Mitologia Africana
Robson Nogueira - Solo
(pesquisa e texto)
UPA NEGUINHO
Upa neguinho
Na estrada
Upa pra lá e pra cá
Vige, que coisa mais linda,
Upa neguinho começando andá
Começando a andá,
Começando andá
E já começa apanhá!
Cresce neguinho, e me abraça
Cresce e me ensina a cantá
Eu vim de tanta desgraça
Mas muito te posso ensiná
Capoeira, posso ensiná
Ziquizira, posso tirá
Valentia, posso emprestá
Mas liberdade só posso esperá!
(Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, para a peça Arena Conta Zumbi, encenada no Teatro de Arena de São Paulo em 1964)
LEI AÚREA
Lei nº 3.353, de 13 de Maio de 1888.
DECLARA EXTINTA A ESCRAVIDÃO NO BRASIL
A PRINCESA IMPERIAL Regente em Nome de Sua Majestade o Imperador o Senhor D. Pedro II, Faz saber a todos os súditos do IMPÉRIO que a Assembléia Geral Decretou e Ela sancionou a Lei seguinte:
Art. 1º - É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.
Art. 2º - Revogam-se as disposições
em contrário.
Manda, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.
O Secretário de Estado dos Negócios d'Agricultura, Comércio e Obras Públicas e Interino dos Negócios Estrangeiros Bacharel Rodrigo Augusto da Silva do Conselho de Sua Majestade o Imperador, o faça imprimir, publicar e correr.
Dado no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de Maio de 1888 - 67º da Independência e do Império.
Carta de Lei, pela qual Vossa Alteza Imperial manda executar o Decreto da Assembléia Geral, que Houve por bem sancionar declarando extinta a escravidão no Brasil, como nela se declara.
Para Vossa Alteza Imperial ver.
INTRODUÇÃO
Pesquisando em livros, publicações
periódicas ou na internet, descobriremos o universo fantástico da mitologia
africana, que não deixa nada a desejar à mitologia greco-romana, ou egípcia,
assíria, etc... Talvez a mitologia mais antiga do mundo, porque originária do
berço do homem, a África, coração do mundo. Os primatas apareceram na
África a cerca de 7 milhões de anos, onde também, a cerca de 4 milhões de
anos, apareceu o Australopitecus africanus, que se espalhou por todo o
Continente Negro, e de acordo com as exigências de cada ambiente, foi se
diversificando até formar novas espécies. Dentre espécies formadas destacamos
o Homo habilis, o Homo erectus, o Homem de Neandertal e o Homo sapiens.
A seguir alguns aspectos da mitologia
africana, hoje incorporada à cultura afro-brasileira e que foi gentilmente
cedida pelo web designer Solo, de sua página http://geocities.yahoo.com.br/rsnsolo/index.htm
RCM.
LENDAS DOS ORIXÁS
As lendas são fatos míticos contados
sobre homens ou deuses. Todos os povos, em todas as épocas do mundo sentiram a
necessidade de que seus deuses ou heróis fossem mais fortes, mais poderosos,
mais felizes e mais próximos do povo, do que os dos povos vizinhos ou mesmo dos
inimigos. Com os Orixás não foi diferente. Histórias lindas e maravilhosas
definem os fundamentos e a vida humanizada dos Orixás. O Orixá é considerado
um antepassado espiritual. Cada um de nós tem um Orixá, um pai que rege nossa
cabeça e nossa vida e alcançaram a divindade através de atos extraordinários
que praticaram, passando a manifestarem-se como forças da natureza.
IEMANJÁ
É considerada a mãe dos orixás, é um dos orixás mais festejados no Brasil.
Yemanjá veste branco e azul ou verde claro e as contas de seus filhos são de
vidro verde claro transparente, ou azul claro. Seu dia é sábado. Sua
saudação é Odô Iá!
Yemanjá estava perdida em seus pensamentos quando dela se aproxima seu filho
Exu que lhe diz.
- Mãe por todos os caminhos que percorri pelo mundo tive todas as belezas que
quis, mas nenhuma delas era tão bela como você!
- O que diz meu filho, não estou compreendendo!
- Estou lhe dizendo que és a mulher mais linda que já vi e voltei para
possuí-la.
E dizendo isso atirou-se sobre Yemanjá, tentando violentá-la. Yemanjá não
podia permitir que aquilo acontecesse e resistiu bravamente, lutou tanto que
pela violência da luta, seus seios foram dilacerados. Enlouquecido e
arrependido Exu, "caiu no mundo", sumindo na linha do horizonte.
Diz-se que dos seios dilareçados de Yemanjá, saiam lágrimas profundamente
tristes e tantas que se tornaram toda a água salgada do mundo, de onde se
originaram todos os mares e oceanos
NANÃ
Dona da lama do fundo dos rios, a lama que moldou todos os homens. Mãe de
Oxumarê e Omulu É o Orixá feminino mais velho do panteão, pelo que é
altamente respeitada. Veste-se de branco e azul. Suas contas são de louça
branca com riscos azuis. Traz na mão o Ibiri, seu cetro. Protege os enfermos
desenganados e é patrona dos professores. Seu dia é a segunda-feira, e sua
saudação é Saluba! Nanã proprietária de um cajado. A avó dos ORIXÁS
também chamada de Nanã Buruku. É um VODUM da lama, dos pântanos. Tem também
relações com a morte. Em certos mitos é considerada a esposa de OXALÁ e
ainda mãe de OMULÚ e OXUMARÉ, orixás procedentes da mesma região que ela (DAOMÉ).
Dizem os mitos que antes de criar o homem do barro, Oxalá tentou criá-lo de
ar, de fogo, de água, pedra e madeira, mas em todos os casos havia
dificuldades. O homem de ar esvanecia; não adquiria forma. O de fogo,
consumia-se, o de pedra era inflexível e assim por diante. Foi então que Nanã
se ofereceu a Oxalá, para que com ela criasse os homens, impondo, contudo, a
condição de que quando estes morressem fossem devolvidos a ela. Sendo o barro,
Nana está sempre no principio de tudo, relacionada ao aspecto da formação das
questões humanas , de um indivíduo e sua essência. Ela é relacionada também
, freqüentemente, aos abismos, tomando então o caráter do inconsciente, dos
atavismos humanos. Nanã tanto pode trazer riquezas como miséria. Está
relacionada, ainda, ao uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a
desenvolver cultura. Seja como for, Nanã é o princípio do ser humano físico.
E assim é considerada a mais velha das iabás (orixás femininos).
Dizem os mitos que nunca foi bonita. Sempre ranzinza, instável, sua aparência
afastava os homens, que dela tinham medo. Nanã, teve dois filhos com Oxalá:
Obaluaiê e Oxumarê (a terra e o arco-íris) e uma filha, Ewá, que teria
nascido de uma relação entre Nanã e Oxóssi, ou ainda, entre Nanã e
Orunmilá, conforme o mito. Conforme os mitos de Obaluaiê e Oxumarê, ela os
gerou defeituosos, por ter quebrado uma interdição e mantido relações
sexuais com Oxalá, marido de Iemanjá. Abandonou a ambos, que foram criados por
outros orixás, e acabou sozinha quando Ewá, para fugir de um casamento que sua
mãe lhe impingia, fugiu de casa para morar no horizonte entre o céu e o mar.
Alguns mitos dizem que ela é também a mãe de Iansã, os ventos, e que foi
expulsa de casa para não matar sua mãe, a lama, ressecando-a. Nanã sempre
esteve em demanda com Ogum, que amava muito sua mãe Iemanjá, tomando partido
desta na disputa que se estabeleceu entre elas pelo amor de Oxalá. Ogum muitas
vezes tentou se apoderar dos territórios lamacentos de Nanã sem, no entanto,
conseguir. Como diversão, Ogum gostava de provocar a orixá, que exigia de
Oxalá que este fosse castigado, sem nunca ter conseguido, pois Ogum tinha fama
de justo. Tantas vezes Ogum irritou Nanã que ela não recebe nenhuma oferenda
feita ou cortada com objetos de metal e mesmo o sacrifício de animais feito em
sua homenagem deve ser feito com faca de madeira ou coberta por um pano.
Lenda: Nanã era rainha de um povo e tinha poder sobre os mortos. Para roubar
esse poder, Oxalá casou com ela, mas não ligava para a mulher. Então, Nanã
fez um feitiço para ter um filho. Tudo aconteceu como ela queria mas, por causa
do feitiço, o filho (Omulu ) nasceu todo deformado; horrorizada, Nanã jogou-o
no mar para que morresse. Como castigo pela crueldade, quando Nanã engravidou
de novo, Orunmilá disse que o filho seria lindo mas se afastaria dela para
correr mundo. E nasceu Oxumaré, que durante 6 meses vive no céu como o
arco-íris, e nos outros 6 é uma cobra que se arrasta no chão.
Na aldeia chefiada por Nanã, quando alguém cometia um crime, era amarrado a
uma árvore e então Nanã chamava os Éguns para assustá-lo. Ambicionando esse
poder, Oxalá foi visitar Nanã e deu-lhe uma poção que fez com que ela se
apaixonasse por ele. Nanã dividiu o reino com ele, mas proibiu sua entrada no
Jardim dos Éguns. Mas Oxalá espionou-a e aprendeu o ritual de invocação dos
mortos. Depois, disfarçando-se de mulher com as roupas de Nanã, foi ao jardim
e ordenou aos Éguns que obedecessem "ao homem que vivia com ela "(
ele mesmo). Quando Nanã descobriu o golpe, quis reagir mas, como estava
apaixonada, acabou aceitando deixar o poder com o marido.
Certa vez, os Orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o
mais importante. A maioria apontava Ogum, considerando que ele é o Orixá do
ferro, que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de
guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso
doméstico e ritual. Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não é
tão importante assim, torceu com as próprias mãos os animais destinados ao
sacrifício em seu ritual. É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem
ser feitos com instrumentos de metal.
OMOLU/OBALUAÊ
De origem Jeje, é o deus da varíola, da peste, das doenças da pele e hoje em
dia da Aids. Omolu e Obaluaê, são as manifestações velho e jovem de um mesmo
Orixá, chamado Xapanã. Suas cores são o vermelho, o amarelo e o preto, que
veste sob capuz de palha-da-costa enfeitado com búzios. Seus colares são
também de búzios e contas de louça branca intercaladas com pretas ou, então,
brancas intercaladas com pretas e vermelhas. Dança portando um instrumento
denominado Xaxará, espécie de cetro. Homenageado às segundas feiras. Sua
saudação é Atotô!
Lenda: Houve uma festa e todos os Orixás estavam presentes. Menos Omolu que
ficara do lado de fora. Ogum pergunta por que o irmão não vem e Nanã responde
que é por vergonha de suas feridas causadas pelas doenças. Ogum resolve
ajudá-lo e o leva até a floresta onde tece para ele uma roupa de palha que lhe
cobre o corpo todo. O filá! Mas a ajuda não dá muito certo, pois muitos viram
o que Ogum fizera e continuavam a ter nojo de dançar com o jovem Orixá, menos
Iansã, altiva e corajosa, dança com ele e com eles o vento de Iansã que
levanta a palha e para espanto de todos, revela um homem lindo, sem defeito
algum.
Todos os Orixás presentes, ficam estupefatos com aquela beleza, principalmente
Oxum,que se enche de inveja, mas agora é tarde, Omolu, não quer mais dançar
com ninguém.
Em recompensa pelo gesto de Iansã, Omolu dá a ela o poder de também reinar
sobre os mortos. Mas daquele dia em diante, Omolu declarou que somente dançaria
sozinho!
OGUM
É o deus do ferro, da guerra e da tecnologia. Patrono dos ferreiros,
engenheiros e militares. Seu dia é terça feira, veste azul escuro ou verde e
vermelho. Seus filhos usam contas de louça azul escuro ou verde com riscos
azuis. Dança com espada e enrola-se em mariô (folha nova do dendezeiro
desfiada), é saudado com o grito Ogunhê!
Lenda: Ogum, Oxossi e Exu eram irmãos e filhos de Yemanjá. Ogum era calmo,
tranqüilo, pacato e caçador, ele é que provia a casa de alimentos, pois Exu
gostava de sair no mundo e Oxóssi era contemplativo e descansado. Num belo dia,
Ogum voltando de uma caçada, vê sua casa cercada por guerreiros de outras
terras. Vendo sua casa em chamas e seus parentes gritando por socorro, tomou-se
de uma ira incontrolável e sozinho derrotou todos os agressores, não deixando
um só vivo. Dai em diante, Ogum iniciou seu irmão Oxóssi na caça e disse a
sua mãe.
- Mãe, preciso ir, tenho de lutar, tenho de vencer, tenho de conquistar. Mas se
em qualquer momento, qualquer um de vocês, estiver em perigo, pense em mim, que
voltarei de qualquer lugar para defendê-los.
Assim partiu e tornou-se o maior guerreiro do mundo, vencia a todos os
exércitos sem mesmo ter um exército, tornou-se assim a verdadeira força da
vitória.
OXALÁ
É o orixá da criação e faz parte dos orixás denominados funfun, isto é,
brancos, ou que se vestem de branco. Oxalá é o deus criador do homem e da
cultura material. No Brasil tem o status de pai dos orixás e senhor supremo.
Seu dia é sexta-feira, quando se costuma usar roupa branca para homenageá-lo.
Suas contas são igualmente brancas, de louça, mas os filhos da qualidade
Oxaguiã usam umas poucas contas azuis a cada seqüência de contas brancas. É
saudado com o brado: Êpa Babá!
Lenda: Oxalá, estava morrendo de saudades de um de seus filhos, Xangô, que
morava em terras longínquas. Antes porém de viajar, consultou Ifá, o Deus da
Adivinhação, que desaconselhou a viagem. Mas ante a teimosia de Oxalá,
determinou-lhe que durante a viagem, além de levar três mudas de roupas
brancas, sabão e Ori, concordasse com tudo que as pessoas lhe pedissem sem
jamais irritar-se.
Durante o caminho Oxalá encontrou com um Exu, o senhor do Azeite-de-dendê, que
o saudou efusivamente e pediu um abraço. Oxalá cumprindo as determinações de
Ifá, abraçou-o, e Exu que carregava um barril do azeite sobre as costas, ao
abraçá-lo derramou todo o azeite por cima dele e foi-se rindo, satisfeito de
sua brincadeira. Oxalá lembrando-se das determinações de Ifá,
resignadamente, lavou-se com o sabão, passou Ori no corpo despachou a roupa
suja e seguiu viajem. Mais adiante encontrou outro Exu, agora o dono do carvão,
que também o saudou como o anterior e fez exatamente a mesma brincadeira,
sujando-o de pó carvão retirando-se rindo também. Mas uma vez, Oxalá, se
limpa, despacha a roupa suja, troca de roupa e segue a viagem, sem se aborrecer
como Ifá determinara. Ao chegar ao reino de Xangô, viu um lindo cavalo branco,
reconhecendo-o como um que em outras épocas havia dado de presente ao seu
filho. O cavalo também reconhecendo-o seguiu mansamente com ele. Nisso chegam
os criados de Xangô, e ao verem Oxalá, sem o reconhecerem, e vendo-o levando o
cavalo, toma-no por um ladrão, agridem-no e jogam-no numa masmorra. Lá ficou
durante sete anos. Durante esse tempo, o reino de Xangô sofreu muitas
desgraças, a colheita era ruim, o gado foi dizimado pela seca, as mulheres
ficaram estéreis e as pessoas morriam de fome. Xangô, sem saber o que estava
acontecendo, mandou chamar os mais afamados adivinhos, chegando a consultar o
maior de todos os oráculos, Ifá! Este revelou-lhe que o acontecido era em
virtude de ter em suas masmorras um inocente. Xangô manda vasculhar todas suas
prisões, até chegar a Oxalá. Levado o prisioneiro a frente do grande rei,
este reconhece seu pai e imediatamente manda buscar água para lavá-lo. Todos
se purificaram e vestiram-se de branco em seu respeito. Como Oxalá, mal podia
andar, alquebrado pelos maus tratos e tempo em que ficou preso, Xangô deu-lhe
Ayrá, que o carregou nas próprias costas, até o palácio de Oxaguian, seu
outro filho, onde morava anteriormente.
OXOSSI
É um dos muitos deuses caçadores (Odés) na África. Rei da cidade de Keto. É
protetor dos caçadores, dos chefes de família, e dos animais que vivem nas
florestas. Seus filhos usam contas de louça azul turquesa, ou verde leitoso.
Veste-se com estas cores e o vermelho. Dança segurando o Ofá, um adereço em
forma de arco e flecha. É louvado às quintas-feiras. Okê Arô Oxóssi!
Lenda: Oxóssi, em uma de suas caçadas, teria sido enfeitiçado pelo seu irmão
Ossãe, apesar dos avisos de sua mãe Yemanjá, para que tivesse cuidado.
Oxóssi então afasta-se da família até que o encanto seja quebrado, quando
volta, encontra Yemanjá ainda irritada pela atitude do filho em não tê-la
ouvido. Oxóssi volta a floresta sob a influência de Ossãe o que faz com que
Ogum se rebele contra a própria mãe. Oxóssi, aprendeu todos os segredos da
mata com seu irmão Ossãe e é ele quem defende o acesso às plantas,
dificultando a penetração no mato daqueles que não tem o preparo devido.
Outra lenda de Oxóssi, conta que numa de suas inúmeras caçadas, sem que
tivesse consultado antes Ifá, encontrou uma cobra no mato - Oxumarê. Ela lhe
diz que não pode ser morta por ele, pois não é um bicho de penas, ele pouco
se importou com o aviso, e matou-a com a lança, cortando-a em diversos pedaços
e levando para casa para ele mesmo preparar um guisado, com o qual se refastelou.
No dia seguinte, Oxum, sua esposa, prevendo muitas catástrofes, por causa da
quebra de tantos tabus, encontra Oxóssi, deitado no chão morto e rastros de
cobra que iam em direção a floresta. Oxum chorou tanto e tão alto que Ifá,
condoído pela sua dor, fez Odé, o caçador, renascer sob a forma divina de
Oxóssi.
OXUM
É deusa das águas doces. É também a deusa do ouro, da fecundidade, do jogo
de búzios e do amor. Veste amarelo, dourado, rosa e azul claro. Seu fio de
contas é feito de contas de vidro amarelo claro ou escuro ou de louça amarelo
claro, dependendo da qualidade. Dança com um espelho-leque na mão, o Abebê, e
pode usar espada, quando é de qualidade guerreira. É a segunda (e a mais
amada) esposa de Xangô. Seu dia é sábado. Saudamo-la assim: Ora Ieiê Ô!
Lenda: Oxum queria saber o segredo do jogo de búzios que pertencia a Exu e este
não queria lhe revelar. Ela então procura na floresta as feiticeiras, chamadas
YAMI OXORONGÁ. As feiticeiras perguntam a Oxum o que faz ali e ela lhes pede
como enganar a Exu e conseguir o segredo do jogo de búzios. As feiticeiras a
muito querendo pregar uma peça a Exu, ensinaram toda a sorte de magias a Oxum,
mas exigiram que ela lhes fizesse uma oferenda a cada feitiço realizado. Oxum
concordou e foi procurar Exu.
Ao chegar perto do reino de Exu, este desconfiado perguntou-lhe o que queria por
ali, que ela deveria embora e que ele não a ensinaria nada. Ela então o
desafia a descobrir o que tem entre os dedos. Exu se abaixa para ver melhor e
ela sopra sobre seus olhos um pó mágico que ao cair nos olhos de Exu o cega e
arde muito. Exu gritava de dor e dizia;
- Eu não enxergo nada, cadê meus búzios?
Oxum fingindo preocupação, respondia:
- Búzios? Quantos são eles?
- Dezesseis, respondeu Exu, esfregando os olhos.
- Ah! Achei um, é grande!
- É Okanran, me dê ele.
- Achei outro, é menorzinho!
- É Eta-Ogundá, passa pra cá...
E assim foi até que ela soube todos os segredos do jogo de búzios, Ifá o
Orixá da adivinhação, pela coragem e inteligência da Oxum, resolveu-lhe dar
também o poder do jogo e dividí-lo com Exu.
OIA/IANSÃ
Senhora dos ventos e das tempestades, dona do raio, esposa principal de Xangô,
dona das almas dos mortos (eguns). Seu dia é quarta-feira, usa roupa marrom
escuro e vermelha e às vezes branca. O colar de seus filhos é de contas marrom
escuro. Seu brado: Eparrei!
Lenda: Ogum pronto, numa caçada, para abater um imponente búfalo, percebe que
de repente a pele do animal se abre de dentro sai a bela Oyá! Linda, ricamente
vestida e cheia de ornamentos que valorizavam sua beleza e sensualidade. Ela
dobrou a pele do búfalo e o escondeu num formigueiro, dirigindo-se para a
cidade. Ogum a seguiu e completamente dominado pela sua beleza, propôs-lhe
casamento, o que não foi aceito. Ogum, então voltou, pegou a pele no
esconderijo e a guardou para si, voltando para a cidade. Quando Oyá, descobriu
o roubo da pele, voltou a cidade e encontrando Ogum a sua espera, acusou-o,
exigiu o que era seu e Ogum nada, fingia-se de tonto, não admitindo nada. Oyá
percebeu que teria de render-se e aceitar as propostas de Ogum, se quisesse seus
pertences de volta. Mas impôs-lhe três condições:
- Ninguém nunca poderia dizer-lhe diretamente que era um animal;
- Ninguém nunca poderia usar cascas de dendê para fazer fogo; e
- Ninguém nunca poderia rodar um pilão pelo chão da casa.
Ogum aceitou as condições e se casaram.
Isso porém desagradou as demais mulheres de Ogum que passaram a sentir ciúmes
da bela Oyá. Ousadamente, após o nono filho de Oyá, e ainda sendo a preferida
de Ogum, as demais mulheres resolveram tomar uma atitude.
Embriagaram Ogum com vinho de palma, e conseguiram que ele lhes contasse o
segredo de Iansã.
Elas então acusaram-na de ser um animal e até lhes disseram onde estavam suas
pele, chifres e cascos. Oyá fingiu que não era com ela, mas quando sozinha,
correu até o lugar indicado e achou seus pertences. Vestiu-os e eles se
ajustaram perfeitamente, retomou a força do animal e com raiva atacou as outras
mulheres e as matou. Ela pretendia voltar para a floresta, mas seus filhos a
chamavam de volta. Ela então pegou seus chifres e os deu a eles, dizendo-lhes
que se algum dia dela precisassem, que os tocasse e ela surgiria para
defendê-los.
XANGÔ
Orixá do trovão e da justiça, protetor dos juízes, advogados, burocratas.
Usa roupa branca e vermelha, e coroa na cabeça, pois é rei. Seu fio de contas
se faz com essas cores. Dança com um machado duplo na mão (Oxé) e é dono de
um instrumento musical usado só para ele: o Xerê, chocalho de latão. A
Quarta-feira é seu dia e sua saudação é Kawó-Kabyesilé!
Lenda: certa vez, viu-se Xangô acompanhado de seus exércitos frente a frente
com um inimigo que tinha ordens de seus superiores de não fazer prisioneiros,
as ordens era aniquilar o exército de Xangô, e assim foi feito, aqueles que
caiam prisioneiros eram barbaramente aniquilados, destroçados, mutilados e seus
pedaços jogados ao pé da montanha onde Xangô estava. Isso provocou a ira de
Xangô que num movimento rápido, bate com o seu machado na pedra provocando
faíscas que mais pareciam raios. E quanto mais batia mais os raios ganhavam
forças e mais inimigos com eles abatia. Tantos foram os raios que todos os
inimigos foram vencidos. Pela força do seu machado, mais uma vez Xangô saíra
vencedor. Aos prisioneiros, os ministros de Xangô pediam os mesmo tratamento
dado aos seus guerreiros, mutilação, atrocidades, destruição total. Com isso
não concordou com Xangô.
- Não! O meu ódio não pode ultrapassar os limites da justiça, eram
guerreiros cumprindo ordens, seus líderes é quem devem pagar!
E levantando novamente seu machado em direção ao céu, gerou uma série de
raios, dirigindo-os todos, contra os líderes, destruindo-os completamente e em
seguida libertou a todos os prisioneiros que fascinados pela maneira de agir de
Xangô, passaram a segui-lo e fazer parte de seus exércitos.
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