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O menino
franzino que
aos sete
anos,
míope de
sete
graus, já
fazia
uns
poeminhas
com
rimas
ainda mais
pobres
que o
bairro
onde
nascera,
um dia
se mudou
- família
grande, sete
irmãos
- para
junto do
mar. A
Baía de
Todos os
Santos,
berço da
naturalidade
baiana,
agora
estava
bem ali
à sua
porta.
Paixão à
primeira
vista,
amor que
se
mantém
até
hoje. Um
reino
lúdico
conquistado
a
mergulhos
e
braçadas.
Nado
livre,
como ele
sempre
quis
ser. Sol
e sal,
corpo
que se
formava
enquanto
outras
formaturas
eram
relegadas...
Estudar,
tudo
bem, mas
tanto
assim?
Um dia
ele
cuidaria
disso,
mas não
ali e
agora.
Não
soube
muito
bem
porque casou
a
primeira
vez, até
que dois
filhos
nasceram.
E tudo
ficou
explicado.
Mas a
sua
inquietude
o fez se
aventurar
outra
vez no
mar das
paixões
-
algumas
doces,
mas que
se
desvaneceram.
Talvez
para deixar
com ele
o sal da
vida,
qual
ciclo
das
águas.
Em 1982
veio a
primeira
separação,
junto a
uma
reconciliação
- com os
estudos.
Só que
esta foi
ainda
mais
difícil: aquele
cara,
agora um
tipo anfíbio,
malhado
e
bronzeado,
nem o
segundo
grau
concluíra!
Que
fazer,
então?
Supletivo
de 2o.
grau,
claro.
Em
janeiro
de 83, o
vestibular
para
Arquitetura.
Incrivelmente,
passou.
Há
coisas
que não
se
explica,
apenas
se
curte.
Só que,
em 1987,
foi pego
pelo
jubilamento
-
Universidade
Federal
tem
dessas
coisas.
O que
fazer,
então?
Outro
vestibular,
claro!
Para a
mesma
Faculdade
de
Arquitetura. Mas aí
foi
bem mais
fácil,
ele já
estava
até
íntimo
de
Limites,
Derivadas
e
Integrais, bem
diferente
do somar
frações
que ele
teve que
reaprender
no
Supletivo...
Dez anos
se
passaram
do
primeiro
vestibular
e ele
conseguiu
concluir
o curso.
Foi até
Orador
da
Turma,
ser
decano
tem lá
suas
vantagens.
Assim
como ter
mais de
quarenta
anos: a
miopia
regrediu!
Depois
disso,
tomou
gosto e
até se
pós-graduou. Está
se
prometendo
fazer um
Mestrado.
E também
a
cirurgia
para
correção
da
miopia.
Que na
verdade
nunca o
incomodou,
ele
nunca
deu
muita
bola
para ela
- jogar
bola sem
óculos
era
muito,
muito
melhor.
Desenhar
e
escrever
sempre
fizeram
parte do
seu
dia-a-dia. Poemas,
muito
poucos:
só
quando a
inspiração
chegava,
sempre atrelada
a alguma
musa. Crônicas,
muitas,
mais de
70, religiosamente
publicadas
às
quintas-feiras
na
Tribuna
da
Bahia.
Algumas
delas
foram
republicadas
pelo
Diário
de
Barretos
(SP). E
muito
embora
não
fosse um
leitor
de
romances,
escreveu
um. E
jura que
vai
publicá-lo,
qualquer
dia
desses. Não
duvidem:
afinal,
ele
disse
que
voltaria
a
estudar
qualquer
dia
desses,
e fez
isso
direitinho!!!
Casou
mais
duas vezes,
foi pai
novamente
aos 50.
Talvez
se case
novamente,
a vida é
um mar
de
surpresas.
Mas o
que ele
acha bom
mesmo é
ser tipo
assim um
rio
cujas
águas
- como
alguém
já disse
- não
passam
duas
vezes no
mesmo
lugar. Talvez
por
isso nunca
tenha
cogitado
voltar
para
nenhum
dos
casamentos
anteriores...
Esse
cara sou
eu,
Alberto
Saraiva,
que se
sente
muito
feliz de
fazer
parte do
Luna e
Amigos.
E que
quer ser
um amigo
de vocês.
Se me
derem a
chance,
juro que
não vou
perdê-la:
ainda
que com
um certo
atraso,
não
costumo
perder o
que me
proponho
a
conquistar...
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