ÁFRICA VERDADE

Josemir Tadeu

 

Versos prolixos...

Não me rendam homenagens,

através de visagens,

que doirem tuas imagem.

Se não corre por tuas veias,

o sentimento de teres me pertencido,

não coloques loas impueris,

ou belos desenhos coloridos,

pra prestar-me uma honra,

que seja mercantilizada,

em  teu beneficio usada,

e não fales do que não vives.

Não apregoe discursos,

Se dos meus rios de sangue,

desconheces os cursos.

 

Sou a África !

Mãe África !

Aquela que gerou.

Mas que não se perpetuou.

Por ingerencia torpe,

de biltres acanalhados,

que se lembraram de mim,

apenas no histórico,

de minha danças, mistérios e festas.

Procurando construir,

através de minha riqueza inconteste,

um degrau para um malfadado renome,

que se fizesse espargir perene e constante,

através do roubo inconcepto de meus diamantes.

Meu verde, minhas minas.

 

Através do escravizar dos meus filhos.

Através desse sórdido preconceito,

que até hoje perdura,

pelos sorrisos entre os dentes.

Se não te misturas com minha gente,

por que haverias de entoar pra mim canções,

que falem de amor e respeito?

 

Não trago na grandeza de minha pluralidade,

o ódio, a mágoa, o desamor, o rancor.

Mas que não venham de forma réptil e ignóbil,

os falsos poetas com prosas e versos,

supostamente cabais e arcangélicos,

espargir dizeres de adoração pela minha saga?

 

Como redigir sobre mim,

se desprezastes ou te calastes,

perante todo sofrer cruelento dos filhos,

quem em mim habitaram?

 

Ao dirigires a mim,

teus pensares interesseiros,

Procura transcrever em matizes marcantes,

todo o sofrimento dos que embalei e criei,

que pereceram sofrendo,

sorvendo do resultado insciente,

encarniçado, escrachado, encancerado,

que as muitas mãos dominadoras,

fizeram questão de me impingir.

Encruecendo-os,

 lapidando-lhes o ódio,

dividindo-os...

Convencendo-os torpemente,

a carregar na alma uma torpe,

nojenta e mentirosa pequenez.

 

Por que agora a escrita,

a terna fala,

dos que viram dos meus,

o sangue jorrando,

e absolutamente nada fizeram..

Sequer um verso escreram,

em qualquer traste de papel avelhado,

para que se pudesse engrossar,

a defesa da minha verdade.

Deixando-me esvaecer,

tolhida, torturada, acuada,

perante as mais vis e hediondas covardias,

que se inseriram em meu dia a dia,

e fizeram agumular o meu sangue,

inda cheio de história e orgulho,

mas impedido de circular,

pois tantas foram as doenças que me impuseram,

através das fartas e sórdidas experiências egoístas,

que jogaram por terra o meu povo,

e certamente apressaram o meu fim.

 

Não quero honrarias.

Quero,

desfrutar da supremacia da verdade.

Se não podes soltar tua voz,

fazendo ecoar um grito de solidariedade pelo mundo,

que me proporcione um final digno,

então cala-te.

Deixa acalantado esse meu povo.

Que soerguerá da verdade,

quantas vezes necessárias forem.

Pois que somos o canto.

O início de tudo.

E quando teus pensamentos insanos,

fascinados se fizerem,

pela certeza de que me dizimaram,

eu afirmo:

Os espiritos que me habitam,

na realidade foram liberados.

Cresceram através do sofrimento.

Aprenderam,

e por certo haverão de voltar.

Livres, soltos, encantados.

Sempre com a missão nobre de poder ensinar.

Sempre com nobreza e altivez.

Pois que quanto mais dolorosas,

lhes forem as torturas,

Maior a força que o Pai me dará,

para poder curá-las.

Nada se faz tão pesado,

que não possa se carregar...

 

Josemir (ao longo...)

 

 

 
 
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