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Ah,
se poeta eu fosse
Vida
partida, amores dispersos
Em
quem mais me inspiraria
Para
me desnudar em versos?
E
se dos pincéis fizesse ofício
Só
você faria minha paleta ativa
Seria
a luz da minha fase impressionista
Mar
das minhas marinhas, natureza viva.
Se
um dia cronista me tornasse
À
lauda em branco, um inflexível lema:
Você,
anjo perdido na cidade-selva
Seria
meu único e cotidiano tema.
Uma
vez no palco, ator
Que
com a platéia interage e flerta
Subverteria
a ordem, abandonaria o texto
Só
para lhe aplaudir em cena aberta.
Se
as canções cigarra me tornassem
Eu
viveria numa eterna primavera
Reservaria
os sons, alimento da alma
E
seria doce flor/fruto à sua espera.
E
assim, vate, saltimbanco, menestrel
Seria
um homem, antes de tudo, melhor
E
faria do amar você
Das
artes da vida, a maior.
Alberto
Saraiva
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