Mãe África
Eliza Teixeira
Quando Olodunmare
veio habitar a Terra
enflorou-me a cerviz.
Meus seios fartos e generosos
alimentaram minha prole numerosa
que cresceu livre e feliz.
Meus filhos - guerreiros ousados
minhas filhas - moças gentis
como aves do deserto
viviam em campo aberto
- Abençoada raiz!
Hoje, minha prole espalhada,
a minha alma amortalhada,
como andarilha, não pára,
- Vagueia pelo Saara!
Os gritos dos que partiram
ainda ecoam em meus ouvidos
como o rugir do trovão
em noite de tempestade...
- E ainda falam em humanidade!
Sinto-me só, abandonada,
sem passado e sem presente
- Meu coração está doente!
Não deixem perecer a fé
que foi em mim plantada
pelo Senhor Olodunmare.
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