Minha relação com as palavras é orgástica. Escrevo porque preciso ter relações com elas para viver em paz. Depois que uso uma palavra nova, ela me beija. Quer dizer que gostou de mim. Eu sou de bem com as palavras que uso, porque elas me são. (Manoel de Barros)

Quando me sou palavras, sou meu ser e sentir mais verdadeiro. Acaricio a uma alma distante.  Alguém que como eu as sente assim tão intimamente como se a mim pertencessem... E não pertencem a ninguém. Apenas alçam vôo livremente... Eu faço amor com as palavras pois nelas me vivo e me sinto viver. (Liane Niremberg)

Se me sou apenas palavras, vivo a sentir o verbo como o mais intrépido ser. Amo e pertenço a ti com todo o prazer pois de ti me sai a alma e a vida, vôos rasantes em páginas imaginárias de vidas vividas e queridas. Vivo a emoção pois a palavra é toda a razão. (Ronaldo Quintela)

As palavras escrevem-me numa leve tessitura. Deixo-me atravessar pelo som e pelos significantes com um filtro vivo. Armo e desarmo símbolos, e me reconstruo, e recrio a minha realidade. O verdadeiro significado move-se, através de mim, apesar de mim... (M da Graça Ferraz)

Neste criar/recriar, minhas palavras vêm de mim, mas não são minhas. Quando as quero, já não estão. Alçaram vôo e estão por sua própria conta em bocas e olhos alheios, que espiam seus significados e desvendam meus mistérios. Ó palavras, vivas palavras! Ainda estarão aqui, mesmo depois de eu virar pó... (Odete Ronchi Baltazar)

Escrevo para vincar os caminhos com emoção. Por vezes um vazio que transborda quando busco a lembrança cúmplice que aquece o sentir; outras vezes expresso a imagem em palavras num movimento que transforme este ir e vir da vida num algo luz que ilumine o futuro sobre este passado remoto de mim. (Clivânia Teixeira)

Sei-me, sempre, grávida do pensar e sentir.Ouço-os. Gesto-os. E, em meio aos gritos silenciosos, repletos de volúpia, luminosidade e prazer, deslizando por riachos do sangue, sensibilidade que jorra de minhas veias, eu os vejo nascerem rimas , versos e contos. Escrevo-os e assim os liberto para a vida nas palavras paridas e, ao fazê-lo, me contemplo criador e criatura. (Linda Maria)

PARLA! Michelangelo ordenou à sua obra-prima. Agora, já não sendo gênio, também grito à minha alma: Parla! e ao sentí-la cheia de emoções, de vida, de magia não fico gestando apenas o que penso: sou capaz de pari-las em verso, como agora: Amo a vida! Quero vivê-la intensamente. Quem me dera fosse inteligente, e entendesse o que digo devassando minha mente, alguém que amo e amarei a vida inteira, mesmo que sofra, mesmo que chore ou de qualquer maneira! (Leda Galvão)

Falo às palavras que não existem como são sempre bem-vindas. Por exemplo, cito que por amor gosto de deschorar  e, por tristeza, de deslembrar. Vivo procurando nas beiradas das nuvens letras novas, e formas de escrever um palavrozeiro gostosalfabético... Ah! Tantas palavras escritas e ditas, mas o que gosto mesmo são daquelas que almasoletro e virtuoescrevo nas alegrilinhas do meu sorridigito coração. (Gabriel Ribeiro) 

Espero que a cor de minhas palavras não reflitam nada além do que escrevo. Nem mesmo o tamanho da letra que deveria ser minúscula quase ilegível. Começo com uma frase que usei em diversas ocasiões ou em todas em que estava em apuros: "toda decisão é uma solução intermediária". E foi este o motivo que trouxe-me aqui. Tenho um relacionamento amoroso com palavras e frases que leio e isto deveria ocorrer quando escrevo. Passei a vida escrevendo sem preocupar-me com os que iriam ler...desculpem a falta de respeito que penso melhorar a cada pedaço respeitando a todos e não tendo vergonha de reler sempre o que escrevi...é o que consigo expressar no momento. (Douglas Lara)

Um momento de amor, um momento de dor, momentos de alegria, momentos de tristeza...só momentos que expressam uma vida e o seu caminhar pelo tempo. Momentos que são meras palavras, meros desejos incontidos, oprimidos. Sonhos não almejados refletidos de minh´alma carente de amor. Sou antítese, sou verdade, sou mentira, sou consciência, sou esperança, sou destemor. Sou a vontade de sair pelas linhas, alinhavando passos, criando estórias viventes no meu coração. Sou o fogo que queima em brasas jorrando palavras incandescentes que saem em fúria abrindo espaços, desbravando lembranças, que teimam em habitar numa coexistência insensata com a inteligência, que nega seu existir. Sou o que sou, sem máscaras, sem pudor, só com o amor como guia, montando frases das palavras paridas de dentro de mim. (Neli Neto)

Palavras são pequenos momentos. Não sou feito de fantasias, sou feito de vida.sou amante ou serei nenhum para sempre. Não crio histórias só as envio a meu coração.Ele que faça as medições de paixão e gozo, sem perguntas solto os desaforos, a paixão passa como expurgos de restos de amores adormecidos. Deixei de caminhar por momentos voltei a meu coração e fiquei. Joguei fora minhas mascaras, faça do meu passado o que quiser, não me torne comida do amor de muitas mulheres ou de qualquer uma outra paixão maluca. Não quero mais o amor troncho, torto de carinhos sem o afeto e a sensação de tomar. Tenho fome, preciso me alimentar, quero comer paixão e me fartar de amor, sem censuras, sem vergonha e sem medo de morrer amando. (Caio Lucas)

Letras, cujo origem se perde no passado...mas elas formam a palavra antepassado... Palavras, não mais que palavras...todavia, ainda que antigas, são de divinas lavras... Frases, tantas, inúmeras, incontáveis...mas de dores falaram todos os notáveis... Textos, manuscritos, impressos, falados...mesmo os escritores foram anotados... Livros, tertúlias, academias e suas glórias...estão todos à procura das glórias... Poesias, ah! poesias, poemas, sonetos... sonhamos todos com sublimes septetos... Mas todos querem mesmo é o Candor... que é a Ternura e a Carícia do Amor! (Moacir Índio Jr)

Textos... Como filhos que a gente vai parindo todos os momentos. Atos de amor em cada texto, beijos de amor e emoção plena em cada palavra. Palavras... Ditas, faladas, escritas, pensadas... Vivemos uma eterna comunhão de idéias entre palavras e textos, impressos e expressões das mais diversas.Escritores!!! De ontem, de hoje, de amanhã, de sempre. Espelhos da vida, comunguemos com eles nossos sonhos, busquemos nossos caminhos, mostremos nossos anseios, revelemos nossos amores... Somos pura escrita. Vivemos nossa história dentro e fora dos livros... E para quem escreve, o ato de escrever é natural. É como andar, falar, tomar banho e mesmo, fazer amor. As vezes, o escritor tem a impressão que já nasceu escrevendo. (Fátima Dannemann)

O escritor traz, desde o berço, em si, o dom e o desejo de transmitir o seu pensar e os seus sentimentos em palavras escritas. A escrita é um dom nato, uma benção que Deus concede a alguns, visando, quase sempre, a transmissão de ensinamentos, reflexões e filosofias de vida. Por isso escrevo. Porque dentro de mim moram idéias, sentimentos e pensamentos que entendo devam ser repassadas a terceiros. Em um primeiro momento, voltada estava eu aos escritos da minha profissão, muito racionais, técnicos e científicos. Ficava admirada de ver meu pai, que além de escritos como os meus conseguia "passar para o papel" tudo o que de belo tinha em seu coração. Até que um dia, resolvi o mesmo fazer, e qual não foi minha surpresa, ao constatar, que este dom nato que possuía se aflorara, fazendo, inclusive, com que eu me sentisse mais completa e realizada, vez que estava conseguindo transmitir ao meu semelhante o que sinto e o que penso, com relação à vida. Por isso escrevo, sentindo-me, então, ainda mais abençoada por este dom possuir. (A.Ninh@ Lopes de Sá)

Não sei se escrever é dom, arte, ou treino, se o escritor ou poeta o traz do berço, da razão ou de algum canto ocluso do coração.Quanto conhecimento de vida o velho tempo me passou, a ele não dei ouvidos e o que aprendi o vento levou. Hoje, vivo de juntar letras e formar palavras sem saber de onde elas vêm nem pra que versos vão! Não escrevo por dom nem por arte, não uso a razão, dou vazão a sentimentos, e,  direitos ao coração, dou-lhe total liberdade de expressão. Meu coração canta a arte de viver e de amar, e, eu, a magia de escrever, sentindo sem pensar. Não rebusco meus versos com vocábulos de mestres, nem aos dos deuses gregos, ou aos dos filósofos de remotas eras, essa não é minha intenção. Não recorro, não abro Aurélio, nem consulto o Encarta na mais nova edição. Humildemente estendo as mãos a meu guru, pedindo a ele inspiração. Não consegui, nem a mim mesma ensinar, tirar proveito da roda da vida, quando no topo se firmava, me olhando atrevida, me deixando deslocada, sem saber a quilometragem, e, a velocidade da descida, em cada ciclo da nossa vida, na carreira do dia a dia, sempre tão desenfreada. (Iracema Zanetti)

Mas ainda assim, no meio dessa roda viva, me voltam as letras. São elas, muitas vezes, que proporcionam a catarse necessária para um encontro melhor conosco mesmos. Quando escrevo, é como se lesse, em alto tom, o que sinto; e esta leitura proporciona a escrita de novos roteiros. Quando sou lida, sinto que meus sentimentos são sentimentos comuns a tanta gente. A vulnerabilidade se torna menor, as paixões menos assustadoras, as certezas menos onipotentes. (Maria Tereza Albani)

Enfim, ao escrever, exponho minhas entranhas. Deixo a mostra meu íntimo. Dispo-me por completo. Nua, eu e a palavra somos una, indivisíveis. O meu outro sabe o que eu não sei.Aprendo-me fração, sendo inteira.Não sirvo de referência a ninguém porque não sou metade...sou verso, sou linha, sou harmonia, um sonho, uma fantasia, e assim vou mudando o mundo e moldando-me  as mudanças a partir de mim... (Delasnieve Daspet) 



Edição
Olga Fonseca
09.08.02


Música: Mr. Lonely

 

 
 
 


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