"Quem viaja ameaça a despedida. "Partir é morrer um pouco". Dizem os franceses, e com razão. Ainda que para encontrar-se depois, quem parte arrisca despedidas. Por isso, a emoção subjacente percorre-lhe o mistério e a "região das certezas absolutas". As grandes despedidas dão-se - contudo - sem que o percebamos. As que sabemos e sofremos não são despedidas completas, pois a saudade e a memória hão de trazer de volta o sentimento genuíno que agora causa dor. As grandes despedidas infiltram-se no cotidiano e nos atos corriqueiros de cada dia sem ser percebidas. Muitos anos depois, vamos verificar que disfarçado em dia-a-dia ali estavam e estalavam saudades antecipadas, vários nuncas dos quais jamais suspeitamos. Nunca se sabe onde está uma despedida. A não ser muito depois. (Artur da Távola, excerto da crônica "A Despedida")

E "o muito depois" simboliza-se em limítrofes reflexões em cada ser. refletindo-se em cacos, bordando sonhos estelares concretizados em sentimentos às vezes imperceptíveis e incondicionalmente vividos!Despedir-se é um assim deixar-se em sentimentos matematicamente vividos.Somando-se, dividindo-se e em qualquer nunca e jamais pensado. Subtrair-se. renascendo para o eterno comparticipado viver.Involuntário momento de saber-se, sentir incompreendido; cravadas e reluzentes duvidas de ser... (Rosaria Coc - Misty)

Nossas vidas são eternas sucessões de partidas e adeuses, separações sem despedidas e desaparecimentos sorrateiros. Quando nos damos conta, já não desfrutamos por largo tempo de uma amizade outrora tida como eterna, já a rotina doméstica acalmou a paixão, já o vigor da juventude curvou-se ao peso dos anos, já a saúde transformou-se em doença, já não sentimos nem saudade porque ela transfigurou-se numa tristeza latente, que, embora recente, parece ser intrínseca à nossa existência. Então, neste momento de lucidez, quando vislumbramos as nossas despedidas ocultas, as nossas perdas irrecuperáveis, temos pressa de despedirmo-nos da vida. (Roberto Cursino de Moura)

Inevitáveis tais partidas e adeuses.Sentir-se falta de alguém, alguma coisa ou de algum lugar muito tempo depois, é sinal de que uma despedida aconteceu e no exato momento em que ela se deu nós não a percebemos. Daí , vem aquele sentimento de vazio, aquela vontade de voltar no tempo e de fazer tudo acontecer diferente. Quem dera isso fosse possível. Acredito que nós teríamos desfrutado muitos momentos de nossas vidas que já aconteceram e agora fazem parte do passado de uma forma diferente. Teríamos amado mais, dado mais atenção para aqueles que precisaram de nós e nós por algum motivo não os atendemos. Mas a vida é assim mesmo e o que passou não tem volta. (Silvia Saraiva)

É, não volta. Mas existe a possibilidade- porque tudo sempre é uma possibilidade- se o que passou voltasse talvez nos fosse ainda mais dolorida a despedida porque, teriam nos amado mais? teriam nos cuidado mais? teriam nos compreendido mais? Teriam sido conosco mais altruístas? Mais benevolentes? Complacentes? menos críticos? Ou seria ainda maior a dor na despedida? De cada despedida ficam, porque findas, apenas as mais lindas( parodiando o poeta). E são elas que nos encorajam a novos entrelaços, a novas esperanças. Mesmo sabendo que despedidas fazem, das coisas que amamos, coisas findas eleva-nos a alma senti-las muito muito lindas.E se nos fosse dado reviver cada passado quem sabe nosso olhar já tão sofrido por mais uma despedida não percebesse menos lindas as coisas que agora nos parecem tão lindas? E inda mais findas...dolorosamente findas? Melhor que não voltem. Melhor. E que nos encantem para o resto da vida todas as coisas que vemos, ainda, como - embora findas- muito lindas! E então, felizes, dizemos - parodiando novamente- " só pra sentir passar o vento..." valeu vivermos, inda que despedida. (Linda Maria)

"Só pra sentir passar o vento"... quem sabe, assim com a despedida , encontremos uma razão para sorrir. Se pensarmos que a vida é para ser vivida e amada e que amando-a podemos transformar o mundo, trazendo a paz e não a guerra, a fartura e não a fome., o bem e não o mal. Quem sabe, os nossos sonhos, hoje adormecidos, possam ter todas as possibilidades de serem concretizados, e sob a penumbra de um céu estrelado, aquele amor que tanto almejamos seja descoberto e nos induza a fabricarmos verdadeiros delírios de renovação. Quem sabe, possamos ser amados e nesse dia, quem sabe, o sol brilhe com mais intensidade, novas flores desabrochem pelos campos, os pássaros cantem com mais fervor e assim sentindo Deus Ele se proponha a realizar todos os nossos sonhos. Quem sabe, possamos trocar mais segredos, tramar mais ternura e nos sentirmos mais felizes. Partamos pois, com um sorriso no rosto e paz no coração, esperando uma vida mais bela.... apenas partir para uma nova estação. (Helô Abreu)

E dentro dessa nova estação, tentemos não fazer do adeus uma esperança perdida mas sim, uma expectativa de volta, renovando sonhos, reestruturando anseios, vivenciando novas emoções. E para aquelas partidas inevitáveis, quando nos sentimos impotentes ante os imperativos da vida, que não nos esqueçamos do que aprendemos, da experiência que se somará às outras tantas já vividas. Ao se findar, seja uma história de amor, uma amizade, um trabalho, uma viagem, enfim, o que quer que seja, deixará para sempre registrado em nossa memória, aquilo que se viveu e, mesmo morrendo um pouco, estaremos vencendo etapas, cumprindo desígnios, caminhando em direção ao futuro, vivendo. (Baby®)

Caminhar em direção ao futuro, ir de encontro à rota da redenção, pela tristeza das despedidas que nos causaram dor e desilusão. Não tentar esquecê-las, mas aceitá-las, conviver pacificamente com elas. Não pensar em novas despedidas, deixá-las apenas acontecer, o essencial é estarmos prontos a cada morrer... e a cada novo renascer. (Iracema Zanetti)

Renascem os que se foram na memória que deixaram.Também dos momentos nos ficam sabores: do amargo ao doce, sendo que sem termos sentido o mal não saberíamos apreciar o bem... lugar comum, direis. Sim, lugar comum, mas sem dúvida imbuído pelo pensamento de gerações!Essa sabedoria que nos deixam, é outra prova que não se foram: permanecem no exemplo para que examinando-o saibamos evitar erros, discernir caminhos.E assim as nossas vidas são, mesmo que inconscientemente, o continuar das suas... despedidas totais não existem! (Maria Petronilho)

Despedidas totais não existem .Não podemos nos separar da lembrança , pois é ela que nos dá forma e estabilidade.Seja amarga ou divertida.Os trens partem ,seguem os trilhos , nosso coração se vai mas os olhos ficam.Tantas foram as despedidas e nunca estamos prontos para elas ..Tanto a terra guarda , mas as mãos nos desobedecem .Vão lá escavar ,buscar o que deveria estar perdido , sem elo para o mundo real .A despedida é mais uma promessa que fazemos , de sempre reencontrarmos outra vida , outros momentos , outras estórias. Que por uma razão ou outra ficaram incompletas! (Assis)

Despedir-se de algo ou de alguém pode ser também abrir as portas para o novo. Uma "sacudida" que o destino nos reserva para criarmos coragem e nos libertarmos de algo que, em vez de nos fazer feliz, apenas nos aprisiona. Pequenas coisas que nos deixam na dependência do que parece estável. Ai, quando quebramos esses elos, encontramos outras oportunidades logo a frente. E por mais que o momento do adeus seja doloroso, o que vem pela frente nos dá boas vindas. São gratas surpresas, aquilo que nunca encontraríamos se ainda estivéssemos lá atrás, no passado, preso ao que achávamos ser a total felicidade mas era apenas uma calmaria. Com todas as sombras e incertezas que a falta de vento traz aos marujos. (Fatima Dannemann)

Abrir as portas para o novo, para o desconhecido, sempre nos assusta.Como todo início, as despedidas são difíceis.Porém o tempo se encarrega de nos consolar, nos fornecer o lenitivo para acalmar a dor pungente da despedida.Branca névoa imitando fumaça se esvai, deixando doces lembranças de momentos vividos.E...uma nova despedida desponta em nosso horizonte da vida. (Nelim Monti)

E é assim que a vida toca, nos encaminhando ao desconhecido num redemoinho de emoções. Enquanto uma despedida se vai, outra logo em seguida desponta. Nossos passos cotidianos vive cercado de adeuses desnecessárias e sem sentido. Penso ser a forma que Deus encontrou, de mexer com nossos sentimentos, fazendo com que consigamos nos desprender do apego natural que procuramos manter ao que nos cerca, quando não devíamos. Por sermos fracos nos apegamos sim, e deixamos que o medo pela perda, nem sempre inevitável, controle nossos dizeres. Não sofremos pelas vivências existentes, lembranças, mas porque perdemos. Um doer que chega abrupto corroendo passos e vida, dominando instintos, provocando uma amargura irreparável. Ninguém gosta de perder, ser colocado de lado. A vontade de possuir, ser o verdadeiro dono de seu destino é maior, e por isso não aceitamos a morte. Ela sempre chega numa hora boa da vida, levando aquilo que, de alguma maneira, nos é importante e nos faz feliz. E...só nos resta então chorar pelo infortúnio, encarar de peito aberto a mais esta despedida. Aquela que sabemos que neste plano terreno nunca mais terá volta. (Neli Neto)

Em verdade a despedida é em si um exercício de vida, um toque de evolução, o destino da humanidade. Há que se considerar que a cada despedida abre-se espaço para novidades se achegarem, compondo assim os elos da corrente do cotidiano que aprisiona, em certa medida, a impulsividade da alma!Os equívocos que cometemos ao resistirmos e condenarmos toda despedida são responsáveis pelos desatinos presentes na existência humana. No entanto, ao nos entregarmos mansamente aos movimentos que a vida propicia, em meio às despedidas, vamos nos surpreendendo com a vitalidade que desabrocha em toda nova situação que emerge de cada despedida... (Priscila de Loureiro Coelho)

Por mais que tentamos aceitar a despedida, ela nos leva toda nossa energia vital. No momento em que dois corações se separam, faz-se a despedida da alma, estraçalha-se o sentido do pensamento, tudo deixa de existir, caímos em abismo transcendental. A despedida não escolhe paradeiro, não escolhe tempo nem época, faz passado, futuro e presente, fica latente na existência humana. A despedida é inconseqüente, cultiva a saudade e atrela os desejos dos seres a sentimentos de perda, mesmo que totalmente incoerente. (Arlete Maria)

É sensato vislumbrar estas situações com olhares de redescoberta . Romper elos mexe com as emoções . É a oportunidade de avaliarmos a que causa temos nos dedicado . Sem dúvidas hiatos de vidas que nos minam as forças . A lei do bom senso orienta-nos a não sucumbir e ir em frente, mudar a rotina, superar os limites para vencer obstáculos, afinal eles existem. Nestes momentos apelar para as crenças, para todos os fatores que de certa forma fortalecem o íntimo de dentro para fora e acreditar que a vida sempre pode surpreender. Estarmos abertos e termos a certeza que ao dizer um adeus ou até logo é apenas o começo , pois o eco do que existia irá soprar ainda por muito tempo aos nossos ouvidos. Despedir-se é um ato que abre feridas e isso dói, sangra e deixa marcas. (Clivânia Teixeira)

A vida é feita de emoções, sensações, missões e desafios, em cada despedida há de se atentar que paralelamente inicia-se um novo caminhar, novas direções a serem seguidas, os que partem deixam no coração dos que ficam marcas boas ou sofridas, em sua maioria ficam saudades doloridas, mas sempre haverá alguém do outro lado, que simultaneamente estará feliz pelo início de um novo caminho conjunto. Assim como a terra, as relações e movimentos continuam a girar, é a dinâmica da vida, num ritmo constante, infindo e ascendente. Um dos maiores desafios do ser humano é o desapego, é vencer a dor da perda, com coragem para chorar a sua dor, mas acima de tudo com coragem para enxugar as suas lágrimas e com a visão límpida vislumbrar um novo horizonte a desbravar. (Tahyane)

Somos o resultado das nossas vivências, de cada momento bom ou ruim que experimentamos. Se não tivéssemos vivido esta ou aquela circunstância, seríamos certamente outras pessoas, melhores ou piores, não exatamente como somos. As inevitáveis despedidas nem sempre simbolizam perdas, a vida não é estática. Se soubermos encarar com naturalidade tudo que a vida se nos oferece, tirar de cada fato um ensinamento, se formos capazes de usufruir cada pequena alegria, aceitar com resignação os dias nublados, as tristezas, sentir-nos-emos mais preparados para enfrentar qualquer acontecimento, mesmo que ele simbolize, naquele instante, uma perda. É preciso, no entanto, que estejamos atentos, que não joguemos pelo ralo as nossas chances, que não haja despedidas desnecessárias, sem sentido, pois isso seria um desperdício lamentável e um passo atrás em nossa evolução. (líria porto)

Basta de sofrimento! Nada de grandes nem desnecessárias despedidas. Que sabemos nós do futuro? A vida segue seu curso e nela está contida até a morte. Tudo é o que tem que ser. Precisamos apenas cumprir o ritual, e despedir-se faz parte do show. Temos que encarar a despedida como o último ato antes que se fechem as cortinas. E elas se descerram todos os dias, outra vez. Às vezes é assim, a ruptura é necessária e desejável. Partir para uma nova chegada, um novo recomeço. A vida é um constante recomeço, por isso que é tão bela e tão prodigiosa. (Eva Aune)

Caminhos em tempos diferentes. Num mundo paralelo vagamos.Temos aproximações ou afastamentos num ciclo de atos com fatos consumados.No paralelismo de nossas esperanças cegos pelos momentos, amamos ou sofremos num crescimento interior que nos faz sermos novos seres a cada dia. Acaricio ou rejeito na felicidade de momentos, em busca de uma paz interior permanente. (Isaac Miguel)

Acredito que temos alguns caminhos já traçados pelo Universo e outros em que temos liberdade de escolhas! Ganhamos ao nascermos um mundo de presente e cabe a cada um de nós fazer deste mundo o melhor presente! Amando, brincando, conhecendo pessoas, amando a natureza, amando o universo inteirinho e distribuindo sentimentos de amor, paz, fraternidade e cuidados para que consigamos construir um mundo bem melhor e muito mais FELIZ!!! (Marineide Miranda)


Edição:
Olga Fonseca
22.11.03

Música: Diary

 

 
 
 


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