Aconteceu Luna's
120 anos de Fernando Pessoa
(1888/2008)

APRESENTAÇÃO

Sua poesia jamais naufragou, logo, logo fascinou,
percorreu mares, ultrapassou mundos, encontrou porto, eternizou!
Ardeu em chamas em todos o versos, sua obra é feitura, é feitiço, é fascinação
a deslumbrar caminhos de estrelas, acordando, desenhando sonhos .

"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus".

Fernando Pessoa

Octavio Paz , poeta mexicano declara que
“os poetas não têm biografia. Sua obra é sua biografia”.
Homem de vida pública modesta, Fernando Pessoa dedicou-se a inventar.
Através da poesia, criou outras vidas, despertando, assim,
o interesse por sua própria vida tão pacata.
Tornou-se, portanto, o enigma em pessoa.

"Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidades eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora".

Fernando Pessoa

E nestas tantas "pessoas de Pessoa", cada poeta,
tenta decifrar o "Enigma", em cada sentir tão próprio,
em cada poesia inspirada, duetando ou glosando,
nesta homenagem do Luna's e Amigos
a Fernando Pessoa nos seus 120 anos!

Abril/2008
Maria Thereza Neves

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Poetas que a festa fizeram, nesta ordem foram chegando: Elisa de Andrade/Lourdinha Biagioni®/Marcos Loures/Marise Ribeiro/Angela Lara/Luli Coutinho/Maria Petronilho/Eme Paiva/Luiz Poeta/Tereza da Praia/Reginaldo Honorio da Silva/Jorge Linhaça/Carlos Assis/Nídia Vargas Potsch/Sandra Lúcia Ceccon Perazzo/Teka Nascimento/Antonio Sanches /Ângela Rodrigues/Sunny Lóra/Sueli do Espírito Santo/Tahyane Rangel/Celito Medeiros/Maria Thereza Neves

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Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.

É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, ao lado de Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Por ter vivido a maior parte de sua juventude na África do Sul, a língua inglesa também possui destaque em sua vida, com Pessoa traduzindo, escrevendo, trabalhando e estudando no idioma. Teve uma vida discreta, em que atuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde se desdobrou em várias outras personalidades conhecidas como heterônimos. A figura enigmática em que se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além do fato de ser o maior autor da heteronímia.

Morreu de problemas hepáticos aos 47 anos na mesma cidade onde nascera, tendo sua última frase sido escrita na língua inglesa, com toda a simplicidade que a liberdade poética sempre lhe concedeu: "I know not what tomorrow will bring... " ("Eu não sei o que o amanhã trará").

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AQUELA... MULHER
Elisa de Andrade
(Inspirada em Isto... - Fernando Pessoa)


Não importa o que digam
E sim tua bela arte
Com criação destarte
E alma, sempre bendigam!

Se é sonho ou realidade
Siga com realeza
Pois sempre é uma beleza
Sonhar com intensidade
Te faz ter a certeza
De estar com a verdade!

E estando nesse meio
Leia como quiser
Sinta como puder
Pois já que você veio
Mostra que és mulher!


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A FERNANDO PESSOA
Lourdinha Biagioni®

Fernando Pessoa,
um mago poeta.
Sensível, recluso,
gênio universal,
Do 'Mar Portuguez'
Ao mundo total.

Uma alma real,
Estrela de Gêmeos:
Dos céus a ilusão,
Palavra imortal.
A Lua em Leão,
Brilho magistral.


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CALEIDOSCÓPIO
Marcos Loures

Facetas de um mosaico tão diverso
Neste caleidoscópio multicor
Renova sua imagem, cada verso,
Do mundo um talentoso refletor.

De toda a magnitude do universo
Um sábio e sem igual observador,
Colhendo cada aspecto mais disperso,
Poeta que se sabe fingidor.

Seguido pelos vates sonhadores,
Rebanhos ele guarda no infinito,
Tocado por mais raros esplendores

Da estrela que surgiu lá em Lisboa
Fazendo da beleza quase um rito,
É multidão em forma de Pessoa...

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QUERO DO POETA
Marise Ribeiro

Quero de ti, Poeta, toda a magia
das métricas, do ritmo, das rimas...
Serei cativa - como a força de um amuleto,
que domina a minh'alma, eu te prometo...
Quero de ti, Poeta,
que a tua voz me venha e me exprima
a beleza e maestria de um soneto.

A quem, poeta, concedes
este dom de genialidade?


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"A obra de arte, fundamentalmente, consiste numa
interpretação objectivada duma impressão subjectiva".

Fernando Pessoa

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FERNANDO...
Angela Lara

Fernando era o vício do momento,
o poetar das convictas intenções
era o que para sempre ficaria
na memória e na real inspiração...

Fernando era vários personagens
todos eles revelando uma face
para muitos de sua imaginação
e cada um era seu próprio disfarce...

Fernando era a voz de sua época
que transcendeu através da história
e hoje vive nas prateleiras diversas
dos homens de bom gosto e memória...


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"Ao passo que a filosofia é estática, a arte é dinâmica;
é mesmo essa a única diferença entre a arte e a filosofia".

Fernando Pessoa

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UM POETA REI!
Luli Coutinho

Por teus ecos me inspirei
No canto ouvindo teu encanto
Declamados cantos de amor

Se por eles me encantei
Mesmo que derramado pranto
Tuas dores e rimas eu gravei

Maturado canto de ti aspirei
Tal pluralidade os teus versos
Cravados em minh'alma cantei

Hoje celebro poemas que amei
Eternizo-os envolto em mantos
Pessoa, Fernando poeta, és rei.

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"Substitui-te sempre a ti-próprio. Tu não és bastante para ti.
Sê sempre imprevenido [?] por ti-próprio.
Acontece-te perante ti-próprio. Que as tuas sensações sejam meros acasos,
aventuras que te acontecem.
Deves ser um universo sem leis para poderes ser superior".

Fernando Pessoa

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SE EU PUDESSE!
Alberto Caeiro & Maria Petronilho

SE EU PUDESSE!
Alberto Caeiro

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria o mais feliz momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dia de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é, e assim seja...

&

SE EU PUDESSE!
Maria Petronilho

Arrastava e afogava nos mares do mundo
As tristezas que infestam as terras
Criadas ou aparecidas para certas coisas

Inauditas como homens-feras
Como feras que são mais certas e meigas
Do que muitos homens senhores patetas
Que pensam que sabedoria requer bibliotecas

Mas persistem de olhos fechados às coisas!

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"Um poema é a projecção de uma ideia em palavras através da emoção.
A emoção não é a base da poesia: é tão-sòmente o meio de que a ideia
se serve para se reduzir a palavras".

Fernando Pessoa

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ISTO & ASSIM
Fernando Pessoa & Eme Paiva

ISTO
Fernando Pessoa

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

&

ASSIM...
Eme Paiva

Aquilo que penso e vivo
nada tem a ver com as palavras,
que estas estão num calhamaço
de folhas vazias de sentido e incruéis...
ou, nas frases brandas
das folhas amarelecidas,
de tintas já sumidas,
onde estão as frases mais velhas!...
Sendo assim,
ou se escondem de mim,
ou me ocultam!...

A essência do que sou
deve estar escrita,
numa língua
que só eu posso traduzir,
Porém esse idioma
eu mesma desconheço.
Sendo assim,
ou sou estrangeira onde vim,
ou me exilam.

De qualquer forma
frases que se elaboram,
são-me tintas muito infiéis...
Não acertam a minha nuance.
Sendo assim,
ou me mostram nua,
ou me borram,
quando tentam me vestir...

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"Deus é um conceito económico. À sua sombra fazem
a sua burocracia metafísica os padres das religiões todas".

Fernando Pessoa

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HETERÔNIMOS DE MIM E DE TI
Luiz Poeta - Luiz Gilberto de Barros

Vendo o Tejo, tua angústia... delicada
Desenhou a solidão da tua aldeia;
Nos teus olhos, o fulgor da lua... cheia
Revelou o barco, o mar... a enseada.

Tu fingiste tua dor... dissimulaste
Os teus tímidos sorrisos, quando a dor
Revelava a face irônica do amor
E exigia o riso vão... que não choraste.

Heterônimo de mim, eu revisito
Cada angústia, cada dor... cada conflito
Dos teus Álvaros, Ricardos e Caeiros

E ao ler teus heterônimos, Pessoa,
Minha alma solidária sobrevoa
Tua alma... percorrendo o mundo inteiro

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"Quem escreve para obter o supérfluo como se escrevesse
para obter o necessário, escreve ainda pior do que se
para obter apenas o necessário escrevesse".

Fernando Pessoa

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CONVERSA COM FERNANDO PESSOA - POBRE FELIZ? FAZE-ME RIR!
Tereza da Praia

"Tenho dó dos pobres. E também tenho dó
Dos ricos".
(Fernando Pessoa - in Escritos biográficos e Reflexão Pessoal)

Ah, meu caro Fernando,
Pessoa da minha estima
Como és tolo.
Riqueza não traz felicidade,
Somente manda buscar
Este é o dito popular.
O rico não é feliz
Porque quer sempre mais,
Anda procurando a paz,
Preocupado com seu sossego;
Vivi morrendo de medo
De que mexam em seu queijo.
Aves de rapina,
Abutres enrustidos.
Olha com olhos de ver, Fernando.
Que tamanha debandada,
Todos eles incomodados
Com os ares de mudança
Que sopra por cá,
Pelas bandas da América latina
Que sempre serviu de latrina
Para os ricos arrogantes.
Fernando, longe de tua aldeia,
A onde a vista, não te avista
Um tempo cruel se homenageia.
Com ares de saudosismo
Dizem que bom tempo foi aquele,
Que a última palavra era deles.
Quando imperava o cinismo
De uma falsa moralidade.
Tudo acontecia outrora
Como acontece agora,
Com o detalhe,
Todos sabiam,
Todos faziam
Mas não comentavam.
Ficava na memória feito entalhe.
Os meios de comunicação de massa
Gozavam da liberdade
De publicar o que os ricos lhes mandavam.
Ah liberdade... Liberdade...
Em seu nome, fizeram tanta barbaridade,
Quanta falsidade, Pessoa...
Todos eles numa boa
Dizendo que pobre é feliz...

&

FRAGMENTO II

"Os pobres são felizes: têm uma ilusão_crêem que o
alfaiate, o ourives, o dono do restaurante caro
são os dispensadores de felicidade".
Fernando Pessoa

Sim. É feliz
Na ignorância que atravanca o país.
Pobre é feliz,
Porque lhe dizem e ele acredita
Que só há impunidade
Que não existe verdade,
Nem remédio, nem solução...
Só se voltarmos ao tempo do império
De preferência retornarmos à escravidão.
Pobre é feliz, Fernando
Porque ignora os mandos
E os desmandos
Dos ricos que o exploram.
Pobre não importa com a pobreza,
Já faz parte de sua sina a tristeza
De querer para si e não ter
E ter para dar à riqueza.
Quem importa com a pobreza é o rico, meu Pessoa.
Dizem eles, a pobreza é poluente
Vamos acabar com esta gente.
Depois, pobreza demais é ameaça
À opulência devassa.
Pobre é feliz
Isto é o que se diz
Porque nele colocam mordaça.
Fragmento III
"Nunca vi homem rico mais feliz que um
pobre." (Fernando Pessoa)
Fernando, grande poeta,
Nada somos, nada seremos,
Mas poderemos querer tudo,
Porque temos todos os sonhos do mundo.
Nesta seleta
De palavras,
Da minha e de tua lavras
Não é a pobreza de pessoas
A que me refiro.
São nações
Que buscam a autonomia,
A auto-determinação
Que não são só futebol,
Carnaval e alegria...
Tango ou petróleo,
Safaris e lutas tribais.
É muito, muito mais.
Não estamos vencidos,
Mas sabemos a verdade,
Estamos lúcidos
Mas não estamos a morrer...
Estamos perplexos
Achamos e não esquecemos
Atiramos a roupa suja que somos
Sem hipocrisia,
no cesto do lixo da existência,
num gesto de nobreza
E nos vemos nus, numa nudez absoluta,
Uma franciscana pobreza
Mas o ideal não morreu.
Não estamos de luto.


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"Quem escreve para obter o supérfluo como se escrevesse
para obter o necessário, escreve ainda pior do
que se para obter apenas o necessário escrevesse".

Fernando Pessoa

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EU, NA SEGUNDA PESSOA
©Reginaldo Honorio da Silva - O Poeta da Estrada

Cá estamos nós – eu comigo mesmo – a sós.
Eu – na segunda pessoa – indignado, indago-me:
Foste no mínimo razoável?
Plausível? Seguro?
Asseguro-te, meu pobre eu,
Que de amor morreste,
Sem, contudo, perguntar-me se era eu,
Se era eu quem te queria magoar,
Ou foste, em teus vastos domínios sobre mim,
Tu, meu malogrado eu,
Despojado de amor próprio,
De orgulho arranhado,
Quem sucumbiste às mortalhas
Do amor tão imortal, quanto imoral?
Se ela a mim não foi capaz de amar,
Foi a ti, quem ela desprezou.
Mas, deixe os dias contar o tempo,
Deixe a lágrima contar a dor,
E não te importunes comigo,
Meu pobre e complicado eu,
Que em ti não há dor maior,
Do que a que em mim doeu.


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"Eu era um poeta impulsionado pela filosofia,
não um filósofo dotado de faculdades poéticas".

Fernando Pessoa

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DE PESSOA PRA PESSOA...
Jorge Linhaça

Ó Pessoa, se me escutas, ouve,
aí de onde fazes teus versos,
a contemplar todo universo,
como um dia na terra te aprouve.

Não há rio como o da tua aldeia,
nem aldeia como a do meu riacho,
concordo contigo, assino abaixo,
se a poesia nos corre nas veias.

Saibas tu, ó mestre, tão relembrado,
que não falta quem de ti se lembre,
lendo teus versos à sombra do alpendre,
ou a escrever sobre o teu legado.

Continuamos a ser fingidores,
mas em tudo dizendo a verdade,
unindo os mitos,à realidade,
como compete a nós, trovadores.

Quem sabe um dia- distante eu espero,
sentemos os dois em uma estrela,
e poetemos, para descrevê-la,
com o nosso fingimento sincero.

Até lá, vou bebendo os teus versos,
e rabiscando as minhas utopias,
unindo o real com as fantasias,
criando assim o meu universo.

E a estrela, da qual te falei,
fica à espera do nosso encontro,
quiça esteja, eu, um dia, pronto
para duetar -te na mesma lei.


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"Nem esta obra, nem as que se lhe seguirão têm nada que ver com quem as escreve. Ele nem concorda com o que nelas vai escrito, nem discorda. Como se lhe fosse ditado, escreve; e, como se lhe fosse ditado por quem fosse amigo, e portanto com razão lhe pedisse para que escrevesse o que ditava, achava interessante - porventura só por amizade - o que, ditado, vai escrevendo".

Fernando Pessoa

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SEMBLANTES
Carlos Assis


Embora tudo o que se pensou
nestes últimos anos gloriosos
não passe de uma fina garoa
perante as tempestades de séculos passados

escrevo pois esta é a função do poeta
dar as mãos o trabalho infindo
nem atrevo a olhar o horizonte
sem imaginar no que existe além

é certo que estou longe do mar
e nem conheço o caminhos dos peixes
mas algo nos chama do inconsciente
talvez seja o sal das horas

se espremermos os limões
todo o gosto na garganta
faz da vida uma viagem errante
faz do homem um tropeço da natureza


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"O artista como artista sente menos do que os outros homens
porque produz ao mesmo tempo que sente,
e nesse caso há uma dualidade de espírito incompatível
com o estar entregue a um sentimento".

Fernando Pessoa

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FERNANDO PESSOA!
Nídia Vargas Potsch

"Sua história poderia se resumir
ao trânsito entre a irrealidade de
sua vida cotidiana e a realidade de suas ficções"...
Nos diz Octávio Paz em Mensagem,
com o que concordo plenamente.
Seu nome, Fernando Pessoa, já diz tudo:
persona é o mesmo que Máscara!
Poeta multifacetado,
Pessoa, nos transporta,
além da imaginação,
passeando do céu ao inferno
em questões de segundos ...
Nos embriaga no vício da leitura
de seus textos, nos motiva e através dela,
seu poetar magnífico, afortunado, vivaz,
suas criações consagradas e surpreendentes,
nos encantam a cada virar de página ...
Ao Mestre nossas homenagens!

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"Quer pouco: terás tudo.
Quer nada: serás livre".

Ricardo Reis

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SINTO ISSO E FALO AQUILO
Sandra Lúcia Ceccon Perazzo
(inspirada no poema "ISTO" de Fernando Pessoa)


As vezes sou um só coração...
Meus pensamentos e minhas emoções
têm apenas uma direção
Outras vezes sou muitos corações

Ardo em contradição
Ando no chão da inocência
Levito no céu da malícia
Sou tudo que percorro, ainda que na contra-mão

Todos os meus sentimentos se iluminam
Sinto isso, falo aquilo; sinto aquilo, falo isso
São todos os meus corações que palpitam
na alma que permaneço

Reconheço-me apenas quando escrevo
Permito que brote em mim
os horizontes que morro
os poentes que renasço

Grafitando comovida
sou uma alma com muitos corações
que escuta e canta todas as canções
escaladas em papiros da vida

Sem qualquer mentira
com ou sem imaginação
sou sol de um novo dia
sou também noite fria

Sou isso, sou aquilo
Sou devaneio
Sou curva para chegar na reta
Sou apenas um coração poeta!


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"Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar.
Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?".

Fernando Pessoa

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GLOSANDO FERNANDO PESSOA
Teka Nascimento

"O Essencial da arte é exprimir;
o que se exprime não interessa".
Fernando Pessoa

MOTE:

Se eu te pudesse dizer
O que nunca te direi,
Tu terias que entender
Aquilo que nem eu sei.

Seu eu te pudesse dizer
o quanto te amo
Te daria grande prazer
e viverias nesse encanto.

Mas amar é meu segredo
O que nunca te direi
Pois sinto muito medo
E sei que te perderei.

Se soubesse compreender
O tamanho desse amor
Tu terias que entender
Que so quero seu calor.

Assim sigo meu caminhar
Te amando sem lei
E sempre a me perguntar
Aquilo que nem eu sei.


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"Se alguma vez sou coerente,
é apenas como incoerência saída da incoerência".

Fernando Pessoa

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FERNANDO PESSOA
Antonio Sanches

Pouco sei do Pessoa
e sobre a pessoa do Pessoa
sei aquilo que todos sabemos.
Sendo só uma pessoa
tem heterónimos que todos lemos
sendo cada um muito lógico
com todo um quadro psicológico
como nós todos temos.
Cada um é uma vivência
um estilo diferente
dotado da eficiência
de quem é mesmo gente.
Fingidor por ser poeta
solitário por choque social
na sua figura bem reta
da solidão fez festival.

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"Todos os meus escritos ficaram inacabados;
sempre novos pensamentos se interpunham,
associações de idéias extraordinárias e inexcluíveis, de término infinito".

Fernando Pessoa

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VERSOS TORTOS
Ângela Rodrigues
(Inspirado "Poema em Linha Reta - Álvaro de Campos")


Estou cansada de heroínas,
Mulheres que sabem e podem tudo.

Logo eu, tão cheia de defeitos,
Construída de pedaços desfeitos.
Tantas vezes sem respostas,
Perdida entre escolhas e apostas.

Todas as mulheres que conheço são auto-suficientes
Atletas, politicamente corretas, inteligentes.
Nenhuma admite gostar de bobagens,
Ficar horas sem fazer nada, pura inutilidade,
Todas são bem educadas e não falam de sacanagem.
Onde fico, se tem dias que só quero falar de futilidades,
Não estou nem ai para política, ciência, filosofia?
Quero é olhar a lua, namorar e rir um pouco da hipocrisia.

Todas as mulheres do século vinte e um
Detestam a Amélia, falam mal de suas escolhas.
Não conheço nenhuma que confesse gostar de cozinhar
E se confessar é apenas por hobbie, para “desestressar”.

Ah como eu queria encontrar uma, uma mulher que fosse,
Que confessasse que gosta de fazer tarefas domésticas,
Mesmo sendo livre e emancipada,
Que dissesse sem medo ou vergonha,
Que adora ficar em casa sem fazer nada,
Que sai na rua sem maquiagem,
Que já teve medo e sofreu por amor...

Estou cansada dessa geração saúde...
Quero poder viver sem medo de morrer
E ser tudo ou nada, mas ser autenticamente feliz
Mesmo que isso signifique fazer o que nunca fiz!

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"O Caráter da minha mente é tal que odeio os começos e os fins das coisas,
porque são pontos definidos".

Fernando Pessoa

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POEMA PARA A CHUVA
Sunny Lóra
(Relembrando Fernando Pessoa em
"Cai chuva do céu cinzento")


Vem, chuva,
Coloca o cheiro do pó
Dos pastos de minha terra
Traze-o para dentro da alma
Deixa-o grudado aqui
Até a eternidade...
Fica, chuva,

No meu pensamento triste.

Vem, chuva,

Traze o farfalhar das folhas
Roladas vadiamente, multicores,
Ao sabor do vento ameno
Que me achega em harmonia
Ao clamor das flores
Que pedem tua bênção...
Fica, chuva de saudade cinza
Traze-me de novo a alegria.

Vem, chuva, vagueia em minha vida
Ao comando do destino,
À espera do próximo passo...


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"Que este processo de fazer arte cause estranheza, não admira;
o que admira é que haja cousa alguma que não cause estranheza".

Fernando Pessoa

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FERNANDO PESSOA
Sueli do Espírito Santo

 

Com tanta beleza em cada verso
ele ainda encanta todo o universo
o grande poeta, Fernando Pessoa
com toda sua inspiração e fantasia
transporta-nos ao mundo da poesia
onde a nossa alma ganha asas e voa


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"Desejo ser um criador de mitos, que é o mistério mais alto
que pode obrar alguém da humanidade".

Fernando Pessoa

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IMORTAL POETA
Tahyane Rangel

Em algum lugar do universo
agora mora, feliz, o poeta.
Que canta de lá seus versos
e acena com brilhos de estrelas.
Ele sabe que é eterno, ele sabe...
que ficou em muitos corações
Ele sabe que é inesquecível...
E hoje sentindo o pleno amor
ele tem esta certeza!


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"A maioria pensa com a sensibilidade,
eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar,
sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim,
pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar".

Fernando Pessoa

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O PLURAL POETA

Celito Medeiros

AO vasto legado de Fernando Pessoa
A magistral ruptura explícita e nua
Num tempo que sempre passa e voa
Até pelos ares se ao encalço da lua

Fustigou o pranto tocando a alma
Arrebatou as palavras para lutar
Segurando uma pena na sua palma
Como a doce e calma onda do mar

Sem estardalhaço costurou o verso
Disparando torpedos de pura magia
Pelas palavras de um réu confesso

Dos poemas sem mensagem tardia
Lacrou o sentimento bem expresso
Do plural poeta com tanta ousadia


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"A uma arte assim cosmopolita, assim universal,
assim sintética, é evidente que nenhuma disciplina pode ser imposta,
que não a de sentir tudo de todas as maneiras, de sintetizar tudo,
de se esforçar por de tal modo expressar-se que dentro de uma antologia
de arte sensacionista esteja tudo quanto de essencial produziram o Egipto, a Grécia, Roma, a Renascença e a nossa época. A arte, em vez de ter regras como as artes do passado,
passa a ter só uma regra - ser a síntese de tudo. Que cada um de nós multiplique a sua personalidade por todas as outras personalidades".

Fernando Pessoa

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SONETO A FERNANDO PESSOA
Maria Thereza Neves

Eterno "enigma" acordando sonhos,
Ao desdobrar em tantas "pessoas",
Deslumbra tantas almas, tantos anos,
Marcando passos ,píncaros e glórias.

Pensa se perder e se perde na dor do Ser
Deixa-se o Poeta nas sombras ruir,
Poesia das mãos fugir sem querer,
Tudo aos olhos, das entranhas fluir.


Sonetos em noturnos, horas indecisas,
Verdadeiros prelúdios,hinos da mente,
Entre ilhas mortas,nostalgias e brisas.

Cada poesia, verso. um oceano de estrelas,
Perdido ,exilado nas estradas do UniVerso,
Renasce conquistas, mágicas lembranças.


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"A única realidade da vida é a sensação.
A única realidade em arte é a consciência da sensação".

Fernando Pessoa

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Edição e pesquisas: Maria Thereza Neves
Imagem: Celito Medeiros

Música: Fascination (parte)

Abril  de 2008

 

 
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