"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida." (Clarice Lispector)

Sentimento que faz taquicardia, provoca suores, tremedeira, hipoglicemia, revira a vida da gente de pernas pro ar. Saudade dói. Dor física mesmo, de ir ao médico e reclamar ao que a dor é generalizada, com concentração maior na altura do peito, um constrangimento de coração, uma fisgada insuportável...mas cadê remédio, pílula, xarope? Quem sabe uma massagem...Não, saudade só tem cura com a presença. Ou com o tempo, porque vai-se acostumando com a dor. Vamos convivendo dia a dia com aquela falta e quando nos damos conta, já não dói tanto assim. Aquela dor vai virando lago quieto, água transparente...
(Odete Ronchi Baltazar)

Água que escorre por entre meus dedos, se esvai como sentimentos passados,quero a cura, a saída, não sei como,ainda não encontrei nem a entrada. Tenho fome de vida e de amor, não conheço paixão e nada parecido,é simples falar de tudo, só que não vivo, não sei como é amanhecer amando. Quero aprender a saciar a fome, a sede de meus conhecimentos,vou ainda me sentir querido, tomado,quero aprender a não me controlar,quero tentar trocar,solidão por sol, paixão por calor, amor por amor.
(Caio Lucas)

Saudades são caminhos curvos. E retas são minhas pernas. E paralelos meus braços. Trago no peito 24 costelas que, de uma gaiola, são as grades. Quando arremessadas ao ar, as costelas retornam ao peito. Não há fuga para meu coração. Não há cura para uma ave de arribação que chora...Saudades , sua prisão.
(gracias de lunna)

Saudade não quero sentir, mas, as lembranças guardarei dos bons momentos que vivi. Saudade me faz sofrer, lembranças me faz sorrir. Na saudade já te perdi, na lembrança estás aqui.
(Eunice Cardial)

E estando aqui ocupas espaços abstratos, me causa cegueiras de paixões... Saudade é curto-circuito em brilho de luzes. Lanternas românticas de caminhos. Atalhos em meus sonhos. É tudo o que não és, pois a falta de sua presença proporciona-me a liberdade intensa de fazer e ter atrevidamente o dourado vibrante, incandescente da imaginação. Oculta na realidade brinca com a criança em tempos maduros de cobra-cega, com a intenção de um raio-x de codinome felicidade. Dama da noite em pleno sol de meio dia.
(Rosaria Coc - Misty)

Saudade é apenas um nome para a lembrança em que o coração se queixa em demasia. Somente o Amor pode realizar a alquimia de transmutar aquela numa confiante alegria.
(Moacir Índio Jr)

Saudade é um sentir irracional que prevalece. É uma voz que não cala a presença é o eco do som que perdura no abismo da ausência.É este estado amorfo da alma que nos empareda entre o silêncio e a solidão.
(Clivânia Teixeira)

Só o amor prevalece... é sua ausência que nos faz sentir saudade. Saudade é a dor da separação de corpos e almas que se completam... unificadas até ao ato de respirar... Como não sentir saudade do amor ausente, se é sua falta que nos leva a morrer bem devagar?
(Iracema Zanetti )

Falar de saudade é falar de ausência, tristeza, perda, medo e, principalmente, de dor. Uma dor lancinante. Algo que oprime nosso peito até nos sufocar, causando uma fissura profunda e que pode deixar cicatrizes pra sempre, se não pudermos alcançar esse alguém tão profundamente amado e que é como um segundo eu...
(Greissy Rezende)

... que de repente se transporta e se sente sorrindo estando em ti não estando: me percorre lenta a doçura de teus dedos, a tua voz me cantando, o tom vibrante do riso... mas ai que dou por mim procurando o brilho de teu olhar nos meus olhos, o calor do teu abraço me amparando no teu colo e sem mais irrompe o pranto, os soluços tomam conta de meu peito, tua ausência me assola, me rompe de dentro pra fora o coração, como um acerado espinho!
(Maria Petronilho)

Saudade: espinho, sim, mas que podes transformar em rosas, tornando doces as tuas lembranças, plantando o teu canteiro de flores, regando-o com tuas lágrimas ardentes porque transformar lágrimas em pérolas é privilégio de nós, os poetas. Sentirás saudade, sim, mas se fores capaz de fazer dela uma renovação, estímulo para novos objetivos, sentir o "agora" da vida...ao invés de fazer dela inimiga, faça-a amiga dos sonhos e dê um doce cantinho a ela, bem dentro de teu coração.
(Leda Galvão)

Saudade, é se perder no tempo em busca de algo que já foi e não volta. No entanto, a saudade nem sempre cause dor. As vezes, a saudade é gostosa. Traz a mansa alegria contida nas lembranças doces. Ter saudade, em certos momentos, é preciso. Pois a saudade traz de volta bons momentos, amores, bons amigos. Saudade, principalmente por isto, é um sentimento contraditório. Tem o amargo, o doloroso, mas é boa e doce quando significa memória.
(Fatima Dannemann)

Quando a saudade se torna memória é que ela deveria ser passado. Mas tão forte é o seu retorno; tão atordoante a sua volta que transforma em sombra o presente.
(Delasnieve Daspet)

Presença. Saudade é sentir presente o amado ausente.Saudade tem cheiro, tem cor, tem gestos pessoais. Saudade tem gosto de quero mais.Saudade tem toque, tem trejeito, tem sorriso, tem beijo. Saudade fica na brisa, nas ondas do mar. Saudade tem fundo musical.Saudade tem tudo isso....e muito mais! Saudade tem do poema a poesia essencial. 
(Linda Maria)

Saudade...poema com sete letras que choram...Saudade de tempos passados, de caminhar livre no vento, de correr em busca do tempo, de sair andando na madrugada, leve e solta para ver o sol nascer frente a uma praia deserta. Da natureza verdinha, de correr, de pular, de sorrir, de cantar, de viver e de amar... de desejos, delírios soltos à esmo nos braços do ser amado. Violação de sentidos, insatisfação, penumbra criada no vácuo. Lapso de caminhos marcados, traçados, vividos e depois apagados. Saudade... só saudade que grita, dor que dói sem cura, que lateja quente na alma, que dilata dentro do peito, que vive após sua morte, não deixando que as lembranças se percam pelo caminho renascendo em outra história.
(Neli Neto)

História de amor, de pai, mãe, irmãos, amigos, casais, no afastamento, se existe amor surge a Saudade, palavra verde e amarela sem tradução em outro idioma. No verde a esperança. No amarelo, riqueza, desespero... Saudade até dos tempos que poderão voltar e dos que não voltam mais ... Ora segue moldes, ora contraria a palavra japonesa, "Makoto", de impossível tradução por seu infinito significado. Em "Makoto" há sinceridade, dedicação, espírito de luta, existentes na Saudade, mas encontra-se o desprendimento que a contraria em parte. Na Saudade, como por encanto, uma pessoa sente-se aprisionada à outra por um laço imaginário que se reforça sozinho no coração e sem que se queira podar a liberdade. Até que o tempo aplaque transformando forte sentimento em suave compreensão... Metamorfose ! ... Sentimentos antagônicos se confundem na Saudade. Sentir-se pessoa aprisionada pela distância, sem podar a liberdade de quem se foi, traz um doce sofrimento semelhante ao masoquismo, embora ninguém goste de sofrer realmente. Saudade, sentimento polivalente cercado dos mais românticos significados... Transforma crianças em adultos, adultos em adolescentes ou crianças, mantém viva e acesa a chama do verdadeiro amor ainda que distante... Ausência da outra parte que completa.
(Heraldo Lage)

Saudade é dor que machuca. É dor sem paliativo. É punhal cravado no peito...que vai aos pouquinhos perfurando o coração, trazendo à mente lembranças de sonhos que se perderam no passado ou de alguém que partiu para não mais voltar.
(Vyrena)

Oh, Deus! Quanta loucura!... Estarei demente?!... Não! É apenas essa emoção armazenada em meu peito, que ora me amargura e ora me transfigura, me leva ao céu, me deleita, pois é lembrança ditosa dum alguém que me faz falta, dum momento de alegria, de instante de felicidade, dum amor que me transporta, transforma- me numa pessoa melhor, mais pura... Saudade, palavra bendita!... Saudade é o recordar ventura!...
(Carvalho Branco)

E como é bom recordar... o quão valioso é poder ter lembranças e saudade... saudade do travesseiro de penas que me fazia espirrar na infância, do cheiro de bolo de fubá aos sábados à tarde, saudade da adolescente que fui, do primeiro amor, da emoção de levantar o travesseiro e encontrar uma moeda pra pagar o primeiro dente perdido. Saudade é recordar ventura, sim. Saudade lateja vida. Que foi vivida, curtida, sentida e foi tão boa que, se pudesse, a gente voltava no tempo e fazia tudo de novo, pelo prazer de fazer, e pela saudade que poderia sentir, novamente, mais adiante. Saudade é viver de novo aquilo que já passou.
(Maytê)

Saudade, viver de novo aquilo que já passou. Já passou?? Como pode a saudade passar? Só tem saudades quem viveu. Viver sem medo de ser feliz mas também se abrindo para a temporalidade da vida e do momento presente. O tamanho da dor de qualquer saudade é exatamente idêntico ao tamanho do prazer que gerou esta saudade. Então, repentinamente me toma um sentimento de plenitude e de certeza tão somente do aqui e agora, para que não me sobrenha a loucura de quase já me saber com saudades do exato eu de agora.
(Cleusa Bechelani)

Sim, tenho saudades, de outros tempos, outros lugares e até de 'outros' cheiros! Quem sabe, de outros amores? Sei que estou vivendo este momento, porém curvo-me ao pensamento de que eu, quem dera, já ter um dia vivido em outros tempos... É algo latente dentro de mim. Talvez tantas angústias sofridas, tantos um sei lá o quê, sejam exatamente os resíduos de meu passado. Uma boa mistura nestas indagações que não consigo deixar passar enquanto passo por esta vida. Parece que tudo trago, que belo 'trago' quando me lembro! De fato assoma e assume dimensões difíceis de serem compreendidas. Ao perceber possuir este corpo, possuir sentimentos, também percebo os ter de longa data. Como algo a resgatar para completar minha localização no tempo e espaço quem sabe já vivido. Talvez seja isto o propalado 'religar'?! Sim, só poderia eu religar a algo que já estive ligado. Hummm, seria isto? É também tenho saudades de um não sei o quê como se fora um dia descobrir as básicas perguntas da filosofia: De onde vim? Quem sou? Para onde vou? O certo é que aqui estou, cheio de saudades...
(Celito Medeiros)



Edição:
Olga Fonseca

Música: Aubrey

 

 
 
 


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