13 de Maio-Liberdade!
Liberdade, hoje canto vencido,
nas senzalas gravou seu passado,
nos chicotes, um açoite cantado,
melodia pelo sangue escorrido.
Negro, um escravo da cor,
tua pele foi mácula e manto,
escondeu nos teus olhos o pranto,
abafou nas entranhas a dor.
Pelo som voraz da chibata,
sustentou com orgulho tua raça,
do senhor foi o cão e a caça,
como bicho perdido na mata.
Com os pés por corrente
algemados,
viu teu brio em olhares perdidos,
deu ao tronco calado os gemidos,
que em tua alma trazia abafados.
Arrancado de tua terra à distância,
nos porões do navio negreiro,
o teu Ser, foi moeda e dinheiro,
mercadoria sem vida, ignorância...
E teu filho nasceu
como escravo,
propriedade dos que não geraram.
Foste o pai e a mãe que choraram,
tendo o filho dos braços, arrancado.
Ser livre, era o sonho da vida,
era o grito preso na garganta,
era como sol da esperança,
de recuperar a dignidade perdida.
Até que uma "branca"
nasceu,
trazendo na alma o pudor,
e do negro acabou com a dor,
quando todas algemas rompeu.
Izabel, foi um símbolo de amor.
Mulher, hoje parte da história,
trouxe mãos como ventre de glória,
fez nascer a liberdade, sem cor!
Dayse Maria Moraes
Angra 13/05/2003
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