|
É
mimo divino ouvir os primeiros vagidos de
mais outro ano, depois de tantos que nos
foram dados como prêmio de viver.
Nos estertores do velho, somos supliciados
com a retrospectiva do que passou, e, como
em um conluio premeditado, testemunhar a
mídia passando a limpo sadicamente, a
desgraceira universal, salvo algum
comunicador fora da moda e herói.
Temos ainda de engolir as previsões
desencontradas dos futuristas de plantão,
cujas fantasias, palavras e vestes
confundem-se no carnaval de ilusões.
Tomara que 2005 nasça dourado e por
gentileza, leiam o edital:
Fica proibido para o NOVO ANO:
- Falar de tristeza, cultuar o baixo astral
e fazer o tedioso papel de vítima no
iluminado palco da vida.
- Fazer projeções, passando adiante os
próprios defeitos e limitações.
- Chorar sobre o leite derramado.
- Conversar sobre doenças e contar
minuciosamente qualquer procedimento
cirúrgico.
- Queixar de companheiros e empregadas
domésticas, (quem ainda se dá ao luxo de
ambos).
- Querer os bens e o querer-bem do próximo.
- Queimar o planeta e a as esperanças do
homem.
É muito saudável continuar ou preparar-se
para ser feliz.
Depois de fazer um balanço de 2004 e dobrar
os joelhos pelo saldo positivo, assino minha
escrita certa de não ter confiscado a
alegria de uma pessoa sequer, negociado os
meus talentos com juros interesseiros e
negligenciado um só dos compromissos com o
Dom da Vida.
É fantástico ir de peito aberto para a luta
diária com calendário novo, de mãos dadas
com a esperança e os mesmos amigos de uma
vida e muitos mais.
Lindo continuar de quatro pelo ser humano
sem querer julgá-lo ou que aja à minha
imagem e semelhança.
Fascinante descobrir-me mais mansa, madura,
tolerante e prudente, fruto das aulas
custosas do cotidiano exigente.
Um alívio ser mulher e orgulhar-me da graça,
sem queixas e lamentações.
Não vejo outra maneira para começar um ano
novo sem que seja por imenso amor, para
conseguir aqui e ali bocadinhos de
felicidade.
Quem sabe, tornar-se receptivo, desfazer
peias negativas, amar a Deus, os seus
amores, entregar-se sem reservas e cobranças
e constatar feliz que ano-novo é: glória,
dádiva e bênção.
E a gente ainda é brasileiro, com céu cor de
azul maravilhado, mar esmeraldino, paz de
presente de Deus, coração verde na crença
verdadeira de que....
Começar de novo, é escrever dia após dia um
poema de fé. |