|
ANÉSIA PINHEIRO MACHADO
(1902 - 1999)
Nasceu em
Itapetininga (SP) foi a primeira mulher que
voou só, no Brasil e a pioneira da aviação
feminina e da aviação civil no Brasil.
Ao voar pela primeira vez, aos 16 anos, a
paulista Anésia decidiu o que gostaria de
fazer pelo resto da vida. No ano seguinte,
inscreveu-se na Escola de Aviação de São
Paulo, primeiro passo para muitas conquistas
históricas. Aos 17 anos, ela foi a primeira
mulher a realizar um vôo-solo no Brasil.
Meses depois, tornou-se a primeira aviadora
a conduzir passageiros no País. Em setembro
de 1922, em comemoração ao Centenário da
Independência, nova ousadia: Anésia foi de
São Paulo ao Rio de Janeiro, em quatro dias,
pilotando um Caudron G-3, avião de
fabricação francesa. Tornou-se a primeira
aviadora brasileira a realizar um vôo
interestadual. Numa época em que a mulher
não tinha sequer direito ao voto, Anésia
colecionou pioneirismos. Foi a primeira
brasileira a fazer vôo acrobático, primeira
aviadora a realizar vôo transcontinental
ligando as três Américas, pela costa do
Pacífico, e primeira a conduzir um monomotor
pelo Passo do Aconcágua, nos Andes. A
aviadora morreu aos 95 anos, no Rio de
Janeiro. “Tive a vida mais feliz que alguém
poderia ter”, disse uma vez.

NIOMAR MONIZ SODRÉ BITTENCOURT
(1916-2003)
Niomar Moniz
Sodré Bittencourt assumiu o jornal carioca
Correio da Manhã logo depois da morte de seu
marido, Paulo Bittencourt, e foi uma das
figuras fundamentais da luta contra a
ditadura militar. Nascida em Salvador, filha
de um deputado federal progressista, Niomar
começou a escrever ainda na adolescência.
Com textos de teatro, poemas e crônicas na
escrivaninha, a garota que lia Oscar Wilde
escondido do pai decidiu que queria
trabalhar com arte, literatura ou
jornalismo. Aos 17 anos, ela casou-se e teve
um filho. Aos 24, já separada, foi trabalhar
no Correio da Manhã, que sempre defendeu a
democracia e a liberdade de idéias. O
Correio foi um marco na imprensa brasileira.
Colunista de política, Niomar apaixonou-se
por Paulo Bittencourt, dono do jornal, os
dois casaram-se e viveram juntos até a morte
dele, em 1963. A partir do golpe militar de
1964, Niomar, já na direção do jornal,
enfrentou corajosamente a ditadura. Não
mudou a sua vocação liberal. “O Correio não
foi uma herança material, mas uma herança
moral”, gosta de dizer. Em 1969, ela foi
presa e a redação invadida pelos militares.
Com a circulação suspensa e toda a direção
na cadeia, o jornal foi obrigado a fechar
meses depois.
Morreu no mesmo ano em que morreram M.F. do
Nascimento Brito (o transformador do Jornal
do Brasil) e Roberto Marinho (criador da
Organizações Globo). No mesmo ano em que as
maiores empresas de comunicação do Brasil
apresentam-se diante dos guichês do BNDES
para sugerir uma linha especial de
financiamento.

|