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Soneto
Inascido
O
poema subjaz.
Insiste sem
existir
escapa durante a
captura
vive do seu
morrer.
O poema lateja.
É limbo, é
limo,
imperfeição
enfrentada,
pecado original.
O poema viceja
no oculto
engendra-se em
diluição
desfaz-se ao
apetecer.
O poema poreja
flor e adaga
e assassina o
íncubo sentido.
Existe para não
ser.
Artur
da Távola


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