EM BUSCA DO INFINITO
Aida Domingos
 

 

Acordei com a certeza que já vivia o último dia do ano, pensando em fazer breve reflexão. Descubro que é véspera de Natal, que delicia ainda falta uma semana para delirar em pensamentos ou se corroer pelos atos não realizados, o que seria uma escolha não inteligente, mas como muitas vezes escolhemos ser vítimas de nossa próprias amarras derrapamos por caminhos dantes não desejados, nos esquecendo que o infinito está dentro do peito, do cérebro ou do mais intimo de nosso querer , nos esquecemos que vivemos numa sociedade enlouquecida que só valoriza na mulher um corpo sarado, idade antes dos quarenta, ou quem sabe uma "gorda" conta bancária. Amigas vamos buscar o infinito! Vamos dar ouvido aquela voz interior que grita "SOU MAIS EU", seguir em frente, esquecer o apelo de nos tornarmos bonequinhas , saradas, siliconizadas, rosto esticado submetidas às atrocidades do bisturi, sem Ter consciência que antes de sermos objetos somos pessoas com direito a marcas de expressão e não objetos do bel prazer e consumo.

Vamos amigas mulheres tomemos consciência que a vida vai além de um belo corpinho . Vamos nos cuidar nos cultivar, ganhar o jogo sem nos perdermos nessa busca desenfreada que deixará legado nada encorajador para nossos descendentes. Vamos amar e amar muito mas não sem antes nos amarmos, nos conhecermos obtendo o máximo de prazer, sem a demagogia da perfeição da matéria, sempre é tempo de colorir a vida com as cores da paixão, lembrando que uma velhice sadia começa a ser construída na infância, com os verdadeiros valores de respeito carinho e amizade, escada para a satisfação plena..

Vamos desencorajar o desejo de se apossarem da nossa mente, idéias e corpo, vamos soltar as amarras rumo ao infinito como ser pleno e realizado sem esquecer que o deserto é solitário, porém, sempre encontramos alguém disposto a segurar a bagagem dando tempo de renovar o ar, só não vamos mergulhar no deserto de nós mesmas nos tornando estranhas no próprio ninho, vamos pegar com força nosso fio de prata sem deixar que se quebre, segurar nossas idéias sem deixar que "estrangeiros" delas se aproveitem ou queiram nos calar.

Vamos pagar o preço mesmo sabendo que algumas vezes viajaremos solitárias a recompensa virá com certeza, seremos felizes por completo o dia que descobrirmos que pertencemos a todos sem pertencer a ninguém e ainda quer queira ou não nosso maior tirano, vive dentro de nós respondendo pelo nome de preconceito um conceito pré concebido que não deixa perceber a quantas o mundo gira cada segundo precisamos de renovação.

Vamos aproveitar a reflexão natalina para praticar essa longa viagem tendo como roteiro o mais intimo do nosso eu interior, chegar ao âmago da questão consciente que somente ela nos levará rumo ao infinito.


Aida Domingos

 

Edição: Neli Neto
Música:Air - Bach

01.01.05

 
 
 


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