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Grande e
internacional é a mulher do 08 de março;
poética e carinhosamente ovacionada, a do
segundo domingo de maio. Duro mesmo é
brilharem as duas em uma só estrela, no
miúdo dia-a-dia. Mulher e mãe parecem
constituir realidades inconciliáveis. Pior:
conflitantes. Grave conflito este que opõe
realidades profundamente associadas na
dimensão da pessoa-mulher. E uma vez que se
perdeu a noção da pessoa integral, talvez se
tenha criado um dos maiores obstáculos para
obter, com o movimento feminista, autênticas
conquistas.
Um dos motivos dessa dissociação e conflito
deveu-se ao fato de o feminismo, tal como o
conhecemos no fim do século XX, ter situado
fora do lar as possibilidades de verdadeira
realização da mulher. Mas, se não há dúvida
de que querer espaço para estudar e
trabalhar é reivindicação justa, nada
justifica o patrulhamento ideológico que
visou a convencer a mulher de que dedicar-se
a filhos seria abortar a sua vida
profissional. Com reiterada insistência
investiu-se contra os anseios de
maternidade, como se no exercício da função
materna não pudesse existir uma
profissional, e de altíssimo gabarito! Assim
como se os específicos valores de ternura,
delicadeza e sensibilidade da mulher-mãe não
devessem ser exercitados num trabalho
profissional fora do lar. Provocou-se, com
essas manipulações, um claro e feroz
reducionismo, dirigido a limitar a mulher
enquanto mulher. Afinal, se para afirmar-se,
ela pretende apenas imitar o homem, o que na
verdade está latente é uma revolta contra o
modo de ser feminino, um verdadeiro complexo
de inferioridade, uma inveja injustificável
em face do sexo oposto... Ora, não
precisamos de heroínas feministas para,
simplesmente, assumir papéis masculinos.
Isso é caricatura de mulher.
Não é difícil, no entanto, compreender por
que a maternidade passou a carecer de
respaldo popular, nestes tempos de aversão
ao esforço e sacrifício. Não há naturezas
especiais. Quem julga que há mulheres que se
levantam à noite para atender aos pequenos e
durante o dia não têm sono se engana. Da
mesma forma, nunca será fácil abrir mão de
gostos pessoais para dedicar mais tempo aos
filhos e ao marido. E todas sentem uma
rejeição natural em levantar-se da mesa para
atender ao chamado do caçula: "Mãe, vem me
limpar!" O que existe é um esforço de
superação porque se quer o bem dos filhos
mais do que o próprio bem. O que é, aliás,
pressuposto para exercer a autoridade sem
despotismo no lar, e exercício de domínio
interior para exercê-la, também, em
circunstâncias profissionais variadas.
Por outro lado, se a executiva da grande
empresa não consegue sucesso no lar, corre o
risco de estar revelando aqui, no miúdo
dia-a-dia, a incompetência para a função que
exerce lá. E mesmo que as aparências
enganem, em vista da compensação financeira
que cega, impossível evitar a frustração
decorrente de sentir-se mancando, porque a
pessoa é una, apesar das funções diferentes
que exerce. Em outras palavras, quem está
falhando não é a grande executiva na tarefa
de ser esposa e mãe, mas a pessoa-mulher, no
conjunto das suas atribuições. Eis que se
identifica aqui o velho vício: o ser
feminino, na ânsia por afirmar-se, o faz
assumindo os erros de comportamento
masculino. Quantos grandes executivos não
foram acusados pela sua mulher como omissos
na educação dos filhos e indiferentes à
ternura solicitada por ela?
Integridade, portanto, é o ponto de partida.
Com um evidente agravante, no entanto: é no
lar que a figura da mulher, como esposa e
mãe, torna-se insubstituível. Como são,
aliás, insubstituíveis, os filhos e o
marido! Não é uma questão de favores, mas de
carinho! É na família, quando se procura
agir com retidão, que se vai descobrindo que
a grande expectativa de felicidade do
coração humano não se preenche com o que
obtemos dos outros, mas, justamente, com o
que nos esforçamos por dar-lhes. E na
mulher, especialmente, pela sensibilidade
que preside seu modo de ser, a felicidade
está ancorada no dom sincero de si mesma.
Opções que desrespeitem esse pressuposto
instalam um conflito íntimo constante e
acabam constituindo um obstáculo para a
felicidade. Logicamente, todos devemos poder
optar, mas... há opções equivocadas!
E as opções equivocadas tornam-se mais
freqüentes quando se permite a manipulação,
o tal patrulhamento a que nos referimos
acima. Dividida nas suas aspirações mais
profundas, a mulher viu-se insegura e
temerosa diante da própria fertilidade, que
a impediria de ascender profissionalmente. E
não houve feminismo honrado que a defendesse
dessa violência e influenciasse a opinião
pública e pressionasse as empresas para que
a mulher tivesse meios de conciliar a vida
profissional e a vida familiar.
Paradoxalmente - ou talvez nem haja paradoxo
porque em ambos os casos a ênfase está no
desrespeito à vida - manipularam-se ao
extremo as ânsias de maternidade, e, como
fazendo um favor para as que caíram na
mediocridade de querer filhos,
desenvolveram-se técnicas de fertilização
com requintes macabros. Ninguém desconhece
os casos em que se procede a uma múltipla
concepção para garantir ao menos um filho e
depois providencia-se a redução da gravidez.
Redução da gravidez: um eufemismo a mais na
lista dos que se referem ao aborto. Penso
nos casais submetidos ao conflito de fazer a
"escolha de Sofia". Lembram-se do filme de
Alan J. Pakula? Sofia, uma imigrante
polonesa vivida por Meryl Streep, é obrigada
por um oficial nazista a escolher qual de
seus dois filhos sobreviverá. Fica com o
menino e vê a menina, que grita
desesperadamente, ser levada para nunca mais
voltar... Jamais Sofia se livrará dessa
lembrança. Há também as possibilidades de
produção independente, sem valores de
família, sem aconchego de verdadeiro lar,
acintosa brincadeira com a vida. Como não se
percebe que os filhos estão sendo usados
como mercadoria para construir a própria
felicidade, depois de terem sido evitados ao
longo de anos, de décadas? Os estragos
psicológicos diagnosticados nesses frutos
das clínicas de fertilização que agora
chegam à adolescência falam por si.
Mal compreendida a essência da mulher... mal
compreendida a essência materna. Se fosse
diferente...! Se a nossa época pudesse
voltar a se inclinar sobre as mulheres para
aprender delas os verdadeiros valores da
maternidade..., penso que não haveria tanta
violência nos lares, nas ruas, no lazer, nos
meios de comunicação! Haveria, com certeza,
sentimento de entrega, de doação
desinteressada... Haveria ternura! Até que
ponto as dores da humanidade não são
decorrentes da ausência das mães nos lares?
Ou até que ponto os traumas da civilização
pós-moderna não decorrem da manipulação da
sensibilidade feminina, ultrajando-a na sua
peculiar e exclusiva capacidade de acolher a
vida?
Seria muito pedir um pouco mais de
ternura... e respeito?
Sueli
Caramello Uliano
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