Aconteceu no Lunas
Machado de Assis
(21/06/1839 - 29/09/1908)
 
Frase final de Memórias Póstumas de Brás Cubas,1881:

Não tive filhos não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria
.
 
Machado de Assis

 

 
 

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de Junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 1908), escritor carioca, brasileiro. Considerado o pai do realismo no Brasil, escreveu Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba e vários livros de contos, entre eles, Papéis Avulsos, no qual se encontra o conto O Alienista, no qual discute a loucura. Também escreveu poesia e foi um ativo crítico literário, além de ser um dos criadores da crônica no país. Foi o fundador da Academia Brasileira de Letras.

 

*******

Apresentação

 
O Centenário está chegando,
 setembro de 2008 já vem ai...
 
junto a vários poetas do grupo Lunas,
vamos começar a comemorar,
não poderia em branco passar...
 
Sua obra prima imortal a nos legou,
relíquia guardada em santuário.
Seu olhar sorrindo na alma tudo gravou!
 
Poeta, Jornalista, Cronista, Ator...
Membro da cadeira 23 da Brasileira de Letras
Abraçou a cultura com amor
muitos sonetos, poesias, contos,romances...
 
Este momento dedicamos a você Machado de Assis! 
 
Suas palavras abriram mundos
do romantismo das  "Crisálidas" e "Falenas"
passando pelo Indianismo em" Americanas ",
 o parnasianismo em "Ocidentais "
 coletâneas de "Contos fluminenses "
 "Histórias da meia-noite " e os romances "Ressurreição."
 
Sua mente não descansava jamais
Sua alma fugia, escapava pelas mãos...
e mais e mais escrevia, não dava para fugir do destino...
como "A mão e a luva" , "Helena " e "Iaiá Garcia",
considerados como pertencentes ao seu período romântico.
 
Tantos outros rumos tomou
 que fogem a qualquer denominação de escola literária 
o tornaram o escritor maior das letras brasileiras
e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa.
 
100 Anos de Esaú e Jacó,
seu penúltimo romance, reflete com maestria sua ambígua posição política.
 
Sobre muitos poetas escreveu, deliciosos sonetos...
vários a Camões, amigos com uma simplicidade
como estivesse conversando  janela a janela...
 
A eles, a humanidade deve estar ainda escrevendo
tão além do horizonte, das estrelas,
tão perto, tão vivo ainda em nos!
 
Setembro de 2007
 
Maria Thereza Neves
 
*****
Poetas que compareceram:
 

Maria Thereza Neves/Delasnieve Daspet/ Arneyde T. Marcheschi/Lourdinha Biagioni /Andrea Motta/Angela Lara/Celito Medeiros /Diógenes Davanzo/Fernanda Guimarães/ Gustavo Dourado/Helena Armond/Iracema Zanetti/Jane Lagares/Leda Galvão/Líria Porto/Lisieux/Carvalho Branco/Marineide Miranda/Marisa Cajado/Moacir Índio da Costa Jr.

 
**********
 
Muito bom ter neste espaço  a Maria Thereza Neves, já que este espaço fora criado para ela quando da sua criação.
Águas  rolaram, TT foi navegar noutros mares, e,   hoje retorna no recanto que sempre  teve a sua marca.
Uma vez por mês - ou com algum especial - sempre com temas de sua escolha - ela fará o o Aconteceu no Luna's.
Neli Neto - amiga, parceira,  nossa  designer que segurou até hoje a  página  nosso obrigado , e, valeu ter tua ajuda  e  pesquisa!
Obrigada  a todos  os  participantes.
Os critérios desta página são  os   adotados no Grupo Luna&Amigos.
 
Delasnieve  Daspet
Luna&Amigos
 
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Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.

 
Machado de Assis
 
*********
 
RELÍQUIA ÍNTIMA
Machado de Assis  &  Maria Thereza Neves
 
RELÍQUIA ÍNTIMA

Ilustríssimo, caro e velho amigo,
Saberás que, por um motivo urgente,
Na quinta-feira, nove do corrente,
Preciso muito de falar contigo.

E aproveitando o portador te digo,
Que nessa ocasião terás presente,
A esperada gravura de patente
Em que o Dante regressa do Inimigo.

Manda-me pois dizer pelo bombeiro
Se às três e meia te acharás postado
Junto à porta do Garnier livreiro:

Senão, escolhe outro lugar azado;
Mas dá logo a resposta ao mensageiro,
E continua a crer no teu Machado.
 
Machado de Assis
 
&
RELÍQUIA ÍNTIMA
 
Prezado Machado de Assis ,Poeta Imortal,
Mesmo sendo uma simples poetisa mortal,
Ouso contigo tentar marcar um encontro.
Espero, não faças pouco,  chegue  pronto.
 
Sendo V. Ex.a nossa Relíquia das Letras,
Marcamos comemoração do teu centenário.
Sei que estamos muito adiantados, outras
E muitas ... terás um grande itinerário.
 
 Poetas, autoridades na terra se unirão!
Haverá um sarau com poesias e melodias,
Por favor,  não nos falte nesta ocasião.
 
Aguardando urgente resposta das tuas mãos,
Ou do secretário, envio meu apreço e admiração,
Estendendo o convite ao universo e toda nação!
 
Setembro de 2007
Maria Thereza Neves
 
*********

BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis
 
*********
 
No Espelho.
Delasnieve Daspet

Contemplo no  espelho
Cada marca do tempo
Em minha face.

A pele de cetim
Da jovenzinha
Já se encontra em fase outonal.

E de repente
Vem a tona  a vaidade escondida
Na fantasia de que a velhice
Não  me afligiria...

Mas não vou chorar cada ruga derramada!
Sou e serei sempre uma gaivota
Descobrindo novos horizontes
No além mar.

Olho esta imagem de mulher
Que devolve um sério olhar.
Um olhar pleno,
Sem medo de ser ou de fazer feliz,
Pronta para reviver a chama do amor.

No  reflexo do espelho,
Em cada pedaço,
Vejo um ser inteiro.
É assim.
Em cada canto um pouco de fel,
Das cruzes passadas.

Em cada estilhaço
Glórias, desistências.
Perdas e recomeços,
Todos temos em nosso passado
Histórias de fugas...

No espelho, desnuda observo
Um rio esperanças que me olha,
Preciso apenas estar desperta,
Com a janela d'alma aberta.
Eis que tudo acaba e começa
Pelo amor.
 
*********
 
CAMÕES I

Tu quem és? Sou O século que passa.
Quem somos nós? A multidão fremente.
Que cantamos? A glória resplendente.
De quem? De quem mais soube a força e a graça.

Que cantou ele? A vossa mesma raça.
De que modo? Na lira alta e potente.
A quem amou? A sua forte gente.
Que lhe deram? Penúria, ermo, desgraça.

Nobremente sofreu? Como homem forte.
Esta imensa oblação?... É-lhe devida.
Paga?... Paga-lhe toda a adversa sorte.

Chama-se a isto? A glória apetecida.
Nós, que o cantamos?... Volvereis à morte.
Ele, que é morto?... Vive a eterna vida.

Machado de Assis
 
*********
 
Viver
Arneyde T. Marcheschi


Viver é sentir a alegria
do amor no coração do poeta,
é saciar a sede nos seus lábios,
é poder sorrir com você.

Viver é ter a felicidade
nos meus olhos,
olhando os seus...
Viver é aprender a ver
no arco-íris a beleza das
cores e seus matizes.

Viver é comungar
os mesmos pensamentos
os mesmos defeitos,
as mesmas virtudes
é aceitar-se, simplesmente,
e sorrir a todo momento.

Viver é agradecer a beleza
de poder viver este amor
que hoje sei que existe...
Que está dentro de você....
que está dentro de  mim...
Só à espera de um sinal meu,
para se achegar

Então  venha amor,
Por que esperar mais?
Por que viver de ilusões?
Se posso viver a realidade
e ser feliz ao lado seu!
 
*********
 

Guarda estes versos que escrevi chorando como um alívio aminha saudade, como um dever do meu amor; e quando houver em ti um eco de saudade, beija estes versos que escrevi chorando.

 
Machado de Assis
 
*********
Saudade
Lourdinha Biagioni


Ausência suplicante,
ponta de flecha
retesada no peito.
Lembrança ardente,
vestígios
do bem distante.
Cura ou alento
somente na semente
do vento.
Memória pungente,
segredo fecundo,
debruça do passado
ao presente.

*********
 
Fases de sua Vida
 

É comum dividir a sua obra em duas fases: a primeira, marcada pela influência do Romantismo; e a segunda, definida por sua virada para o Realismo. Machado de Assis é considerado um dos melhores escritores realistas em todo o mundo. Escreveu obras memoráveis, como Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba e vários livros de contos, entre eles, Papéis avulsos, no qual se encontra uma de suas obras-primas, o conto (ou novela) O alienista, cujo tema principal é o cientificismo e a loucura. Também escreveu poesia e foi um ativo crítico literário, além de ser um dos criadores da crônica no país. Foi também um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, que se chama Casa de Machado de Assis.

 
*********
 
Minha Canção
Andréa Motta


Nos olhos um intenso desalento
nas mãos gestos vagos
na alma a melodia amena de um piano
Minha canção me conduz a versos
de rimas tristes e incertas

Invadida pelas notas musicais,
como barco a deriva ao sabor do vento brando,
assobio baixinho imitando o trinar de um pássaro

Sou mera espectadora
no burburinho da platéia
Vozes anônimas de calor fugaz
consagram o cálice desafinado

O piano com arfar cadenciado
soleva os acordes em sublime simetria
entre a música e a saudade

Epopéico num só movimento
o som se expande
no vale azul da percepção
purificando-a

Sensível ao vinho proibido
sem perder a musicalidade,
como viração acariciando o rosto
resiste a fluidez das palavras.
*********

Algumas Obras

 
*********
 
Oh, meu poeta!
Angela Lara

Oh, meu poeta!
Eu vim pra te dizer
Que trocando de prazer
Encontrei tua ideologia

Enquanto falavas em quimeras
Encantos que eu não conhecia
Fui descobrindo uma verdade
Tão doce quanto tua poesia

Eu vim pra olhar teus olhos
Que os anos disfarçam bem
Quero te mostrar as marcas no sótão
Desenhadas com tua fantasia

Oh, meu poeta!

Volto anos atrás,
Anos de minha infância
E me sento ao teu lado
Permitindo-me chorar como uma criança...
*********
 
Poesia
 
*********
 
A ARTE E A POESIA
Celito Medeiros

 
Sou sonho de artista realizando
Da poesia os versos e o encanto
Como a água da pedra brotando
A terra cobrirá com seu manto.

Na vida real eu tenho procurado
Dos traços do pincel um caminho
As estrofes da poesia d'um lado
Nas telas encontrar o meu ninho.

Minhas mãos calejadas o brilho
No movimento criado uma razão
As cores fortes são meu gatilho
Disparando toda a minha emoção.

Num tempo distante deste tempo
Quando maior valor poder existir
Eu estarei viajando como o vento
Da minha assinatura poderei rir.

Da dedicação nas artes e poesia
Toda inspiração gravada ali fica
Marcar o que na tela não podia
Na literatura foi uma boa dica.

No silêncio solitário do trabalho
Das noites de espera da amada
Querendo sempre mais eu falho
Como aquele que não fez nada.

Se é interessante minha obra
Muito de meu tempo dediquei
Serpenteando traços tal cobra
Usando a tecnologia eu inovei.

Do que fiz estou bem satisfeito
Tudo com grande amor e carinho
Este é o resultado do meu jeito
Desejando não apreciar sozinho!

*********
 

"Ler as obras dos poetas e dos escritores é hoje um dos poucos prazeres que se nos deixa ao espírito, em um tempo em que a prosa estéril e tediosa vai substituindo toda a poesia da alma e do coração."

Machado Assis "Crônicas - 1510"

 
*******
 
REAL LIBERDADE
Diógenes Davanzo


Livre como o vento
Sinta a vida que tudo realiza
Sinta a natureza que tudo é beleza
Olhe ao seu redor e veja em tudo o amor
Voe na imaginação e perceba a existência de Deus
Viva com otimismo e tudo terá valor
Viva desprendido de valores
Viva para o amor
 
*********
 

Pensamentos valem e vivem pela observação exata ou nova, pela reflexão aguda ou profunda; não menos querem a originalidade, a simplicidade e a graça do dizer.

Machado de Assis

 
*********
 
O Enigma da Palavra
Fernanda Guimarães


A palavra em mim
é quase sempre
Um mistério de olhares
e silêncios.
Por mais que a aflição
das minhas mãos
Tirem-na do exílio
 ou façam-na alada,
Há um hiato
que a transcende.
 
A minha palavra
é muitas vezes
Um estar só,
um desabitar-me,
Um discurso impronunciável
de emoções
e segredos.
Como explicar a intenção
da curva de cada letra,
Enquanto florescem
inconscientes desejos
Que se encobrem nos véus
dos meus dedos?
 
A palavra em mim
 está além do expresso
Da pretensa linha
reta do dizível
Ou da rasura proposital da razão,
Quando sangra
a página em branco.
É que em mim,
há a palavra intocada,
inacabada
Pulsando viva na tessitura
de minhas mãos
Em suores
 de uma permanente ausência
Suspirando em calafrios
 uma saudade,
uma falta.
E tanto a busco,
em seus imprevistos códigos,
Percorrendo os abismos
do seu desvendar,
Que vou me conjugando
em inquietudes
Refletindo-me
no espelho da escrita.
*********

A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal.

Machado de Assis

 
*******
 
Brasília
Gustavo Dourado

Acrópole da NovaEra...
Acropolítica da Nova QuimEra!
Deu$a fluminosa trans.ascendente
Arquitextura em vôo... numinosa
Fêmil megalo.pólen de Aquárius...
Cibér.polis panto.lógica es.piramidal?
UniverSíntese do Novo Homem?
PoliCenário do Sonho e do Prazer?
Berço civilizatório do Cruzeiro do Sul?

Fênix da Épocaelipse..
Revelação do UniverSer?
Pantheon do Apocalipse...
Quint.essência do terceiro milêneon
Crista.linda musalquímica...?
SereiaAtlante,PitonÍsis dévica:
O que será (d)ess(t)a cidade?

 *********

O DESFECHO

Prometeu sacudiu os braços manietados
E súplice pediu a eterna compaixão,
Ao ver o desfilar dos séculos que vão
Pausadamente, como um dobre de finados.

Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião,
Uns cingidos de luz, outros ensangüentados...
Súbito, sacudindo as asas de tufão,
Fita-lhe a água em cima os olhos espantados.

Pela primeira vez a víscera do herói,
Que a imensa ave do céu perpetuamente rói,
Deixou de renascer às raivas que a consomem.

Uma invisível mão as cadeias dilui;
Frio, inerte, ao abismo um corpo morto rui;
Acabara o suplício e acabara o homem.

Machado de Assis

*********
POEMA V
Helena Armond


queimado e pardo

puxa a carroça

parda

de monturo pardo

tirando fogo

do asfalto pardo

alvo de atropelamento

sangra

vermelho pardo

a sua volta

coloridos pálidos

repugnados

vomitam pardo

*********

A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal.

Machado de Assis

*********
Sonho de Bailarina
Iracema Zanetti


Não quero mais ser tua menina...
tua criança pequena...
da qual desatavas as fitas dos cabelos...
e a levavas em teus braços pra dormir!
Agora... sou tua bailarina!
Pra dançar... voar... até o limite dos teus desejos!
Mas onde vais?
Espera amor... não te vás sem mim!
Um momento só!
Não te afastes...
Soltas-te pro vôo da liberdade...eu sei...
mas quero seguir teus sonhos...
espera por mim!
Deixa-me apenas descalçar os pés...
soltá-los das sapatilhas que prendem meus passos...
e não me deixam te alcançar!
Quero voar contigo entre nuvens coloridas...
esmaecidas... negras... acinzentadas... tanto faz!
Quero entregar ao vento...
as roupas de bailarina que cobrem meu corpo...
e os véus que cobrem meu rosto!
Quero voar nua... solta... desprovida de pudores falsos...
que negam-me a liberdade de te seduzir!
Quero entrar nas nuvens...
abrir espaços... rasgar os céus!
Atirar-me em teus braços...
deixar o "Pas de Deux" de lado...
esquecer quem sou!
Não preciso mais da dança...
nem de asas pra voar!!!
Posso até voltar a ser tua menina...
teu anjo...
deixar de ser bailarina...
deixar de ser tua rainha...
pra apenas ser tua mulher!

*********

ALENCAR

Hão de anos volver, - não como as neves
De alheios climas, de geladas cores;
Hão de os anos volver, mas como as flores,
Sobre o teu nome, vívidos e leves...

Tu, cearense musa, que os amores
Meigos e tristes, rústicos e breves,
Da indiana escreveste,-ora os escreves
No volume dos pátrios esplendores.

E ao tornar este sol, que te há levado,
Já não acha a tristeza. Extinto é o dia
Da nossa dor, do nosso amargo espanto.

Porque o tempo implacável e pausado,
Que o homem consumiu na terra fria,
Não consumiu o engenho, a flor, o encanto...

Machado de Assis

*********
HÁ...
Jane Lagares

Há dúvida escorrendo pelo ar
Há querer estacionado no ser
Há um misto de tudo
De fuga e envolver
Há silêncio no dia
Há espera na noite
Há tanto de nós
De vida e sina
Fios e teias
Há canto no vento
Há mudez nos momentos
Há apenas duas pessoas
Cercadas de mundo
Abraçadas pelo hoje
Enfeitiçadas pela magia
Pela opção de ser um do outro
Amor, desejo, desafio e medo.
*********

Eu não sou homem que recuse elogios. Amo-os; eles fazem bem à alma e até ao corpo. As melhores digestões da minha vida são as dos jantares em que sou brindado.

Machado de Assis

*********
Mater Dolorosa
Leda Galvão

Mulher, por que pariste este filho
se não tens nem mesmo um melhor abrigo,
se esmolar é o teu maior castigo,
se tens por leito
a calçada imunda e dura,
se os que passam e olham
só conseguem ver a vagabunda?

Mulher, por que pariste este filho
se nada mais vais lhe dar
que um destino ingrato,
Talvez nem se torne ele um ser humano,
mas um rato a roer
as duras pedras do caminho...

Mulher, eu sei porque pariste este filho:
é porque o mundo não respeita
a maternidade e os homens
só sabem ver a fêmea na mulher...
*********

A FELÍCIO DOS SANTOS

Felício amigo, se eu disser que os anos
Passam correndo ou passam vagarosos,
Segundo são alegres ou penosos,
Tecidos de afeições ou desenganos,

"Filosofia é esta de rançosos!"
Dirás. Mas não há outra entre os humanos.
Não se contam sorrisos pelos danos,
Nem das tristezas desabrocham gozos.

Banal, confesso. O precioso e o raro
É, seja o céu nublado ou seja claro,
Tragam os tempos amargura ou gosto,

Não desdizer do mesmo velho amigo,
Ser com os teus o que eles são contigo,
Ter um só coração, ter um só rosto.

Machado de Assis

 
*********
 
Liberdade
Líria Porto


voei
conheci o céu
mergulhei no precipício
fui residente em hospício
das colméias tive o mel...

fui pra guerra
viajei
noutras terras eu morri
quebrei pedras
pilotei
singrei mares
vi delfins...

liberdade
liberdade
é dormir entre os teus braços
enroscar-me em teus abraços
e morrer assim...

*********

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis

 
********
 
TRILOGIA
Lisieux

CEGA

Vagando sigo a te buscar...
desejo!
E corro sempre ao teu encontro:
vem!
Mas estás sempre à minha frente...
além
Do alcance do meu toque, do meu
beijo...



MUDA

Ao término do ato
na apoteose final
da cena,
no palco
do meu leito
(Peça central
do teatro
do meu quarto)
Não bato palmas...
Não assobio...
Não grito...
Apenas te olho,
muda...
E os meus olhos
é que pedem bis!



SURDA

surda, não ouço o vento
nem as águas
nem mesmo os passarinhos
que me fazem serenatas
Não ouço as rãs
quando me chamam
nas charnecas
ou o barulho,
quando piso as folhas secas.
Apenas ouço
o triste som
do meu lamento...
Ouço o silêncio
deste eterno sofrimento
desde que tu te ausentaste
do meu leito...
 
*********

ESPINOSA

Gosto de ver-te, grave e solitário,
Sob o fumo de esquálida candeia,
Nas mãos a ferramenta de operário,
E na cabeça a coruscante idéia.

E enquanto o pensamento delineia
Uma filosofia, o pão diário
A tua mão a labutar granjeia
E achas na independência o teu salário.

Soem cá fora agitações e lutas,
Sibile o bafo aspérrimo do inverno,
Tu trabalhas, tu pensas, e executas

Sóbrio, tranqüilo, desvelado e terno,
A lei comum, e morres, e transmutas
O suado labor no prêmio eterno.

Machado de Assis

 
*********
 
ENTRE O PROFANO E O SAGRADO
Carvalho Branco

Mulher, apenasmente... mulher!
Amor, entre ser deusa e ser humana,
Voa meu sentimento, vagueia minh’alma...
Entre o divino mistério e o sagrado mister!...
Enquanto sinto-me ser eu tal e tão profana,
Do Olimpo, chega-me a  essência que me acalma...
 
Meu corpo vive neste mundo assim profano,
Ativando, em nós, os traços mais carnais,
Enquanto, na procura dos laços divinais,
Minha emoção esvoaça nas nuvens do infinito,
Deixando agasalhar-se por seu manto.
Entre deuses, magos e sábios do Egito,
Entre as secretas lições de cada Arcano,
Busca a semente, o sagrado da origem
Deste amor nosso, puro e sacrossanto,
Que entre o Céu, a Terra e o Inferno,
Paira inocente, de pecado virgem!
Ardente, apaixonado, meigo, terno!...
 
Por Zeus! Que jamais se quebre o encanto
Que entrelaça nossos corpos e nossas almas!
Que entre a terra e o ar, entre o riso e o pranto,
Entre o fogo e a água, entre rosas e palmas,
Entre a descrença e a fé, a certeza e a esperança,
Seja sempre nosso amor a aliança
Entre o  sagrado e o profano.
Viva ele eternamente assim tão santo,
Quanto, cada vez, bem mais humano!...
*********

Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento.

Machado de Assis

 
*********
INTEIROS
Marineide Miranda

Amor

Sem costuras

Sem remendos

Sem emendas

Sem rasuras

Podem ser de segundos

Minutos, horas

Instantes, dias

Meses, anos

Eternos

Porém

Inteiros
 
*********

Letras, palavras e algarismos

Prezado Machado de Assis ,Poeta Imortal,
Mesmo sendo uma simples poetisa mortal,
Ouso contigo tentar marcar um encontro.
Espero, não faças pouco,  chegue  pronto.
 
Sendo V. Ex.a nossa Relíquia das Letras,
Marcamos comemoração do teu centenário.
Sei que estamos muito adiantados, outras
E muitas ... terás um grande itinerário.
 
 Poetas, autoridades na terra se unirão!
Haverá um sarau com poesias e melodias,
Por favor,  não nos falte nesta ocasião.
 
Aguardando urgente resposta das tuas mãos,
Ou do secretário, envio meu apreço e admiração,
Estendendo o convite ao universo e toda nação!
 
Setembro de 2007
Maria Thereza Neves
 
"Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases; o algarismo não tem frases, nem retórica".

Machado de Assis

 
*********
 
POETA QUE É POETA
Marisa Cajado

Poeta que é poeta,
mantém acesa a chama.
Seja noutra vida ou nesta
é o amor, que sempre ama.
Dos amigos não esquece,
Uma mão puxa outra mão.
Diz Gonzaga, numa prece
cantando amor, no refrão.
Quando esta chama alteia.
Sabe-se lá por que?
O coração balanceia,
perde o prumo, nada vê.
Porém, isto não acontece,
sem que haja impulsão
de outra chama, que tece
armadilhas de emoção.
E uma chama impulsionada
É difícil de conter.
Traz bombardeio na estrada,
mas o amor, há de vencer.
Por que o amor, sempre ama.
Seja a chama, ou amizade.
O amor, nunca reclama,
dá sempre, felicidade.
*********

Alegria

"Não há alegria pública que valha uma boa alegria particular"

Machado de Assis

 
*********

Castelo
Moacir et Selena


O Castelo que é para nós Dois,
Ergueu-se por Tua nobre Arte.
Mas só irei habitá-lo bem depois,
Quando tiver feito a minha Parte.

Está posto longe daqui,
Num Mundo de Alegria.
Penso agora Nele, em Ti,
Na Guarida que eu teria.

Ele lá está, Pedra sobre Pedra,
Como eu sabia que estaria.
Nesse Castelo o Teu Amor medra
Como a mais Bela pedraria.

Em Sonho, eu volta e meia lá apareço
E agradeço-Te a Espera... e o Apreço!

********

Setembro de 2007
Edição,formatação:Maria Thereza Neves
(Direitos Reservados aos Autores)
Música: Carinhoso - Pedrinho Mattar (parte)
 
 

 
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