
mortos são crianças?!
Tem alguma coisa errada quando começamos a
matar as crianças!
E porque o mundo está calado?!
O que temem, em nome de todos os deuses?
E que nos espera no final desta loucura?
Este decênio - 2001 a 2010 foi considerado
pela ONU - a década da promoção da paz. Da
não violência para o futuro das crianças.
Promover a Paz... Não deveria ser tão
difícil... mas a cada dia ela se torna mais
e mais complicada. Se já começamos a matar
as crianças... A infância é o símbolo da
inocência, o estado anterior ao pecado, da
simplicidade, da espontaneidade. É o celeiro
que esta aberto a todos os ensinamentos.
Ao referir-se a futurização da paz - a ONU
nos faz ver que a criança é o futuro em
potência, a mudança possível, a síntese do
consciente e do inconsciente - um símbolo da
totalidade.
Um símbolo que se reproduz em círculos - um
símbolo reunificador dos contrastes nas
crenças, do ideal possível, do partilhar da
sabedoria, da justiça, da harmonia, da paz,
enfim.
A paz não emerge automaticamente. Temos de
assumir responsabilidades nas mudanças
necessárias e contribuir efetivamente para a
sua aplicabilidade.
Todos nos necessitamos de um mundo de amor e
sem medos. A igualdade de direitos tem de
levar em conta as diferenças. Que cada um
tenha a liberdade e o direito de escolher o
próprio caminho - assim, chegaremos a Paz!
Por isso os Poetas foram conclamados.
Instados falaram em poemas, em versos, em
prosa, em frases... e traduzem toda a
tristeza, a dor, a revolta que cruza o
Universo! O meu canto se transforma num
lamento...
LAMENTO PELA PAZ!
Delasnieve Daspet
Guerra é Guerra.
Não importa a sua violência,
ou a sua virulência...
Não existe desculpa para o descalabro...
As nossas guerras de todos os dias,
As nossas picuinhas,
As nossas maldades internas,
Nascem do rancor,
da mágoa, do recalque que é o homem...
É o homem mata!
Suas bombas cruzam o anil dos céus,
Toldam de cinza as tardes do mediterrâneo,
Pontes, casas, castelos,
crianças esparramadas pelos chãos,
quais bonecos jogados, esquecidos,
sonhos destruídos...
Elos que se quebram,
e que não serão recompostos!
Não interessa quem esteja certo,
quem esteja errado...
Nossa consciência nos cobra:
Não se cale!
Não permita que o amordacem,
que lhes toldem o sol,
que lhes matem o ar,
que lhes escureçam a lua!
Poeta, não permita
que o privem da liberdade!
E, é pelo Homem, o meu lamento!
Que o farfalhar das folhas leve meu soluço,
E abrace a imensidão azul de nossos sonhos
De Paz que ouso cantar,
Neste canto de recriação
que entrego ao vento!
Recriar... Reciclar... Novos horizontes...
Assumir decisões a cada dia, a cada
instante,
Pois não existem estradas fáceis,
Mas a que esta adiante,
Construindo um caminhar...
É pelo homem, este solitário animal,
O meu lamento de Paz!
Campo Grande-MS - 05-08-2006
Delasnieve Miranda Daspet de Souza
Embaixadora Universal da Paz - Genebra -
Suíça
Embaixadora para o Brasil de Poetas del
Mundo

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