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GILDA DE ABREU
(1904 - 1979)
Nascida em
Paris, filha de uma cantora lírica e de um
médico, Gilda de Abreu foi mais que primeira
cineasta do Brasil. Cantora que se revelou
uma excelente soprano do Teatro Municipal do
Rio de Janeiro, como intérprete de óperas de
Rossini, Offenbach e Delibes, Gilda também
abraçou o teatro musicado, foi atriz de
cinema e compositora de várias canções. Como
diretora e roteirista, esteve à frente de
filmes como Pinguinho de Gente e O Ébrio,
este último inspirado em composição de
sucesso de seu marido, o cantor Vicente
Celestino, com quem se casou em 1933.
Artista completa que mergulhou de cabeça nos
meandros da criação e da interpretação,
Gilda também foi atriz, roteirista e
diretora do filme Coração Materno, sucesso
de público em 1950, além de ter produzido
vários documentários e curtas-metragens.
Seus filmes, que se tornaram material
obrigatório de estudo para cinéfilos,
retratam a fase pioneira do cinema nacional.

CARMEN MIRANDA
(1909 - 1955)
Cantora e
atriz brasileira de origem portuguesa,
nasceu em 9 de fevereiro de 1909 e faleceu
em 5 de agosto de 1955. Por 15 anos faz
sucesso nos Estados Unidos (EUA),
especialmente em Hollywood. Seu nome
verdadeiro é Maria do Carmo Miranda da
Cunha. Nascida em Marco de Canaveses,
Portugal, vem para o Brasil com 2 anos. Seu
primeiro disco sai em 1930, marcado pelo
êxito de Taí, de Joubert de Carvalho. Na
década de 30, suas gravações fazem sucesso
nos carnavais (Alô... Alô..., Adeus
Batucada, No Tabuleiro da Baiana) e ela
realiza turnês pela Argentina e pelo
Uruguai. Atua no cinema brasileiro
estrelando cinco filmes. No último deles,
Banana da Terra (1938), aparece pela
primeira vez vestida de baiana para cantar O
Que É Que a Baiana Tem?, de Dorival Caymmi.
O traje estilizado de baiana com balangandãs
e turbante torna-se sua marca. Em 1939 vai
para os EUA. Estréia em um musical da
Broadway e, em 1940, apresenta-se na Casa
Branca para o presidente Franklin Roosevelt.
No ano seguinte assina contrato para atuar
em Hollywood. Trabalha em Uma Noite no Rio
(1941) e em mais 12 filmes. Consagrada
internacionalmente, viaja ao Brasil em 1954
para rever a família. Meses depois, já de
volta a Hollywood, morre de um ataque do
coração.

ODETE LARA
(1929)
Musa da
Bossa Nova e do Cinema Novo, a paulista
Odete Righi foi símbolo sexual de toda uma
geração. Bela e talentosa, escandalizou o
Brasil em Noite Vazia (1964), de Walter Hugo
Khoury. Sua infância e adolescência foram
trágicas: a mãe se suicidou quando ela tinha
6 anos, e o pai, quando estava com 18. Órfã
e pobre, tornou-se modelo. Adulta, viveu
fortes paixões. Casou-se com o dramaturgo
Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, e com o
diretor de cinema Antonio Carlos Fontoura,
mas não teve filhos.
Antes do sucesso, Odete foi datilógrafa,
secretária e manequim. Participou do
movimento Bossa Nova, gravou um disco com
Vinícius de Moraes, outro com Chico Buarque,
e foi vivendo entre a fama e a depressão.
Insatisfeita, largou tudo em 1974 e se mudou
para Nova Friburgo, Rio, afastando-se do que
costuma chamar de experiência dos extremos.
Atualmente, Odete Lara trabalha como
tradutora, principalmente das obras do monge
pacifista Thich Nhat Hanh, com quem estudou
na Califórnia e se encontra convertida ao
zen-budismo.

GLAUCE ROCHA
(1930 - 1971)
Seu nome
verdadeiro era Glauce Elde Ilgenfritz Correa
de Araújo Rocha, nasceu em Campo Grande-MS
em 16 de Agosto de 1930. Começou
apresentando peças teatrais infantis. No
início, entre 1950 e 1951, era uma das
integrantes do Grupo Os Fabulosos. Sua
primeira aparição profissional no teatro foi
com a Companhia de Teatro de Alda Garrido,
em 1952, no Rio de Janeiro. Interpretou
Rosinha na peça Madame Sans Gene.
No cinema participou de 29 filmes, como
Navalha da Carne, Terra em Transe, Os
Cafajestes, Rio 40 graus entre outros. Rio
40º , de Nelson Pereira dos Santos (1955)
foi proibido em todo o território nacional
pelo conteúdo “comunista”. E ficou gravada
uma frase de Glauce, dita ao coronel Meneses
Cortes, responsável pela proibição do filme:
"Olha, o Sr. me dá licença de acreditar na
natureza humana?".
Faleceu às 17h15 do dia 12 de outubro de
1971, na Unidade Cardiológica da Alameda
Santos, em São Paulo. Os jornais deram como
causa da morte o excesso de trabalho. O
corpo de Glauce foi velado em São Paulo mas
sepultado em Campo Grande conforme seu
desejo.

TIZUKA YAMASAKI
(1949)
Natural de
Porto Alegre (RS), com dois anos de idade
sua família se mudou para Atibaia (SP). Já
adolescente, foi em busca de uma carreira
profissional na cidade de São Paulo onde
decidiu ser arquiteta, mas o caminho das
artes entrou em sua vida e a levou fazer
faculdade de cinema na UnB (Universidade de
Brasília), o curso foi fechado e Tizuka
transferiu-se para a UFF (Universidade
Federal Fluminense) onde concluiu a
faculdade e iniciou sua carreira no cinema.
Teve destaque trabalhando em Amuleto de Ogum
(1973, Nelson Pereira dos Santos) Assistente
de Direção, A Idade da Terra (1980, Glauber
Rocha) Diretora de produção e fotógrafa de
still, Bete Balanço (1984, Lael Rodrigues)
Produtora executiva, O Pagador de Promessas
(1988,minissérie) Diretora, Kananga do Japão
(1989, novela) Diretora, Madame Butterfly
(ópera) Diretora e A Madona de Cedro (1994,
minissérie) Diretora.

LEILA DINIZ
(1945 - 1972)
A breve
história de Leila Diniz foi como um
terremoto a sacudir os usos e costumes da
sociedade brasileira - especialmente nos
anos 60, quando ela se transformou no maior
ícone da liberdade feminina. O mundo ouvia
rock’n’roll, o Brasil irradiava a bossa nova
e Leila desafiava, enfrentava, estimulava e
divertia os brasileiros com atitudes e
simbolismo. Como atriz, tornou-se musa do
embrionário cinema novo, movimento que
propunha o rompimento dos padrões estéticos
adotados até então - com base forte no
modelo hollywoodiano.
Ela tinha apenas sete meses de idade quando
os pais se separaram. Foi viver com os avós
paternos e, pouco depois, com o pai e a nova
esposa. Aos 15 anos, começou a trabalhar
como professora, ensinando crianças do
maternal e jardim de infância. Nunca
completou o segundo grau e deixou de dar
aulas por não se adaptar às exigências dos
pais dos alunos e dos diretores da escola.
Aos 17 anos, já está casada com o diretor
Domingos de Oliveira. Foi quando teve sua
primeira experiência como atriz, na peça
infantil "Em busca do tesouro", dirigida
pelo marido. No ano seguinte, trabalhou como
corista em um show de Carlos Machado. Em
seguida estréia como atriz dramática,
contracenando com Cacilda Becker em "O preço
de um homem", peça encenada em 1964.
O ano seguinte marca o final do casamento
com Domingos de Oliveira e o início da
carreira na televisão. Leila começou na TV
Globo, com papéis menores até trabalhar em
"Eu compro essa mulher", de Glória Magadan.
A projeção nacional veio meses depois com a
personagem Madelon de "O sheik de Agadir",
da mesma autora. Na televisão também foi
modelo de propaganda, vendendo Coca-Cola,
sabonetes e creme dental.
Sua estréia no cinema foi em O Mundo Alegre
de Helô, dirigido por Carlos Alberto de
Souza Barros. Participa da co-produção entre
Brasil e México, Jogo Perigoso, do diretor
Luiz Alcoriza, conhecido pelo trabalho de
roteirista com Luis Buñuel. Mas é com Todas
as Mulheres do Mundo que Leila Diniz se
projeta como atriz e personalidade, atuando
numa história dirigida por Domingos de
Oliveira, que incorporou claras referências
à vida em comum do casal. Volta a ser
dirigida pelo ex-marido em Edu, Coração de
Ouro. No cinema, a atriz alternou papéis de
protagonista, coadjuvante e participações
especiais. Em Congonhas do Campo filma
Madona de Cedro, baseado no romance de
Antônio Callado. Nesse filme é dirigida por
Carlos Coimbra, com quem volta a trabalhar
em Corisco, o Diabo Loiro. Em 1968, Leila
vai à Alemanha representar Fome de Amor, de
Nelson Pereira dos Santos, no Festival de
Berlim.
No plano pessoal, desafiava regras que
julgava impostas: era capaz de dizer
palavrões em público, dar entrevistas em que
revelava preferências sexuais ou trocar de
namorado sem dar satisfações a ninguém. Em
1969, em entrevista ao jornal alternativo
Pasquim, motivou a lei de censura prévia,
apelidada de Decreto Leila Diniz, produzida
pelo ministro da Justiça, Alfredo Buzaid.
“Você pode amar muito uma pessoa e ir para a
cama com outra. Já aconteceu comigo”, dizia.
Sua imagem mais célebre, de 1971, na qual
posou grávida de biquíni, na praia carioca
de Ipanema, tinha o ineditismo incômodo que
levou-a a ser acusada por feministas de
servir aos homens.
Mais tarde, casou-se com o também cineasta
Ruy Guerra, pai de sua única filha, Janaína.
Sete meses depois do nascimento da menina,
Leila morreu no acidente aéreo em que o
avião da Japan Airlines explodiu perto de
Nova Déli, na Índia. A atriz voltava da
Austrália, onde participara do Festival
Internacional de Adelaide para promover o
filme Mãos Vazias. Leila havia antecipado o
vôo de volta por causa da saudade que sentia
da filha. Mãe devotada, deixou um exemplo
para sua geração: Leila viveu a vida com
autenticidade, espontaneidade, irreverência,
alegria e muita paixão.
O falecimento de Leila Diniz, aos 27 anos,
causou comoção nacional e deu início à
formação do mito em torno da mulher
considerada revolucionária, que rompeu tabus
e conceitos através de suas idéias e
atitudes.

LUZ DEL FUEGO
(1917 - 1967)
Nascida
Dora Vivacqua em Cachoeiro do Itapemirim
(ES), filha de Antonio Vivacqua e Etelvina.
Filha de um ex-senador, começa a carreira no
circo. Uma bailarina com um casal de jibóias
enrolado em seu corpo foi a grande atração
no circo carioca, em 1944. Era a estréia na
vida artística de Luz Divina, pseudônimo de
Dora. Sua fama só vem quando ancora seu
corpo de cobiçada anatomia na praça
Tiradentes (RJ). Três anos mais tarde, a
vedete passaria a se chamar Luz del Fuego,
nome tirado de um batom usado por Carmen
Miranda. Luz prezava a liberdade do corpo e
da expressão. Gostava de andar seminua e
levantava bandeiras inexistentes na época,
como a da ecologia e a do naturismo.
Estréia no cinema em 1946 no filme No
Trampolim da Vida. Teve participações em 7
filmes no total em sua carreira.
Em 1950, ela abriu no Rio a primeira colônia
nudista do País, a Ilha do Sol. Vedete de
modesta capacidade técnica, chama a atenção
por sua intimidade com as cobras e também
por seu projeto naturalista desenvolvido na
Ilha do Sol
Ela também escreveu dois livros: Trágico
Black-out, de 1947, e Verdade Nua, lançado
em 1950 e apreendido pelas autoridades, por
falar do naturismo.
Em 1951 responde seu primeiro processo por
atentado ao pudor. Com as amigas Zulmira e
Sueli, filma nua com o cineasta português
Antonio Medeiros. Este, ao invés de submeter
o filme à Censura, exibe-o clandestinamente.
Em 1959, após um estágio na Alemanha, traz
para a ilha os ensinamentos europeus e, já
afastada do meio artístico, é guru de
dezenas de casais que vivem em sua ilha.
Morre assassinada em 19 de julho de 1967,
aos 50 anos de idade. Sua morte é desejada
por muitos, pois dizem que ela sabe demais,
e nem sempre respeita as ordens de silêncio
que recebe.
Para Margarida Vivacqua Campos, irmã de Luz,
ela esteve muito à frente de seu tempo.
"Enfrentou preconceitos a vida toda",
lembra. Sua vida vai às telas em 1981,
interpretada por Lucélia Santos.

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