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Durante
séculos, o papel da mulher incidiu sobretudo
na sua função de mãe, esposa e dona de casa.
Ao homem estava destinado um trabalho
remunerado no exterior do núcleo familiar.
Historicamente
as mulheres foram colocadas em situação de
desigualdade. As relações sociais e o
sistema político, econômico e cultural
imprimiram uma relação de subordinação das
mulheres em relação aos homens. Esta
desigualdade sempre foi tratada como
"natural", como imutável e têm sido uma das
formas de manter a opressão sobre as
mulheres. Como se fosse inerente ao ser
mulher, ser subordinada.
Com o incremento da Revolução Industrial, na
segunda metade do século XIX, muitas
mulheres passaram a exercer uma atividade
operária, embora recebendo uma remuneração
inferior à do homem. Lutando contra essa
discriminação, as mulheres encetaram
diversas formas de luta, tendo tido
relevante papel a ocorrida em 8 de Março de
1875, na cidade de Nova Iorque, quando
centenas de operárias levaram a cabo
manifestações de protesto a favor da
igualdade, violentamente reprimidas pelas
forças policiais.
Se, nos nossos dias, perante a lei da
maioria dos países, não existe qualquer
diferença entre um homem e uma mulher, a
prática demonstra que ainda persistem muitos
preconceitos em relação ao papel da mulher
na sociedade.
As relações
desiguais entre mulheres e homens são
sustentadas pela divisão sexual e desigual
do trabalho doméstico, pelo controle do
corpo e da sexualidade das mulheres, pela
violência sexual e doméstica e pela exclusão
das mulheres dos espaços de poder e de
decisão.
Produto de uma mentalidade ancestral, ao
homem ficava mal assumir os trabalhos
domésticos, o que implicava para a mulher
que exercia uma profissão fora do lar a
duplicação do seu trabalho. Foi necessário
esperar pelas últimas décadas do século XX
para que o homem passasse, aos poucos, a
colaborar nas tarefas caseiras.
Mas, se no
âmbito familiar se assiste a uma rápida
mudança, na sociedade em geral a situação da
mulher está ainda sujeita a velhas
mentalidades que, embora de forma não
declarada, cerceiam a sua plena igualdade.
O número de mulheres em cargos de direção é
ainda mínimos, apesar de muitas delas
demonstrarem excelentes qualidades para o
seu desempenho.
A desigualdade começa logo quando se nasce e sempre tem
alguém para dizer para o nosso
pai: "pena que não é um menino, pra
continuar a família, não é Fulano?"
Depois, quando se é criança, cresce ouvindo
a mãe ameaçar: "se você fizer isso ou aquilo
de novo, vou contar para o seu pai", como se
a autoridade dela não fosse suficiente para
nos fazer temer algum castigo ou represália.
Se falta dinheiro na família para custear os
estudos de todos os filhos, quem sai da
escola, pode ter certeza, são as filhas
mulheres. Afinal, elas acabarão casando e
algum homem há de sustentá-las. Além disso,
estudar pra que se o destino das mulheres é
a cozinha, o tanque, a fralda?
Até hoje, mesmo cursando universidade,
tomando pílula, ganhando seu próprio
dinheiro, as mulheres ainda depositam, na
maioria das vezes, sua felicidade nas mãos
do primeiro homem por quem se apaixonam.
Sempre trazendo, dentro delas, a esperança
de ver surgir no horizonte um homem que
resolva para seus problemas materiais ou
emocionais.
Ainda confiam mais nos profissionais homens
do que nas mulheres e votam, nas eleições,
em candidatos e não em candidatas. Aceitam a
ditadura da moda, no cabeleireiro ou no
costureiro, sem maiores contestações, porque
tendem a aceitar a vontade do profissional
homem sobre as mulheres, mesmo que esse
homem seja gay.
Tudo isso é resultado de milênios de
discriminação feminina em nossa sociedade.
HOMEM: S.m. 1. Qualquer indivíduo
pertencente à espécie animal que apresenta o
maior grau de complexidade da escala
evolutiva; o ser humano; Homem, dotado das
chamadas qualidades viris, como coragem,
força vigor sexual; macho. Homem-de-ação;
Homem-de-empresa; Homem-de-Estado;
Homem-de-Letras; Homem-de-pulso...
MULHER: S.f. 1. O ser humano do sexo
feminino capaz de conceber e parir outros
seres humanos, e que se distingue do homem
por estas características. Mulher-á-toa;
Mulher-de-Comédia; Mulher-da-rua;
Mulher-da-vida;
O contraponto da Imagem de Mulher X Imagem
de Homem é a revelação de um passado
preconceituoso que está sendo transformado
agora! (Será mesmo?). Às mulheres cabem
adjetivos depreciativos e aos homens somente
elogios. Até pouco tempo, ter uma
visibilidade pública, era uma atividade
condenável às mulheres. Todas as suas
atitudes: gestos, voz, opiniões, expressões
e roupas apareciam no mundo como expressões
de sua personalidade, e uma mulher mais
chamativa, certamente ganharia um apelido
desagradável. Como estamos ganhando esta
batalha? Tomando a arma inimiga para as
nossas mãos.
Isto quer dizer que, a mulher de hoje busca
uma imagem poderosa e sensual, que expressa
a sua liberdade e deixa os homens totalmente
ligados. Ser uma mulher contemporânea é
manejar com a habilidade a capacidade de
sedução. O toque importante é que o seduzir
deve representar aquilo que for mais
original em cada mulher, pois desta maneira
estaremos conquistando também um espaço no
mundo e matando os fantasmas de nossa
milenar discriminação.
Hoje as
mulheres estão integradas em todos os ramos
profissionais, mesmo naqueles que, ainda há
bem pouco tempo, apenas eram atribuídos aos
homens, nomeadamente a intervenção em
operações militares de alto risco.
Nos últimos anos, a festa comemorativa do
Dia Das Mulheres é aproveitada por muitas
delas, de todas as idades, para sair de casa
e festejar com as amigas, em bares e
discotecas, o dia que lhes é dedicado,
enquanto os homens ficam em casa a
desempenhar as tarefas que,
tradicionalmente, lhe são imputadas: arrumar
a casa, fazer a comida, tratar dos filhos...
Se a sua esposa, irmã, mãe ou avó ainda é
daquelas que, não obstante as suas tarefas
diárias nos empregos ainda encontra tempo e
paciência para que nada lhe falte, o mínimo
que poderá fazer será aproveitar este dia
para lhes transmitir o seu carinho. Um ramo
de flores, mesmo que virtual, será,
certamente, bastante apreciado. Mas não se
fique por aqui. Eternize este dia,
esquecendo mentalidades preconcebidas,
colaborando mais com elas nas tarefas
diárias e olhando-as de igual para igual em
todas as circunstâncias, quer no interior do
seu lar, quer no seu local de trabalho.
Quando todos assim procedermos, não haverá
mais necessidade de um dia dedicado à
mulher...
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