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Amô de rede
Amô de rede é bão.
É bão mesmo pra daná.
A gente fica agarrado,
Fica tudo atracado,
E a rede pra lá, pra cá...
E o Zeca só a pitá...
É uma fuxicada arretada,
Que num sei mesmo explicá.
São fungada nos cangote,
São alisado pra lá.
São uns roçado pra cá.
E o Zeca só a pitá...
Êta pitada lascada,
Tão boa de se pitá.
A gente nesta esfregada,
Virando os ôio danada.
A rede pra lá, pra cá...
E o Zeca só a pitá...
Num dá mais pros cafuné,
Pros suspirinhos inté.
Só dá é pros afiná.
Fica tudo sem dá pé...
"Vige Maria da Fé"
Salve-se quem pudé...
Fica tudo embolado,
Fica uma confusão,
Na rede é muito difici.
Mas é pra lá de bão.
Num quero outra vida, não.
A rede pra lá, pra cá...
E o Zeca só a pitá...
Quando chega mais adiante,
Dessa baderna inferná,
Tá todo mundo cansado.
E eu cum os ôio arregalado,
De tanto me arrepiá...
A rede pra lá, pra cá...
E o Zeca ainda a pitá...
Nessa embolada gostosa,
Nesses suspiro ideá,
Sem podê se alevantá,
Caimos nos dois no sono.
Pra tentá se descansá.
A rede pra lá, pra cá...
E o Zeca parou de pitá...
Myriam Peres
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