Quisera eu falar de amor!

Hoje não vim aqui falar de amor!
– Vim aqui falar do amor!
Do amor despojado,
Do amor fraterno, singelo,
Que é, (e não que pode ser),
Do amor aberto, nu!
Sem contendas, oferendas,
O amor que não cobra,
Mas que compreende, apascenta, integra,
Que sabe rir (mas que faz chorar junto),
O amor do toque,
...dos olhos,
...da boca,
O amor das mãos...
Sagradas mãos, que ao menor movimento,
Dá-se a entrega,
– Não vim falar de amor,
– Mas falo do amor,
Do amor que é,
Não daquele que pode ser,
Do amor que faz,
E não aquele deixado atrás,
Do amor que cria, e não se esfria,
Do amor que é belo,
(E não confunde),
Do amor que nutre ( e faz crescer),
Não aquele que pode morrer,
Pois esse não é o amor,
E é tempo que se saiba,
Que esse passa,
E já é tempo, – e que se cumpra,
as leis do amor,
Do amor que é belo,
Do amor de dentro,
Do amor que é,
Do amor da alma,
Esse sim não passa,
É eterno!
– Me entenda quando digo,
– Vim aqui falar do amor, e não de amor...

Geraldo Ráiss

 

 

 
 
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