Aconteceu Luna's
Mestres - Espaço - Grandes Escritores
 
 
 
Apresentação
 
O escritor, poeta Plínio Sgarbi, tão conhecido nosso
faz uma bela e perfeita analise entre Mestres, Espaços e Grandes Escritores,
vamos aproveitar, com ele raciocinar, adentrar, poetar.
Com o Bolero de Ravel, viajaremos nesta caravana...
É preciso caminhar cada vez mais e mais abrindo espaços para cultura.

Fevereiro de 2008
Maria Thereza Neves


MESTRES
- ESPAÇO - GRANDES ESCRITORES
 

Tem muitos escritores e poetas que escreveram e que escrevem muito bem e cada qual com o seu jeito e estilo literário. Alguns convencionados e cultuados como Mestres e outros classificados como Grandes Escritores. Percebe-se que vez ou outra, Mestres e Grandes Escritores-Poetas são colocados no mesmo pedestal da grandeza, conceituados como Sábios. Mas, como leitor possuidor de modestos conhecimentos e conteúdo literário, creio que há um espaço entre os considerados Mestres e os classificados como Grandes Escritores.


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CONTRASTE
Delasnieve Daspet

Que contraste do ontem.
Cadê a luz e a brisa
do teu sorriso?
Cadê?!

A tua ausência
Assemelha-se ao tempo.
O céu cobre-se de nuvens plúmbeas e pesadas.
Grossas gotas de chuva tamboliram
Nas vidraças das janelas.
O cerrado todo coberto de uma névoa
De cerração...

Me eras tão caro!
E fostes embora num brilhante raio de sol...
No dia da tua partida -
Nada parou!

O céu anilou-se brilhante,
A brisa doce e suave batia nos eucaliptos
Perfumando a tarde...

A mata sussurrava cantos de alegria;
Flores se abriram -
Todas as cores dispostas na eternidade
Do momento...

Pássaros - soltavam seus trinados
Anunciando que a vida segue!
O rio - rumando manso e sereno para seu
Destino - o mar...

Depois de um longo silêncio -
Chegara o fim!
E a calma infinita espalhou-se..

Enquanto o vento batia docemente,
Senti-me livre, protegida, enfim...
Finalmente - completamente só -
Cheguei à mim!

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Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (20/08/1889 - 10/04/1985) tem uma frase muita sábia: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina". É curioso notar que a poeta de Vila Boa de Goiás não diz ensina o que sabe, mas, sim, transfere. Quem transfere o que sabe não está preocupado em dar lições, mas em partilhar. Pessoas assim não fazem questão de ser admiradas, fazem questão de ser úteis. Ao transferir o que sabem, elas não estão impondo suas crenças, seus métodos e seus valores aos demais. Os que transferem o que sabem reconhecem e respeitam esse direito, pois entendem que nenhum conhecimento pode ser verdadeiramente assimilado e colocado em prática sem antes ser digerido e elaborado por aquele que o recebe.

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O QUE É SER POETA?
Sá de Freitas

Deus- ao poeta - deu a primazia
De - sem ter asas - percorrer o Espaço -;
De semear belezas, passo a passo,
No caminho encantado da poesia.

Deu-lhe a missão para trazer confiança
Á humanidade, em horas de incerteza;
De trazer alegria onde há tristeza
E de expandir a paz e a esperança.

Mesmo sentindo a dor n'alma ferida,
E a própria força, às vezes, combalida,
Enxuga o pranto e - a rir - se manifesta...

Se assim não proceder ele não vê,
Motivo algum para escrever, porque,
Tudo ele pode ser...  menos poeta.

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Minha consideração de GRANDE é onde a minha "leitura" se identifica um tanto mais com o saber e experiência de vida que alguns Grandes escritores transferem para / aos seus leitores. Na prática, para mim, a forma de captar as expressões sensíveis dos elementos que circulam pelo exterior e interior, significando assim uma certa identificação de leitura das variedades dos instantes, das experiências e das expectativas de vida que alguns Grandes escritores transferem para os seus textos.

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EM TODO AQUELE INVERNO
Abilio Terra Junior

em todo aquele inverno
a surpreendi tantas vezes
naquele sonâmbulo mundo
de uma constrangedora magia

que me deixei seduzir
pelo âmbar que transluzia
dos seus passos que seguiam
a ardência da noite preciosa

que impenetrável mistério
a encobria como um invólucro
e nunca me permitia
sorvê-la em seu instante íntimo

ela assim me envolvia
ao sorrir como uma donzela
se abrir à minha pele
mostrar seus crespos pêlos

e sua pele luzidia
brilhava à luz das estrelas
e suas unhas roçavam
meus cabelos cacheados

ela me protegia do frio
com seus longos cabelos negros
me enrodilhava em suas pernas
serenas em seus doces odores

se dizia minha amante
me conservava errante
ao demonstrar o recato
com que cerrava seus olhos

em seu mundo tão distante
ela assim permaneceu
tão diverso do meu

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Sou mais os GRANDES escritores da simplicidade ou até pureza de Quintana e Bandeira; dos amores de Cecília Meireles; de certos versos cruéis de Lygia Fagundes Telles; do Sacarmos de Paulo Leminski; das sombras curitibanas de Dalton Trevisan; da doce naturalidade de Cora Coralina... do que os MESTRES de alguns "tons" melancólicos ao estilo Pessoa ou da exploração das dores-carências das intencionalidades suicidas ao jeito Espanca.

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A ES FINGE MENTE
Sônia Maria Grillo (Baby®)

O poeta que fin ge
quase sempre é bom ator
o poeta que men te
o faz sem o menor pudor

se acha no direito
(e o tem com certeza)
de tornar imperfeito
o perfeito de rara beleza!

Para o poeta fingidor
a vida é utópica, mera ilusão
e sente prazer em dizer que é dor
o amor que carrega no coração

por isso, fin ge e men te
mas diz que é obra do acaso
e se considera descarada mente
vítima de imerecido descaso

forjando realidades
se faz passar por alienado
pois, se mostrar suas verdades
será fatalmente desmascarado!

Surgiria então o ser comum,
revestido de sua fraqueza
mas em momento algum
se deixaria mostrar com clareza

pois estaria em controvérsia
com sua atuação nos palcos da vida
assim o poeta fingidor, sem modéstia
continua mentindo de forma atrevida...

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Enfim... Cada qual com o seu gosto e preferência literária. Mas considero alguns Grandes Escritores, um tanto mais realistas e objetivos do que alguns Mestres. Origens Lessa, em seu O Feijão e o Sonho, disse que: "num país de analfabetos, a poesia é uma atividade sem qualquer compensação financeira".  Poucos escritores brasileiros gozaram e viveram apenas da compensação financeira de suas obras. Não sou nenhum crítico literário e nem tenho conhecimentos e competência para a crítica, mas as vezes, ao ler alguma página no meio de um livro de escritores considerados Mestres, custa-me a aceitar se foi mesmo tal mestre que escreveu tal página.

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ESCOLHA-ME
Carlos Assis

O mundo é uma multidão
Pernas,braços,rostos
Tudo indiferente
Relógios digitais
Muros de trepadeiras grafite

Olhos mergulhados na fumaça
Sorrisos ensaiados
Roupas com pouca luz
Bijuterias discretas
Vozes graves e roucas

O asfalto em qualquer lugar
A cidade prisão
O cinza sobre cinza
Prédios altos,
Ruas escuras

Carros de vidros fechados
Muros com cercas elétricas
Ilusões perdidas no meio-fio
Cartazes despedaçados
Latas de lixo jogadas
 
Estações gigantescas
Escadas rolantes que não param
Cancelas automáticas
Portas dissimuladas nas paredes
A tecnologia vigiando a todos

O tédio é o senhor da humanidade
Deixa o violência imperar
Nas madrugadas frias
Enquanto prostitutas desfilam nos bares
Sem-tetos dormem embaixo de viadutos  

Deixo o amor morrer
O prazer acaba
Cedo ou tarde 
Meu coração tem apetite por você
Mas uma flor dura apenas um verão

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Talvez, aqueles poucos escritores que viviam dos rendimentos e da compensação financeira de seus escritos, embalados pelos compromissos de prazos das editoras, se deram ao "luxo" de escreverem tais páginas, que para mim, foge do "culto" a imagem de Mestre.

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UMBIGO NO CÉU*
Rosangela Aliberti

Quando leio determinadas linhas
Que não dizem coisa com coisa
Não sou eu quem atesta a CONFUSÃO
A recusa em pôr os pés na realidade
Está no interior das frases,
É a NEGAÇÃO

Sereias com pele e escamas
Concatenam fantasias
No oceano que é um jardim de corais
Contracenando com falsos escafandristas
Letras podem rimar com alegria...
Entre o nada para com o nada
Não nego, existe a ação
De um par de pensamentos estampados
Em estado de PERTURBAÇÃO

O que diverge do amor (real)
Dentro do próprio aquário...?

Onde se há liberdade
Não há a obstrução de caminhos
Borboletas jamais terão pétalas
Orquídeas nunca terão asas
Rosas sempre terão espinhos...

A Paixão Exacerbada é narcísica*
Manifesto doentio da mais pura ilusão
Pergunto: - Se a sombra (mal) criada
Não se encontra na idealização do ser
Consigo mesmo... rodando em círculos.

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Há um certo culto e convenções para a consideração de Mestres e de classificações a imortais como muitos que se iluminam nas brasas das fogueiras das "comerciais" vaidades que há na ABL.

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É APENAS UM LOUCO
Regina Romeiro

Quatro janelas, quatro cortinas
E o poeta com suas cismas
Tecidos leves do teto ao chão
Os devaneios e grandes vãos

Tecendo rimas no entre panos
Vislumbra  noivas  nos cortinados
As da direita sempre compostas  
Aceitam encargos e posição

As da esquerda aceitam o vento
No chamamento proclamam e investem
Vestem intempéries enfrentam o tempo
Avançam a rua e se fazem em dobras

Das noivas o mundo entende
Mas dos  ventos nem tanto
O poeta ensimesmado ausculta corações
Das noivas e dos ventos

Mas perde a razão
De medicina não entende
Das noivas e dos  ventos tão pouco
O poeta é apenas um louco

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Enfim... Admiro e considero alguns GRANDES Escritores, e, caetaneando: ... a língua de Camões, dores e furtem cores como camaleões, do Pessoa na pessoa. Gosto mais É de sentir minha língua (leitura) roçar na língua (linguagem livre contemporânea poética objetiva simplistas enigmáticas e realistas) das obras dos Grandes Escritores.

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FORA DA ESTRADA COMUM
João de Abreu Borges

Caminho fora da estrada comum
Rompi o elo
entre um estalo e um trovão

Aqui,
meu nome é vento
e tudo passa por mim quando quero
do jeito que deve passar
aquele que sonha com um pó que cai do céu.

Caminho fora da estrada comum,
naturalmente.

O chão é do barro das telhas
que protege as nuvens
de nossos estúpidos pensamentos

Caminho fora da estrada comum,
onde os lençóis d'água não nos cobre de vergonha
e o medo é nenhum
nenhuma é a mágoa
é apenas o veio contínuo
de uma estrada fora do comum.

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Creio que o vocativo sincero da poesia não só está no papel, também está nas variadas formas de expressões artísticas, como numa tela; numa canção; na performance da bailarina; no triste sorriso do palhaço de circo; nos gestos do ator de teatro...

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SEM PRESSA...
Olga Matos

O passado subiu embevecido
pelo fio de uma melodia ,
escapuliu-lhe uma nota triste.
e caiu num olhar sem brilho..

Inocente debatia-se na retina
desejava renascer sem mágoa,
tanto fez, que virou lágrima...

Pobre passado, acamado
sopra uma dor muda
e o presente sem remédio,
remediado está,
se escondendo do futuro,
andando devagar...
passo a passo
sem pressa de chegar...

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Poesia está também na vida. Nesse mundo individualista e competitivo, dos porquês é assim e dos porquês tornou-se assim, poderia dizer que a vida é um Poema. E, da sobrevivência, o que fazemos e o que deixamos de fazer, as ações e atitudes do "individual", das máscaras que se usam, das aparências, dos gêneros e personagens que se representam, são manifestações poéticas / poesias do viver.

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VIDAS SECAS
Marcos Sergio T. Lopes

Vai por aí, passageiros da agonia
De barriga vazia
Dor sem ter jeito de afogar.
Errantes de terras ressequidas
Vida maldita
Largada e largada.
Doente... Sem jeito
Castiga seu corpo diante do que não consome.
Tenta e nada consegue
A vida lhes nega um naco sequer.
Alma se torna fria
Nos turvos dias de inanição.
Olhos parados
Lábios calados agora... Cansados de implorar.
Onde foi que se perdeu o entusiasmo
E naufragou nesse marasmo sem fim?!
Morte que cerceia a cada dia
Feito abutre esperando o momento chegar.
Secou as lágrimas diante desse extermínio.
E a alma?
Essa ficou esquecida num canto
Debatendo-se incessantemente.
Nada muda
E a vida indiferente
Apenas derrama seu olhar insistente
Diante da carcaça ambulante
Que insiste e persiste em sua caminhada.
Longa estrada... Íngreme!
Pesadelos insistentes pela barriga vazia.
Fecham-se os olhos
Enquanto norteia essa teia fantasmagórica.
Que fazer?
Se mesmo a morte já lhes virou as costas!
Padecer sem escolhas... Sem nada
Até o momento que a vida se encha de pena
Abra a porta e deixe a morte dar-lhe seu derradeiro beijo.
Por enquanto, os restos mortais cambaleiam
Cálido! Sem nada!

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Mas, creio que o interior do ser "individual" tem consciência do que realmente SÃO e ESTÃO. Resta cada Ser conhecer seus limites e até aonde pode ou poderão chegar. Do frustrado ao vitorioso... do melancólico ao romântico... do culto a dor e do sofrimento ou ao culto da harmonia e da felicidade... da servidão e prisão as crenças ou a liberdade das curiosidades e seus questionamentos... do apego a falsidade e manejo de suas mentiras ou a prática da sinceridade e também da conduta das duras verdades... da aproximação, amparo e apoio ou da distância, arrogância e desconsideração... dos passos maiores do que as pernas ou da medida certa dos cumprimentos do aperto de mãos... Cada um é que colocará o tempero, tom e o ritmo na poesia do seu viver poema Vida.

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POESIA E TORMENTO
Fanny

Como arrancar esta dolente emoção...
sentimento magoado, espezinhado de dor?
Como alinhar as veredas perdidas do coração,
labirintos infindos de amargura, sem amor?

Versos tristes brotam na poesia do tormento,
sonhos apodrecidos na penumbra do sentir...
Cinzas de mim tresmalhadas ao vento,
fragmentos de estrelas, num lento aluir.

As estrofes desencontram-se do sonho,
empalidecem pelo caminho, vazias...
Pedaços de alma no chão que não reponho.

Perderam-se os sorrisos lunares, magia
dócil das madrugadas sussurrantes...
A música cala-se, embriaga-se em agonia!

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Aninha e suas pedras (Cora Coralina, Aninha da Ponte da Lapa)
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas
Recria tua vida, sempre, sempre
Remove pedras e planta roseiras e faz doces
Recomeça
Faz de tua vida mesquinha
um poema
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir
Esta fonte é para uso de todos os sedentos
Toma a tua parte
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede

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UM SORRISO
Belvedere

Sucede que não posso viver em paz
porque vivo e convivo com crianças
que, eu sei, dormem com fome.

Thiago de Mello - Mormaço na floresta

Lembro da menina
e do seu sorriso,
tristemente atado.

Terá algum dia,
sentido o prazer
dos risos incontidos?

Panelas vazias,
doenças grassando,
e os olhos dela
em interrogação.

Por que sorriria,
vivendo uma vida
tão sem amanhã?

Ave-Maria,Pai-Nosso,
Salve-Rainha...
Desatem o seu sorriso!

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Há escritores que possuem a excelência natural das letras que fluem aos sentidos do leitor e que fincam como uma cárie nos dentes das engrenagens dessa linha de montagem das aparências das realidades do "viver".

Tudo daquilo num todo, total num tal. Um quilo de sonhos, um pouco de sal...

Aos Grandes Escritores, minha admiração.

Plínio Sgarbi
Publicado no Recanto das Letras em 25/11/2007

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(A parada é dura, mas vamos lá...
InvidiDUALIDADE, não coletivIDADE!
Bom que de repente descubram
os vestígios de Gulliver!...  CM)


AJUDA NÃO SE REALIZA COM SUBMISSÃO
Celito Medeiros

Precisamos cuidar deste nosso Planeta
Depois de saber cuidar de nós mesmos
Cenários são construídos na ampulheta
O saber é que não nos deixará a esmos

Muitos que escrevem ou ficam assombrados
Estufam o peito sobre versões do ambiente
Mas quem seriam os principais interessados
Colocar dados falsos para toda esta gente?

Um assunto importante que a todos contagia
Acolá nevando como não acontecia há 100 anos
Onde estaria o aquecimento global neste dia?

Estão planejando enganar em atos profanos?
Deixam fora importâncias dentro da ecologia!
Submissão como ajuda e entrarmos pelos canos?


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Seria aconselhável, por exemplo, que nas escolas existisse desde as primeiras séries do Ensino Fundamental, quem sabe até mesmo antes disso, ainda na Educação Infantil, um espaço exclusivo para se ensinar respeito, dedicação, apreço e até mesmo amor pela natureza. O que é, para que serve, quais são as variedades e espécies, o que podemos fazer para preservar e tantas outras questões teriam que ser parte do currículo escolar desde a mais tenra idade.

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A_MANDO O UNIVERSO
Francisco Coimbra

reza pela pureza

a melhor bebida
é água pura
e nada melhor
que respirar
o ar e encher
o peito a_mando
o Universo


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Somente dessa forma seríamos capazes de inculcar em nossas crianças e jovens as lições necessárias de preservação do meio ambiente. Lições que ainda não aprendemos bem e em relação às quais temos que fazer constantemente as lições de casa.

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GRITO DE ALERTA
Lisieux

O mundo continua definhando,
dia a dia se esvaem sofrimento:
é guerra, é fome, é  o desmatamento
que aos poucos o planeta vai minando.

E nós, "humanos", nunca que percebemos
esse clamor do Planeta, agonizante?
Não vemos que matamos, todo instante,
o mundo que, de graça, recebemos?

Tomara percebamos, sem demora,
que a natureza sofre, que ela chora
e nós vamos seguindo, sem notar...

Tenhamos consciência de que a vida 
depende da Mãe Terra, tão ferida
e temos que o Planeta preservar.


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Apagar as luzes em ambientes em que não há ninguém, não deixar eletrodomésticos ligados sem necessidade, consertar os vazamentos das torneiras de nossas casas, separar o lixo reaproveitável para as usinas de reciclagem, usar com mais freqüência à luz solar ao invés da luz elétrica, jogar o lixo na lata de lixo, desligar as torneiras enquanto se ensaboa o corpo ou escova os dentes e tantas outras medidas de racionalização relativas aos hábitos do cotidiano são os deveres de todo e qualquer cidadão que tiver um mínimo de consciência.

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AH! OS RELÓGIOS - Mário Quintana & Maria Thereza Neves


AH! OS RELÓGIOS
Mário Quintana

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

&

AH! OS RELÓGIOS

Maria Thereza Neves

Não,  não consultem por favor,
Vou esquecendo as horas perdidas,
Seguindo meu destino, seja ele onde for,
Acordando sonhos, recordações vividas.

O tempo andou morrendo apressado.
Saio de mim esquecida na poesia.
Não apaguem o momento passado
São diários passos do dia a dia.

Nada tenho a temer, parto inteira,
Sem tristezas, sem cronômetros,
Nova vida a viver mesmo nas beiras.

O espanto dos calados,surdos relógios ,
Abrem sorrisos nas estrelas, na lua ,
E das portas sem mais pedágios!!


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Edição: Maria Thereza Neves
Música: Bolero de Ravel

Fevereiro de 2008
 

 
 
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