|
"Do meu estilo não posso fugir. Ele
não é só uma elaboração verbal. É uma força que deságua. A gente aceita um
vocábulo no texto não porque o procuramos, mas porque ele deságua das nossas
ancestralidades.
O trabalho do poeta é dar ressonância artística a esse material. Penso que
combinar o sentido com os sons é que produz o estilo. O barrismo há de acontecer
nos meus textos porque vem de eu ser, de eu estar, de eu ter sido. Não há fugir.
Estilo é estigma. É marca. Todo estilo contém as nossas ancestralidades. Ninguém
consegue fugir do erro que é, do acerto que é. Vou ser sempre o que me falta. De
forma que vou cair sempre no barrismo porque a gente é sempre uma falta de nós.
Papel do poeta seja sempre o de obter o que falta nele. E falta tudo. Papel do
poeta é o de obter uma linguagem que o complete. Esse objeto de linguagem que me
completa há de ser meu estilo. O barrismo será sempre uma expressão de mim. Sou
fiel ao erro que sou."
(Manoel de Barros - nº 1916 em Cuiabá-MT BRASIL)
Ninguém foge ao seu estilo. Aperfeiçoa-o! (Melhora, adéqua, ajusta,
sincroniza...). Estilo é dom que flui da alma, é visão da beleza, é sentir,
viver e amar. Elaboração verbal faz parte da cultura. O manancial das palavras
que segue seu curso natural, surge como magia a escritores com ou sem cultura,
às vezes sem o mínimo conhecimento sobre literatura. Inteligentes, plenos de
inspiração sentem necessidade de escrever o que aflora em sua essência. Escrevem
e se ocultam no anonimato por pejo dos erros do nosso vernáculo que apenas um
ínfimo do povo conhece. Não concordo com ancestralidades... Cada pessoa é um Ser
único e nossas raízes não se expandem como pensamos. A Genética não explica o
transcendente. Mas a alma de todo Ser é inatingível a qualquer cientista por
excelência! Pode faltar tudo a um poeta, mas não ao poeta que escreve somente
quando sua alma o alimenta!
(Iracema Zanetti)
E é o escrever com a alma que conta, que fala mais alto. Deixar fluir sua
essência mais pura, saindo pelos seus poros de uma forma única, inigualável,
capturando todas as cores do universo. Deixar que o seu coração cante glórias ou
chore lágrimas de sangue, não importa. Deixar ele gritar sem nenhum
condicionamento humano, completamente liberto. Para o poeta verdadeiro não há
necessidade de seguir estilos. Sua fala simplesmente acontece, coordenada,
explícita. Nada o impede, nada o segura, simplesmente se joga no espaço em forma
de palavras, que nada mais são que sentimentos livres mostrando um sonho, uma
vontade, uma realidade cruel, uma denúncia... Palavras que servirão de estímulos
para corações carentes, para pessoas perdidas completamente dentro do seu eu.
(Neli Neto)
Os poeta e os escritores transmitem uma faceta da sua alma, em razão disso o
estilo é a marca que lhes segue. As porções de ancestralidades que por ventura
venham a existir em seus escritos, são fragmentos de memórias de vidas passadas.
Ainda suas crenças, cultura e vivências refletem em seus textos e poesias, já
que ninguém pode discorrer sobre o que desconhece totalmente. Mesmo quando o
poeta finge, o faz colocando-se no lugar do protagonista, emprestando os seus
sentimentos, numa simulação real. O poeta pode não saber o que busca e o que lhe
falta mas a sua alma sabe, e é neste fluir incontido de palavras que ela se
manifesta, esta é a sua marca natural. Alguns poetas e escritores têm estilos
muito parecidos, mas jamais serão idênticos. A escrita é como o DNA, onde até um
ponto poderá fazer a diferença. (Tahyane Rangel)
Faço-me em letras que são delineadas de acordo com o que trago em mim, da visão
de mundo,de minha carga genética. É comum dizer que nos moldamos à vida, que
exploramos nossa intuição em constante aprendizado. Mas de nada valem se
isolados do campo energético, como o é a alma. Cada qual traz em si, incutido em
sua memória, os dogmas ancestrais; Existem opiniões contrárias mas posso tomar
por base a conduta poética. Como vivo, como sou e como reajo frente ao mundo
pode diferir de uma para outra pessoa. De acordo com o que ela tenha apreendido
no seu tempo de vida e o que esteja em seu próprio ser, é o que faz a diferença.
Mudam-se as palavras de poeta para poeta e, para cada um, o peso delas tem sons
diferenciados. Então, na minha poesia mando eu, sem contudo, poder dissociar-me
de minha alma, que na verdade, é quem redige o que penso. Vivo da forma que
penso, mesmo que de forma arbitrária, mas um jeito único de ser poesia.
(Lara Cardoso)
Muitas vezes, o meu livre pensar me leva a cometer erros de várias maneiras, em
julgamentos, em argumentos e até mesmo contraditórios à realidade. Mas é que
minha alma de poeta transcende ao mundo real, me tornando cada vez mais cativa
de sonhos, e através deles, me desnudo em poesias. Meus erros, assumo-os sem
falsos pudores, deixando falar a voz do coração. Se cometo arbitrariedades,
tento me redimir através de emoções transcritas pela alma. A liberdade com que
visto minha forma de expressão, repercute nos meus sentimentos. Nesse meu jeito
de ser poesia, meu pensamento voa até o infinito, sem amarras e sem correntes.
(Sônia M.Grillo - Baby)
Nada entendo de estilo literário, e confesso ter horror a métrica, rima, e tudo
quanto possa me induzir à normas para escrever "certinho". Deixo minh'alma ditar
as regras, dou liberdade a intuição, e deixo-me sintonizar com a vida - seja ela
sozinha ou a dois. Aprendi com o poeta norte-americano Ezra Pound, que
Literatura é a linguagem carregada de significados. Hoje, penso como ele. Haja
vista, lembro sempre ter escutado meu professor de português afirmar, que a
frase quando soa bonita, é porque tem quase 100% de chances de estar correta.
Daí, também entendo que Literatura é a arte da palavra. E assim sendo,
transformo minha palavra em poesia, e esta em obra de arte! Não me impressionam
as concordâncias, os sintaxes, as morfologias, e muito menos os pronomes
deíticos e anafóricos, com suas funções essenciais à coesão interna do texto.
Compreendo a importância da Literatura e da Gramática como base essencial ao bom
aprendizado e fluência de quaisquer idiomas, mas com certeza diante de ambas -
na minha vida - minha poesia é quem faz a grande diferença.
(Laura Limeira)
Ortega y Gasset dizia que "eu sou eu e as circunstâncias". Cada indivíduo tem
seu jeito muito especial de ser e inevitavelmente sua maneira muito peculiar de
falar, escrever e de se vestir. As circunstâncias, a época em que vive, os
problemas que em determinada fase, ou até as preocupações com aqueles que o
cerca e o ambiente em que vive ajudam, influenciam, e amoldam o seu caráter. Mas
acima de tudo o que determina o estilo é o seu jeito especial de ser. A
liberdade de expor seus pensamentos e idéias, com coragem e determinação, dando
asas a sua criatividade e à sua intuição, sem se preocupar tanto com o que os
outros vão pensar. Importantíssimo crer no seu potencial, na sua luz própria,
naquela centelha divina que transcende e o torna único, exclusivo, quando a
essência "fala" mais alto. Se Paulo Coelho, no começo, se preocupasse com a
crítica não teria se tornado no maior vendedor de livros do mundo em 2003. O
escritor ou o poeta são representantes de sua época, mas o ser humano busca mais
ou menos as mesmas coisas, como por exemplo, ser feliz desde os primórdios da
civilização. Concordo, de uma forma veemente, que ninguém foge ao seu estilo e
ao seu destino. (Dorinha Yoshinaga)
Tão interessante - "ninguém foge de seu destino e seu estilo", entretanto o que
é o artista senão o inconformado com seu fardo. Ah me perdoem os que seguem as
regras de métricas, os que odeiam as "oitavas dissonantes". Me perdoem os
eruditos das quadras, versos simétricos, rimas. Me perdoem ou me ensinem como
manifestar minha alma, livre, anárquica e incoerente se estiver subjugada às
imposições lingüísticas. Posso não agradar a todos que me lêem, mas EU SOU o que
escrevo no instante da escrita, modificada no instante seguinte e pronta para
desaguar mais e mais. Fiel ao erro de mim mesma na minha mais pura expressão,
entretanto inconformada com as minhas cristalizações de comportamento. Daí a
necessidade de reciclar esta energia que vem de mim, de forma artística, para
poder me ver, escancarada, nu em pele e pelo, lá bem em frente de meus próprios
olhos. (Cleusa (Graça) Bechelani)
Como dizia o grande poeta Patativa do Assaré: "Canto o que minha alma sente e
meu coração encerra". Assim como a Patativa nos inebria com seu canto, levo meu
canto em forma de prosas e versos para que transcendam ganhem o éter e
tremeluzam por entre as estrelas, viajando pelo espaço, levando-os a dardejar
seu brilho por todo o universo. Cada ponto que brilhar luminoso, são versos que
carregados de encanto, magia e repletos de pura emoção se espargem com rimas ou
sem rimas, porém com ritmo e sintonia, lirismo e harmonia. Os meus versos são
livres como o são as lagrimas que escorrem por meu rosto, sem destino. Como o
sorriso solto que busca alegrar corações por onde passo.Este é meu estilo.
Liberdade de tons e sobre-tons no lirismo que só a poesia quando nasce e
transborda do coração nos proporciona, edificando assim com a leveza de plumas
soltas ao vento, a sensibilidade d`alma do poeta levando-nos a transformar
letras em mágicas palavras de amor, carinho e paixão. (umvelhomenino)
Nada existe que possa alterar meu estilo, estilo de poeta, estilo de Ser! Tal
qual a natureza se reveza em estações, o interior do ser humano transforma-se em
ciclos próprios e requintados. Eis que o poeta é porta voz da sutileza da alma,
mensageiro de emoções tão peculiares e, no entanto, tão universais. Há em cada
alma a ambigüidade do singular e do coletivo, compondo o mistério da totalidade
que se manifesta no individual... Assim como o mar e a onda se interpenetram, e
o sol e a lua se alternam, assim o estilo do poeta parece transitar em sua
existência de tal sorte que o faz um ser completo em sua incompletude. Único em
toda sua expressão. Sua poesia é mais que um mero texto, ou um condensado de
idéias harmoniosas. É, em verdade, a essência da beleza, matéria prima
intuitivamente pura que se reveste na materialidade, oportunizando forma ao
amor. (Priscila de Loureiro Coelho)
O poeta é aquilo que escreve. Por mais que tente "esconder-se" entre os versos,
por mais que pretenda ser apenas o condutor da sua pena é infalível que ele se
mostre entre os espaços das linhas. Escreva ele de forma correta e de acordo com
as normas gramaticais e estruturas poéticas, ou seja cantador simples e sem
cuidados, "escrevinhador" de causos sem conhecimento nenhum da língua e suas
regras, o poeta será sempre ele mesmo e saberá passar aos leitores, mais que a
sua verve, a sua sensibilidade. Por isso sou contra os que dizem que métrica,
rima, cuidado com a concordância, correção ortográfica e outras normas são
prisões para a criatividade. Pelo contrário, quem não quer aprender, expandir e
experimentar, na verdade não é capaz de criar. Assim, seja na forma clássica,nos
versos livres, seja em prosa,canto, trovas, sonetos, rondeis, epopéias e
cordéis, o poeta transcende. E nada pode prendê-lo, nem mesmo as normas, porque
não serão elas que vão impedir um poeta de voar e alcançar almas com a sua arte.
Assim, cada estilo marca seu tempo, faz escola... e isto é ótimo, porque, se
todos gostassem do azul... (lisieux)
Artistas não têm estilos, pois estilo é repetição e artistas não gostam de
repetir-se. No máximo eles seguem uma linha de raciocínio, ou uma tendência da
moda, mas abandonam-nas por puro enfado e buscam novas formas de construir sua
arte. Além disso o estilo pressupõe uma fixidez de sentimentos a que nenhum ser
humano, artista ou não, pode submeter-se. Alegria, tristeza, felicidade, enfado,
amor e ódio são alguns dos sentimentos antagônicos a que o ser humano está
submetido, e sob a influência de cada um desses sentimentos, escreve, esculpe,
pinta, atua de maneira diferente, ficando portanto patenteado que o único estilo
permitido é não ter estilo. (Beto Moura)
Ter ou não ter estilo, eis a questão. Na busca do seu próprio estilo, o artista
acaba seguindo outros estilos, pelos quais se deixa influenciar. Quando pensa
tê-lo encontrado, então, percebe que se tornou uma colcha de retalhos de outros
estilos e parte em busca de um novo. Assim, o artista passa por diversas fases
na sua vida, que nada mais são do simples mudanças de estilo.
(Romeu Prisco)
Nessa busca pelo estilo, cumpro um certo ritual para escrever ou fazer qualquer
coisa que envolva criatividade. Uma delas é fazer alguns minutos de zazen e
tentar manter a mente vazia de formas-pensamentos anteriores. Aberta para as
idéias, então queimo um incenso suave e só então me coloco mãos a obra para
produzir. Até que consigo. Não sei se é novo, velho, original, mas dizem que o
que eu faço tem minha cara, minha marca registrada. Não sei se isso é estilo.
Mas é meu ritual de criação e acho que isso já está bom. (Fatima Dannemann)
Nunca busquei um estilo, penso que o estilo nasceu comigo. Das entranhas da
minha alma surgem gritos que ordenam para escrever o que ela me dita. Então,
noite fora, velhos hábitos de estudante, escrevo os seus apelos. Alguns desses
gritos transmitem-me tranqüilidade e então escrevo mais com bom senso do que
emoção, mas quando essa mesma alma me lança gritos de guerra, a dor vem ao de
cima, e apenas saem palavras cobertas de emoção, choros vindos do coração e
aquela solidão maldita. Escrevo porque gosto, é parte da minha sina e escreverei
sempre, até que a minha alma pare de gritar e interrompa a minha vida.
(Júlia Sousa)
Edição:
Neli Neto
02.11.04
Música: I'm Getting
Sentimental Over You
|