AconteceuLunas

&

A Fome no Mundo - O Mundo da Fome!

 

"Cada dia, morrem, por causa da fome, 24 mil pessoas. 10% das crianças, em países em desenvolvimento, morrem antes de completar cinco anos de idade".

No Brasil os políticos utilizaram e utilizam ardilosamente a fome para suas campanhas eleitoreiras... e os resultados estão ai em todos os patamares:

- fome de comida;
- fome de cultura;
- fome de educação;
- fome de amor;
- fome de segurança;
- fome de saúde;
- fome de solidariedade...

E daí?

O que estamos fazendo? Um mínimo que seja - será um grito pelos excluídos - já não falo dos brasileiros apenas... falo do mundo...

Eis que até os americanos expuseram suas chagas quando do furacão Katrina...

Tenho pensado no que podemos ou poderíamos fazer... até do Betinho - esse ícone de nossa Pátria já não se fala... os pobres, os famintos, os excluídos ficam a mercê - cada dia mais sem nada - eles que já nada possuem...

Vamos começar o ACONTECEULUNAS com este especial de crônicas, frases, contos, textos - enfim, o que for enviado pelos poetas/escritores...

Depois - poderíamos quem sabe até virmos encabeçar um movimento contra a forme - o que vocês acham?

Estamos localizados em todos os pontos do País - e a fome idem...

Há tanta coisa a ser feita.

Há tanta campanha sendo extinta por conta da violência que campeia.

São tantos os que podem fazer...

Mas não me falem em fome zero ou zero fome - isso é papo de político que só tem falácia: a esses "paredón!"

FICA A REFLEXÃO!


DELASNIEVE Miranda DASPET de Souza (Luna)
www.delasnievedaspet.com.br (referendado pela UNESCO)
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Consulte www.unesco.org sobre Delasnieve Daspet
Poetas del Mundo - Delasnieve Daspet:
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- [Embajadora - Brasil]
Une Réserve Poétique - Delasnieve (Brasil)
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INTRODUÇÃO

O MITO DA FOME
Delasnieve Daspet

O Brasil e mais o resto do mundo
tem gente passando fome.
Não é nosso apanágio.
Apenas que agora - parece -
que todos olham: do colunista social
ao trabalhador braçal, globalizados.

Temos a maior área agricultável do mundo.
Os melhores climas.
Terras férteis.
Não existe no Brasil pobreza abaixo
da linha mediana. Todos comem,
ainda que mal.
Não é como nos querem fazer crer.

Não temos uma política nacional
de continuidade. Cada rei que assume
desfaz para refazer. Mas não resolvem
problemas. O pobre, o que tem fome
quer um trabalho e um salário.

São pessoas como nós.
O faminto não quer esmola
e sim, respeito à sua dignidade,
à sua condição humana.

Sei do que falo.
Trabalho com crianças carentes.
Cuido de sessenta, com as três
refeições, acompanhamento escolar,
social, afetivo, bem como aos pais.
Não nos falta nada. Temos com fartura
leite, pão, carne, material escolar.
E claro, como sempre, ínfima ajuda do
chamado "política social ".

Uma gota d'água no oceano?!
Pode ser... Mas se cada um trouxer
uma gota, como um beija-flor,
será possível amenizar o incêndio.

O brasileiro é um povo bom e trabalhador.
Rica Nação mal distribuída,
que também não é privilégio nosso.
Não sejamos paternalistas,
ensinemos a nossos filhos
os direitos e deveres para que
tenham orgulho de si.

O governo tenta aplacar suas vilanias
mas não precisamos de mendigos sociais
e sim de cidadãos. Chega de passar a mão
pela cabeça. Arrumem trabalho e salário
o resto o povo faz.

Basta de propaganda eleitoral,
desçam dos palanques e das colunas sociais.
Vamos trabalhar de verdade.
Democratizem as oportunidades,
e a justiça social, aí sim, teremos um País
próspero e um povo desenvolvido.




SACO VAZIO NÃO PÁRA EM PÉ
Lisieux

"Vira e mexe" eu me lembro de algum dito da vovó Bela (aliás, apelido perfeito pra uma pessoa bonita por fora e por dentro). Sábia, ela sempre guardava alguma máxima na manga a fim de encerrar com fecho de ouro qualquer das nossas brigas e discussões sem sentido:

"Menina, dá logo um pedaço de bolo pro seu irmão, porque quem tudo quer, tudo perde"...

"Menino, não fale assim com sua mãe, porque você é igualzinho a ela... não sabe que 'quem não parece com o dono é furtado?"...

"Minha filha, não teime comigo, porque 'quem não ouve conselho, ouve coitado!"...

"Meu filho, não seja avarento, porque 'quem dá aos pobres, empresta a Deus"...

E, lá ia ela, dando um conselho aqui, um abraço acolá e sempre desfiando a sua ladainha de ditados acumulados ao longo dos seus muitos anos.

E ela não tinha nenhuma simpatia por política... sempre via o noticiário da TV e fechava a cara para os políticos mineiros, "aquelas raposas velhas".

Lembrando-me da minha avó, dos seus ditos e da sua aversão pela política (tão diferente do interesse e engajamento dos netos que, desde jovens, gritavam slogans contra a ditadura e se alistaram nos centros estudantis), eu fico pensando em como ela reagiria aos políticos de hoje.

Em como ela olharia o operário barbudo e quase analfabeto como ela própria, dirigindo a nação e pondo a perder a oportunidade única de consolidar nossa ainda tão frágil democracia e fazendo muita gente, vergonhosamente, sentir saudade da ditadura...

Fico pensando em como ela veria a miséria e a fome no Brasil e no mundo, ela que sempre fez questão de uma mesa farta para filhos e netos, pois já fora pobre e que nunca negava pão a algum eventual pedinte que lhe batesse à porta...

Fico pensando em como ela veria as guerras religiosas e as crianças raquíticas, ela que sempre foi temente a Deus e rezava toda noite por parentes, aderentes e mesmo estranhos, a fim de que eles tivessem casa, família e amor.

O que isso tem a ver com o tema proposto no Luna's, sobre "Fome no mundo e o mundo da fome?", vocês estarão se perguntando...E eu respondo: Tudo a ver!

Porque tenho certeza de que minha avó diria ao Lula e aos demais governantes de hoje, quando os visse nos palanques falando de Fome Zero, de pendengas religiosas, de brigas por petróleo ou pela posse da floresta amazônica:

"Peraí, ô meninos irresponsáveis... parem logo de bater boca inutilmente e de querer enganar o povo com a sua conversa fiada... tratem de botar comida na mesa do povo, ou a "vaca vai pro brejo"... Ou será que vocês ainda não sabem que "saco vazio não pára em pé""?



FOME... E AS MUITAS FORMAS DE ABOLI-LA...
Leda Galvão

Fome... como falar de fome neste País
onde tudo dá, bastando plantar?
Há um mal maior, que é a raiz
de uma árvore malsã, que teima em germinar.
É o falso sentido que se dá à ação
de paternalismo como se fosse um bem.
Há fome, sim, mas de educação
pois cria-se escolas que estruturas não têm.
Há fome, sim, de maior segurança,
de diminuir nas ruas a violência,
de tirar da TV programas para a criança
que ensinam a matar sem a menor conseqüência.
Há fome, sim, de honestos e bons políticos
que não façam da corrupção parte de seu programa
e que se tornam personagens satíricos
que cinicamente navegam, num mar de lama.
Há fome, sim, e essa é universal,
de que haja paz e que a vida seja
não um lago calmo, sem ideal,
mas que a mão que semeie, seja benfazeja,
e que se baseie o que se chama progresso
não na destruição ou em desmatamentos,
pois assim cresceremos, sem retrocesso,
sem fome, sem dor, sem ais, sem lamentos.

CONCEITO



A CRUEL FACE DA FOME
Maria Ivone

Fome tem nome. É a miséria humana. Essa miséria não precisa necessariamente ser pobreza. Pobreza é diferente de miséria.

Já vivi momentos de muito e momentos de muito pouco. Cresci em lar de fartura e nunca soube o que é fome. Tive revés e passei vontade, fome não! Vontade de comer aquele doce da vitrine, aquele filé com fritas do prato vizinho ao meu parco misto frio. Trago marcas desse tempo de vontades, principalmente porque trazia no ventre uma vida em formação.

Foram tempos difíceis, dos quais não me esqueço, mas o tempo e a persistência me ajudaram a superar. Superei, graças a não ter passado fome de amor, de educação, de cultura. Dei a volta por cima, porque pude contar com a solidariedade da família e de amigos.

Penso como teria sido, caso eu não tivesse uma base, uma estrutura.

Tenho hoje fome de justiça. De um modo geral. Justiça para aqueles que não puderam como eu ter oportunidade e acesso à educação, ao respaldo familiar, a uma vida saudável. Justiça para punir quem deveria proporcionar essas oportunidades, mas ao invés, se corrompe.

A pior fome é aquela que nos assola no momento. Pode ser de amor, de solidariedade, de educação, de companhia, de saúde ou da própria comida. A cruel face da fome é, na verdade, a miséria humana, porque, diante de qualquer situação, a miséria é o estado terminal da dignidade.



FOME DE ALIMENTO
Sônia Maria Grillo (Baby®)

Difícil, para quem nunca sentiu fome de alimento
Avaliar a dimensão da dor de quem a sente diariamente
Imagina-se apenas, que seja o maior tormento,
Querer se alimentar e não ter nada, nada, absolutamente!

Essa avassaladora catástrofe que se alastra
Como um câncer entre os menos favorecidos
Faz com que, a revolta de toda uma raça,
Produza tantos seres embrutecidos

Embrutecidos pela dor de ver tantas crianças
Morrendo esquálidas em decorrência da inanição
Aí se vai, de dentro de cada um, a esperança
De vislumbrar um futuro melhor em qualquer nação

Esperar o quê de nossos governantes
Preocupados apenas em abocanhar os frutos da corrupção?
Mais uma vez é o povo solidário e atuante
Que vai em auxílio dessa sofrida população

Continuemos coesos e firmes meus irmãos, em nossa luta
Mesmo sabedores que somos, que é uma luta de poucas vitórias
Mas tenham fé, e já que não podemos mudar o começo dessa labuta,
Que possamos dar um final mais digno a essa terrível história!




FOME... DESCRENÇA DE UM POVO
Susana Mendes

Almas em flagelo... Vagam, perambulam!
São tantas, as vidas açoitadas
despencando-se na desesperança e na descrença!
Sulcando lágrimas em rostos,
vincam, assinalando-lhes as faces em desesperos...
É o grito pela fome, em mãos estendidas,
sangrando-lhes o estômago vazio.
Em olhos esbugalhados já dilacerados,
gela a ausência fraterna do amor,
e no compungir pela falta do saber,
a ignorância, massacram-lhes os corações ...
É o ser humano combalido,
confrangendo-se na dor,
e assim, incautos e humilhados,
empedernidos, malsinam,
vituperando o mundo!
De quem parte tantas vicissitudes então ?
Não! Não! este mal não está na terra que é
dadivosa e abençoada,
estão sim, na irreverência de tantas promessas vãs,
entupindo e entuchando o povo em suas consciências
promessas essas que são ditas as esmo
e que engabelam aos crédulos,
famintos da verdade e dos direitos,
por um pouco que seja da dignidade do bem viver!
Soando como a blasfêmias,
são palavras aos descasos,
inverdades de um poderio,
que vão pelos tempos, saturando e evaporando!
Do homem há que chegar um dia o equilíbrio,
aurocescendo de suas almas a vontade firme,
a perseverança, a justiça, a ordem,
e assim unidos, não mais haverão fronteiras para a irmandade
na solidariedade à esta fome das igualdades sociais!
Se acenderá então uma luz no espírito do mundo,
novos caminhos serão iluminados,
pra que possamos nos conduzir seguros
a um futuro promissor!

FAO



*******
Helena Armond

uma criança sentada na tampa de um poço mal fechado...
comia sabão.
A mais dantesca cena que nunca imaginei ver...
Tão dantesca quanto a promessa de homens "bons"
dizendo que as salvarão
da fome a transformá-las em gordos mórbidos
ponto
segue um conto mas não é um conto que conto...
ponto
... era hábito naquela terra ouvir muitos ditados
como força de expressão...
A mulher em um capote de pele "verdadeira"
cobrindo um vestido vermelho em veludo assinado por #%&**...
(as pessoas daquela terra sempre citam preços e origem
dos objetos a cada vez que voltam de Paris)
a bela chic... ordena ao motorista
que primeiro retire o pedinte em trapos que cianótico... tremia...
sentado na soleira da sua porta .
E assim, foi feito.
Ela espera que o desgraçado se afaste
e dá outra ordem ao motorista apontando os pacotes,
em papeis vermelho e dourados aos familiares pelo Natal.
Entra em casa limpando as botas de pelica num capacho
e joga as luvas e casaco sobre um console.
Vê sua filha e uma colega fazendo a lição de casa
ela nunca havia visto a garota.
Ordena a copeira que ordene a cozinheira e...
que sirva um chá com biscoitos.
Senta-se e fala de moda política e futilidades...
Seus anéis e colares de brilhantes fascinam a garota
a quem contou o preço dos presentes...
das jóias do carro novo que seria seu presente....
Depois de satisfeita chama a copeira que ordene a cozinheira
que recolha num saco de papel o pão velho,
as sobras da semana e que entregue ao motorista
e que esse entregue ao velho que esperava num canto qualquer...
menos na minha soleira!
A garota espantada (eu) pensa num ditado repetido muitas vezes
e que nunca conseguiu entender
mas que agora sabia o que é ser...
"podre de chic"




MANIFESTO
Paulo Monti

E enquanto vamos tapando nossas bocas
Com feijão e arroz,
Vão subindo o pão e o leite.
E enquanto vamos tomando suor com cansaço,
Vão sucumbindo todas as éticas, as profissionais, principalmente.
E enquanto vamos subindo as escadas,
Vão descendo nossas carcaças altivas.
E enquanto os relógios esmagam nossas cabeças vazias,
Vão calando as canções sem o ranger de idéias.
E enquanto comemos o pó das filas cotidianas,
Vão apodrecendo bilhões de neurônios.
E enquanto lutamos nas camas amores verticais,
Vão acabando nossos sonhos marginais.
E enquanto escrevemos na noite como se fôramos
Vermes costurando na cova fresca,
Vão calando nossas vozes que gritam no silêncio de nossos olhos televisores.
Viva o pileque que tomamos nesse botequim de palavras!
- A seguir: um enforcamento em praça reservada."




QUERO ZERAR A FOME
Marisa Cajado

Quero zerar a fome de dignidade
Quero zerar a fome de confiança
Quero zerar a fome só, de abastança
Semeando justiça e prosperidade.

Quero zerar a fome de honestidade.
Quero zerar a fome de mais bonança.
Quero zerar a fome da boa lembrança,
De um sono repleto de tranqüilidade.

Quero zerar a fome de lealdade.
Quero zerar a fome de segurança.
Quero zerar a fome de uma mudança,
Formando aliança com fidelidade.

Quero zerar a fome de seriedade.
Quero zerar a fome de mais pujança.
Quero zerar a fome de uma ordenança,
Gerando progresso para a humanidade.

Quero zerar a fome de liberdade.
Quero zerar a fome já, sem tardança.
Quero zerar a fome de livre andança,
Nutrindo esperança, de felicidade.

Para que o homem da nova geração,
Liberto, vivendo em paz e igualdade,
Tenha sempre, em cada dia, o seu pão,
Pelo direito, da divina irmandade.


TIPOS DE FOME



CORDEL DA FOME (À MEDIDA DO HOMEM)
Gustavo Dourado

Em Memória de Josué de Castro, Betinho, Glauber Rocha, Luiz Gonzaga, Luís da Câmara Cascudo, Jorge Amado, Raul Seixas, Cora Coralina, Maria Bonita, Henfil, Corisco e Dadá, Virgulino Ferreira da Silva, Gilberto Freyre, Patativa do Assaré, Leandro Gomes de Barros e João Cabral de Melo Neto...
Aos Mártires do Brasil e do Mundo...
Aos que lutam por um mundo melhor...

Geografia da fome
É um livro universal...
Disseca a realidade
Da terra do carnaval...
Da sub-desnutrição
Via multinacional...

Josué lembra os Sertões
O Quinze, a Bagaceira
Vidas Secas-Lampião,
Patativa, Zé limeira...
Repente-Cordel-Cangaço
Xaxado... Mulher-Rendeira

Josué mártir-guerreiro,
A fome nos violenta,
Tortura a população
Desnutre desorienta.
Fome de Educação...
É oito ou é oitenta...

Mestre da geografia
Médico e pensador
Diplomata e filósofo
Cientista-escritor
Homem público-honesto
Inteligente-criador...

Foste profeta da fome,
Perseguido-exilado
Embaixador em Genebra,
Na ONU foi destacado...
Por sua capacidade,
Ao Nobel foi indicado...

Pobres homens-caranguejos,
Comendo lixo e lama...
Seres sem-terra, sem-teto,
Vítimas da grande trama
Tornam-se anões-gabirus
Sem escola e sem cama...

Humanidade faminta,
De amor, prazer e pão
Falta escola, falta paz...
Só não falta exploração
Falta o feijão com arroz,
Na novela da opressão...

Fome global no mundo
No Brasil: calamidade...
Desemprego-desgoverno
Subnutrem a verdade.
A fome devora a vida,
Nos campo e na cidade...

Fome histórico-geográfica,
Neste Brasil continente.
Devora o trabalhador,
Com salário deprimente.
Carcome a vitalidade
E a luz de nossa gente...

A corrupção impera
No coração do Brasil
Alibabás e lalaus
multiplicam-se por mil
Entregam o patrimônio
Ao estrangeiro hostil...

Guaribas e Cearás
Vitimados pela fome
O terror massacra o povo
Analfabeto sem nome...
Gringos comem caviar
Lá em Londres e Maiame...

A fome assola a terra...
O Brasil de sul a norte
Saara... Afeganistão...
La fome é irmã da morte
Xangô Cristo Alá Tupã
Como fica nossa sorte?...

O que será do Brasil?!
Tanta renda concentrada!
A fome matando a plebe...
Amazônia devastada...
O que será do planalto?
Terá luz na alvorada?

Até quando o descaso?
A grande massa espoliada
Trabalhadores com fome,
Sem salário, na estrada...
Sem-terra, sem esperança,
Se alimentando do nada?!

A fome é um dilema
Neste país continente
Falta lastro e competência,
Pra elite dirigente,
Que mata o povo de fome:
Raiva dengue dor de dente...

Severinos retirantes,
Favelados na miséria,
Governantes! Olho vivo...
A situação é séria...
O povo já virou gado.
Nessa vida deletéria.

O povo vive inchado
por falta de nutriente...
O povo está calado,
Porém, não está contente,
Quer mudar o paradigma,
Da gestão incompetente.

Valei-nos Santa Quitéria,
São Cristóvão, São Joaquim,
São Lutero, São Calvino,
Na inquisição do fim...
Varrei a fome do mundo...
São Miguel, São Serafim.

Valei-nos Nossa Senhora,
Nosso Senhor do Bonfim
Minha mãe Aparecida...
O que é que será de mim?!
Com o salário congelado,
será que será o fim?!!

Valei-me meu Padim Ciço
São Pedro e São João
A fome devora o povo
Com tanta corrupção...
Impera dor no palácio:
Acuda... Frei Damião...

Lá na Vila Estrutural,
Sombria desnutrição,
Nos recantos-samambaias,
Nas favelas da ilusão...
Valei-me Santa Maria
E meu São Sebastião...

Está na hora de mudar
Repartir melhor a renda,
Com aluno bem nutrido
Qualidade na merenda
Espero chegar ao dia
Que a fome seja lenda...

O latifúndio esfomeia
Traz o êxodo rural
Faveliza o cidadão
Dilacera o social
Reforma agrária urgente
Grita a plebe marginal...

Na luta, na resistência,
Zumbis e Conselheiros
Quilombos e contestados,
Nos Canudos brasileiros
Escreveram a História
Patriotas verdadeiros...

Exportam o alimento
Pra Europa-pro Japão,
O povo fica faminto
Comendo luz-ilusão
Maqueiam fome-novela
Mascaram na televisão...

Revolucionar o estado
E a nação transformar
Conquistar soberania
E a fome exterminar...
Fazer o povo feliz:
"Cante lá, que eu canto cá"...

Ao jovem Mestre Rodrigo
Nosso vate comandante
Aos colegas de Escola...
lutadores, sempre avante
Gente que combate a fome,
Faz Josué triunfante...

Vida na linha de frente,
Luminosa, radiante...
Amor, uma obra-prima,
Universal transmutante
A Arte nos alimenta,
Com a leitura de Dante...

A todos, nossa amizade...
E nossa admiração...
É preciso consciência
Em uma Nova Gestão...
Desejo paz e sucesso
Mundo em Revôolução...

Apresentado como Trabalho nota 10
no Curso de Pós-Graduação Em Gestão Pública 2001/2002
ONU/ESCOLA DE GOVERNO




AMANHÃ, QUEM SABE...
Tahyane Rangel

Desde que o mundo é mundo
há uma fome que cresce
acelera, não cede, recrudesce
Utopia é querer acreditar
que um dia a fome vai zerar.

Muitas palavras, lamentos vãos
pouca e rara ação, lavam-se as mãos.
Esperam o natal chegar,
para da fome no mundo lembrar,
lágrimas artificiais para a festa enfeitar
campanhas na mídia não hão de faltar.

Mas porque esperar?
Todo dia pode-se da fome lembrar
sem data marcada, sem nada esperar.
Já diz um ditado popular:
o que a mão direita dá,
a esquerda não deve contar,
mas isto não dá voto, não é popular.

Um pouco aqui e ali,
cada um sempre pode ajudar,
se todos fizessem isto
muito havia de melhorar.
Mas falta verdade, falta vontade
falta coragem para mudar
Ah... amanha é outro dia
alguém há de uma atitude tomar.
Quem sabe um milagre?
Deus poderá ajudar!
Ah..deixa pra lá, deixa rolar...




FOME DE TUDO
Mellíss

Criança, por que choras?
Tua desesperança é prematura ?
Como podes conhecer a amargura
nesses raiar do tempo nos teus dias ?
Ah...
Tu tens fome de saúde e tens fome de comida,
queres o pão da alma, queres o pão da vida,
fome da justiça que te ajude .
Tua lágrima é anônima,
tua face não tem nome,
na INDIFERENÇA do mundo,
teu coração passa fome...


CAUSAS DA FOME



FOME
Sueli Espírito Santo

O homem imagina-se poderoso
mas vive em um mundo nebuloso
com suas nações enfraquecidas
repleta de pessoas sofridas

inteligente, desenvolveu a tecnologia
mas ainda não sabe levar alegria
a tanto povo de tudo carente
criando-se mais e mais indigentes

conquistou o espaço, foi a lua...
e pessoas ainda moram nas ruas
com a mais prioritária necessidade
sem recursos, vivem na dificuldade

incita-se a guerra, negocia-se amor e paz
e o que há demais básico não se faz
dirigentes elegem-se para ter um nome
e no mundo ainda predomina a fome




A FOME
Francisco Coimbra

A FOME
a fome me deixa
ficar indiferente
fraco e carente

Assim

A FOME
Depois da dor no estômago
e frio na cabeça, a fome
não esquenta ninguém,
nem + a cólera vem
só se for doença




-REALIDADE-
Marília Bechara

O mundo da fome de aprender,
A fome do mundo de sobreviver.
A eterna exclusão dos menores,
Desperdício corrosivo dos maiores.
Planeta azul se areando em amarelo:
Doenças dizimando impiedosas,
Doentes mentes almas corações.
Teremos tempo de reconstrução?
Ai de nós humanos desumanos!

CONSEQÜÊNCIAS DA FOME



FOME ZERO
Andréa Motta

Na infinita essência d'esta corte,
de dúbia realeza
Um rei com muitos vassalos
Parte e reparte o pão

na presença dum garoto
sem nome, escola ou teto.
Pele e osso
Estômago colado a garganta,

o maltrapilho, pés descalços
revira o lixo apanha as migalhas.
Condenado a morte precoce,
sem crimes ter praticado.

Enquanto os senhores de pompas
e inverdades, cobertos d'ouro e vaidades
falseiam em favor
da fome zero.

Divertem-se em festas
de controversas histórias
articulam conquistam
mil medalhões de ficta prata.

Alheia aos jornais que anunciam,
dia após dia,
sinopse da partição do milhão.
Sem embaraços,

a corte vai passando
a satisfazer sonhos de consumo
lambuzando os dedos
os beiços com manjares dos Deuses.

O garoto de mãos atadas
nem sabe o que lhe contem
além de ao mundo pertencer

Desarmado, alia-se a vida
dela não faz ficção
a passos seguros,
sem aplausos,

vai passando...
superando
a ausência do pão.




TENHO FOME...
Auri Costa

Tenho fome, por favor me dê
um pouco do teu carinho.
Tenho fome que chega a doer minha alma.
Tenho fome de beijos, de afagos,
Tenho fome de luz, de energia,
Tenho fome de carinho na pele,
Tenho fome do calor no verão.
Tenho fome de esperanças,
Tenho fome de aprender,
Tenho fome de viver,
Tenho fome de tudo que preciso,
Tenho fome de você.



UM SORRISO
Belvedere

"Sucede que não posso viver em paz
porque vivo e convivo com crianças
que, eu sei, dormem com fome."
Thiago de Mello - Mormaço na floresta

Lembro da menina
e do seu sorriso,
tristemente atado.

Terá algum dia,
por alguns momentos,
sentido o prazer
dos risos incontidos?

Panelas vazias,
doenças grassando,
e os olhos dela
em interrogação.

Por que sorriria,
vivendo uma vida
tão sem amanhã?

Ave-Maria,Pai-Nosso,
Salve-Rainha...
Desatem o seu sorriso!


A FOME NO MUNDO



POR UM MUNDO BEM MELHOR
Marilza de Castro

Aconteceu... mais um ano que finda... e um outro que começa...

Dizem que o teatro imita a vida, mas para muita gente é a vida que prega a peça...

No apagar das luzes do Velho Ano, uma multidão se aglomera nas ruas de Copacabana...

Muita bebida rolando... maconha sendo fumada nas areias de nossa praia... Somente o helicóptero - da Globo, disseram - movimentava o povo quando passava e com suas luzes focalizava as pessoas... parecia que aparecer na reportagem era tudo que lhes restava...

Alheamento... de autoridades...de um povo sem esperança... Um povo tão sem incentivo, que quase ficava inerte, à espera de ver algo de realmente belo, que os despertasse para a vida : os fogos de artifício... como chuva de estrelas coloridas caindo-lhes sobre as cabeças, dando cor ao descolorido de seus destinos...

Ao final do espetáculo, quase automaticamente, os grupos começaram a bater em retirada... dirão muitos: foi a chuva a culpada... Não... as pessoas moviam-se lentamente, nem se importavam com a chuva que as molhava... ficar doente não preocupava, nada mais fazia diferença para aquele povo desesperançado...

Os momentos de brilho tinham terminado... nada mais de fogos, nem de helicóptero da reportagem... A fantasia cerrara as cortinas... era o instante do retorno à realidade...

Gente que já não tem forças para lutar por um futuro melhor, que já não crê em governos preocupados com o social... com a saúde... com a alimentação... com a educação e a cultura... com o progresso da nação... com o bem estar da população... com o proporcionar empregos e vencimentos adequados... com as necessidades das famílias... com o respeito ao ser humano...

Esse era o retrato daquela multidão... Gente sem rumo... sem prumo... sem liderança...

Dirão talvez: "Não é verdade, as filas de desempregados em busca de uma vaga continuam imensas... então o povo ainda procura um caminho, uma salvação..." Como se isso fosse consolo!... Como se isso amenizasse a dura realidade da situação!...

É a única forma que esse povo ainda tem de fazer-de-conta que acredita na própria sobrevivência... Ou é isso, ou vão todos se anestesiar com as drogas, para esquecer a falência de sua dignidade humana... mas, para adquirir drogas, precisa ter dinheiro... e cresce o índice de roubos, assaltos, crimes outros que lhes "rendem honorários"... E aqueles que assim adquirem recursos financeiros para uma vida mais confortável, tornam-se tão insensíveis quanto os que predominam nas classes mais favorecidas: já não se importam com o mal que causam ao próximo... precisam manter o próprio padrão de vida... custe o que custar... doa a quem doer...

Para comprovarmos as precárias condições de nosso povo, basta dizermos que o salário pago a um professor hoje no Rio de Janeiro não chega para qualificar esse professor como classe média... deixa-o abaixo na escala social... Se um professor, que é responsável pela educação e a cultura desse povo, pela sua capacitação profissional, não ganha o mínimo necessário para se manter e à sua família, muito menos para se aperfeiçoar em sua área de conhecimento e fazer mais evoluir culturalmente seus alunos, o que poderemos dizer de outros profissionais que ganham ainda menos? O que poderemos dizer da precariedade de vagas nas várias profissões, por falta de condições de ampliação do mercado de trabalho, que deixam tantos chefes de família, homem ou mulher, em desânimo ou desespero por não poder prover devidamente a família de boa alimentação para uma boa saúde; por não poder dar, aos seus, uma educação de bom nível cultural e profissional? Por não poder oferecer, aos filhos, a certeza de possibilidade de um futuro digno...

O povo está carente de tudo: está com fome de fraternidade... Se o amor ao próximo imperasse na nossa gente, nos nossos governantes, na nossa elite financeira, a situação da população seria bem outra... Não estou aqui pregando a doação do que cada um tem àquele que nada tem... estou pregando o respeito e o amor ao ser humano... estou pregando o dar oportunidades reais àqueles que as merecem, que buscam fazer por onde... estou pregando a oferta de condições de vida ideais para todos que buscam alcançá-la com seu esforço... não apenas para uma fração da população, que só se preocupa em fazer crescer os próprios lucros, menosprezando o que seu egoísmo pode acarretar em prejuízo para outros...

E quando estendemos nossas vistas a todo o globo terrestre, percebemos, horrorizados, que a situação é mundial, que há povos e nações sucumbindo às próprias carências e que as ditas nações de Primeiro Mundo apenas fingem que se preocupam com o fato... tomam atitudes de ajuda que são meras máscaras de sua passividade frente à grave situação de falência desses povos...

É hora do despertar... É necessário que todos se conscientizem de que a Natureza não é cega, nem surda... nem muda... De que o ser humano faz parte dessa Natureza e que a interação entre ambos é uma realidade... A Natureza tudo observa... vê e escuta... e fala a sua maneira, respondendo de acordo com o que captou de nós...

Toda ação leva a uma reação... do outro... da Natureza... e quando essa se manifestar, muitos vão sofrer na pele as conseqüências...

É hora do repensar... Do fazer pelo próximo, porque assim estarão fazendo por si mesmos...

Amar ao próximo como a si mesmo é a lição dos Profetas, dos grandes Mestres, não só do Cristo... não importa com que palavras isso nos foi dito, o fato é que todos, de todos os povos e raças, em todas as épocas, o disseram...

Governos, olhem honestamente por suas Nações, por seus povos... estendam suas mãos aos povos menos favorecidos....

Homem... reorganize-se interiormente... melhore-se... olhe além de seus próprios limites físicos... preocupe-se com os demais, tanto quanto deve preocupar-se consigo mesmo... Amem-se todos, uns aos outros...

Unidos todos, busquemos transmutar, a nossa gente, numa humanidade bem superior... Acabemos com a fome, com a carência do Mundo...

Se cada um fizer a sua parte, seremos todos uns privilegiados, seremos todos os escolhidos, sem perdas, nem danos, para quem quer que seja!...

Por um Mundo bem melhor!...



*******
Moacir et Selena

se muita, consome;
não tem prenome,
tem mau renome;
se tem pronome,
às vezes some;
e tem um nome:
fome!




PAROXISMO
Eliza Teixeira

Vendo cenas violentas
De guerra, na televisão,
Fiquei estarrecida com a imagem
De uma criança, que despida e queimada
Fugia da explosão de mísseis e granadas...

Fora tão forte a imagem,
Que eu não mais escutava
O que o repórter falava.
Nem precisava!

Naquela noite, imaginei-me
Acolhendo-a nos meus braços
Como quem acolhe um filho
E ungi suas feridas
Com o óleo da compaixão

E percebendo-a febril,
Colhi nas pétalas do meu carinho
O orvalho da madrugada,
Para depositá-lo nos seus lábios ressequidos...

Sobre o seu corpinho queimado e nu
Somente a brisa suave da noite
Para refrescá-lo e aliviar-lhe a dor!

Adormecemos...
Quando despertei,
Não mais vi a criança ao meu lado

Os primeiros raios de sol
Atravessando a vidraça
Da janela vieram aquecer-me
Dando a sensação
Do calor da sua presença...

Durante muito tempo,
Fiquei a refletir
Sobre o drama da petiz.

E de tantas crianças
Que em algum país distante
São vítimas da guerra.

Que em outros, como o nosso,
São vítimas da violência urbana,
Do crime sem nome,

Da fome que lhes consome,
Do medo da fome,
Por falta de amor!

(in "Estação do Amor" - 2000)


A FOME NO BRASIL



A CARA DA FOME
Carvalho Branco

Olhos esbugalhados, membros retorcidos,
pés descalços, corpo desnudo...
"João Ninguém" do mundo dos esquecidos!
- Um trocadinho, tio, pra matar a fome...
Não tem força pra estender a mão
aquele que nem tem nome!
E o povo passa surdo e mudo,
que mais há a esperar de robôs sem coração?!

De mini-saia bem curta e um "bustiê",
uma pequena bolsinha a girar em seu dedinho...
face exageradamente maquiada... prostituta é você.
Geladeira vazia, cama em desalinho,
pois não há tempo pra fazê-la e desfazer,
não dá tempo de pensar em melhor ser...
No corre-corre da lida, na busca de mais fregueses,
para fingir viver por mais uns meses...

Segue, cheia, na cidade, a lenta condução;
o suor escorre pelas faces... Grita o trocador:
- Fecha a porta traseira!... Eta, mundo cão!...
Apita o guarda na esquina e um forte odor
acre espalha-se, ferindo nossas narinas...
É a quanto, gente com e sem ofício,
diariamente se obriga, em injusto sacrifício,
sem espelhar esperança nas retinas!...

Fisionomia,
cara,
face...
anemia,
tara,
subclasse...
- E essa gente tem nome?
- Um só, é FOME!...




*******
Zeca Pestana

A mais rica das fomes
(do poder)
não percebe e não alimenta
A mais pobre das fomes
(de comida)




A FOME
Rosy Beltrão

A vida é uma roda mesmo...anda que anda parece para a frente,gira e de repente você está lá, onde começou se não aprender a que veio, ela volta no mesmo ponto onde há que se decidir, direita ou esquerda não tem outras opções, não dá para mudar o caminho ou é este ou aquele e aí saímos para o lado que supostamente acreditamos ser o certo,às vezes acertamos, outras tantas erramos mas, no final sempre a soma de todas nossas atitudes é um grau positivo na nossa evolução. Com tantas necessidades básicas como a fome, dizem que quem tem fome tem pressa...verdade!

Se olharmos o que podemos ver hoje uma realidade tão diferente de tudo o que o homem já viu antes, o futuro é agora, a cada instante, podemos saber o que acontece nos quatro cantos do mundo, apesar da terra ser redonda, a vida é como ela, tem suas "beiradas" seus cantos e encantos...

Lembro-me das lições e das conclusões a que cheguei sobre vida, morte e vida depois da morte e só aí encontro explicação para cada ato de terrorismo, para a morte banal e sem sentido de um menino criado na rua, sem pais, sem quem olhe por ele, não tem destino certo, será escolha própria, dele, exclusivamente dele ser ou não ser um bandido, ladrão... não será só o ambiente em que será criado, se terá ou não fome, se terá ou não família, sua índole tem um código genético, um DNA e depende de sua história espiritual, é no que acredito.

Não acho que nada é por acaso, só nós não entendemos imediatamente o que a vida nos impõe naquele momento, passado o vendaval, o dia clareia, nasce o sol de novo, ameniza dores, angustias e dissabores, dá a vida nova cara, novo semblante expressa em seu brilho no olhar e ver que aquilo foi-se, passou e o vento bate no rosto com uma leve brisa e uma andorinha no céu te lembra que o vida é mais do que tudo livre, alegre e suave... depende de como você vê seu destino, das atitudes que toma diante das adversidades... fome? Sim, tenho fome de VIDA, de LUZ, de AMOR, de AMIZADE, de IRMANDADE, de SOLIDARIEDADE, de COMPREENSÃO, de SONHOS a realizar...

Mato minha fome diariamente com um pouco de cada uma delas, e me regozijo felizmente em escrever o que sinto, é a minha cereja no chantilly.

(Meu primeiro texto depois de 6 meses, obrigada DD pela oportunidade e por seu carinho para com meus escritos.)

SOLUÇÕES PARA PRODUZIR ALIMENTOS



GRITO DE ALERTA
Neli Neto

Hei você ai!
Pare um pouco e escute
as vozes que chegam em sussurros...
São lamentos dos famintos
das muitas crianças, mulheres,
dos pobres enfermos, idosos,
seres humanos que choram
pedindo sua atenção.

Vivem na mais profunda miséria
cercados do cheiro da morte.
Choram lágrimas de sangue
com o estomago apertado
doendo por estar vazio
gritando por estar com fome.

Tudo que lhes acontece
será culpa de quem?
Do acaso? Do descaso?
Ou do jogo do poder que urge
os deixando abandonados
entregues à própria sorte
sem saberem o que fazer?

São pessoas desnutridas
que vivem no submundo
quase só pele e osso.
Que matam sem consciência
por culpa da humilhação
por um pedaço de pão.

No silêncio sepulcral
que lhes cerca a vizinhança
eles só pedem humildes
entre trapos e farrapos
o calor de uma atenção.
Só desejam que lhes olhem
com uma valorização.

Que lhes sirvam alimento
que saciem sua fome
que lhes preencham a alma
de esperança solidária
pondo fim na aflição
num afago bem suave
um pedido de perdão.

Todos somos culpados
pela fome que nos cerca
Por ficarmos bem calados
frente à constatação.
Por elegermos pessoas
que prometem e não cumprem
na ascenção de um poder.

E nada fazermos de nobre
para alterar este fato
uma simples doação.
Um mero gesto que seja