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Epicuro (341-270 a.C.), pensador grego,
tinha uma máxima assim: "De todos os bens,
que a sabedoria nos ensina e que são
necessários para a nossa sobrevivência a
amizade é de longe o maior".
A importância da idéia de amizade é muito
antiga. Os gregos observaram essa
importância. Para os homens da Idade Média,
a amizade era o fim último da vida
emocional. Depois essa idéia se esvaeceu. A
teologia, especialmente a teologia monástica
do Ocidente, herdou a tradição da
valorização da amizade e refletiu muito
sobre a natureza da amizade.
A palavra "amizade" em português refere-se
tanto a um sentimento quanto a uma relação
específica. Segundo o dicionário Aurélio,
esse sentimento engloba outros, como
afeição, simpatia e ternura, e pode, assim,
estar presente em relações que não são
caracterizadas como de amizade. Já no
dicionário inglês Oxford, encontramos uma
definição mais restrita da categoria, que se
refere apenas à relação entre amigos ou ao
sentimento associado a essa relação
específica. Embora sejam definições formais
de dicionários, esses significados apontam
para elaborações culturais particulares,
mostrando como o conceito de amizade pode
diferir de sociedade para sociedade.
Considerando também que ela se estabelece a
partir de uma relação entre iguais, não
havendo a possibilidade de nenhuma forma de
dominação, podemos concluir que a relação
entre amigos se constitui num lugar
privilegiado para a materialização dos
valores éticos.
"Quem encontrou um amigo encontrou um
tesouro". - Tal reflexão vem ao encontro da
necessidade de pensarmos nos relacionamentos
que estabelecemos com nossos colegas de
trabalho, familiares e principalmente
aqueles, que de um forma ou de outra estão
mais próximos de nós desde a mais tenra
idade.
É na infância que os primeiros amiguinhos
aparecem. É nela que os pequenos seres se
"testam", buscando e percebendo aqueles que
têm interesses parecidos, e também
características complementares, passando
então ao segundo passo da amizade infantil
que acontece normalmente com a eleição do
melhor amigo.
É exatamente ao criar estes laços fortes de
amizade com outra criança que se começa a
aprender algumas regras básicas de
convivência humana, como dividir, dar e
receber afeto (de outra pessoa que não um
familiar) e, a principal de todas, se
frustrar com o outro, quando suas
perspectivas não são atingidas pois logo
percebe que nem sempre tudo na vida sairá
como ela deseja.
Algumas amizades da infância persistem até a
adolescência ou idade adulta. Outras, se
perdem no decorrer da vida, dando lugar a
outras e mais outras.
A vida em família, juntamente com as
experiências de verdadeira amizade, são o
ginásio para se preparar a amar.
Quando partimos do pressuposto de que a
estrutura central do ser humano não é a
razão e sim o afeto podemos então perceber
que a amizade ocupa um lugar de destaque,
sendo um dos principais bens que são
necessários para a boa sociabilidade. Ela
nasce da confiança mútua e é uma relação de
amor, de afeto de tipo muito especial. E por
quê? Porque a amizade é um sentimento
recíproco. Não é possível ser amigo de
alguém que não seja, por sua vez, nosso
amigo.
No entanto, no corre-corre do dia-a-dia,
muitas vezes nos esquecemos da verdadeira
importância da amizade, embora, cada vez
mais, as pessoas sintam a necessidade de
encontrar um olhar sincero, afetuoso e amigo
que lhes inspire confiança e complemente os
espaços vazios que lhes cercam.
Antes de ser uma relação, a amizade é uma
atitude interior, onde buscamos encontrar em
outras pessoas algo que nos preencha. E, é
neste encontrar-se, que chegamos a uma
amizade verdadeira, quando enfim aprendemos
a partilhar o nosso ser pessoal, coração,
alma.
A amizade adquire traços verdadeiros e
amadurecidos quando se traduz em atitudes de
atenção, de respeito e de questionamento
sincero de um para com o outro.
A amizade é uma das manifestações amorosas
mais completas. Quem tem amigos não espera
retribuição. Seu elo forte traduz-se por
respeito, cumplicidade e confiança. Sublime
e majestosa, deve sobreviver aos maus
momentos. Compartilhando, aquecendo,
ajudando, amparando.
Às vezes, quando conhecemos bem a fundo
nossos amigos, parece que percebemos o que
eles sentem, o que pensam, o que desejam e
do que estão precisando.
Outro aspecto a ser destacado é que a
amizade tem uma outra característica que é a
descontinuidade temporal, ou seja, podemos
ficar muito tempo sem encontrar um amigo,
mas quando o vemos é como se tivéssemos com
ele ontem. Um reencontro sem cobrança onde a
alegria é intensa. E mesmo quando um amigo
não está por perto, ainda assim, dele
lembramos a qualquer tempo e momento. Não há
cobrança pelo tempo que passou. Assim uma
relação entre amigos é uma relação de
unidade porque nós podemos não estar
reunidos o tempo todo, mas sentimos que
estamos unidos por esse sentimento de
reciprocidade.
Amigos são seres preciosos, essenciais,
vitais para a nossa existência. Quando temos
uma pessoa especial assim em nossa vida,
devemos sempre fortalecer este sentimento.
Sabendo ser grato, atencioso, alegre,
participativo. Se o amigo o decepcionou,
perdoe. A amizade verdadeira não exige, não
cobra, não trai e não domina. É caridosa e
generosa. No entanto, não sobrevive ao
orgulho e à indiferença.

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