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Durante longo tempo, as mulheres viveram
comprimidas em seus espartilhos, por vezes
amordaçadas e contidas.
Quando se submetiam a isto, eram
consideradas respeitáveis, "mulheres de bem"
- corretas; quando fugiam das coleiras que
lhes eram impostas, eram tidas como
"cortesãs" - mundanas marginalizadas.
Uma questão: - por que as mulheres deveriam
ser, naquela época, tão contidas, seja por
suas vestes, seja por suas atitudes
recatadas e submissas ao domínio do homem ?
Numa sociedade patriarcal, onde o modelo
masculino representava o poder, a imagem
ideal a ser seguida, à mulher cabia apenas o
lugar de um apêndice.
Um complemento do homem, figura incógnita,
ela era e é muitas vezes ameaçadora .
Vejamos porque. Pela sua própria estrutura
psico-física, a mulher é portadora de uma
forma que é a que recebe, que contém, que
engolfa, que alimenta, e isso dá medo ao
outro. Além disso, a mulher é a única
depositária de um grande valor, que é a
capacidade de gerar um ser dentro de si,
quando, neste processo, o homem é apenas um
vetor.
De quantas amarras, a mulher teve que se
livrar para chegar aonde está!
Sim, porque, numa cultura machista, a
identidade da mulher se constitui numa
relação onde ela vive em função da casa,
marido e filhos.
As questões da alma feminina não podem ser
tratadas tentando-se submetê-las ou
esculpi-las de uma forma "mais adequada",
para satisfazer a uma cultura - sociedade -
inconsciente, que não se preocupa com a
singularidade das pessoas. Não. Foi,
justamente, a percepção desses fatos, que
provocou a transformação de milhares de
mulheres, que lutaram e se rebelaram com
forças poderosas e naturais, como párias em
sua própria sociedade.
Historicamente, a pílula anticoncepcional
abriu as portas para uma revolução sexual,
para flexibilização da moral e o ingresso da
mulher no mercado de trabalho.
Evolutivamente, as conquistas de condições
de igualdade, civil e jurídica, entre os
sexos e a perda do medo da gravidez
proporcionou mudanças importantes nas
relações das mulheres, consigo mesmas e em
relação ao mundo que as circunscreve.
Suas relações com os homens tornaram-se mais
transparentes. Em função das mudanças
conquistadas, dividir-se entre o casamento,
o trabalho ou outras relações produtivas,
requer da mulher, um grau de tolerância e
harmonia interna muito grandes.
Pois, sua própria condição psicológica gera
uma natureza psíquica própria, diferente da
masculina, que a faz mais ligada à família e
à casa e, portanto, mais disponível a um
contato com seus sentimentos e sua
interioridade.
A emancipação feminina foi uma conquista,
porém, como disse anteriormente, requer da
mulher "bem administrar" as angústias e a
culpa, de ter que desdobrar-se em sua
jornada dupla de trabalho, muitas vezes
afastar-se de seus filhos.
Isto, sem contar que, nem sempre, seu
companheiro está disposto a dividir com ela
as funções que cabem a ambos. Poucas
mulheres, encontram em seus companheiros,
alguém com quem possam partilhar sua tarefas
e responsabilidades. Por isto, muitas abrem
mão da possibilidade de ter filhos, em
função do êxito profissional.
É importante, que a mulher lute pela sua
individualidade, autonomia e independência,
desde que ela não sacrifique outros aspectos
importantes de sua existência.
Desde que, ao desenvolver suas
potencialidades, consiga manter sua harmonia
interna, sua qualidade de vida e de
relacionamentos afetivos.
Maria Elizabeth Jereissati Ary
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