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Aconteceu Luna's
&
Centenário de
Oscar Niemeyer

15 de dezembro de 1907:
NASCEU OSCAR NIEMEYER
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Não é o ângulo reto que me atrai,
Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual.
A curva que encontro nas montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar.
nas nuvens do céu,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o Universo.
O Universo curvo de Einstein
:
Oscar Niemeyer
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O POBRE DO ESPAÇO
Mario Quintana
O espaço é cheio de buracos: nós, as coisas, os mundos. A
perfeição seria o espaço puro, fica ele a pensar com os seus
buracos... Mas isso, Sr. Espaço, é uma coisa tão impossível
quanto a poesia pura. |
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APESAR DA DISTÂNCIA
Zilca P. Tricerri
Hoje senti uma vontade louca de te ver
Sai pelas calçadas desertas à procura de pelo
menos, uma miragem em que pudesse mesmo
enganando-me, olhar o teu suave rosto e sentir
aquele amor, que a vida inteira me prendeu a ti!
Apenas vi sombras das árvores que deixavam cair
ao chão, suas folhas secas...Meus pensamentos
viajam nas canções das estrelas, que bordam
o amor em torno da lua soberana
Tudo me leva a desejar que ali estejas a
cruzar o teu pensamento,ao meu,recordando
momentos felizes e jamais esquecidos,
pelo elo do amor que apesar da
distância, vivem em nossas almas
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Oscar Niemeyer nasceu no Rio de Janeiro, em 1907. Considerado o
mais importante arquiteto brasileiro deste século em função da
quantidade e qualidade de obras construídas, iniciou sua carreira
no escritório de Lucio Costa, em 1934, quando se graduou na Escola
Nacional de Belas Artes. |
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A MULHER QUE EU NÃO MEREÇO
Naldo Velho
A mulher que eu não mereço
tem os olhos verdes, plenos
e nos lábios grossos tenros
um sorriso abusado,
encharcado de veneno.
A mulher que eu não mereço
traz nas mãos muitos poemas,
rimas loucas e obscenas
que inquietas e urgentes,
assediam e assanham.
A mulher que eu não mereço
tem um jeito de menina,
um andar que alucina
e intumesce-me as entranhas
quando ouso o seu apreço.
A mulher que eu não mereço
tem a voz enrouquecida,
em sussurros me alicia
e entorpece as minhas pernas,
com que pernas hei de fugir?
A mulher que eu não mereço
tem o canto das sereias,
tem a luz da lua cheia
e seduz tecendo teias,
coisa igual eu nunca vi!
A mulher que eu não mereço
tem um trato com a magia,
faz feitiços noite e dia,
traz no corpo muitas prendas
e me chama de aprendiz.
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VIVA ALÉM DES VIDA!
Sonia Salete
Buscamos a vida
e não sabemos bem o que fazer dela...
Buscamos o amor’
e não sabemos como tratá-lo...
Buscamos o perdão
e não sabemos como encará-lo...
Passamos vidas e vidas na busca da paz,
e quando a encontramos,
vemos que ela só existirá real,
se todos também a buscarem!
Vivamos nossa vida da forma
a espalhar o amor
para não termos que revê-la depois.
Amor ,flama que constrói a eternidade sem dor!
Ódio, flama que destrói o doente coração.
Perdão, flama que reconstrói nossos destinos!
Vivamos nossa vida de forma
que possamos ser Um com todos
que passarem pelo nossos
caminhos!
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A partir do instante em que
substituiu Costa na coordenação do grupo que desenvolveu os
estudos de Le Corbusier para o edifício-sede do Ministério da
Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, Niemeyer desempenhou o
papel principal na corrente modernista que privilegiava a
expressão plástica. Em 1947, o edifício-sede da Unesco, nos
Estados Unidos, proporciona mais uma vez a Niemeyer a
oportunidade de dividir com Le Corbusier o projeto definitivo
que funde as propostas independentes de cada um dos
arquitetos. |
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SOU O QUE SOU!
PCoelho
Não sou o tempo
Não sou a vida
Tão pouco a morte
Da alma ferida.
Viajo pelos ventos...
Sou pólen, sou flor
Sou a semente
Que cobre teu ventre
Se lhe tenho amor.
Sou o que sou!
Alguns acertos, pouca vaidade
Sei ser pequeno, sem ser ingênuo
Sei ser forte, sem ser covarde
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DESASSOSSEGO
Líria Porto
a desconfiança a dúvida
não se saber do amanhã
a vida sem corrimão
o medo a causar angústia
dores de cabeça úlceras
não resolvem nada adiantam
só quando o agora surge
aparecem soluções
escapam de quaisquer planos
as certezas do futuro
cada coisa cada uma
tem a dimensão que damos |
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A influência
corbusiana é notável nas primeiras obras de Niemeyer. Porém, pouco
a pouco o arquiteto adquire sua marca: a leveza das formas curvas
cria os espaços que transformam o programa arquitetural em
ambientes inusitados; portanto, harmonia, graça e elegância são os
adjetivos mais apropriados para o trabalho de Oscar Niemeyer. As
adaptações que o arquiteto produziu conectando o vocabulário
barroco ao modernismo arquitetônico possibilitaram experiências
formais com volumes espetaculares, que foram concretizadas por
calculistas famosos, entre eles o brasileiro Joaquim Cardoso e o
italiano Pier Luigi Nervi. |
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POEIRA
Anibal Beça
Do pó ao pólen posta-se o poema
na penumbra do parto antecipado.
Abre-se uma janela sem algema
presa somente do seu próprio fado.
Areia e barro, sol com sua gema,
a gala clara do ovo, visgo dado
ao solo só de vértebras, seu tema
variado na avena: chão arado.
O tropo, o trapo, as vestes: eis aí
a massa que caldeia essa bigorna
ensolando alimárias ao se de si.
Nada é constante e tudo se transforma.
Eppur si muove em ánima no giz
escrito no vaivém se vai e torna.
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NÓ NA GARGANTA
Vitória Paterna
É ausência
que fere
sangra
rasga o ventre
É dor
que martela
dilacera
tortura a mente
É vontade
de cortar os pulsos
ligar o gás
estender a corda
coquetel de comprimidos
É precisar viver
disfarçando o tropeço
É precisar sorrir
cuspindo a lágrima
É morder o vazio
espalhando fel na boca
É mais que ser só
delirar sem sonhos
fazer das lembranças
zunidos de zumbis
Não é depressão
É um peso no coração
por fazer da liberdade opção
e ser incapaz de reger a contradição
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A
arquitetura de Brasília, prevista nos esboços com que Lucio
Costa concorreu ao concurso internacional de projetos para a
nova capital do Brasil, foi o impulso definitivo de Niemeyer
na cena da história internacional da arquitetura
contemporânea. As cúpulas côncava e convexa do Congresso
Nacional e as colunas dos palácios da Alvorada, do Planalto e
da Suprema Corte, configuram signos originais. Agregando-os às
espetaculares formas das colunas da Catedral e dos palácios
Itamaraty e da Justiça, Niemeyer encerra a perspectiva
ortogonal e simétrica formada pelo ritmo repetitivo dos
edifícios da Esplanada dos Ministérios. |
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TRANSCEDENTALISMO
Antero de Quental
Já sossega, depois de tanta luta,
Já me descansa em paz o coração.
Caí na conta, enfim, de quanto é vão
O bem que ao Mundo e à Sorte se disputa.
Penetrando, com fronte não enxuta,
No sacrário do templo da Ilusão,
Só encontrei, com dor e confusão,
Trevas e pó, uma matéria bruta...
Não é no vasto Mundo - por imenso
Que ele pareça à nossa mocidade -
Que a alma sacia o seu desejo intenso...
Na esfera do invisível, do intangível,
Sobre desertos, vácuo, soledade,
Voa e paira o espírito impassível! |
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GEOMETRIA CIVIL
Cassiano Ricardo
Eu tenho um corpo
feito de barro vil
mas cheio de deveres
e obediência civil
Sou um transeunte
em dia com o código
da ética pedestre
Não raro invento dividas
só pelo prazer
de saldá-las, lesto,
antes do protesto.
Para depois entrar
entre festões vermelhos
num salão de baile
cumprimentando-me cordialmente
nos espelhos.
Exato no meu fato
azul, sob medida;
exato na cesura
de um verso alexandrino.
Exato se combino
um encontro de dois
pois chego à hora certa,
nem antes nem depois.
Exato- se procuro
te beijar no escuro
não erro a tua boca
entre os pontos cardeais
de minha geografia
amorosa;
enfim, sou tão exato
como é o número do meu sapato.
Sofro, também, de ordem.
da incorrigível ordem
que aceitei por herança.
em vão as vespas
da revolução me mordem.
Minha geometria
é uma coisa viva
feita de carne e osso.
um ângulo quebrado
logo escorre sangue
todo o meu futuro
é um retângulo obscuro...
Estes meus dois braços
são linhas paralelas
que se cruzarão em viagem
para algum infinito.
A Lua, esfera fria,
me ensinou, em garoto,
a riscar bolas de ouro, sem compasso
na aula de geometria.
Oh! Eu sofro de ordem,
mas em vão;
pois não ganhei com isso
nenhum laurel, comenda
ou condecoração
e nem pertenço à Ordem do Cruzeiro.
Pertenço – e é só – à Ordem
em que estão colocadas,
no céu as estrelas
e à outra Ordem
a em que , no futuro
estarão colocadas
e em redor do meu corpo
quatro velas acesas...
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O uso das
estruturas em concreto armado em formas curvas ou em casca e as
explorações inéditas das possibilidades estéticas da linha reta se
traduziram em fábricas, arranha-céus, espaços para exposições,
residências, teatros, templos, edifícios-sede de empresas dos
setores público e privado, universidades, clubes, hospitais e
equipamentos para diversos programas sociais. Desses temas
sobressaem-se os seguintes trabalhos: a Obra do Berço e sua
residência na Estrada das Canoas, no Rio de Janeiro; a fábrica
Duchen, o edifício Copan e o Parque do Ibirapuera, em São Paulo; o
conjunto arquitetônico da Pampulha, com o Cassino, o Restaurante e
o Templo de São Francisco de Assis, em Belo Horizonte; o projeto
para o Hotel de Ouro Preto (Minas Gerais), o Museu de Caracas
(Venezuela), a sede do Partido Comunista (Paris), a sede da
Editora Mondatori (Milão), a Universidade de Constantine (Argélia)
e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (Rio de Janeiro).
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O MUNDO DO SERTÃO
(com tema do nosso armorial)
Ariano Suassuna
Diante de mim, as malhas amarelas
do mundo, Onça castanha e destemida.
No campo rubro, a Asma azul da vida
à cruz do Azul, o Mal se desmantela.
Mas a Prata sem sol destas moedas
perturba a Cruz e as Rosas mal perdidas;
e a Marca negra esquerda inesquecida
corta a Prata das folhas e fivelas.
E enquanto o Fogo clama a Pedra rija,
que até o fim, serei desnorteado,
que até no Pardo o cego desespera,
o Cavalo castanho, na cornija,
tenha alçar-se, nas asas, ao Sagrado,
ladrando entre as Esfinges e a Pantera.
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OS VERSOS DO POETA
Fernando Tanajura
Certamente teus versos serão lidos
Aqui, ali, aonde a palavra leve
Amores, dores e corações partidos
Ou pensamentos tais que a alma eleve
Caminha, poeta, por entre os deuses
Entre os seres loucos desta lida
Sem te importar que haja alguns adeuses
Tão necessários, às vezes, nesta vida
Não existe em poesia julgamento
Quando se escreve tudo com amor
E se espalha assim pura verdade
Mesmo que essa seja um lamento
Uma premunição ou uma simples dor
Contanto que em tudo haja Liberdade estrelas.
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A presença
constante de Oscar Niemeyer no cenário da arquitetura
contemporânea internacional, desde 1936 até os dias atuais, o
transformou em símbolo brasileiro. Recebeu inúmeros prêmios e
possui vasta bibliografia, onde se destacam títulos de sua autoria
e de Stamo Papadaki, além de várias edições temáticas das
principais revistas de arquitetura da França e da Itália. |
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NO CAMPO
Augusto dos Anjos
Tarde. Um arroio canta pela umbrosa
Estrada; as águas límpidas alvejam
Com cristais. Aragem suspirosa
Agita os roseirais que ali vicejam.
No alto, entretanto, os astros rumorejam
Um presságio de noute luminosa
E ei-la que assoma - a Louca tenebrosa,
Branca, emergindo às trevas que a negrejam.
Chora a corrente múrmura, e, à dolente
Unção da noute, as flores também choram
Num chuveiro de pétalas, nitente,
Pendem e caem - os roseirais descoram
E elas bóiam no pranto da corrente
Que as rosas, ao luar, chorando enfloram.
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ASSIM AMAM OS POETAS
Beatriz por um triz*
Passará o tempo....
e como palavras ao vento
este amor será esquecido.
Vencido será o sofrimento
que neste momento consome
e antigas poesias
encantarão novos nomes
Não sinta-se enganada
pois o verso já existia
mas se a ti foi dedicado
fostes a musa daquele instante
Os versos são verdadeiros,
escritos pela paixão
em diferentes momentos
mas com o mesmo coração
Assim ama o poeta,
com tanta velocidade,
que na intensidade do querer
perde-se da fidelidade. |
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BRASÍLIA E O MUNDO
Foi a partir
da década de 50, porém, que o arquiteto escreveu seu nome
definitivamente na história com a construção dos primeiros prédios
de Brasília (DF). O Congresso, o Palácio da Alvorada, a Praça dos
Três Poderes e a Catedral, todos de 1958, depois o Itamarati, em
1960, representam esse período. Sua marca correu o mundo e, em
1965, na França, projetou a sede do Partido Comunista Francês. Em
1968, outras obras expressivas se somaram como o Mondadori, em
Milão, na Itália, e a Mesquita de Argel, na Argélia. |
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ENTRE O SER E AS COISAS
Carlos Drummond de Andrade
Onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e à rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva.
As almas, não, as almas vão pairando,
e, esquecendo a lição que já se esquiva,
tornam amor humor, e vago e brando
o que é de natureza corrosiva.
N'água e na pedra amor deixa gravados
seus hieróglifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.
E nem os elementos encantados
sabem do amor que os punge e que é, pungido,
uma fogueira a arder no dia findo
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VENDO O VENTO
Helena Armond
vendo o vento... gostava mais quando soavam sinos
(o gosto sim... é discutível e... se me permitem)
gosto do amarelo a cor que desempata
se há dúvida o nascer menina ou menino...
"desempata"... de mau gosto esta palavra
o que me faz doer a escolha desta
preciso há de ser... salvar poetas...
artes plásticas. Matéria prima... dançarinas
formas orgânicas que transpiram
no mau gosto desse global pró festa
há na lembrança o soar de um sino
a contar o "tempo" que se escoa e volta e volta
(de passagem meu eterno repetir tempo não passa)
anacrônico e cigano lá se vai o tempo... e volta
num antigamente tão profano quanto agora
cria! sem corpo, cheiro ou forma a repetir o embora |
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No
Brasil, em 1980, marcou todo o apreço pelo amigo e anfitrião dos
tempos da construção de Brasília, Juscelino Kubitschek, com a
construção do Memorial JK. Nove anos depois foi a vez do Memorial
da América Latina, um marco em São Paulo aos laços
latino-americanos. Até passar, em 1994, a ser também o arquiteto
de espaços voltados à arte como o Museu de Arte Contemporânea
(MAC), de Niterói (RJ), e novamente aos espaços democráticos como
a sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Brasília, em
1998. |
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SONETO VIII
Cláudio Manuel da Costa
Este é o rio, a montanha é esta,
Estes os troncos, estes os rochedos;
São estes inda os mesmos arvoredos;
Esta é a mesma rústica floresta.
Tudo cheio de horror se manifesta,
Rio, montanha, troncos, e penedos;
Que de amor nos suavíssimos enredos
Foi cena alegre, e urna é já funesta.
Oh quão lembrado estou de haver subido
Aquele monte, e as vezes, que baixando
Deixei do pranto o vale umedecido!
Tudo me está a memória retratando;
Que da mesma saudade o infame ruído
Vem as mortas espécies despertando.
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REMANSO
Poeta Londrino
conterá o verso a rebeldia
ou antes qualquer hesitação
semeia aroma e floração
neste inverso de acalmia
tanto vale que o silêncio expie
ou que a palavra gutural
inicie o sentido magistral
e o tempo nada mais adie
abram-se agora escrituras
decifrando velhas urdiduras
no gesto que desenha a glória
modos de remanso e memória
erguem resistência e paz
quando o arco-íris se desfaz |
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Já em
2002, depois de registrar sua importância na arquitetura
moderna brasileira do século 20, inicia o século 21 com um
projeto de arquitetura de grande escala. A Catedral de Niterói
é o primeiro de uma série de prédios distintos que irão compor
o Caminho Niemeyer, em construção pela prefeitura da cidade.
Ano que também marca a construção do anexo, popularmente
batizado de Olho, que imprimiu nova personalidade ao Museu
Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR). |
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AMOR ALGÉBRICO
Euclides da Cunha
ACABO DE ESTUDAR - da ciência fria e vã,
O gelo, o gelo atroz me gela ainda a mente,
Acabo de arrancar a fronte minha ardente
Das páginas cruéis de um livro de Bertrand.
Bem triste e bem cruel decerto foi o ente
Que este Saara atroz - sem aura, sem manhã,
A Álgebra criou - a mente, a alma mais sã
Nela vacila e cai, sem um sonho virente.
Acabo de estudar e pálido, cansado,
Dumas dez equações os véus hei arancado,
Estou cheio de spleen, cheio de tédio e giz.
É tempo, é tempo pois de, trêmulo e amoroso,
Ir dela descansar no seio venturoso
E achar do seu olhar o luminoso X.
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DESPEDIDA
Mardilê Friedrich Fabre
Despedida é impotência,
Um sentido de dormência
De não poder impedir
Com um gesto tresloucado
Esta mágoa de sentir
O abandono transplantado.
Despedida é desunião
Que maltrata o coração.
É medo do esquecimento
De um longo tempo vivido
Em um relacionamento
Que não deve ser perdido.
Despedia é a saudade
De forte afetividade
De vidas em comunhão.
Vontade de junto estar,
De não sofrer solidão
Que se queda a maltratar. |
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As
fotos em exposição retratam essas obras. Algumas como o MAC de
Niterói, a Mesquita de Argel, a Catedral do Caminho Niemeyer e
o Museu Oscar Niemeyer podem ser apreciadas ainda em maquetes,
além do marco desenhado pelo arquiteto ao MST (Movimento dos
Trabalhadores Sem-Terra). Em outras duas paredes, o visitante
também poderá ver os esboços desenhados por Niemeyer de suas
obras mais marcantes, desde a Pampulha (1940) até o Museu
Oscar Niemeyer (2002). |
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HÁ UM PAÍS IMENSO MAIS REAL
Fernando Pessoa
Há um país imenso mais real
Do que a vida que o mundo mostra Ter
Mais do que a Natureza natural
À verdade tremendo de viver.
Sob um céu uno e plácido e normal
Onde nada se mostra haver ou ser
Onde nem vento geme, nem fatal
A idéias de uma nuvem se faz crer,
Jaz - uma terra não - não há um solo
Mas estranha, gelando em desconsolo
À alma que vê esse país sem véu,
Hirtamente silente nos espaços
Uma floresta de escarnados braços
Inutilmente erguidos para o céu.
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CORDEL DAS BOL$A$ LITERÁRIA$ E OUTRAS MAMATAS...
Gustavo Dourado
É golpe de todo tipo:
Na internet e no real...
Fantasmagoria literária:
Assombram o textual...
Mamam nas tetas da Viúva:
Nepotismo leiteral...
Tem muita gente sabida:
Surrupiantes do Erário...
Clientelismo, malandragem:
Para além do dicionário...
A maracutaia é surreal:
Corrompe o vocabulário...
Premiam de qualquer jeito:
No emundo da lixeratura...
Doam bolsas do E$tado:
Nem precisa de leitura...
Jogo de cartas marcadas:
Do nascer à sepultura...
Julgam-se iluminados:
Pervertem a comunicação...
Komunicólogos - arrivistas
Chega de descaração....
Os "deputados" literais:
Sugam as mamas da Nação...
Ressucitaram João Grilo:
Macunaima e Cancão...
Pedro Malazartes ataca
No Planalto da Nação...
30 mil dobrões de ouro:
Na lítera-corrupção...
Mais um escândalo literário:
Tem ares de Mensalão...
Sanguessugas sequiosas
Chupam o nosso coração...
Lá na Redação do Céu:
Foi notícia de plantão...
Concursos, prêmios, medalhas:
Perdem credibilidade...
Nem precisa fazer prova:
Ganha-se com facilidade....
Têm malandros premiados:
Nos palácios da cidade...
A velha ação entre amigos:
Julgadores sem moral...
Falta ética, compostura:
Etc e coisa e tal...
A comídia esconde o fato:
Não aparece no journal...
Falcatruas, bandalheiras:
Parecem tudo normal...
Salve São Graciliano:
Façam um pelo sinal...
Vade Retro Satanás:
Eta gente sem moral...
Brincam com nosso dinheiro:
O imposto é escorchante...
Leio Finnegans - Ulisses:
Rosa, Machado e Dante...
O povo quer pão-cultura:
Não ser mais signorante...
Fabricam mi(n)tologias:
Ídolos de pés de barro...
PHdeuses de araque:
Amam caviar e karro...
Júri que nos desengana:
Tão bisonho, tão bizarro...
Será coisa de quadrilha?!:
Prefiro a de São João...
Em Drummond, me inspiro:
Chega de conspiração...
Respeitem a Coisa Pública:
Basta à Corrupção...
30 moedas de ouro:
Judas também ganhou...
Por aqui esse preço:
Muito se multiplicou...
Chafurdam-se na lama podre:
A arte se emporcalhou...
Eu vou mudar de toada:
Pôr a Ética no enredo...
Cultivar a boa Estética:
Esse é um bom segredo...
Ficar de orelha em pé:
Essa gente mete medo...
É preciso ter vergonha:
Para que se enganar?!
Ética e eqüidade:
No processo de julgar...
Que a Justiça prevaleça:
A coisa tem que mudar... |
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OSCAR NIEMEYER
- Arquiteto Brasileiro, born 1907 - Modernismo
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www.ocaiw.com |
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SONETO 399 PÓS-MODERNO
Glauco Mattoso
Cinema Novo, Bossa Nova, tudo
é novo nesta terra! A velharia
nos vem só do estrangeiro. O que seria
do Chaplin sem o velho cine mudo?
Temos tempos modernos! Também mudo
meu modo de pensar a poesia.
Concreto e verso livre contagia,
mas algo mais à frente aguarda estudo:
É o raio do soneto, que ora volta
liberto das amarras do conceito
e sem as igrejinhas como escolta.
Depois do modernismo, vem refeito.
Até o vocabulário já se solta:
ao puro é duro, e ao sujo está sujeito.
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AMAZÔNIA EM MIM
Betha M. Costa
Sou a vitória-régia em flor,
A Iara perdida no igarapé,
N'água fria e de escura cor,
Sou pé traiçoeiro do mururé.
Tenho os olhos da Boiúna,
A infantilidade do boto rosa,
Sou fauna e flora em fortuna,
Descrita em verso e prosa.
Sou parte esquecida da lenda,
Os cheiros e ritmos da selva,
O índio que chora sua prenda,
Doente no catre sobre a relva.
No sabor exótico do cupuaçu,
No riso inocente do curumim,
Ou no canto triste do uirapuru,
Há Amazônia dentro de mim... |
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FRASES E PENSAMENTOS DE OSCAR NIEMEYER
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- Urbanismo e arquitetura não acrescentam nada. Na rua,
protestando, é que a gente transforma o País.
- Meu avô, que foi ministro do Supremo Tribunal, morreu sem um
tostão. Inclusive a casa em que a gente morava estava
hipotecada. Sempre tive a idéia de que o dinheiro não vale
nada. Achei bonito ele morrer assim. Já disse que teria
vergonha de ser um homem rico. Considero o dinheiro uma coisa
sórdida.
- Nunca me calei. Nunca escondi minha posição de comunista. Os
mais compreensíveis que me convocam como arquiteto sabem da
minha posição ideológica. Pensam que sou um equivocado e eu
penso a mesma coisa deles. Não permito que ideologia nenhuma
interfira em minhas amizades.
- A vida pode mudar a arquitetura. No dia em que o mundo for
mais justo, ela será mais simples. |
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SONETO XXV
Guilherme de Almeida
O nosso ninho, a nossa casa, aquela
nossa despretensiosa água-furtada,
tinha sempre gerânios na sacada
e cortinas de tule na janela.
Dentro, rendas, cristais, flores... Em cada
canto, a mão da mulher amada e bela
punha um riso de graça. Tagarela,
teu cenário cantava à minha entrada.
Cantava... E eu te entrevia, à luz incerta,
braços cruzados, muito branca, ao fundo,
no quadro claro da janela aberta.
Vias-me. E então, num súbito tremor,
fechavas a janela para o mundo
e me abrias os braços para o amor! |
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ALVORADAS
*Fanny*
A aurora desabrocha nos lírios do firmamento,
pétalas de sonhos perfumando lembranças...
flores dos teus beijos em meu pensamento
guardadas na memória das ansiadas esperanças.
Jardins de saudade abraçam o horizonte
cantam o teu nome em serenas melodias
que eu abrigo no secreto refúgio da fonte
das auroras...enigma de todas as essências.
Estrelas do teu sorriso passeiam em meu olhar,
brisas envolventes dos teus abraços em mim,
toques de eternidade, segredos por desvendar...
Quisera eu...dar-te luares de alvura...
revelar-te os oásis de infinita ternura
em que me embalo no leito das alvoradas.
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SONETO DAS ALTURAS
Lêdo Ivo
As minhas esquivanças vão no vento
alto do céu, para um lugar sombrio
onde me punge o descontentamento
que no mar não deságua, nem no rio.
Às mudanças me fio, sempre atento
ao que muda e perece, e ardente e frio,
e novamente ardente é no momento
em que luz o desejo, poldro em cio.
Meu corpo nada quer, mas a minh'alma
em fogos de amplidão deseja tudo
o que ultrapassa o humano entendimento.
E embora nada atinja, não se acalma
e, sendo alma, transpõe meu corpo mudo,
e aos céus pede o inefável e não o vento. |
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SINFONIA DA ESPERANÇA
Jorge Linhaça
Ouço sinfonias da natureza,
na mente, as imagens surreais
as notas tocadas com leveza
enchem-me agora ,a alma de paz.
Doces melodias mui dançantes
transportam-me para junto de ti
em um bailado de dois amantes
valso contigo e me sinto feliz.
Entrego-me ao baile das ilusões,
viajo no tempo, sonho no escuro,
deixo flanarem minhas emoções,
Vôo no vento, transpondo muros,
pensando unir nossos corações,
nas esquinas de um breve futuro.
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OSCAR NIEMEYER
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NO ALTO
Machado de Assis
O poeta chegara ao alto da montanha,
E quando ia descer a vertente do oeste,
Viu uma cousa estranha,
Uma figura má.
Então, volvendo o olhar ao sutil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste
Pergunta o que será.
Como se perde no ar um som festivo e doce,
Ou bem como se fosse
Um pensamento vão,
Ariel se desfaz sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro estendeu-lhe a mão.
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O HOMEM – SUA ALMA, SUA PALMA
Carvalho Branco
O homem – ser plasmado pelo Criador,
Feito à sua imagem e semelhança...
De sua própria essência divina, com amor,
Modelou, Deus, alma-criança,
Chama viva, à qual soprou o seu ardor...
Do átomo primordial,
Do qual tudo era herança,
Fez brotar material
E modelou seu corpo animal...
Sobre o solo terreno,
Uma utopia: região de clima ameno,
Onde abundavam água e alimentos...
Jardins do Éden... Paraíso...
Onde o homem reinou todo sorriso,
Em todos os seus momentos...
Um dia, veio a sede de saber...
O conhecimento capaz de dar poder,
Para de criatura, passar a criador...
Não através do amor,
Sentimento divinal,
Mas do desejo mais carnal,
Nunca jamais tido por qualquer outro animal...
E veio a violência... sexual!...
O Paraíso se desfigurou
E a Terra, em quase Inferno se transformou...
O homem desrespeitou a Natureza,
Fazendo, do progresso conquistado,
Fator de destruição da vida e da beleza...
Contaminou a água,
Para depois chorar a mágoa...
Fez mal uso do fogo,
Queimou mata, casas e estrada
E a floresta devastada,
Suplicou sua clemência...
Mas vai alta a sua demência!...
Propiciou a guerra, foi seu próprio agressor...
Buscou matar a Paz, esse foi seu maior pecado!
Hoje, porém, entre humanos,
Alguns não tão insanos,
Verdadeiros iluminados,
Buscam dar os seus recados,
Transmutar o mal em bem,
Arregimentar gente, ir mais além,
Fazer com que alienados,
Juntem-se ao grupo também...
Um exército bem formado,
Do qual a arma é o verbo,
Por todos compartilhado,
Fazendo sua pregação...
Gente em que a boca
Sempre está no coração...
Gente que prega, fala tão louca
De amor e dedicação...
Somos artistas, escritores,
Advogados, doutores,
Gente da mais fina elite...
Gente da Cultura
E do povo... quem persiste
Na atitude mais pura
De amar ao próximo como a si mesmo,
Sem deixar correr a esmo
O desamor pela rua...
Só o amor constrói,
diz o dito popular,
Mas o homem, esquecido de amar,
A si próprio destrói...
Revolvamos nosso eu,
Busquemos, dentro de nós,
o homem que o mundo esqueceu...
na certeza de que nunca estamos sós...
Que aflua amor aos nossos corações,
deixemos falar as emoções,
trazendo, da pele, à flor
a nossa paz interior...
Reflorestemos as matas,
Despoluamos nossas nascentes,
Respeitemos seres viventes,
Façamos bom uso das pratas,
Sem delas sermos escravos,
Labutando para obtê-las,
Para melhor empregá-las....
Sejamos heróis e bravos,
Sendo obstáculo ao crime...
Dizendo não a todas as drogas
E nem querendo de longe vê-las.
Aos pequeninos, as falas
Mansas, que a toda ira redime...
Semeemos fraternidade,
Praticando ao outro o bem...
E, pelo dom da arte e da palavra,
Construamos a felicidade
E com ela logo se lavra
A Paz na Terra
E se termina a guerra
no seio da humanidade!... |
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OSCAR NIEMEYER
Folha Online - BBC Brasil - Não me sinto importante, diz
Oscar...
A reportagem que contém a entrevista com Niemeyer, intitulada "O
Rei das Curvas", ocupa duas páginas do caderno cultural do diário
britânico, ...
www1.folha.uol.com.br |
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EL RÍO INVISIBLE
Hernany Tafuri
Una canción que no se escucha:
la noche es una cicatriz
en mis ojos desnudos;
mi vida sin tenerte es
un río imposible, muerto
en el lecho del cielo:
!dulce lejanía!
Una canción del amor que no hay:
el día es niño, sin manos o pies,
ubicado en la soledad de la ciudad
y sus coches de lata y prisa...
(Me queda bien la lluvia,
mi sonrisa más sincera)
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ENTRE RETAS E CURVAS
Maria Thereza Neves
Entre Retas e Curvas
rabiscos que agridem
prefiro me perder criando paralelas.
Inventar um caminho sem qualquer lógica
formas, estímulos
elementos isolados
coerentes e unificados
em busca da estabilidade
entre Curvas e Retas
igualdade ou desigualdade
que os contrastes sejam percebidos
por contornos contínuos
pontilhando figuras e não linhas isoladas
unindo intervalos
ou me perder criando paralelas
transcender a fluência natural das Curvas
e a estabilidade das Retas
ressonância de idéias em texturas
libertando do desencontro
túneis obscuros
cortinas de vidro
projetando um caminho
movimentos em montanhas
ventos sobre mares
desfazendo amarras dos sentidos
redescobrindo o gosto do som
a dor da poesia
o perfume da cor
luz da melodia
entre curvas que aquecem
retas que alongam e se cruzam
entre pontos e linhas do universo
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Edição:
Maria Thereza Neves
Música: Aquarela do Brasil - Ray Conniff (parte)
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