O INVERNO...

Desde a antiguidade o homem tem observado os movimentos do Sol e da Lua e, principalmente, seus efeitos sobre a vida aqui na Terra.

Ao observar as variações periódicas de clima ao longo do ano, o homem primitivo procurou associá-las ao movimento aparente do Sol no céu, descobrindo, com auxílio dos seus monumentos megalíticos, as direções do nascente e poente do Sol durante todo um ano.

Com esses observatórios de enormes totens alinhados, os astrônomos da Idade da Pedra descobriram que o Sol, em quatro bem determinadas épocas do ano, nascia e se punha em quatro pontos diferentes do horizonte, que correspondiam ao início das estações - quatro grandes alterações climáticas.

Com tais conhecimentos, aproveitavam-se os sacerdotes das tribos primitivas para anunciarem e preverem o ponto exato do aparecimento do Sol, no horizonte, o que lhes fornecia o poder de dominar seus discípulos ou crentes. Mais uma vez o conhecimento - o saber do cosmo - iria ser usado para favorecer os governantes.

Assim, criaram-se os altares de menires e, mais tarde, as catedrais de pedra, onde os sacerdotes, que já haviam previsto a ocorrência daqueles fenômenos astronômicos, solicitavam aos crentes com antecedência a necessidade de alguns atos religiosos com os quais seria possível alterar os desígnios da natureza.

Assim, a descoberta dos solstícios deu origem às festas coletivas nas quais o Sol era honrado com o fogo, a luz suprema, que o homem oferecia às divindades pagãs.

O eixo de rotação terrestre, projetado na esfera celeste, indica os pólos norte e sul celeste; este eixo "sempre" aponta para o mesmo ponto na esfera celeste. Graças a isso, ao longo de um ano o nosso planeta passa por quatro posições particulares: dois solstícios que marcam os inícios do verão e do inverno, e dois equinócios que marcam os inícios da primavera e do outono.

Solstícios (verão ou inverno) - Ocorrem quando o Sol atinge seu máximo afastamento angular do equador celeste. O hemisfério da Terra em que estiver acontecendo o solstício de verão, terá o dia (período de insolação) com duração mais longa, enquanto o hemisfério oposto marca o solstício de inverno, quando as noites têm duração mais longa.

Quanto mais afastados estivermos do equador terrestre, maiores serão as diferenças entre os dias e as noites ao longo do ano. No equador, em qualquer época, os dias e as noites têm sempre a mesma duração.

Equinócios (primavera ou outono) - Ocorrem quando o Sol cruza o equador celeste. Nestes dias, em qualquer ponto da Terra, dias e noites têm igual duração (12 horas). Quando em um hemisfério estiver acontecendo o equinócio de outono, no outro estará ocorrendo o de primavera.

Os equinócios podem ocorrer em 20 ou 21 de março e 22 ou 23 de setembro, já os solstícios nos dias 21 ou 22 de dezembro e 20 ou 21 de junho. Essa variação é conseqüência de o ano civil ter um número inteiro de dias, 365 ou 366, e o período decorrido entre uma mesma estação consecutiva ser de 365,2422 dias.

Na superfície terrestre muitos são os fenômenos astronômicos que podemos ver e acompanhar. A alternância entre claridade (dia) e escuridão (noite) nos permite estabelecer uma noção de tempo. Em conjunto com essa alternância, podemos correlacioná-la com a posição do Sol no horizonte e o trajeto dele ao longo do céu.

Fenômenos como a mudança climática que chamamos de "Estações do Ano", a diferença no aspecto da Lua e os eclipses, capazes até mesmo de escurecer o dia, têm sido observados e descritos há muito tempo. Os homens mais curiosos, entretanto, nunca se satisfizeram apenas com a descrição destes fenômenos e sempre se perguntaram porque, e como, eles ocorriam.

Muitos mitos e crenças se estabeleceram entre as civilizações devido ao não entendimento do que estava acontecendo. Até hoje, explicações erradas são dadas a estes fenômenos, algumas vezes até mesmo em livros didáticos.

Pelo que diz a mitologia grega, os deuses (seres imortais cada qual com uma atribuição a um fenômeno natural) viviam no Monte Olimpo, com algumas exceções, como Hades, o deus do Inferno. Dentre esses que viviam no Monte Olimpo vivia Deméter, deusa da colheita, e sua filha Perséfone. Um dia, enquanto Perséfone andava sozinha por uns campos floridos, o solitário deus do submundo, Hades, veio em sua carruagem, puxada por quatro cavalos negros, a agarrou pela cintura e levou-a para o Inferno para lhe fazer companhia.

Quando Deméter soube que sua filha fora raptada, jogou uma praga sobre a Terra: nada cresceria até que Perséfone fosse devolvida.

Sabendo disso, Zeus, o deus supremo, mandou que Hermes, o mensageiro dos deuses, fosse até o Inferno resgatar Perséfone. Este quando chegou, pediu que Hades a devolvesse e o senhor do Inferno concordou. Mas como Perséfone tinha comido uma romã durante sua estadia, ela não poderia passar o tempo todo fora do Inferno. Foi então estabelecido que Perséfone deveria passar três quartos do ano com sua mãe, e o resto do tempo com Hades.

Quando Perséfone voltou, sua mãe fez uma festa de flores para comemorar. E é essa a explicação de como foram estabelecidas as quatro estações do ano.

O Inverno, a estação do ano onde nada cresce, representa o tempo que Perséfone está no Inferno com Hades. A Primavera representa o retorno de Perséfone, com uma festa de flores. O Verão é representado pelo calor do afeto que Deméter tem para com sua filha, e o Outono é quando Deméter se lembra que seu tempo com sua filha está se esgotando, e por isso ela se entristece e as folhas caem, mas em compensação, essa é a estação em que os frutos amadurecem para que os homens sobrevivam ao Inverno.

O Inverno é estação mais fria do ano, que se situa entre o outono e a primavera. No hemisfério sul, estende-se do solstício de junho (21) ao equinócio de setembro (23); no hemisfério norte, do solstício de dezembro (22) ao equinócio de março (21).

Normalmente ele inicia-se em 21 de Junho e dura até 23 Setembro. Neste ano, ele iniciou-se às 21:57hs do dia 20 de junho, e deverá durar até às 13:30hs do dia 22 de setembro, horário de Brasília.

Nesta estação, que compreende os meses de junho, julho e agosto, as temperaturas são climatologicamente amenas. Nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, este trimestre é considerado o menos chuvoso do ano no que se refere a distribuição de chuvas.

Neste período, o principal sistema meteorológico é a frente fria. Este sistema é, geralmente, de fraca intensidade, embora possa ocorrer a passagem de algum sistema frontal mais intenso, causando chuvas generalizadas nas Regiões Sul e Sudeste.

Após a passagem de frentes frias, observa-se a entrada de massas de ar frio que, dependendo da sua trajetória e intensidade, provocam queda de temperatura e ocasionalmente geadas em locais serranos. Localidades como Campos do Jordão, Itapeva, São Antônio do Pinhal e muitas outras cidades, situadas em lugares altos no Estado de São Paulo, registram valores negativos de temperatura.

As menores temperaturas, em geral, ocorrem no estado de Santa Catarina, destacando-se o Parque Nacional de São Joaquim, que registrou 11ºC negativos. Também em São Francisco de Paula, no Estado do Rio Grande do Sul, a temperatura foi além de 11ºC negativos.

Nos estados do Sul e do Sudeste, ocorrem abaixamentos bruscos na temperatura, por vezes acompanhados por chuvas prolongadas. É a chegada, quase sempre, de massa de ar frio conhecida pelo nome de Polar Atlântica.

Com o recuo do ar frio, avança a massa de ar quente, provocando elevação de temperatura e melhora do tempo.

Com as menores temperaturas, ocorrem algumas precipitações de neve e de geadas no inverno, nos estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

Outro aspecto meteorológico que se observa durante o inverno, são as constantes inversões térmicas que causam nevoeiros e neblinas. Estas inversões, muitas vezes, permanecem durante o período da manhã. O nevoeiro consiste na existência de gotículas d’água que flutuam no ar e reduzem a visibilidade a menos de 1000 m. Além da redução da visibilidade, um outro fator importante é o alto índice da umidade relativa do ar, cujos valores alcançam até 98% no período da manhã. O contrário ocorre no período da tarde, após a dissipação do nevoeiro, quando o índice da umidade relativa do ar diminui consideravelmente, chegando a registrar valores de até 40%. O ar seco e o vento calmo favorecem a formação da bruma - substâncias sólidas suspensas na atmosfera, tais como poeira e fumaça - poluindo o ar.

SOLSTÍCIO DO INVERNO

Yule - Solstício de Inverno
(21 de Dezembro - Hemisfério Norte) e (21 de Junho - Hemisfério Sul)

Há milhares de anos a humanidade festeja o nascimento do sol como sendo o acontecimento mais importante da Terra.

Muitas adaptações e má interpretações históricas foram realizadas por nossa civilização, com bases nessa data tão importante.

Para todos os efeitos, o Solstício de Inverno marca a noite mais longa do ano. É o apogeu do inverno, o ponto culminante da escuridão e do frio que afasta a vida. Como todo apogeu, marca também o início da decadência.

Se este é o apogeu da sombra, ela agora entra em decadência, e temos então o retorno da luz. Gradualmente, a noite começa a encolher, começa a durar menos, até que, no solstício de verão, os papéis se invertam na eterna gangorra que determina o equilíbrio da natureza. Vivendo no Hemisfério Sul, onde as estações do ano são invertidas com relação ao norte, estamos atravessando agora em junho os últimos momentos do outono; a estação da colheita; que nos leva ao inverno. Para muitos neo-pagãos (wiccanos, neo-druidas e outros), é chegado o momento de celebrar YULE; um termo amplamente usado para designar o Solstício de Inverno.

As culturas européias do neolítico atribuíam grande importância a este período, como atestam as muitas construções megalíticas a ele relacionadas. Dentre estas, a mais conhecida é Stonehenge; um verdadeiro computador para o cálculo de solstícios e equinócios. Mas seguramente a mais impressionante é BRÚ NA BÓINNE, na Irlanda; também conhecida como Newgrange.

Essa enorme estrutura, erguida pelos habitantes da Irlanda neolítica há mais de 4500 anos, é uma obra prima da engenharia pré-histórica. Trata-se de um monte artificial erguido sobre uma câmara em forma de cruz que penetra mais de 24 metros no interior do monte. Lá dentro, escuridão total e silêncio. A não ser durante três dias por ano: o Solstício de Inverno e os dias imediatamente antes e depois dele.

Atualmente, com o auxílio de computadores e cálculos de precessão, é possível determinar com exatidão o ponto exato do horizonte oriental em que o sol nasce num determinado dia. Mas naquela época, em 2500 a.e.c. (antes da era comum, ou antes de Cristo), seriam necessários muitos anos de observação e conhecimento da movimentação da terra e dos astros para definir com precisão esse momento celeste. Isto por si só já mostra claramente que o Solstício de Inverno é uma data importante para a humanidade desde há muito tempo. Mas tem mais. Nenhum povo dedicaria tanto esforço físico e mental para construir tamanha estrutura se não fosse por um motivo muito forte.

As pesquisas arqueológicas indicam que, no interior da câmara subterrânea de Newgrange, eram depositados os corpos e as cinzas dos mortos daquela cultura ancestral. Ali permaneciam, intocados, durante a escuridão que ali reinava durante praticamente todo o ano. Mas nos três dias próximos ao Solstício de Inverno, um milagre: Entram na câmara os primeiros raios do sol nascente, o Novo Sol que volta a crescer depois do Inverno, trazendo consigo a certeza de que, após o frio invernal, sem dúvida virá o brilho e o colorido da primavera e da vida que renasce. Pois esse parece ser o tema de Brú na Bóinne. A entrada dos raios solares somente no Solstício de Inverno; o Novo Sol; ilumina todo o interior da câmara interna, num espetáculo disputado a peso de ouro pelos neo-pagãos da Europa e de todo o mundo. Só quem já entrou em Brú na Bóinne é capaz de descrever o maravilhamento causado por esse fenômeno. Ao iluminar o interior da câmara, os raios do sol; um verdadeiro falo celeste; penetram no útero da Terra, onde as cinzas dos mortos haviam sido depositadas, fecundando-as novamente, e assim garantindo a continuidade da vida após a morte.

Esse é o tema do Solstício de Inverno. A união do sol (masculino) com a Terra (feminina) é o milagre do renascimento e a preservação da vida. É essa união em EQUILÍBRIO que traz a certeza de que a Primavera retornará, e com ela a alegria, a fertilidade e o amor da Terra e de suas criaturas.

Este dia também é chamado Alban Arthuan (A Luz de Arthur), na tradição druida. É o tempo da morte e do renascimento. O Sol parece estar nos abandonando completamente, enquanto a noite mais longa chega até nós.

Desenvolvendo seus mitos através dos tempos, a humanidade sempre fez do Solstício de Inverno o momento de nascimento de deuses e heróis: Arthur, Dioniso, Mithras, Átis, Osiris, entre outros.

Nós que vivemos no Hemisfério Sul, no paraíso de Hi-Brasil, temos o privilégio de viver junto a uma natureza mais amena e menos hostil do que a da Europa; por aqui, é bom que se diga, o deus sol nunca morre. Nem mesmo no Solstício de Inverno. Mas com certeza nós sentimos nesse período que algo está mudando; a Natureza, em sua imutável (posto que eterna) transformação, dá prosseguimento à sua ciclicidade. Podemos sorrir felizes, pois nossos invernos são mais brandos do que os dos outros; e sorrimos ainda mais, com a certeza de que, por volta das 16h do dia 21 de junho, o retorno do sol nos trará de volta a alegria da primavera em setembro. Essa certeza nos ajuda; como ajudava aos povos da Antigüidade; a suportar os rigores do inverno que se anuncia, enchendo-nos de esperanças e de energia para aguardar a primavera.

Imbolc ou Candlemmas - Festa do Fogo ou Noite de Brigit
(01 de fevereiro - Hemisfério Norte) e (01 de Agosto - Hemisfério Sul)

Imbolc quer dizer: dentro do útero. O inverno ainda não foi embora, mas por baixo da neve a vida floresce e ganha força. As coisas não acontecem diante de nossos olhos, mas já estão lá, latente, pulsando, esperando o momento certo para vir à tona. A Deusa vagarosamente recupera-se do parto, e acorda sob a energia revigorante do Sol.

Esse é o também chamado Festival das Luzes, em que se acendem velas por toda a casa, mais especialmente nas janelas, para anunciar a vinda do Sol e mostrar ao menino Deus seu caminho.

Pedidos, agradecimentos ou poesias devem ser queimados na fogueira ou no caldeirão em oferenda, no fim do ritual. O Deus está crescendo e se tornando mais forte, para trazer a Luz de volta ao mundo. É hora de pedirmos proteção para todos os jovens, em especial para nossa família e amigos. Devemos mentalizar que o Deus está conservando sempre viva dentro de nós a chama da saúde, da coragem, da ousadia e da juventude. O altar deve ser enfeitado com flores amarelas, alaranjadas ou vermelhas.

Todas as pesquisas sobre o assunto
foram retiradas da Internet nos links abaixo:

http://www.pratofeito.com.br/
http://www.pampasonline.com.br/inverno.htm
http://www.misteriosantigos.com/rodadoano.htm
http://www.viamoda.com.br/Queijos/queijos.htm
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=2221
http://www.lainsignia.org/2002/diciembre/cyt_001.htm
http://www.techs.com.br/meimei/historias/historia55.htm
http://basilico.uol.com.br/comer/comer_etiqueta_012.shtml
http://educaterra.terra.com.br/sualingua/02/02_estacoes.htm
http://br.news.yahoo.com/articles/health/040629/36/ksze.html
http://www.druidnetwork.org/rede/artigos/solsticio_inverno.html
http://www1.uol.com.br/cyberdiet/colunas/020719_psy_ondeesta.htm
http://tvtem.globo.com/culinaria/receita.asp?codigo=596&modulo=11
http://www.rio.rj.gov.br/planetario/apostilas_prof/terra/terra.htm
http://www.simego.sectec.go.gov.br/produtos/met/estacao/inverno.htm
http://www1.uol.com.br/cyberdiet/colunas/010601_psy_inverno_engordar.htm
http://www.trilhaseaventuras.com.br/atividades/superdica.asp?id_atividade=10&id=87

Imagens: Susi Padilha/DC