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HILDA HILST
(1930 - 2004)
Natural de
Jaú, São Paulo, Hilda Hilst foi jornalista,
poeta e ensaísta. Em 1952, a filha única do
também escritor e fazendeiro Apolônio de
Almeida Prado Hilst e de Bedecilda Vaz
Cardoso formou-se em Direito. Nessa época, a
vida de Hilda foi marcada pela boemia, fase
que durou até 1963. Muito bonita, ela
despertou paixões em empresários e vários
artistas. Vinícius de Moraes foi um dos
apaixonados por ela. A escritora, por sua
vez, chegou a tentar conquistar, sem
sucesso, o ator Marlon Brando, durante uma
viagem ao exterior em 1957.
Os primeiros livros, Presságio e Balada de
Alzira, foram lançados em 1950 e 1951,
respectivamente. O primeiro prêmio veio em
1962, quando Hilda Hilst foi agraciada com o
Prêmio Pen Club de São Paulo pelo livro Sete
cantos do poeta para o anjo.
Nessa época, ela começou a abrir mão da vida
social e passou a se dedicar exaustivamente
à literatura. A leitura de Carta a El Greco,
do escritor grego Nikos Kazantzakis, teria
causado essa mudança, já que o autor prega
que é necessário se isolar do mundo para
realmente conhecer o ser humano.
Em 1966, Hilda mudou-se para a Casa do Sol,
propriedade próxima a Campinas (SP), onde
viveu até a sua morte. Dois anos depois da
mudança, ela se casou com Dante Casarini,
por insistência da sua mãe, internada em um
sanatório. O pai de Hilda, que era
esquizofrênico, também foi internado aos 35
anos, permanecendo em sanatórios para
doentes mentais até a morte.

CORA CORALINA
(1890 - 1985)
Cora
Coralina é o nome literário de Ana Lins dos
Guimarães Peixoto Bretas. Nascida em Goiás
Velho (GO), a escritora publicou ao todo
seis livros, entre crônicas e poemas.
Falando essencialmente da sua região,
tornou-se um símbolo feminino da história do
Estado de Goiás.
Aos 14 anos, Cora Coralina escreveu seus
primeiros contos e poemas. O primeiro conto
publicado foi Tragédia na Roça. O primeiro
livro, Poemas dos Becos de Goiás e outras
histórias mais, foi publicado em 1965. Aos
75 anos, Cora alcançou o reconhecimento.
Quatro anos depois, ela chegou a receber uma
carta de Carlos Drummond de Andrade, que
declarava-se seu admirador. "Seu livro é um
encanto, seu lirismo tem a força e a
delicadeza das coisas naturais", dizia
trecho da carta.
Entre as glórias conquistadas em vida, Cora
Coralina chegou a receber 6 prêmios de
poesia no I Encontro das Mulheres na Arte.
Ela recebeu também o troféu Juca Pato e o
título de Doutora Honoris Causa da
Universidade Federal de Goiás.

RACHEL DE QUEIROZ
(1910 - 2003)
A primeira
mulher a entrar para a Academia Brasileira
de Letras, Rachel de Queiroz nasceu em
Fortaleza (CE). Foi professora, jornalista,
romancista, cronista e teatróloga. Em 1917,
com apenas 7 anos, mudou-se para o Rio de
Janeiro com os pais, fugindo da seca de
1915. O tema foi futuramente abordado pela
escritora no romance O Quinze, seu primeiro
livro, lançado em 1930.
Com o pseudônimo de Rita de Queluz, ela
estreou no jornalismo, em 1927. Seu primeiro
texto foi publicado no jornal O Ceará, de
onde se tornou redatora. Aos 20 anos, com a
publicação de O Quinze, Rachel passou a ser
um nome conhecido no meio literário. O
primeiro reconhecimento do seu talento veio
com o Prêmio da Fundação Graça Aranha, dado
a ela em 1931.
Rachel de Queiroz morreu no dia 4 de
novembro de 2003, de falência múltipla dos
órgãos, 26 anos depois da sua posse na ABL.

NÉLIDA PIÑON
(1937)
Além da
carreira de escritora, Nélida Pinõn tem mais
um motivo para se orgulhar: ela foi a
primeira mulher, em 100 anos, a integrar a
Diretoria da Academia Brasileira de Letras e
a ocupar a Presidência da "Casa de Machado
de Assis". Jornalista, romancista, contista
e professora, Nélida nasceu no bairro de
Vila Isabel, Rio de Janeiro. Sua família
veio da Galiza e está no Brasil desde os
anos 20.
A estréia na literatura se deu em 1961, com
a publicação do romance Guia-mapa de Gabriel
Arcanjo. O livro e toda a carreira da
escritora são marcados pelo engajamento no
movimento pós-Guimarães Rosa, que se orienta
pela renovação formal da linguagem.
Atualmente, a obra de Nélida Piñon está
traduzida em vários países, como Alemanha,
Itália, Espanha, União Soviética, Estados
Unidos, Cuba e Nicarágua. Em 1995, ela
conquistou o Prêmio Internacional de
Literatura Juan Rulfo, o mais importante da
América Latina e do Caribe, tornando-se a
primeira mulher e o primeiro autor de língua
portuguesa a receber o mérito.

CLARICE LISPECTOR
(1920 - 1977)
Nascida na
Ucrânia, numa aldeia chamada Tchetchenillk,
Clarice Lispector foi criada em Recife,
Pernambuco, para onde seus pais se mudaram
nos seus primeiros anos de vida.
Aos 9 anos, a menina triste, de luto pela
mãe, escrevia suas histórias e as enviava
para o suplemento infantil do Diário de
Pernambuco, em Recife, onde morava. Eram
sistematicamente recusadas, embora o jornal
publicasse uma página de composições
infantis. Motivo? Não tinham enredo, fatos,
trama, só o registro de suas sensações.
Clarice Lispector já mostrava ali a marca de
sua obra – a busca da essência do ser. Aos
12 anos, sua família se mudou para o Rio de
Janeiro.
A primeira obra publicada foi Perto do
Coração Selvagem, lançado quando ela tinha
19 anos. A crítica ficou extasiada e quis,
de imediato, saber quem era a moça que
"escrevia diferente". Misteriosa ficou
conhecida como a escritora que desvendou as
almas. Os mistérios de Clarice começam na
cor dos seus olhos - castanhos nas fotos de
documentos, verdes para uns, azuis para
outros.
Depois de uma temporada de 15 anos fora do
Brasil, para onde foi na companhia do marido
diplomata, Clarice voltou ao Rio de Janeiro.
Um dos livros mais importantes da obra da
autora é A hora da estrela, de 1977, que
conta a trajetória de Macabéa, moça do
interior lutando para viver na cidade
grande.
Em novembro de 77, Clarice Lispector
descobriu que sofria de câncer generalizado.
A escritora morreu no mês seguinte,
considerada uma das mais importantes
representantes da literatura brasileira
contemporânea.

CECÍLIA MEIRELES
(1901 - 1964)
Reconhecida
como uma das mais importantes autoras
brasileiras além de maior poeta da língua
portuguesa, Cecília Meireles foi também a
organizadora da primeira biblioteca infantil
do país. Assim como outras escritoras, a
carreira de Cecília começou cedo: aos 18
anos, ela publicou Espectros, seu primeiro
livro. Em 1922, ela integrava a ala católica
do movimento modernista, que teve a revista
Festa, lançada em 1927, como maior meio de
expressão.
As primeiras lições de fantasia que a
levaram para o caminho da poesia vieram da
babá Pedrina, uma senhora negra que lhe
contava histórias do folclore brasileiro. Da
avó açoriana, herdou o fascínio pelas
viagens.
Cecília escreveu o primeiro verso aos 9
anos. Aos 18, professora formada, escreveu o
primeiro livro, Espectros, e foi
discriminada por não adotar as inovações do
modernismo. Preferiu continuar com as raízes
no lirismo tradicional. Com vários
interesses e aptidões, ela se dedicou à
educação, estudou o folclore, fundou
bibliotecas, comandou um programa sobre
literatura no rádio, fez conferências e
viagens. Também traduziu obras de Ibsen,
Tagore e Garcia Lorca, enquanto vários de
seus livros foram vertidos para mais de dez
idiomas. Foi casada com o artista plástico
Fernando Correia Dias, com quem teve três
filhas, e com o educador Heitor Grillo.
A maturidade de Cecília Meireles como poeta
veio em 1938, quando Viagem foi premiado
pela Academia Brasileira de Letras. Viagens
ao exterior, durante o seu segundo
casamento, originaram os livros Doze
Noturnos de Holanda e Poemas Escritos na
Índia.
Um ano depois da sua morte, a ABL concedeu a
Cecília Meireles o prêmio Machado de Assis,
pelo conjunto de sua obra.

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