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Existem três tipos de amizade:
1) a amizade de conveniência, quando temos
interesse em alguma coisa que o outro pode
nos proporcionar;
2) a amizade de prazer, quando sentimos o
gosto de estar juntos;
3) a amizade espiritual, quando nos
relacionamos no nível mais profundo e íntimo
de nós mesmos.
A amizade espiritual tem duas
características: igualdade (não há amizade
se uma pessoa se sente superior ou inferior
à outra) e benevolência (amigos querem todo
o bem e não querem nada de mal um ao outro).
Amizade é dar a mão a todos e não reter
nenhuma.
É típico de nossa cultura, o brasileiro
abrir sua casa para aqueles com quem se
identifica e prontamente classificá-lo como
"fazendo parte da família", tamanha a força
que a amizade representa em sua formação e
constituição enquanto ser individual e
social.
A amizade é um dom que se recebe na medida
em que é oferecido e um amigo verdadeiro não
é apenas um companheiro de divertimento, mas
quem nos ajuda a crescer.
A verdadeira amizade é construída e
cimentada com o tempo. Quanto maior for o
tempo de uma amizade que é cultivada com a
compreensão dos dilemas humanos do amigo,
mais resistente ela será. Será uma fortaleza
inexpugnável a qualquer ataque, a qualquer
alteração de humor.
Seja como for, algumas funções da amizade
são inquestionáveis como: companhia social e
atividades pessoais (cinemas, festas,
viagens, jogos); apoio emocional (quem nunca
buscou um ombro amigo em momento de dor ou
decepção?); conselheiro (trocas de idéias,
busca de conselhos para se tomar decisões,
apontar nossas falhas); ajuda material (seja
para "dar uma forcinha" na mudança de casa
ou em questões financeiras); acesso a novos
contatos ou o famoso "networking", que
aliás, neste mundo globalizado é fundamental
ao desenvolvimento profissional e de
carreira.
As amizades são essenciais para nossa
sobrevivência psicológica, social,
intelectual, afetiva e até física, porque,
sejam de relações íntimas ou ocasionais, os
amigos representam uma extensão e até um
espelho que reflete uma parte de quem somos
ou queremos ser. Pressupõem a existência de
um vínculo que se estabeleceu através de uma
troca, tendo como alicerce o respeito e
admiração, matéria-prima de tão refinada
construção.
Ou seja, as amizades se tornam partes
importantes de nossa história, ao nos ajudar
a organizar as experiências da vida,
contando com uma grande vantagem: podemos
escolhê-las.
Mesmo assim, costuma-se ouvir que a
quantidade de verdadeiros amigos "cabem nos
dedos de uma única mão". É que sempre
existirão aqueles com quem nos identificamos
mais e há maior possibilidade de trocas, o
que não invalida a qualidade dos demais
relacionamentos, apenas os diferencia.
Pense em como é bom ter além das amizades
especiais para confidências mais profundas,
uma série de pessoas ao seu redor para
partilhar as várias possibilidades da vida.
E quantas vezes chamamos aquele amigo muito
querido de irmão! Queremo-lo perto, tão
perto quanto um parente de sangue, só que
melhor, pois este irmão nós escolhemos de
livre e espontânea vontade. São os irmãos da
alma, pessoas a quem escolhemos e por quem
somos escolhidos para integrar uma espécie
de família cósmica sem obrigações de
autoridade, embora com obrigações morais
implícitas nesse flexível compromisso de
compreensão mútua.
O amigo verdadeiro não briga, dá um tempo.
Ele aconselha e dá bronca, critica e elogia
com intensidades variadas, mas não se arvora
numa condição de superioridade.
É difícil conversar razoavelmente com quem
não consegue raciocinar clara e calmamente.
Esse conversar, o dialogar, é a verdadeira
base de uma amizade.
Dialogar não é querer convencer o outro.
Dialogar é expandir o seu próprio ponto de
vista. É tentar compreender o ponto de vista
do outro. Dialogar é tentar enxergar o mundo
desde o ponto de vista do outro. É a coragem
de olhar o mundo a partir das crenças do
outro. É uma atividade difícil e exigente.
Mas na verdade é a única base real de
qualquer relacionamento humano profundo.
A condição básica para o diálogo é a
amizade. E quando o diálogo acontece, ele
nos conduz a uma amizade sólida residindo em
nossos corações. É necessário um compromisso
pessoal para que aconteça esta realização.
Para se ter diálogo e amizade precisamos
contar com a profundidade pessoal,
precisamos estar em contato com o nosso
próprio coração. E é em nosso coração que
vive a fé.
A experiência da fé nos leva à experiência
do amor. Ela nos leva a acreditar no ser
humano, a esperar algo de bom dele, ao
entendimento de seus deslizes e ao perdão de
seus erros. A fé nos leva ao chão comum, à
base comum comum e bem sólida de uma amizade
verdadeira.
Em todas as atitudes acontece um equilíbrio
que se torna a posição ideal no resgatar a
importância da vida, da família, da amizade
e de outros valores.
O verdadeiro amigo sempre traz apoio nas
horas difíceis, nos ensinando a amar apesar
de tudo. E no momento em que ajudamos a um
amigo, nos sentimos inteiros valorizados com
uma sensação interior gostosa de paz, de um
dever cumprido espontâneo alimentando nossa
alma.
No convívio com as pessoas, na ajuda que
devemos dar e receber das pessoas, no
interagir reforçando as amizades, no
entendimento, no compartilhar conhecimentos,
no companheirismo e querer conhecer-se
melhor, no sentir a necessidade de
desabafar, conversar, abraçar os amigos é
que destacamos a importância da amizade
verdadeira.
Talvez não seja muito fácil encontrar
verdadeiros amigos. Mas, quando os temos,
vale a pena cultivar sua amizade, que poderá
durar uma vida inteira.

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