BERTHA LUTZ
(1894 - 1976)

Bertha Maria Júlia Lutz nasceu em São Paulo no dia 2 de agosto de 1894, filha da enfermeira inglesa Amy Fowler e do cientista e pioneiro da medicina tropical Adolfo Lutz. É uma das pioneiras da luta pelo voto feminino e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres no país.

Desde 1918, Bertha tornou-se uma defensora incansável dos direitos da mulher no país. Publicou na "Revista da Semana" de 14 de dezembro uma carta denunciando o tratamento dado ao sexo feminino e propõe a formação de uma associação de mulheres, visando a "canalizar todos esses esforços isolados".

Bertha empenhou-se na luta pelo voto feminino e junto com outras mulheres, entre as quais Maria Lacerda de Moura, criou, em 1919, a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que foi o embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF). Foi a segunda mulher a ingressar no serviço público brasileiro, após ser aprovada em concurso do Museu Nacional, no Rio de Janeiro - a primeira é Maria José Rabelo Castro Mendes, admitida em 1918 no Itamaraty.

Em 1922, representa as brasileiras na assembléia-geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos, onde é eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana.


MARGARIDA MARIA ALVES
(1943 - 1983)

Trabalhadora rural, rendeira, presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, Paraíba (PB). Foi a primeira mulher a ocupar um cargo destes no estado e foi uma das fundadoras do Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural.
A sindicalista destacou-se pela defesa dos direitos do homem do campo e do trabalhador sem terra, pelo registro em carteira, pela jornada de 8 horas, pelo 13° salário, férias, entre outros direitos. Ela foi responsável pelo recorde local de tramitações trabalhistas no fórum local, na fase em que presidiu o sindicato de Alagoa Grande: mais de 100 reclamações contra os senhores de engenho. Isso os irritou profundamente. Numa tarde de sol, Margarida foi morta com um tiro no rosto em frente à sua casa, diante de sua família.


CARLOTA PEREIRA DE QUEIRÓS
(1892 - 1982)

A médica paulistana Carlota Pereira de Queirós foi a primeira mulher eleita deputada federal no Brasil. A política entrou em sua vida durante a Revolução Constitucionalista de 1932, quando o Estado de São Paulo rebelou-se contra o governo provisório de Getúlio Vargas. Junto com a Cruz Vermelha paulista, ela organizou um grupo de 700 mulheres para dar assistência aos feridos. Além de prestígio, esse trabalho garantiu a ela uma vaga na Assembléia Nacional Constituinte, sendo empossada em novembro de 1933. A parlamentar elaborou o primeiro projeto sobre a criação de serviços sociais no país. Após a promulgação da nova Carta, em 1934, elegeu-se novamente, mandato que exerceu até a decretação do Estado Novo e o fechamento do Congresso Nacional por Getúlio Vargas, em novembro de 1937. Fundadora da Associação Brasileira de Mulheres Médicas, e membro da Academia Paulista de Medicina e da Academia Nacional de Medicina de Buenos Aires, Carlota também trabalhou em hospitais alemães, franceses e suíços.


ESTHER DE FIGUEIREDO FERRAZ
(1915 - 1982)

Foi brincando com as letras e palavras de jornal que a pequena Esther foi alfabetizada, aos 5 anos. Tempos depois, já como educadora, marcou sua trajetória profissional pelo pioneirismo. Professora de português, francês, latim e matemática em várias escolas de ensino básico e médio, formada em Direito e licenciada em Filosofia, ela tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de reitora de uma universidade brasileira, a Mackenzie, em 1965. Em 1971, assumiu a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. E, anos depois, foi a primeira mulher a assumir um ministério no Brasil: o da Educação e Cultura, durante o governo do presidente João Baptista Figueiredo, entre 1982 e 1985. Ao longo de sua carreira, ela também exerceu vários cargos técnicos e administrativos na área educacional. Nascida em uma época em que havia forte pressão social para que a mulher casasse e tivesse filhos, Esther preferiu ficar solteira. "Foi uma opção pela carreira", conta ela, ativa e lépida aos 85 anos. Membro da Academia Paulista de Letras, ela trabalha diariamente em seu escritório de advocacia, em São Paulo.


PAGU
(1910 - 1962)

Jornalista, escritora, militante comunista, Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, foi uma das grandes vozes da vanguarda de seu tempo. Nascida na cidade paulista de São João da Boa Vista, onde se formou professora, ela não tinha nada das meninas do interior. Pintava os lábios de roxo, usava decotes e roupas transparentes e fumava em público. Aos 18 anos, rompeu com a família e foi praticamente adotada pelo casal Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Um ano depois, fez parte do movimento da Antropofagia. Em 1930, casou-se com Oswald, com quem teve seu primeiro filho, Rudá. Integrante do Partido Comunista, Pagu foi presa e torturada por participar de manifestações políticas. Em 1933, ela publicou, com o pseudônimo Mara Lobo, o livro Parque Industrial, documento sobre a vida da classe trabalhadora paulista no início do século. Em 1950, foi candidata a deputada pelo Partido Socialista Brasileiro. Lançou também a Famosa Revista, em que criticava a esquerda nacional, o jornal A Vanguarda, e criou o primeiro Suplemento Literário do Diário de São Paulo.


ANAYDE BEIRIZ
(1905 - 1930)

Morena, com seus cabelos curtíssimos, à la garçonne "ousadia na época", e freqüentadora de rodas literárias, onde sempre era a única mulher, Anayde causava estranheza na conservadora sociedade paraibana e foi considerada como o pivô da Revolução de 30. Fazia poemas e condenava, em textos publicados em algumas revistas, o preconceito contra a mulher. Mas segundo seu biógrafo, José Joffily, Anayde teve seu nome excluído das páginas da história oficial da Paraíba. Grande parte de sua produção literária foi queimada depois que ela e seu noivo, João Dantas, morreram. Ela era namorada do advogado João Dantas, cuja família era inimiga política de João Pessoa, então presidente da Paraíba. Apaixonados, trocavam cartas e poemas, guardados num cofre no escritório de Dantas. Um dia, o escritório do advogado foi saqueado, o cofre, arrombado e todo o conteúdo dele espalhado na rua – até o diploma de professora de Anayde. Desconfiado de que o ato fora encomendado por João Pessoa, Dantas matou-o com dois tiros no peito, em Recife. Morreu na prisão, oficialmente um caso de suicídio, versão até hoje contestada por historiadores. Perseguida e obrigada a sair da capital paraibana, Anayde abrigou-se em Recife, onde acabou se matando.

 

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