SOBRE O AMOR
Matias Aires

 "Não somos firmes no amor, porque em nada podemos ser constantes: continuamente nos vai mudando o tempo; uma hora de mais é mais em nós uma mudança. A cada passo que damos no decurso da vida, imos nascendo de novo, porque a cada passo imos deixando o que fomos, e começamos a ser outros: cada dia nascemos porque cada dia mudamos, e quanto mais nascemos desta sorte, tanto mais nos fica perto o fim, que nos espera. A inconstância que é um acto da alma, ou da vontade, não se faz sem movimento; a natureza não se conserva, e dura, senão porque se muda, e move. O mundo teve o seu princípio no primeiro impulso, que lhe deu o supremo Artífice; a mesma luz, que é uma bela imagem da Omnipotência, toda se compõe de uma matéria trémula, inconstante, e vária. Tudo vive enfim do movimento; a falta de mudança é o mesmo que falta de vida, e de existência, e assim a firmeza é como um atributo essencial da morte.

Se em nada pois há permanência, e se o estado da firmeza é contrário às leis da vida, como pode ser que haja amor constante? Isso é um impossível desejado. Não há nada isento das revoluções, e alterações do mundo; tudo nele se muda, porque tudo se move; por isso a firmeza é violenta, ao mesmo tempo que a inconstância é natural. Para sermos firmes, é-nos necessário força, porque temos que vencer a economia, e ordem, que não permite repouso em cousa alguma; para mudarmos a mesma natureza nos inclina, e guia; semelhante a qualquer peso, que sobe com violência, e desce por si mesmo. O movimento, e a mudança, de que depende o ser das cousas, também é princípio do fim delas; sem mudança, e movimento, nem se pode existir, nem acabar; a mesma origem da vida também é da morte a causa; por isso é tão certa a morte, e tão curta a vida; porque um, e outro extremo, nascem do mesmo modo, e se criam no mesmo berço.

O amor é um influxo da beleza, por isso esta raras vezes anda solitária e quási sempre a acompanha o amor: agradável mas louca companhia; apetecida, mas traidora felicidade! (...). (de Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, 1752 - edição da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, com prefácios, fixação do texto e notas por Jacinto do Prado Coelho e Violeta Crespo Figueiredo, 1980)


A vida é essencialmente movimento, que implica alterações constantes e eterna adaptação. Inexoravelmente estamos sujeitos às mudanças. Nossas emoções cambiantes em meio ao ritmo alucinado desta dimensão, sofrem impactos e estímulos dos mais variados. A mutabilidade é o único elemento imutável nesta vida! Ao refletirmos sobre o amor eterno é impossível não considerar a incerteza e inconstância que rondam o sentimento que é premente e indispensável em nossa existência.Temos urgência em viver, temos loucura para amar, e na procura de tudo isso experimentar, algumas vezes nos perdemos, sem nos dar conta de que nos distraímos com o movimento, esquecendo a razão que nos fez agitar. (Priscila de Loureiro Coelho)

Do nascimento uma nova vida e nesse seguimento começa o nosso envelhecimento. Uma vida composta por picos nevrálgicos, picos alucinantes, picos de extrema paixão e evolução e picos de destruição. Quem nunca se precipitou neste mar revolto da vida? Quem nunca gritou de contentamento por pequenas e grandes vitórias? Quem nunca chorou por pequenas coisas e entrou em fossos enormes sem direito a drenagem? A minha vida, a tua, a do outro, composta é por elementos imutáveis, nem o tempo, nem o dinheiro, nem o poder podem desviar o seu curso. São caudais enormes de rios que se cruzam, rios que se envolvem, rios que deságuam na imensidão do mar. A força suprema da natureza, igual é a uma vida, quiçá bela, quiçá espinhosa, mas de uma coisa ninguém pode fugir, do seu terminus. (Júlia de Sousa)

Vida...Morte... Mudanças a que a Alma se submete. E em nome do amor, constante ou inconstante. Somos seres viventes, somos parte da Criação. Não somos Onipotentes, mas temos o livre arbítrio. Escolhemos o sofrimento, porque mesmo dele tiramos proveito. A paixão deixa marcas, boas e más. Importa é que teremos lembranças quando nada mais restar. A roda do tempo não pára, não perdoa. O movimento é contínuo, e essa é a beleza da existência. Entreguemo-nos, pois à vida, ao amor, à paixão, aos mais loucos sentimentos, à procura da felicidade que é a função de cada um de nós nesta existência. (Maria Ivone)

A roda da vida não para jamais. Roda gigante, dançamos pra cima, caímos pra baixo, voamos para os lados, buscando a reflexão. A continuidade dos movimentos vibratórios da alma, trazidos na imaginação, atormentados pela paixão. Eterna mutação de sentimentos errantes, originários todos do primeiro motor que na sua imutabilidade trouxe a essência pura dos movimentos gigantescos do Universo. O nascimento do primeiro tema, a busca do primeiro poema, o encontro do primeiro sonho, para lançar-se nas águas tempestuosas das doentias paixões. O incessante buscar da satisfação dos desejos, sabendo que não serão saciados. Os encontros marcados que não vão se encontrar. Apenas a luz tênue a iluminar o caminho, selando o destino das equações irracionais. Para tudo continuar girando, em busca do primeiro momento, quando a pureza habitava o Ser. Depois, a devassidão sentida, caídas emoções que não levaram ao ponto nevrálgico, mas tiveram o dom de descortinar a impureza do verso. Em meu Universo, parto à procura do amor, sabendo que nas mutações do tempo, ainda posso nele tocar.Apesar das nuvens escuras, ainda pressinto no giro da vida, a possibilidade de evitar a mácula e abraçar o amor. Mesmo sabendo que a tarefa é suprema, que não se pode evitar a seqüência dos momentos infindos, ainda acredito que a lágrima não foi chorada em vão. E como fecho final, mostro que a reticência aqui não cabe, e que a vírgula ainda deve subestimar o ponto final, na mutação da frase, ao encontro do nada. (Lara Cardoso)

E é olhando pro nada que encontramos uma luz, intermitente e mutável, brilhando no infinito. Uma luz que se agiganta perante nosso olhar. Luz que ilumina alma e pensamento, trazendo em seus raios uma energia que dá cor aos sentimentos letárgicos estancados dentro da gente. Luz suprema, luz que é vida. Luz que se movimenta como a maré, limpando, renovando emoções. Luz que modifica os anseios, quebrando suas mazelas, renascendo com a confiança em seu lugar. Luz que reacende paixões adormecidas, encantando corações esmorecidos, que faz com que a esperança ressurja com muito mais cor e ardor, afastando pra bem longe, a sensação de doença e morte de nosso andar. Luz que chega para levar embora a tristeza, secando com as lágrimas, que teimam em querer ficar. A esta Luz chamamos amor. Luz divina que crescendo do nada, nos fortalece para encarar com coragem e perseverança a roda perene da vida. Uma roda inconstante que nem sempre segue os caminhos traçados pelo destino. Uma roda permanente que apresenta diferentes formas e nuances de ser, que nem sempre é o que esperamos mas, querendo ou não temos que enfrentar. (Neli Neto)

Luz... Uma luz lá longe. No fim do túnel. Alguém aponta o caminho. E olhamos para o dedo. De repente, perde-se a luz. Os focos são mera lembrança. Caímos. E é a roda da vida. Aquilo que os orientais chamam de Samsara. O sobe e desce nas ondas da vida. Penso: basta cessar o desejo. Mas que desejo que é preciso afastar? O desejo de ser feliz? De amar? De crescer? Não. Não sejamos cruéis a ponto de querer negar a essência da vida que é a de espalhar o amor de alguma forma. Até que os mestres mandem afogar os desejos e matar o ego, mas deixe que a vontade de ser feliz nos guie até o fim do túnel. Deixemos a luz brilhar. Nada é errado. Tudo é certo quando a intenção é boa porque não houve maldade. Deixemos a luz nos guiar até o final do túnel. O destino não está traçado. O caminho é árduo, difícil, mas a luz nos espera. (Fatima Dannemann)

E como a Luz é infinda, e nada há que a impeça, nem mesmo a fenda e a fresta, nem mesmo o prisma e o vidro, e em tudo que atravessa, a Luz se faz bendita, é o clarear na noite, é o clarear da idéia, e em tanto se propaga, no tudo sem limite, que há Luz no que desperta, que há Luz no que redime, que há Luz na alma incerta, que há Luz no amor que ensina, e há Luz de tantas cores, que inventam um Arco-íris, que mesmo ao fim do túnel há sempre a Luz que brilhe, mostrando o que se esconde, além do que é previsto, guiando um passo a passo na estrada que define, a Luz que é passageira nas portas do destino, no céu respinga estrelas, formando o Infinito. (Day Moraes)

As estrelas que respingam do céu, se refletem nos olhos de quem ama, uma infinidade delas, como pequenas luzes a iluminar o caminho dos amantes. Quem, em sã consciência, deseja que um amor se acabe? Quem não deseja ter um amor infinito como o próprio universo? Todos nós o buscamos, mas, como em nada somos constantes, as mutações que são inerentes ao ser humano, se encarregam de nos enredar nas teias preparadas pelo destino. Fatalmente somos levados a atitudes impensadas em busca da realização maior que é a felicidade, essa louca, excêntrica e companheira ideal do amor. Vez por outra ela nos prega peças, fazendo-nos crer que é real e palpável, quando muitas vezes, não passa de mera ilusão. E lá vamos nós, traiçoeiramente iludidos por ela, essa tal felicidade. E acreditamos assim, alcançar a luz no fim do túnel. Ledo engano! Sempre estamos correndo atrás desse brilho, poucas vezes conseguimos ser plenamente iluminados. É a lei natural das coisas existentes, tudo é mutável, tudo se transforma, até o amor. (Sônia Maria Grillo - Baby)

Somos permanentemente inconstantes, e o tempo é quem nos induz às inconstâncias que a vida exige para que dela desfrutemos. Seja pela alegria do amor, seja pela tristeza do desamor. Pois se o planeta muda à cada segundo, nada mais natural que o acompanharmos em suas mudanças evolutivas. Haja vista - e se assim não fosse - caso não existisse esse ciclo contínuo de renovação, nem teríamos como, tampouco a quem amar. O eterno movimentar é o que chamamos de renascimento para novos aprendizados e conseqüentes ensinamentos. Por isso dizemos..."nada se perde, tudo se transforma". Essa afirmativa nos dá a certeza de que nada é para sempre, mas que tudo pode ser mudado. O contínuo movimento do ciclo evolutivo é exatamente igual para a vida e a morte. Assim como o sol que desperta e adormece, um dia após o outro... (Laura Limeira)

Sob o calor do sol ou sob o brilho do luar, o amor se faz presente no coração e nas mentes, constante ou inconstante segue enfim seu curso no EU dos seres humanos, que dominados por um sentimento eloqüente se entrega às várias mudanças de atitudes muitas vezes incoerentes, inconseqüentes, mas nada importa pois estamos dominados pela emoção, cegos pela paixão, aquecidos no coração, totalmente inebriados pelo sentimento maior, sentimento este volúvel, pois permite a quem por ele é presenteado a condição de estar sempre aberto e pronto para as mudanças necessárias, pois é próprio do amor a inconstância, mas próprio dele também a intensidade, a sutileza, a essência enquanto estiver presente...assim o Ser iluminado pelo sentimento maior, vive intensamente enquanto o amor durar, se permitindo a cada ciclo, sob intempéries e tempestades, sob alegria ou tristezas o eterno recomeçar, ou seja "...que seja eterno enquanto dure...". (Arlete Maria)

Poeta ou "poetinha", eterno mutante no seu reino encantado da fantasia, tem talentos que passam ao largo de homens plantados no chão com raízes cimentadas em vãs filosofias. Com o poder da imaginação, decretado em rimas e versos, ele pode tudo. Fatiar o tempo... vesti-lo com dourados de pôr-do-sol... incensá-lo com os aromas da primavera... enternecê-lo com beijos molhados de preguiçosas manhãs... emoldurando com poesia a sua hora de ser feliz. No balanço da sua leveza de ser, ciranda no carrossel dos sonhos tão virgens de cada dia, como a sua alma imaculada de mundo. Poeta não sabe explicar a complexidade do amor. Vive-o no cenário novo da próxima emoção. Derrete-se de ternura com o pequeno riacho que brinca de rio quando chove forte, dobra um barquinho com as páginas brancas do seu hoje, embarca nele sob a magia do pirim-pim-pim dos seus anseios do momento e vai... (Vilma Duarte)

Pense, meça, compare e sem pestanejar prefira o amor ao medo em todas as ocasiões. Não importa se o amor durar 2 minutos, uma tarde ou uma semana. Seja feliz o tempo que for possível e depois, quando um amor se for, ame novamente em intervalos que você se permitir, mas não superiores a doses de antibióticos de largo espectro, no máximo de doze em doze horas. E não interrompa o tratamento nunca. A vantagem é que com este "medicamento" chamado amor, você pode misturar de bebida alcoólica a rock que não existe nenhuma contra-indicação. Vale tudo, qualquer horário, a qualquer tempo. Vinte e um séculos pensando menos que cinco minutos sobre ser feliz... Não será tempo suficiente para nós deixarmos de ter medo? (Xande Rego)

O amor e o medo só têm em comum o número de sílabas. O amor se aproxima, adentra, avança, conquista o que quer e subjuga o que não quer; o amor não corrompe, irrompe; não falseia nem trapaceia, o amor tece sua teia com a sensibilidade dos aracnídeos, ceia sua presa com a voracidade do rei felino. O amor navega em mar de calmarias, animado pelo lento jogo do marulho, bem como digladia-se com as vagas em tormentas noturnas. O amor brilha na gota cristalina do orvalho sobre a orquídea, como reluz nos cascalhos desérticos da miragem. O amor é vento em lufadas de sândalo, é tempestade em rajadas de granizo. O amor cavalga altivo altivo nas planícies do corpo virginal, e adormece como vida nas cavidades da carne. O amor não pára! O amor não pode parar. O amor não anda, nem desanda, apenas comanda as pessoas a irem, prosseguirem suas caminhadas, suas trilhas, seus destinos. O amor não vai, insufla, impulsiona, instiga, emociona, fanatiza, revoluciona, mas não vai... o amor fica a abastecer todos aqueles que dele querem, um só gole beber. O amor é fonte, não vai... quem segue são aqueles, que como a água nascente, não tem medo de vencer a rocha da montanha que tem de vencer... o amor desconhece o medo! (Gabriel M. Ribeiro)

E desconhecendo o medo torna-se mutante, pois, tudo que tem vida é mutante, mudamos a cada segundo a cada fração de segundo, crescemos, mudamos, envelhecemos mudamos, quanto mais aprendemos mais mudamos, mas uma certeza deveria nos guiar, a de que nascemos para sermos felizes. No entanto não somos por nossa própria culpa, criamos inúmeros obstáculos o principal é o dinheiro depois o trabalho, tornamo-nos escravos do dinheiro e do trabalho quando deveríamos nós preocupar mais com a felicidade com a alegria de viver, esta vida tão curta que é em relação ao universo, apenas um piscar, um "flash". Tornamo-nos consumistas, queremos ter porque ter é poder, queremos possuir, quanto mais possuo mais tenho o poder, quero ser o número um, o primeiro lugar, o centro das atenções queremos todos ser "Pop Star". Esquecendo que ao morrer, desta vida nada levaremos, nem a vida que vivemos. (ABittar)


Edição: Neli Neto
14.02.05

Música: A Summer Place

 

 
 
 


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