|
Talvez
esta noite
Eu
não viva só da memória
Tão
próxima e cruel da tua virtualidade.
E
o que antes consumia minha alma
Entre
os lençóis
Virá
finalmente tomar o meu corpo, teu.
Interminável,
esta noite
Em
que não haverá mais distância em mim.
Minha
pele será a tua pele
E
mesmo que de céus e infernos se valha o tempo
Terá
que parar e me ouvir e se curvar
Ante
meu desejo infinito.
Luminosa,
esta noite
Onde
a terei assim, sedenta
Me
amando
A
mando da minha boca, seca
De
tanto dizer que és minha
Ah!
Como és minha!
Mágica,
esta noite
Que
fará com que a voraz ferida
Alimentada
pelo meu sêmen
Que
se perde na tua ausência
Desapareça
no eriçar dos teus pelos,
Portal
do meu prazer.
Inesquecível,
esta noite
Em
que te entregas e te diluis
E
eu te comando e te penetro
E
tua lágrima de gozo é minha
Razão
de ser, princípio e fim
Do
meu Eu.
Alberto
Saraiva
Música: Serenata - Schubert
|