|
As escolas de samba surgiram no Rio de
Janeiro por volta de 1920, com a evolução do
carnaval. A crônica do carnaval descreve o
cenário então existente na cidade de forma
nitidamente estratificada: a cada camada
social, um grupo carnavalesco, uma forma
particular de brincar o carnaval. As Grandes
Sociedades, nascidas na segunda metade do
século XIX, desfilavam com enredos de
crítica social e política apresentados ao
som de óperas, com luxuosas fantasias e
carros alegóricos e eram organizadas pelas
camadas sociais mais ricas. Os ranchos,
surgidos em fins do século XIX, desfilavam
também com um enredo, fantasias e carros
alegóricos ao som de sua marcha
característica e eram organizados pela
pequena burguesia urbana. Os blocos, de
forma menos estruturada, abrigavam grupos
cujas bases se situavam nas áreas de moradia
das camadas mais pobres da população: os
morros e subúrbios cariocas. O surgimento
das escolas de samba veio desorganizar essas
distinções.
A
denominação escola de samba nasce no Rio de
Janeiro em 1928. O compositor Ismael Silva
é o primeiro a usar a expressão
para se referir a seu grupo carnavalesco, o
rancho Deixa Falar.
Ismael Silva e o grupo de boêmios do bairro
carioca do Estácio, do qual faziam parte seu
parceiro Nílton Bastos, Rubem Barcelos, Bide,
Baiaco, Brancura e Mano Edgar, foram os
responsáveis pela criação da primeira escola
de samba do Rio de Janeiro, a Deixa Falar
criando um novo ritmo que permitia cantar,
dançar e desfilar, ao mesmo tempo.
A sua base instrumental era formada por
instrumentos de percussão, a bateria.
Surgida na Largo do Estácio, a novidade
repercutiu rapidamente para vários morros e
subúrbios. Desta forma, as escolas foram se
espalhando e a cada ano nasciam outras
agremiações carnavalescas que faziam suas
evoluções na Praça Onze, cantando sambas com
temáticas que abordavam acontecimentos
locais ou nacionais, tanto no domingo quanto
na terça-feira gorda. Estava definitivamente
consolidado o samba carioca. A escola só
desfilou em três carnavais, mas foi ela que
inspirou Cartola, Paulo da Portela e Heitor
dos Prazeres a criarem, respectivamente, a
Mangueira e a Portela.
O primeiro desfile de escolas de samba,
realizado em 1929 na Praça Onze, foi ganho
pela Portela. O
primeiro desfile oficial foi realizado em
1935.
Em 1942, surge a Avenida Presidente Vargas,
com a demolição da Praça Onze. Surge assim o
novo local de desfiles, que perduraria por
muitos anos. As escolas começam a ganhar
espaço dos ranchos e das grandes sociedades
na disputa pela hegemonia do carnaval. Em
1946, surge o samba-enredo, com o governo
municipal proibindo que as escolas cantem
versos improvisados, levando para o local da
apresentação uma música pronta.
Os desfiles das escolas foram realizados por
muito tempo na Praça Onze e na Avenida Rio
Branco.
A 1o. de março de 1984 o Rio de Janeiro
comemorava 419 anos de sua fundação e a
cidade recebia como presente um complexo de
linhas modernas e artísticas, projetado pelo
arquiteto Oscar Niemeyer, destinado
principalmente, ao conforto do público que a
nossa cidade assistir a um dos maiores
espetáculos de som, luzes e cores que é o
desfile das Escolas de Samba: a
"Passarela do Samba", ou
Sambódromo, como apelidara Darcy Ribeiro.
Uma avenida projetada por onde passariam a
desfilar as escolas cariocas, ladeadas por
grandes arquibancadas. No dia 2 de março, os
brasileiros assistiram ao primeiro desfile.
Atualmente há desfile de escola de samba em
todo o país. O do Rio de Janeiro, no
entanto, continua sendo o mais tradicional e
o de maior projeção. São cerca de 69 escolas
de samba, divididas em seis grupos. O
principal é o grupo especial, formado pelas
14 maiores escolas. A avaliação para a
premiação das escolas é feita por 36
jurados, que dão notas de 1 a 10 aos
seguintes quesitos: bateria, samba-enredo,
harmonia, evolução, enredo, conjunto,
alegoria e adereços, fantasia, comissão de
frente e mestre-sala e porta-bandeira. A
escola deve apresentar-se em, no mínimo, 65
minutos e, no máximo, 80. Cada 5 minutos de
atraso sobre o prazo máximo tiram 1 ponto da
nota final. |